A partir dos diagnósticos de enfermagem identificados, elabo- rou-se a sistematização da assistência de enfermagem com diagnós- ticos, resultados e intervenções (Quadro 1).
Quadro 1 – Descrição do diagnóstico, resultado esperado e intervenções de en- fermagem. Fortaleza-Ce - 2014
Diagnóstico de enfermagem
Resultado
esperado Intervenções de enfermagem
Padrão respiratório ineicaz, relacionado à secreção espessa, fadiga e precário esforço da tosse. Passagem aberta e limpa para a troca de ar com o ambiente
- Aumentar a ingesta hídrica, para facilitar a luidiicação das secreções
- Realizar umidiicação para amolecer as secreções e melhorar a ventilação
- Realizar drenagem postural - Estimular a tosse e expectoração
- Observar a capacidade de tossir e expectorar muco eicazmente
- Documentar as características, a quantidade do escarro, a presença de hemoptise
- Ajudar o paciente a aumentar sua capacidade de tossir de forma efetiva
- Remover secreções, encorajando tossir ou aspirando - Avaliar a função respiratória
- Auscultar os campos pulmonares - Palpar quanto ao frêmito torácico - Monitorar o ritmo cardíaco - Monitorizar os sinais vitais
- Investigar mudanças ou deterioração súbitas no distúrbio
- Ensinar o paciente a usar inaladores, prescritos, conforme adequado
- Instruir sobre medidas de higiene e cobrir a boca e o nariz quando tossir e espirrar
Náusea relacionada ao tratamento. Melhora do apetite Controle de náuseas e vômitos Melhora do estado nutricional, ingestão de alimentos e líquidos Ganho de peso Hidratação
- Controlar a náusea e vômito - Monitorar estado nutricional - Controlar e administrar medicamentos - Manter saúde oral
- Monitorar aspectos hidroeletrolíticos - Planejar a dieta Intolerância à atividade relacionada à função respiratória ineicaz, fadiga, estado nutricional alterado e febre Aptidão física Atividade da vida diária Atividades instrumentais da vida diária Conservação da energia Energia psicomotora Tolerância à atividade
- Encorajar o repouso adequado e equilibrado com a atividade moderada
- Informar sobre as limitações na realização de atividades e a alternância destas com períodos de repouso para evitar a fadiga
- Avaliar a resposta do paciente à atividade - Aumentar a ingesta hídrica, para facilitar a luidiicação das secreções
- Realizar umidiicação para amolecer as secreções e melhorar a ventilação
- Realizar drenagem postural
- Avaliar quanto à dispneia, taquipneia, sons respiratórios anormais ou diminuídos, esforço respiratório aumentado, expansão torácica limitada e fadiga
- Elaborar um plano nutricional
- Encorajar um aumento da ingestão de proteína, ferro e vitamina C, quando adequado
- Monitorar o peso periodicamente
- Investigar anorexia, náusea ou vômito e observar possível correlação com o medicamento
- Monitorar a frequência, o ritmo cardíaco - Monitorar os sinais vitais
- Monitorar sons intestinais; frequência, volume e consistência das fezes
- Monitorar a temperatura e os horários em que ocorrem os episódios de febre
- Administrar antitérmicos conforme prescrição médica Hipertermia. Termorregulação (equilíbrio entre a produção, o aumento e a perda de calor)
- Monitorizar os sinais vitais
- Monitorar a temperatura e os horários em que ocorrem os episódios de febre
- Orientar administração de antitérmicos conforme prescrição médica
Diagnóstico de enfermagem
Resultado
esperado Intervenções de enfermagem
Diagnóstico de enfermagem
Resultado
esperado Intervenções de enfermagem
(continuação Quadro 1) Isolamento social relacionado à doença, alterações na aparência física, bem-estar alterado e afeto triste Bom ambiente familiar e social Apoio social Bem-estar pessoal com melhora da percepção e do enfrentamento Aumento da socialização Equilíbrio do humor - Aconselhar - Melhorar a autoestima - Dar suporte emocional - Dar suporte à família
Dor aguda relacionada a agentes lesivos
Controle da dor
- Orientar a prescrição de medicamentos para controle da dor
- Administrar medicamentos - Dar suporte emocional - Reduzir a ansiedade
- Proporcionar toque terapêutico - Realizar terapia simples de relaxamento Fonte: Elaborada pelas autoras.
Considera-se que os achados deste trabalho são elementos im- portantes na avaliação dos pacientes em tratamento para tuberculose. Os dados também se constituem em fatores importantes a serem obser- vados pelo enfermeiro para que se possa realizar uma boa evolução de enfermagem, instrumento de registro que favorece a qualidade do cui- dado e implementação de intervenções que podem levar a resultados positivos de saúde.
Conclusão
Foram evidenciados 11 diagnósticos de enfermagem. A partir destes, elaborou-se um plano de cuidados para os pacientes com tuber- culose. Tal instrumento poderá ser validado, sofrer alterações quando necessário, e ter seu uso padronizado no atendimento aos pacientes com tuberculose.
Verificou-se a necessidade e importância de sistematizar a assis- tência para possivelmente melhorar a qualidade e garantir a continui- dade do cuidado de enfermagem; aproximar o enfermeiro do cuidado; diminuir os erros humanos; organizar o excesso de informações; manter um banco de dados fértil para o desenvolvimento de pesquisas; exer- citar a Enfermagem Baseada em Evidência; desenvolver padrões de cuidado e avaliar a sua efetividade; garantir o acesso à informação exata e oportuna; diminuir e controlar melhor os custos.
A Sistematização da Assistência de Enfermagem vislumbra o aperfeiçoamento da capacidade de solucionar problemas, tomar deci- sões e maximizar oportunidades e recursos formando hábitos de pensa- mento. A SAE foi desenvolvida como método específico para aplicação da abordagem científica ou da solução de problemas na prática e para a sua aplicação, enfermeiros precisam entender e aplicar conceitos e teo- rias apropriados das ciências da Saúde, incluídas aí a própria Enfer- magem, as ciências físicas, biológicas, comportamentais e humanas, além de desenvolver uma visão holística do ser humano. Esse conjunto de conhecimentos proporciona justificativas para tomadas de decisão, julgamentos, relacionamentos interpessoais e ações.
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