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Os edifícios hospitalares constituem um dos tipos mais complexos de edifícios, reunindo, pelo menos, três blocos funcionais básicos: bloco de administração e diagnóstico, bloco de

arquitetônica e disposição de espaços totalmente diferentes, pelo que a estrutura de custos também é totalmente distinta (MASCARÓ,1992:4,5)10.

O bloco de administração e diagnóstico tem geralmente fluxos de pessoas muito intensos, pelo que deverá ser o mais compacto possível, desde que sua função seja cumprida, pois, desta forma as circulações serão mais curtas. Sempre que possível, este bloco deverá se localizar no térreo, ou pelo menos, ser de baixa altura, dispensando o uso de circulações verticais, muito caras. No bloco de internação a circulação de pessoas é das menores do edifício hospitalar. Se o partido arquitetônico adotado fôr vertical, a localização deste bloco deverá ser em pavimentos mais elevados.

O bloco de cirurgia e obstetrícia é um bloco onde a iluminação e a ventilação natural normalmente são prejudiciais, já que podem se tornar fontes de contaminação ou, pelo menos, de complicação das extremas condições de esterilização que neste bloco se fazem necessárias. Como o custo do edifício diminui à medida que seu índice de compacidade11 aumenta, uma medida de economia será localizar este bloco no centro do edifício, aumentando, assim, seu índice de compacidade.

Os edifícios hospitalares, do ponto de vista tipológico, podem ser classificados em dois tipos básicos:

- hospitais verticais: compostos de uma torre ou uma barra com vários andares, complementada, às vezes, com uma base maior de uns poucos andares;

- hospitais horizontais: partido que pode ser desenvolvido em forma de um bloco único de um edifício tipo pátio ou subdividido em pavilhões.

Do ponto de vista do custo, um edifício pode ser dividido em duas partes básicas: - os espaços construídos

- os equipamentos e instalações necessários para que o edifício possa cumprir sua função. Cada uma dessas partes, analisadas economicamente, varia de forma diferente, embora, construtivamente, estejam fortemente ligadas entre si. Por exemplo, o custo da circulação vertical de um edifício varia fundamentalmente se o projeto prevê ou não o uso de elevadores; o custo da instalação sanitária é função direta do número de banheiros com que conta o edifício, etc. A presença ou ausência de alguns destes equipamentos é usada para indicar a categoria e o nível sócio-econômico do edifício, podendo seu custo global ser estimado por metro quadrado (MASCARÓ,1992:7).

10 Juan Luis Mascaró. Aspectos econômicos do projeto de hospitais. UFRGS,1992.

11 OBS: Para o caso do clima tropical equatorial de Fortaleza, a compacidade dificulta o aproveitamento da

O custo dos espaços construídos é função direta de suas medidas, sem exceção alguma, dependendo das resoluções dimensionais adotadas para o edifício: comprimento, largura, altura do pé-direito, número de pavimentos, etc. O custo dos equipamentos, ao contrário, depende de decisões dicotômicas (sim ou não), embora as decisões dimensionais também influam com peso muito inferior. Mais importante que os custos de construção e instalação dos equipamentos, são seus custos de manutenção e uso, muito mais difíceis de se prever. A falta de manutenção dos espaços construídos levará, a longo prazo, o edifício a deixar de cumprir suas funções, enquanto uma instalação sem conservação permanente e reparação imediata pode causar danos irreparáveis e mais significativos que o simples custo do serviço (MASCARÓ,1992:7,8).

Do ponto de vista quantitativo, pode-se afirmar que em média: - no custo de construção:

• 70% corresponde à parte civil (espaços) • 30% corresponde às instalações

- no custo de manutenção:

• 70% corresponde às instalações

• 30% corresponde à parte civil (espaços).

Como foi visto, o maior peso do custo de construção está nos espaços e o de manutenção está nas instalações. Por isso, o projeto de um edifício hospitalar deve tentar:

- na parte civil: minimizar o custo da construção

- nas instalações: minimizar os custos de manutenção (MASCARÓ,1992:8,9).

Na parte civil deve-se minimizar a quantidade de materiais utilizados assim como seus custos unitários, sem se preocupar tanto com seus possíveis custos de manutenção que sempre serão pequenos frente aos de construção. Nas instalações ocorre o contrário, a escolha de sistemas e materiais deve ser visando diminuir ao máximo os custos de manutenção, sem se preocupar demais com os custos iniciais da implantação (MASCARÓ,1992:9,10).

Para se atingir a máxima economia global no projeto de um edifício hospitalar, o ideal é que não haja tanta preocupação com a vida útil de um revestimento, de um piso ou de uma tinta (o que não quer dizer usar materiais de baixa qualidade), materiais e elementos que fazem parte da obra civil, mas, nas instalações, ao contrário, deve-se procurar aqueles que apresentem a menor probabilidade de falha, mesmo que sejam um tanto mais caros que suas alternativas (similares) (MASCARÓ,1992:10).

O edifício pode ser dividido em três partes fundamentais e funcionais para ser entendido economicamente: planos horizontais (estrutura resistente, contrapiso, piso), planos verticais (alvenaria, isolamento e pilares estruturais; acabamentos verticais; caixilharia e esquadrias) e

instalações. Na análise do custo médio, em relação ao custo global, 40% são para os planos verticais, 30% para os planos horizontais e 30% para as instalações (MASCARÓ,1992:10- 12,15).

Nos planos horizontais, a maioria do custo refere-se à estrutura resistente, sendo importante, para sua economia, um adequado ajuste do tipo de estrutura escolhida aos vãos que ela deve vencer, assim como as cargas que tem de suportar. Nos planos verticais a maioria do custo está associada a materiais de acabamento e de aberturas onde existe uma enorme quantidade de materiais e elementos alternativos. O custo de manutenção e operação do edifício em grande parte será predeterminado pelas decisões projetuais que forem adotadas. Do ponto de vista funcional, durante sua vida útil, é necessário que o edifício tenha flexibilidade para permitir possíveis reformas e para a utilização dos espaços, embora, toda flexibilidade implique em maiores custos de construção.

Num edifício hospitalar, os custos presentes (de construção) e futuros (de manutenção e utilização) devem merecer uma análise comparativa especial, particularmente no que se refere a suas instalações. Nelas há dois tipos distintos:

- Redes trabalhando por pressão (água fria e quente, oxigênio, ar condicionado, ar comprimido, vapor, etc.), contra pressão (vácuo) e tensão (eletricidade, telefonia, televisão, música ambiental, etc.); as redes desses sistemas têm altos custos de manutenção e de operação e estão sujeitas a falhas frequentes; suas partes devem: ser facilmente removíveis e substituíveis, ser intercambiáveis com partes em venda avulsa no mercado, e ter alta qualidade mesmo que mais caras que suas alternativas.

- Redes trabalhando por declividade (esgoto, pluvial); estas redes têm baixo índice de falhas, pelo que sua facilidade de remoção e substituição pode ficar relegada a um segundo plano; o mais importante é atingir um baixo custo de construção (MASCARÓ,1992:16,17).

No primeiro grupo, as redes com tubulações aparentes ou colocadas dentro de paredes e lajes, mas com tampas que as tornem facilmente visitáveis, serão uma fonte importante de economia no custo de manutenção. No segundo grupo, as redes visitáveis são praticamente desnecessárias.

O tamanho e a forma dos compartimentos de um edifício podem influir no seu custo de construção. Como já foi visto, os planos verticais de um edifício (paredes, fachadas, divisórias, etc.) atingem 40% de seu custo total de construção. Esse é apenas um valor médio, no entanto, três são os fatores que condicionam a porcentagem indicada:

- os materiais componentes e sistemas construtivos empregados na construção, fazendo com que o custo por metro quadrado de parede seja variável; são várias as alternativas (qualitativas e quantitativas) dos materiais existentes para se construir uma parede;

- o tamanho médio dos locais, que determina a quantidade média de paredes por metro quadrado construído;

- a forma dos compartimentos e do edifício, ou seja, seu grau de compacidade (fator de economia ainda menos considerado) que, como no caso anterior, influi fortemente na quantidade média de paredes por metro quadrado construído (MASCARÓ,1992:22,23).

Uma das preocupações com a redução de custos é quanto a diminuição da qualidade através da escolha de materiais e do tipo de execução do prédio e, pouquíssimas vezes, por meio da forma e tamanho dos locais. A influência do tamanho médio dos locais nos custos de construção é relativamente fácil de se calcular, porém, torna-se mais difícil imaginar a influência que a forma dos locais e do edifício exerce sobre os custos (MASCARÓ,1992:23).

A relação entre as paredes que envolvem o edifício e sua superfície horizontal poderá ser medida e avaliada com certa objetividade através do que se conhece como “Índice de

Compacidade” dos edifícios, que é definido como a relação percentual que existe entre o perímetro de um círculo de igual área do projeto e o perímetro das paredes exteriores do projeto. Matematicamente, o índice máximo de compacidade é 100 e corresponde a um projeto de planta circular. Estudos realizados por diferentes instituições em vários países desenvolvidos, como a

Building Research Station da Inglaterra, constataram que projetos com altos índices seriam em princípio antieconômicos por possuírem partes das plantas curvas ou ângulos entre paredes superiores a 90° (MASCARÓ,1992:30,31).

Dependendo do índice de compacidade de um projeto, menores serão os custos de construção e também as perdas e ganhos térmicos indesejáveis, diminuindo os custos de manutenção e uso do edifício. Para se fazer um edifício econômico não é imprescindível fazer um projeto de planta quadrada ou quase quadrada, sendo necessário atentar para uma boa ventilação, iluminação ou para se adequar a desníveis do terreno (MASCARÓ,1992:31-33).

Quanto à influência da variação da altura do efifício no custo da construção, pode ser verificada de duas formas complementares: a variação de altura do pé-direito e a variação da quantidade de pavimentos. Quando varia a altura do pé-direito nos edifícios, o que varia é a quantidade de planos verticais. Nos edifícios hospitalares como a composição e quantidade dos planos verticais variam com os blocos, a influência dessa variação é diferente para cada bloco. De modo geral, os estudos mostram que as economias nos custos de construção serão muito pequenas com a diminuição do pé-direito dos locais (MASCARÓ,1992:38,39).

Os principais elementos ou fatores que acarretam variações no custo de construção em relação à altura (quantidade de pavimentos) dos edifícios são:

- incidência crescente no custo: a estrutura resistente; os elevadores; as fachadas; as instalações em geral; a duração da obra; insumo de mão-de-obra;

- incidência decrescente no custo: movimento de terra; os subsolos do edifício (quando existem); a cobertura; vestíbulo dos elevadores e outros espaços comuns; terreno ocupado; - incidência variável de custo, ou seja, crescente ou decrescente conforme os casos: as

fundações dos edifícios; a elevação dos materiais (MASCARÓ,1992:40,41).

Outra importante variação de custo de construção do edifício está no seu sistema de circulação interior, elemento indispensável, especialmente nos prédios altos, com funções e medidas definidas. O sistema de circulação de edifícios hospitalares verticais é formado por duas partes: uma vertical – escadas, rampas e, quando necessário, elevadores; e outra horizontal – formada por corredores de distribuição, estes tanto mais extensos quanto mais concentrados estiverem os núcleos de circulação vertical. Nos edifícios hospitalares horizontais as circulações tendem a ser muito extensas, cuja tendência geral é de perda de compacidade. A largura dos corredores merece uma atenção toda especial, em função das normas e da economia de custo de construção (MASCARÓ,1992:44,49).