O planeta não suporta mais um crescimento econômico a qualquer preço. A Terra grita por mudanças de valores, de princípios e de atitudes. Frente a esse novo paradigma, as
empresas são “forçadas” a se adaptarem a fim de que não percam, acima de tudo, seus
mercados.
Um comportamento sustentável é uma dessas mudanças de padrões a que as empresas têm que se submeter. É, antes de tudo, um projeto que necessita da participação de diversos agentes para sua implementação. Dentre esses agentes, o setor empresarial surge
como ator fundamental nesta mudança. “A atuação das empresas transita por sua relação com
sustentabilidade precisa permear todas essas atuações”, enfatiza Vilela (2010)32
em entrevista ao Planeta Sustentável em abril de 2010.
Observando o conceito da Carta da Terra, podemos perceber que ela surge na
tentativa da “construção de uma sociedade global no século XXI, que seja justa, sustentável e pacífica”. Percebe-se, então, que se desenvolver de forma sustentável é o grande desafio. Para
isso acontecer, é preciso se disseminar a sustentabilidade em todas as áreas. Por isso é fundamental que os processos produtivos também sejam reorientados.
No próprio texto da Carta da Terra, pode-se perceber o chamado à colaboração dos setores sociais nesta caminhada, rumo às mudanças: "A parceria entre governos, sociedade civil e empresas é essencial e eficaz para a boa governabilidade da Iniciativa da Carta da Terra" (O caminho adiante).
A adesão do setor privado à Iniciativa da Carta da Terra é chave e está aumentando consideravelmente, nos últimos anos (VILELA, 2010). Através do Gráfico 1, pode-se perceber que, depois da grande adesão de ONG‟s e de organizações inerentes à educação, partes fundamentais em movimentos que visam a mudanças, a categoria dos negócios, na qual se destacam, também, as empresas, é a que mais vem aderindo Iniciativa da Carta da Terra. O que demonstra o comprometimento desse setor na execução dos valores e nos princípios da Carta da Terra e na boa vontade para cooperar com os outros neste esforço.
É fato que, ao longo do tempo, as exigências sociais e ambientais foram aumentando e, atualmente, as empresas que não atendam a essas exigências podem estar precipitando sua saída do mercado. É preciso, pois, avaliar como as organizações podem e devem se posicionar diante de uma sociedade cada vez mais exigente e consciente das responsabilidades que as corporações têm em relação à economia, ao meio ambiente e à própria sociedade (SOUZA, 2006, p.78).
Gráfico 1 - Categoria de organizações que demonstraram oficialmente seu apoio a Carta da Terra no mundo. Fonte: Elaboração própria.
Segundo a Earth Charter Initiative (2008), o objetivo geral de envolver as empresas com a Carta da Terra é inspirar e aprofundar seus compromissos com a responsabilidade social e ambiental.
A Carta da Terra traz para as empresas o conceito de responsabilidade social, fornecendo elementos universais estruturados para reconhecer seu papel na humanidade. Ela sugere novas formas de alcançar mudanças positivas e desenvolver novas habilidades, talentos e sentimentos dentro dos diferentes padrões de convivência. Mas de que maneira o setor privado pode utilizar a Carta da Terra? Essa é a grande questão.
A Carta da Terra Internacional sugere algumas maneiras para esse envolvimento:
o Envolvendo os funcionários na visão de sustentabilidade, tomando a Carta da Terra como
um instrumento para educar, treinar e inspirar.
o Fazendo avaliação das atividades das empresas, à luz dos valores e dos princípios
consagrados na Carta da Terra, através da utilização das orientações de outros documentos internacionais, como, por exemplo, o Global Reporting Initiative (GRI).
o Incorporando os valores e os princípios da Carta da Terra na declaração de missão da
empresa e em suas operações principais, a fim de criar uma empresa socialmente e ambientalmente mais responsável.
Como parte de uma estratégia para envolver cada vez mais as empresas com a Iniciativa, a CTI vem realizando um trabalho de coordenação com líderes de negócios para desenvolver parcerias com o Pacto Global das Nações Unidas (Global Compact) e a Global Reporting Initiative (GRI). Ela apóia firmemente a visão complementar entre essas iniciativas e incentiva todas as organizações a participarem tanto do GRI e do Pacto Global como da adoção da Carta da Terra (ECI, 2008).
No âmbito das parcerias acima mencionadas, são convidados líderes empresariais para usar a Carta da Terra como um ponto de referência ético em seus diálogos com os atores da sociedade civil e outros interessados.
A Carta da Terra, enquanto documento é mais um recurso disponibilizado para incentivar o empresariado a aprovar e implementar sua filosofia nos negócios e assim ajudá-lo a esclarecer um pouco dos contrapontos existentes entre essas iniciativas e oferecer ao setor privado alternativas sustentáveis para seus negócios.
"A Carta da Terra define, em profundidade, a visão de um mundo melhor. Ela é um dos documentos mais genuínos, sistêmicos e notáveis que a humanidade já produziu", define a empresária Chieko Aoki, que está à frente da rede de hotéis e resorts Blue Tree (BRASILEIROS, 2008). Presidente do Grupo de Mulheres Líderes Empresariais (Lidem), Chieko, como uma das mulheres de negócios mais influente do Brasil, fez da Carta da Terra sua bandeira e sua missão. "Procuramos sensibilizar homens e mulheres líderes para a questão da sustentabilidade, tão coerente com a visão feminina do mundo e do futuro, e cada vez mais presente em nossas vidas e nos nossos negócios", diz ela.
O estudo realizado pela IBM33 (2008)34, intitulado “A empresa do futuro”, mostra as perspectivas futuras para o setor de negócios. Nesse estudo, foram feitas entrevistas com mais de 1000 empresas e administradores ao redor do mundo, e um dos fatores mais
importantes que resultaram dessa pesquisa é o fato de que as empresas devem ser “Genuínas, não apenas generosas”, ou seja, “a empresa do futuro ultrapassa os limites da filantropia e da
conformidade; ela reflete uma preocupação sincera com a sociedade em todas as ações e
decisões” (2008, p.60). Esse tópico expõe a grande relevânca que os altos executivos do
mundo estão dando para a gestão socialmente responsável.
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International Business Machines (IBM) é uma empresa estadunidense do ramo de tecnologia da informação.
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Ainda segundo Fontoura (2009), as implicações do estudo demonstram ainda que as empresas abordam a responsabilidade social corporativa de forma mais ampla para a
“empresa do futuro”, na qual a responsabilidade social será ainda mais importante e
fundamental.
Todos esses fatos demonstram que a RSE, como mudança de conduta das empresas, não é utopia, nem muito menos moda, mas, sim, um imperativo que veio para ficar e precisa ser trabalhado para que, cada vez mais, as empresas comprometam-se e assumam posturas éticas e transparentes e estendam seus benefícios e ganhos aos seus públicos mais necessitados. Por isso disseminar a Carta da Terra, nessa área focal, não é uma atividade impossível de ser feita, mas requer mudanças de posturas e vontade política.