concept level, index level e term level
O modelo de entrada terminológica a adotar no âmbito deste projeto baseia-se no modelo de ficha terminológica proposto por Wright e Budin (2001), que pode ser adotado na criação de bases terminológicas monolingues e multilingues. De acordo com o modelo de Wright e Budin, a ficha terminológica tem três níveis diferentes de informação: concept
level (nível do conceito); index level (nível da língua) e term level (nível do termo).
No concept level podemos encontrar (i) o número da entrada; (ii) uma imagem; (iii) uma definição: (iv) outras informações importantes para a compreensão do conceito podem ser fornecidas noutras categorias como uma nota ou o contexto que também pode aparecer neste primeiro nível. Sempre que for inserida informação resultante de pesquisa deve ser inserida a fonte.
Ainda sobre a categoria de dados relativa à definição do conceito, esta requer uma especial atenção. Em primeiro lugar, esta pode surgir apenas num nível, ou se acharmos pertinente, em mais do que um nível. O terminólogo decide em que nível deve constar a definição do conceito. Essa definição poderá aparecer no concept level ou index level. Relativamente às características da definição, estas devem (i) ser curtas, claras, precisas e fornecer as características essenciais de um conceito; (ii) proporcionar o significado do conceito e não informar sobre o uso de um termo (Sager, 2000: 12); (iii) ser fidedignas; (iv) distinguir o conceito de outros conceitos vizinhos no mesmo sistema conceptual49. Por outro lado, durante a criação de definições devemos optar por: (1) frases afirmativas: a frase diz o que é o conceito e não o que não é; (2) definições não circulares: a definição não deve remeter a outra definição; (3) ausência de redundância: a definição não é a
49 Conjunto de conceitos estruturados de acordo com as relações lógicas que mantêm entre si (Pavel & Nolet,
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repetição do termo, mas uma descrição dos traços semânticos do conceito (Pavel e Nolet, 2001: 26).
No nosso glossário temos três index levels, correspondendo às três línguas representadas no Glossário: português, inglês e espanhol. O index level contém as seguintes informações: identificação do idioma; a definição do conceito; uma nota; o contexto, que pode exemplificar a aplicação do termo e, mais uma vez, não podemos esquecer a fonte. No caso de uma base de dados multilingue podemos ter tantos index
levels, como o número de idiomas utilizados.
Cada um destes níveis possui um subnível a que chamamos term level e está relacionado com algumas características referentes a cada termo: classe da palavra: nome, verbo, etc; género: masculino ou singular; número: singular ou plural; estado: termo preferido ou não; tipo de uso: técnico, literário, etc; contexto.
‘Concept level’ Número correspondente à entrada: Imagem:
I-Fonte50: ‘Index Level’ (Português) Língua:
Definição: D-Fonte51: Contexto: C-Fonte52: Nota: N-Fonte53:
‘Term Level’ Termo:
Classe da palavra: Número: Género: Tipo: Estado: Tipo de uso: Contexto: C-Fonte: Index Level (Inglês) Língua:
Contexto: C-Fonte: 50 Fonte da Imagem. 51 Fonte da Definição 52 Fonte do Contexto. 53 Fonte da Nota.
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Definição: D-Fonte: Nota: N-Fonte:
‘Term Level’ Termo:
Classe da palavra: Número: Género: Tipo: Estado: Tipo de uso: Contexto: C-Fonte: ‘Index Level’ (Espanhol) Língua:
Contexto: C-Fonte: Definição: D-Fonte: Nota: N-Fonte:
‘Term Level’ Termo:
Classe da palavra: Número: Género: Tipo: Estado: Tipo de uso: Contexto: C-Fonte:
Tabela 6: Exemplo de ficha terminológica Fonte: Elaboração própria
De seguida, apresentamos um exemplo da estrutura da ficha terminológica do glossário que pretendemos desenvolver:
‘Concept level’ Número correspondente à entrada:1 Imagem:
I-Fonte: Remelgado, 2005: 1.
‘Index Level’ Língua: Português
Definição: Lugar onde o barro é amassado; consiste num espaço circular de aproximadamente 5 metros de
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diâmetro, calcetado e delimitado por um rebordo de cerca de 20 cm de altura.
D-Fonte: Villas-Boas, 1948: 258
Nota: Em Areias São Vicente, era assim designado o local onde o barro era pisado pelos bois e pelas pessoas que colaboravam nessas tarefas.
F-Nota: Remelgado, 2005: 163
‘Term Level’ (i) Termo: calco
Classe da palavra: nome Número: singular Género: masculino Estado: termo preferido Tipo de uso: olaria (ii) Termo: aloque Classe da palavra: nome Número: singular Género: feminino
Estado: termo não
preferido
Tipo de uso: olaria
‘Index Level’ Língua: English
Definição: Place where the clay is kneaded; it consists of
a circular space with approximately 5 meters in diameter, cobbled and delimited by an rim of about 20 cm height.
Nota: In Areias São Vicente, this was the place where the
clay was stepped on by cows and people who collaborated in this work.
“Term Level” Termo: kneading trough
Classe da palavra: noun Género: masculine Estado: preferred term Tipo de uso: pottery
‘Index Level’ Língua: Español
Definição: Lugar donde el barro es amasado; es un
espacio circular con alrededor de 5 metros de diámetro, empedrado y com un reborde de alrededor de 20 cm de altura.
Nota: En la parroquia de Areias de S. Vicente, este era el
lugar donde el barro era pisado por los bueyes y por las personas que colaboraban en esas tareas.
‘Term Level’ Termo: era
Classe da palavra: nombre Número: singular
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Estado: termo preferido Tipo de uso: alfarería
Tabela 7: Exemplo de ficha terminológica orientada ao conceito Fonte: Elaboração própria.
O trabalho terminológico não termina com a criação de uma base de dados porque a gestão de conteúdos terminológicos é uma tarefa contínua.
O terminólogo deve munir-se de material de trabalho atualizado e fazer por estar atualizado sobre a área em que trabalha (Pavel e Nolet; 2001: 9), seja através de enciclopédias, monografias, manuais universitários e técnicos, atas de congressos e colóquios, publicações especializadas e de divulgação, documentalistas e especialistas e participar em fóruns ou grupos de discussão especializados via Internet, entre outros.
Recentemente, a Terminologia tem servido a aplicações mais práticas e próximas da realidade. Com a explosão da informação, a diversidade de termos técnicos e científicos, que surgiram com as novas tecnologias, a necessidade de comunicação internacional mais eficiente e uma procura cada vez maior por rapidez e facilidade na recuperação de informações dispersas em inúmeras bases de dados, arquivos e outros meios eletrónicos, é necessário desenvolver bases de dados terminológicas mais exigentes (Dias, 2000: 91-92). Neste sentido, e em sequência da opinião da Dra. Cláudia Milhazes, Diretora do Museu:
O quotidiano dos oleiros e barristas (…) estão repletos de vocábulos que com o passar dos anos foram desaparecendo das conversas do dia-a-dia da população dos grandes centros urbanos. No entanto, todos esses vocábulos devem ser estudados e preservados como património cultural.
Por isso, o nosso glossário poderá contribuir para a preservação do património linguístico.
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Com a criação deste glossário pretendemos também uniformizar os conhecimentos especializados do Museu de Olaria, indo ao encontro de um dos principais princípios da Terminologia, a uniformização (Pavel e Nolet, 2001: 29).
Um terminólogo pode herdar uma base de dados terminológica existente ou ser incumbido de criar uma. No nosso caso, o Museu já possuía uma, fruto do trabalho e pesquisa de Pedro Linhares, que havia realizado um estágio nesta mesma instituição.
Este glossário reúne dados que resultam da investigação de autores comoJoaquim Sellès Paes de Villas-Boas, Patrícia Remelgado ou de Isabel Maria Fernandes. Esta última autora desenvolveu um estudo de mais de 30 anos centrado na olaria que culminou numa tese de doutoramento sobre a louça preta em Portugal e, como trabalhou durante muitos anos no Museu de Olaria, conseguiu reunir um conjunto de vocabulário determinante para o conhecimento sobre o barro e a sua envolvência a nível nacional.
Esta autora realizou uma pesquisa que resultou num glossário monolingue, onde aborda as formas, usos e costumes das louças que foi encontrando, tendo ela contribuído para o aumento do espólio do Museu de Olaria (Fernandes, 2012).
Perante uma base de dados existente, tivemos, em primeiro lugar, de familiarizar- nos com o documento e com as fontes utilizadas para a sua criação, com o objetivo de avaliar a sua qualidade e atualidade.
Nesta altura apercebemo-nos que uma das referências bibliográficas era dos anos 40, o que nos levou a algumas dúvidas relativamente à atualidade da mesma. Contudo, apercebemo-nos que a nossa base de dados terminológica poderia ultrapassar os objetivos de uma simples base de dados multilingue: disponibilizar conteúdo terminológico em diferentes línguas, mas contribuir para a preservação de uma linguagem que caiu em desuso.
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