7. Effekter av fruktose på lipidmetabolismen
7.2 Lipidprofil i blod og karsykdommer
É fato que a tradução está relacionada à historicidade, tendo em vista que os aspectos sócio- históricos têm influência muito grande sobre quais obras serão traduzidas, considerando-se a cultura receptora. Desse modo, a tradução está sujeita a uma instabilidade de poder, a qual depende do peso da cultura exportadora em relação à cultura receptora. Além disso, a
historicidade é relacionada à noção de linguagem e à noção do outro que cada comunidade linguística possui historicamente. (apud in VIDAL; ALVAREZ, 2013)
Relaciona-se as escolhas e estratégias utilizadas por Veríssimo na tradução Contraponto com o contexto histórico da primeira fase do Regime Vargas no início da década de 1930 no Brasil dentro de todo esse contexto. Para Aixelá (apud in VIDAL; ALVAREZ, 2013, p. 187), “as culturas criam um fator de variabilidade que o tradutor terá que levar em conta”. Ou seja, o tradutor não realiza seu trabalho aleatoriamente, ele encontra-se atrelado às culturas, exportadora e receptora, devendo seu trabalho ser pautado levando em consideração as particularidades existentes em cada uma. Para tanto, o tradutor precisa lançar mão de estratégias que visam ajudá-lo a obter êxito no seu trabalho, ou seja, para que a obra por ele traduzida obtenha sucesso na cultura receptora.
Tendo em vista que tudo em uma língua é produzido culturalmente, inclusive a própria língua, Aixelá desenvolve o conceito de itens culturais específicos (doravante ICE). Em termos gerais, um ICE decorre do embate de uma referência linguística em um texto fonte que traz dificuldades para a tradução ao ser transferido para outra língua. Esse problema ocorre quando o termo ‘problemático’ não existe ou, ainda, quando possui outro valor na cultura alvo, visto que um ICE constitui “um problema de opacidade ideológica ou cultural, ou de aceitabilidade para o leitor comum ou para qualquer agente com poder na cultura alvo.” (Ibid., p. 193)
No caso de Contraponto, por exemplo, os nomes próprios, como: John Bidlake, Marjorie Carling, Everard Webley,termos que acarretam problemas de tradução, permaneceram todos na língua fonte. Em seus estudos, Aixelá (2013) faz a classificação dos ICEs. Trata-se de estratégias para uma melhor tradução dos ICEs. Assim, o tradutor espanhol divide os ICEs em duas grandes categorias: estratégias de conservação e estratégias de substituição. A figura a seguir mostra as estratégias e suas subdivisões:
Figura 1: classificação dos itens culturais específicos em tradução (grifo nosso - apud in AIXELÁ, 2013, p. 196-200)
A. Conservação
Repetição: o termo original é mantido na tradução;
Adaptação Ortográfica: trata-se de procedimentos de transliteração e transcrição. Exemplo: quando a obra traduzida usa um alfabeto diferente da obra original, como nas traduções do inglês para o russo;
Tradução Linguística: o tradutor adota uma referência próxima à do texto fonte, “aumentando sua compreensão oferecendo ao público alvo uma versão facilmente reconhecida como pertencente ao sistema cultural do texto-fonte”
Glosa Extratextual: engloba notas de rodapé, glossários, explicações entre parênteses, visando uma melhor compreensão do termo traduzido;
Glosa Intratextual: a glosa se mantém como parte do texto e geralmente não interrompe a leitura.
B. Substituição
Sinonímia: trata-se de uma questão de estilística, pois o tradutor lança mão de sinônimos para evitar que o ICE seja incessantemente repetido;
Universalização Limitada: o tradutor substitui o termo a ser traduzido por outro item da cultura-fonte que seja mais próximo do leitor;
Universalização Absoluta: o tradutor substitui o termo a ser traduzido por um item neutro, apagando-se sua conotação estrangeira;
Naturalização: o tradutor traz o ICE para a cultura alvo. É comum na literatura infantil;
Exclusão: o ICE é excluído do texto traduzido pelo tradutor. Isso ocorre quando o ICE é ideológica ou estilisticamente inaceitável na cultura alvo;
Criação autônoma: pouco usada pelos tradutores, ocorre quando o tradutor decide acrescentar alguma referência cultural ao texto traduzido, que não estava no texto-fonte. (NASCIMENTO, 2011, p. 1459)
Pretende-se averiguar as estratégias utilizadas na tradução de Point counter point a partir da teoria dos itens culturais específicos, proposta por Javier Aixelá (apud in VIDAL; ALVAREZ, 2013), associadas aos princípios de aceitabilidade e adequação trazidos por Toury (1995) com a teoria dos polissistema.
Na sequência, segue a classificação das estratégias propostas por Aixelá (apud in VIDAL; ALVAREZ, 2013) associada aos conceitos de Toury (1995), subdividindo as estratégias em tendência de aceitabilidade, a qual adapta as referências linguísticas e culturais ao leitor do texto alvo; e de adequação, a qual conserva as marcas culturais do texto fonte. Essa referida classificação foi uma reaplicação da associação proposta por Bentes apud Nascimento (2005), que vincula as estratégias propostas por Aixelá (apud in VIDAL; ALVAREZ, 2013) com as tendências domesticadoras e estrangeirizadoras determinadas pela teoria de Lawrence Venuti (2002).
Figura 2: classificação das estratégias em relação às tendências (grifo nosso apud in AIXELÁ, 2013, p. 196-200)
Com isso, Aixelá (apud in VIDAL; ALVAREZ, 2013, p. 215) leva a crer que “a idiossincrasia do tradutor atua no campo de traduções particulares, mas tende a ser anulada quando consideramos a obra como um todo, já que o impulso dominante é tomado pelas normas de tradução ou de aceitabilidade ditadas pelo polo receptor”. Dessa forma, percebe-se que a noção de ICE é importante para a análise das escolhas tradutórias em Contraponto, a fim de compreender como as estratégias utilizadas contribuem para o sucesso da tradução.
Nesse sentido, Aixelá (apud in VIDAL; ALVAREZ, 2013) mostra que as traduções de obras canônicas tendem a adotar com mais força as estratégias de conservação, escolha adotada por Veríssimo na tradução de Point counter point.
3. TRAJETÓRIA DE UM TRADUTOR E DE UMA TRADUÇÃO NA EDITORA