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5. Discussion

5.1 Discussion of Main Findings

5.1.4 Linking the alliance to outcome: evaluating results in light of the pathways model

O primeiro encontro das oficinas teve como tema a fome. Após apresentarmos a definição de narração, de crônica e de indicar as diferenças entre ambas, iniciamos o debate sobre a fome a partir da foto “A criança e o abutre”; do mapa do Sudão e da música “We are the world”. Daí propusemos que a produção da crônica fosse feita com base na imagem e fizemos as seguintes perguntas: Quem é aquela criança? Onde ela mora? Quem são seus pais? Como ela se sente? Por que ela está naquela situação? Você já sentiu fome? Conhece alguém que já sentiu fome? Já ouviu alguma história sobre fome? O que você pensa sobre a fome afinal? O Aluno 4 produziu o seguinte texto:

TEXTO 14 (Aluno 4)

Na primeira versão do texto (rascunho), de acordo com o quadro-síntese, ponto de partida da nossa análise, não há características prototípicas da dislexia. Entretanto, há confusão entre as consoantes “s” e “z” em “localisada” (l. 11). Acreditamos que a literatura sobre dislexia não apresente essa confusão nas características prototípicas, porque não é uma troca exclusiva de disléxicos: as consoantes “s” e “z”, em ambiente intervocálico, possuem sons idênticos, o que contribui para que a troca aconteça. No entanto, nos questionamos se seria uma troca esperada em um aluno de 14 anos.

Como parte de nossa metodologia, solicitamos ao aluno que escrevesse a segunda versão do texto (versão definitiva):

TEXTO 15 (Aluno 4)

Na linha 1, ocorre a omissão da vogal “u” na primeira sílaba do nome do personagem “Juonoscreuzodo”, grafado como “Jonoscreuzodo” (Juonoscreuzodo > Jonoscreuzodo) (cf. quadro 1, traço V). Identificamos também: pouca distinção entre as vogais “u” e “e” na palavra “um” (l. 14); confusão entre as consoantes “s” e “z” no nome do personagem, antes grafado com a consoante “z” (no rascunho e na linha 11 dessa versão) (l. 15).

Em nossa metodologia, está proposta a refacção do texto após a correção de acordo com a norma padrão da língua portuguesa. Após corrigirmos e entregarmos o texto definitivo ao Aluno 4, obtivemos o seguinte resultado:

TEXTO 16 (Aluno 4)

Na linha 8, há omissão do trecho “e sua família”, que aparece na primeira e na segunda versão do texto, motivo pela qual a concordância é feita no plural: “Juonoscreuzodo (e sua

família) são desnutridos” (cf. quadro 1, traço VIII).

Apesar da omissão supracitada, problemas presentes no Texto 15, como a omissão da vogal no nome do personagem, a pouca distinção entre vogais e a confusão entre consoantes não aparecem nesta versão do texto, o que reforça a eficácia da metodologia proposta.

No segundo dia de oficina, objetivamos explicar o que é variação linguística, ler o texto “Nóis mudemo” e escrever a segunda crônica a partir das discussões. Obtivemos como resultado o seguinte texto:

TEXTO 17 (Aluno 4)

Na linha 16, em relação à palavra “diferenças”, grafada como “diferências”, houve acréscimo da vogal “i” após a consoante “c” (cf. quadro 1, traço V). Identificamos também: confusão entre as consoantes “s” e “c” em “cilêncio” (l. 10 e 18) e entre as consoantes “s” e “z” em “amisade” (l. 23). Acreditamos que tais confusões não aparecem na literatura sobre dislexia provavelmente por não serem exclusivas dos disléxicos. Em ambiente pré-vocálico as consoantes “s” e “c” têm sons idênticos. O mesmo acontece com as consoantes “s” e “z” em ambiente intervocálico. É importante salientar que, apesar de não serem trocas exclusiva dos disléxicos, são inesperadas em um aluno de 14 anos.

TEXTO 18 (Aluno 4)

Na última linha do texto, os vocábulos “pelo” e “menos” são grafados de maneira aglutinada: “pelomenos” (cf. quadro 1, traço VII). Logo, em relação às características prototípicas da dislexia, há, no Texto 18, uma ocorrência de aglutinação, traço característico na escrita dos disléxicos. Os seguintes problemas linguísticos também foram identificados ao longo do Texto 18: há confusão entre as consoantes “s” e “c” em “cilêncio” (l. 10), “c” e “ss” em “nessesario” (l. 22) e “s” e “z” em “amisade” (l. 22). No caso dessas confusões, é imprescindível ressaltar que tanto as consoantes “s” e “c”, “c” e “ss” e “s” e “z” têm o mesmo som nos ambientes em que ocorrem. Além disso, a palavra “diferenças” foi grafada como “diferencas” (l. 16). Por fim, a consoante “n” na palavra “alunos” (l. 22) não foi grafada de maneira adequada.

Após a correção conforme a norma padrão da língua, solicitamos ao aluno que corrigisse o texto, reescrevendo-o. Tivemos como resultado da reescrita:

TEXTO 19 (Aluno 4)

Na linha 6 do Texto 19, há confusão entre as consoantes “m” e “n” em “nudemo” por “mudemo”, dada a similaridade gráfica e fonológica existente entre ambas (cf. quadro 1, traço I). Há, ainda, os seguintes problemas linguísticos no Texto 19: a palavra “necessária” é separada silabicamente de maneira inadequada, já que o dígrafo “ss” é grafado na mesma linha; há confusão entre as consoantes “s” e “z” em “amisade” (l. 23); confusão entre a consoante “r” e a vogal “u” em “touno” (l. 24) (torno > touno). Embora haja, ainda, problemas linguísticos prototípicos da dislexia na reescrita do texto, observamos que problemas que apareceram no rascunho e no texto definitivo, como o acréscimo de vogal e a aglutinação, foram superados nesta versão.

O terceiro dia de oficina teve como tema a importância da tecnologia no cotidiano. Para a produção de uma crônica sobre o tema, discutimos a crônica de Luís Fernando Veríssimo, debatemos sobre a música “A televisão”, dos Titãs, e analisamos uma charge. Tivemos o seguinte resultado:

TEXTO 20 (Aluno 4)

Nas linhas 6 e 12 do Texto 20, há omissão da consoante “h” em “aviam” (l. 6) (haviam > aviam) e “avia” (l. 12) (cf. quadro 1, traço V), o que pode ser justificado tanto pela presença da dislexia quanto pelo fato da consoante “h” não ter som no ambiente em que se encontra. A segunda versão do texto foi a seguinte:

TEXTO 21 (Aluno 4)

Nas linhas 3 e 7, manteve-se a omissão da consoante inicial “h” em “avia” (havia > avia). Como já destacamos, a omissão pode ser justificada tanto pela presença da dislexia, que tem a omissão de letras como uma das possíveis características atribuídas a ela (cf. quadro 1, traço V), quanto pelo fato da consoante “h” não ter som no ambiente em que se encontra.

Na linha 10, há confusão entre as consoantes nasais “m” e “n” na palavra “mais”, grafada como “nais” (mais > nais). Essa confusão é explicada pelo fato de ambas as consoantes apresentarem similaridade gráfica e fonológica (cf. quadro 1, traço I).

Após a correção do texto anterior conforme a norma padrão, solicitamos a reescrita. Sugerimos também ao aluno que reformulasse o que tinha escrito nas linhas 16 a 21, pois fugia um pouco do tema e discussão propostos. Obtivemos o seguinte resultado:

TEXTO 22 (Aluno 4)

No Texto 22, identificamos dois problemas linguísticos prototípicos da dislexia. O primeiro aparece na linha 12: a vogal “i” da primeira sílaba da palavra “minhas” é omitida: “mnhas” (minhas >mnhas) (cf. quadro 1, traço V) e não apareceu no rascunho nem na segunda versão do texto. O segundo problema está na linha 14 e também se trata de uma omissão de letra: o verbo “haver” é grafado como “avia” (havia > avia) (cf. quadro 1, traço V), fenômeno que aparece nas duas primeiras versões do texto e persiste na reescrita. Há, ainda, confusão entre as consoantes “s” e “c”, que possuem sons idênticos ao antecederem a vogal “e”, em “pencei” (pensei > pencei). Mesmo ainda havendo problemas linguísticos, a confusão entre as consoantes nasais não está presente nesta versão da reescrita do texto. Daí podemos levantar a hipótese do processo de memória enriquecida, pois como já esclarecemos no capítulo 2, após a análise e leitura correta de uma palavra durante várias vezes, um modelo neural dessa palavra com sua ortografia, pronúncia e significado é permanentemente armazenado no sistema occipitotemporal. Isso quer dizer que no momento em que o estudante olha a palavra escrita, o sistema e todas as informações relevantes sobre essa palavra são automaticamente ativados, sem esforço ou pensamento consciente.

ele, algum parente ou amigo próximo sofreu com o racismo. Pedimos que ele escrevesse o que fazer para reverter a situação e qual comportamento para não ser constrangido. A primeira versão do texto foi a seguinte:

TEXTO 23 (Aluno 4)

No Texto 23, identificamos oito ocorrências de problemas linguísticos prototípicos da dislexia. Na primeira linha do texto, a palavra “bem-sucedidos” é grafada de maneira aglutinada: “bemsussedidos” (cf. quadro 1, traço VII). Na linha 4, há confusão entre as consoantes “m” e “n” na preposição “com”, grafada como “con”, justificada pela proximidade gráfica e fonológica existente entre ambas (com > con) (cf. quadro 1, traço I). Já nas linhas 2, 9, 10 e 11, há omissão de letras: i) nas linhas 2 e 9, há omissão da consoante “h”, respectivamente nas palavras “há” e “haviam”, a qual pode ser justificada tanto pela presença da dislexia, que tem a omissão de letras como uma das possíveis características atribuídas a ela (cf. quadro 1, traço V), quanto pelo fato da consoante “h” não ter som no ambiente em que se encontra; ii) nas linhas 10 e 11, há, respectivamente, omissão da consoante “s” na palavra “holocauto” (holocausto > holocausto) e omissão da consoante “r” no verbo “sevindo” (servindo > sevindo) (cf. quadro 1, traço V). Por fim, nas linhas 13 e 15 há, respectivamente, acréscimo das

consoantes “l” e “s”: a palavra “executadas” é grafada como “execultadas” (executadas > execultadas) e a palavra “teria” é grafada como “terias” (teria > terias) (cf. quadro 1, traço V).

Obtivemos como resultado da segunda versão do texto: TEXTO 24 (Aluno 4)

No Texto 24, levantamos três problemas linguísticos prototípicos da dislexia, de acordo com o quadro-síntese: i) nas linhas 2 e 10, há omissão da consoante “h” nas palavras “há” e “haviam” grafadas, respectivamente, como “a” (há > a) e “aviam” (haviam > aviam) (cf. quadro 1, traço V); ii) na linha 17 também há uma omissão, mas, nesse caso, uma sílaba completa é omitida: a palavra “barulho” é grafada como “baru” (barulho > baru) (cf. quadro 1, traço VIII).43 O aluno não conseguia se corrigir sozinho ao passar o texto do rascunho para a versão definitiva.

Para a reescrita do texto, fizemos a correção conforme a norma padrão e sugerimos que o Aluno 4 adaptasse os dois últimos parágrafos do texto para que não houvesse fuga ao tema.

O Aluno 4 teve uma semana para concluir a atividade, mas se negou a realizar a reescrita desse tema, motivo pelo qual temos apenas duas versões.

O quinto dia de oficina teve como objetivo debater sobre a violência contra a mulher. A partir da apresentação do tema, da discussão a respeito de reportagem sobre a Lei Maria da Penha, da reflexão sobre a música “Rosas”, do grupo Atitude Feminina, da análise de uma propaganda do Ligue 180, propusemos a produção de crônica em que fosse contada uma história sobre uma mulher que sofria violência doméstica, em que o aluno expusesse a opinião dele sobre o assunto. O resultado que obtivemos foi o seguinte:

TEXTO 25 (Aluno 4)

No Texto 25, identificamos quatro problemas linguísticos prototípicos da dislexia: i) na linha 3, há confusão entre as consoantes “m” e “n” em “un” (um > un). Essa confusão se justifica pela proximidade gráfica e fonológica entre ambas (cf. quadro 1, traço I); ii) na linha 6, a palavra “coincidência” foi grafada como “conhecidencia”. Há aí a troca de “in” por “nhe” pela proximidade fonética entre ambos na pronúncia de “nh” em Brasília, que é [i] nasal (cf.

quadro 1, traço III); ii) na linha 12, as palavras “sendo” e “mantida” são escritas de maneira aglutinada: “sendomantida” (cf. quadro 1, traço VII).44

Obtivemos como resultado da segunda versão do texto: TEXTO 26 (Aluno 4)

No Texto 26, identificamos três problemas linguísticos prototípicos da dislexia: na linha 5, há confusão entre as consoantes “m” e “n” na palavra “um”, grafada como “un” (cf. quadro 1, traço I). Nas linhas 11 e 17, ocorre omissão da letra “s” e da vogal “u” respectivamente. Na linha 11, a palavra “passou” é grafada como “pasou” (passou > pasou) e, na linha 17, o verbo “perseguiram” é grafado como “persegiram” (perseguiram > persegiram) (cf. quadro 1, traço V). Isso reforça a hipótese de haver prejuízo na consciência fonológica dos disléxicos.45

Após a correção de acordo com a norma padrão, solicitamos ao aluno que reescrevesse o texto ao longo da semana antes de nosso próximo dia de aula. Obtivemos o seguinte resultado:

44 Identificamos também os seguintes problemas: a consoante “t” não foi cortada na palavra “investigação”, o que

TEXTO 27 (Aluno 4)

No Texto 27, de acordo com o quadro-síntese e as referências sobre a dislexia, não há problemas linguísticos prototípicos da dislexia. Logo, destacamos que a reescrita após as correções feitas pode colaborar para o aluno perceber os desvios linguísticos gerais e os causados especificamente pela dislexia.

No sexto dia de oficina, trouxemos como tema a maioridade penal. A partir da discussão sobre o assunto, o debate sobre uma tirinha e a reflexão sobre o vídeo com a entrevista de Dráuzio Varella, propusemos a produção de uma crônica, na qual o aluno imaginasse que era um político que discursaria sobre a redução da maioridade penal: ele seria contra ou a favor? Quais seriam os pontos positivos? Por quê? E os negativos? Qual seria a solução para a criminalidade cometida por menores? Obtivemos o seguinte resultado:

TEXTO 28 (Aluno 4)

No Texto 28, identificamos cinco problemas linguísticos prototípicos da dislexia: na linha 3, há confusão entre as nasais “m” e “n” na palavra “anos”, grafada como “amos” (anos > amos), devido à similaridade gráfica e fonológica existente entre ambas (cf. quadro 1, traço I). Ainda na mesma linha, a palavra “consciência” é grafada como “consiência”: há aí omissão da consoante “c” (consciência > consiência) (cf. quadro 1, traço V). Na linha 10, há nova ocorrência de omissão da consoante: a palavra “fundação” é grafada como “funação” (fundação > funação) (cf. quadro 1, traço V) – há aí omissão da consoante “d’. Na mesma linha, há omissão da sílaba “tu” da palavra “estrutura”, grafada como “estrura” (estrutura > estrura) (cf. quadro 1, traço VIII). Por fim, na linha 5, as palavras “colocá-lo” são grafadas de maneira aglutinada: “colocalo” (cf. quadro 1, traço VII).46

A segunda versão do texto foi a seguinte:

46 Identificamos também: confusão entre as vogais “a” e “u” em “munipulavel” (l. 7) e entre as vogais “e” e “i”

em “encluam” (l. 17); confusão entre a consoante “c” e o dígrafo “ss” em “atingicem” (l. 13) e em “discuticem” (l. 21) e entre as consoantes “j” e “g” em “sujiro”, (l. 17). Ambas as consoantes, ao precederem a vogal “i”, têm

TEXTO 29 (Aluno 4)

No Texto 29, identificamos três ocorrências de omissão da consoante “s”: na linha 3, a palavra “consciência” é grafada como “conciência” (consciência > conciência); na linha 10, há a palavra “fossem” é grafada como “fosem” (fossem > fosem) e “atingisse” é grafada como “atingise” (atingisse > atingise) (cf. quadro 1, traço V). Na linha 15, há confusão entre as vogais “e” e “i” em “encluam”.47

Apesar de novos problemas da dislexia terem sido identificados nesta versão, houve avanços do rascunho (Texto 28) para o texto definitivo (Texto 29). A confusão entre as nasais “m” e “n” (l. 3, T. 28); as omissões das consoantes “c” (l. 3, T. 28) e “d” (l. 10, T. 28) e da sílaba “tu” (l. 10, T. 28) e a aglutinação de palavras (l. 5, T. 28) não estão presentes na segunda versão do texto 29, o que nos possibilita afirmar que o próprio aluno conseguiu se corrigir enquanto transformava o rascunho em texto definitivo e nos permite levantar a hipótese do processo cognitivo de memória enriquecida. Provavelmente, no momento em que o estudante se deparou com a palavra escrita, o sistema e todas as informações relevantes sobre essa palavra

47 Identificamos também os seguintes problemas linguísticos não citados na literatura sobre dislexia: pouca

foram automaticamente ativados, sem esforço ou pensamento consciente, o que viabilizou a grafia correta.

Obtivemos como reescrita: TEXTO 30 (Aluno 4)

No Texto 30, identificamos um problema linguístico prototípico da dislexia: na primeira linha, a palavra “maioridade” é fragmentada de maneira indevida: “maior idade” (cf. quadro 1, traço VII). Identificamos também a confusão entre as vogais “i” e “e” em “presídeo”, nas linhas 4 e 9.48

Ressaltamos que os problemas identificados no Texto 28, como a confusão entre as nasais, as omissões de consoantes e de sílaba e a aglutinação de palavras; e no Texto 29, como as omissões de consoantes, não estão presentes nessa versão de reescrita. Isso demonstra a eficácia de nossa metodologia composta por três momentos de produção de um mesmo texto: rascunho, texto definitivo e reescrita, tendo em vista que, na primeira etapa, o próprio aluno inicia o processo de monitoramento de sua escrita e, no segundo momento, a partir de nossa correção, é capaz de identificar problemas que não consegue superar por conta própria. Mais uma vez, apontamos a possibilidade de ocorrência do processo cognitivo denominado de memória enriquecida e à formação de um modelo neural que viabiliza que o aluno recorde da grafia correta de determinadas palavras.

No sétimo dia de oficina, trouxemos como tema a corrupção. A partir do debate sobre a música “Até quando?”, do Gabriel O Pensador, a discussão sobre a notícia “Corrupção no cotidiano do brasileiro” e a reflexão sobre o nosso dia a dia como cidadãos, propusemos a

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produção de uma crônica em que o aluno contasse uma história que envolvesse corrupção em ações do dia a dia das pessoas. Obtivemos o seguinte resultado:

TEXTO 31 (Aluno 4)

No Texto 32, identificamos três ocorrências de omissão de consoantes, problema linguístico prototípico da dislexia. Na linha 3, a palavra “instinto” é grafada como “estinto”. Há aí omissão da consoante “n” (instinto > estinto). Nas linhas 7 e 8, há omissão da consoante “s”: a palavra “impossível” é grafada como “imposivel” (impossível > imposivel), e a palavra “Fascismo”, grafada como “Facismo” (Fascismo > Facismo) (cf. quadro 1, traço V).

TEXTO 32 (Aluno 4)

No Texto 32, identificamos seis problemas linguísticos prototípicos da dislexia: três omissões de letras; uma omissão de vocábulo e duas ocorrências de confusão entre as consoantes “m” e “n”. As ocorrências de omissão de letras estão nas linhas 3 e 8: na linha 3, a palavra “instinto” é grafada como “estinto” (instinto > estinto). Percebe-se aí a omissão da consoante “n”. Na linha 8, a palavra “Fascismo” é grafada como “Facismo” (Fascismo > Facismo), há, portanto, omissão da consoante “s”. Ainda na mesma linha, é omitida a vogal “u” na segunda ocorrência da palavra “Guerra”, grafada como “Gerra” (Guerra > Gerra) (cf. quadro 1, traço V). Já nas linhas 13 e 16, observa-se confusão entre as consoantes “n” e “m”: na linha 13, a palavra “tinham” é grafada como “timham” (tinham > timham) e na linha 16, a palavra “uma” é grafada como “una” (uma > una). Como já apontamos anteriormente, essa confusão se justifica pela proximidade gráfica e fonológica entre as duas letras (cf. quadro 1, traço I). Ainda na linha 16, há omissão do vocábulo “comprar”, que está subentendido antes de “27” (cf. quadro 1, traço VIII).49 Apesar de mais problemas linguísticos presentes nesta versão em

relação ao rascunho (Texto 31), neste texto, a palavra “impossível” foi grafada sem omissão da consoante “s”.

Após a correção do Texto 32 de acordo com a norma padrão, pedimos ao aluno que reescrevesse o texto. Obtivemos o seguinte resultado:

TEXTO 33 (Aluno 4)

No Texto 33, identificamos quatro problemas linguísticos prototípicos da dislexia, de acordo com o quadro-síntese. Nas linhas 3 e 4, há, respectivamente, confusão entre as consoantes “m” e “n” na palavra “humano”, grafada como “hunano”, devido à similaridade gráfica e fonológica existente entre ambas e confusão entre as vogais “a” e “o” na palavra “passou”, o que também se justifica pela proximidade gráfica existente entre as vogais (cf. quadro 1, traço I).50 Já nas linhas 14 e 17, há omissão das consoantes “r” e “s”, respectivamente: a palavra “porque” é grafada como “poque” (porque > poque) e “crescerá” é grafada como “crecerá” (crescerá > crecerá) (cf. quadro 1, traço V).

Embora ainda haja problemas linguísticos prototípicos da dislexia nesta versão do texto, é possível identificar que os seis problemas linguísticos presentes no Texto 32, como as omissões de letras e de vocábulo e as confusões entre consoantes, foram superados, o que nos

permite levantar a hipótese do processo cognitivo de memória enriquecida e reitera a eficácia da metodologia adotada por nós.

O oitavo dia de oficina teve como tema a crise hídrica. Nas Sequências Didáticas, previmos a discussão sobre a música “Planeta água”, de Guilherme Arantes. Entretanto, ao apresentarmos a escolha para nosso Aluno 4, ele afirmou que a música era chata e muito usada na escola. Propusemos, então, que apenas lêssemos a letra da música, mas, mesmo assim, o aluno demonstrou resistência. Nossa saída, então, foi trabalhar com a música “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga, que trata da seca no Sertão. A alternativa foi aceita pelo aluno e seguimos com o restante de nosso planejamento. Também debatemos sobre a notícia “Olhares sobre a crise hídrica no Distrito Federal” e analisamos a charge, para, posteriormente, propormos ao Aluno 4 que produzisse uma crônica a partir da suposição de que a água potável do planeta se acabou. Questionamos como seria a vida da população sem água e sugerimos que, para resolver a situação, um cientista inventou u ma máquina do tempo. Obtivemos o seguinte resultado:

TEXTO 34 (Aluno 4)

No Texto 34, identificamos dois problemas linguísticos prototípicos da dislexia: na linha 8, há confusão entre as consoantes “m” e “n” na palavra “não”, que é grafada como “mão” (não > mão), dada a similaridade gráfica e fonológica entre ambas (cf. quadro 1, traço I) e na linha 26, há omissão da consoante “s” no verbo “conscientizar”, grafado como “concientisar” (conscientizar > concientisar) (cf. quadro 1, traço V). No mesmo vocábulo, há confusão entre as consoantes “s” e “z” em “concientisar” (conscientizar > concientisar). Em ambiente intervocálico, as consoantes “s” e “z” possuem sons idênticos. Identificamos também os seguintes problemas: confusão entre as consoantes “s” e “z” em “civilisação” (l. 11 e 15), “colonisara” (l. 18) e “armasenar” (l. 24); confusão entre as consoantes “c” e “ç” em “avancada” (l. 11) e “avancados” (l. 21); confusão entre as consoantes “s” e “z” em “traser” (l. 12); confusão

entre as consoantes “j” e “g” em “trages” (l. 14); confusão entre as consoantes “x” e “s” em “expeciais” (l. 23). Esses últimos problemas precisam ser melhor investigados no âmbito dos estudos sobre dislexia.

Obtivemos como segunda versão: TEXTO 35 (Aluno 4)

No Texto 35, há dois problemas linguísticos prototípicos da dislexia: na linha 2, as vogais “a” e “o” são confundidas no verbo “acabou” (cf. quadro 1, traço I) e, na linha 12, as palavras “de” e “serem” são grafadas aglutinadamente: “deserem” (cf. quadro 1, traço VII). Identificamos também os seguintes problemas linguísticos provavelmente associados à dislexia: confusão entre as consoantes “s” e “z” em “civilisação” (l. 6), “traser” (l. 8) e “armasenar” (l. 15); omissão do complemento de “um pedaço” e pouca distinção entre as consoantes “b” e “h” em “humanidade” (l. 8); confusão entre o dígrafo “ss” e a consoante “c” em “passificos” (l. 13). Aqui, podemos observar que o aluno foi capaz de monitorar a própria escrita sozinho, pois há menos problemas linguísticos em relação à versão anterior.

O Texto 35 não foi reescrito, pois o oitavo dia de oficinas de língua portuguesa, dia em que o texto foi produzido ocorreu em julho de 2017, coincidindo com a época de férias escolares.

positivos e negativos de nosso trabalho. Ele concordou em realizar a atividade e produziu o seguinte texto:

TEXTO 36

No Texto 36, na linha 2, identificamos a confusão entre as consoantes nasais “m” e “n” em “emgraçadas” (emgraçadas > engraçadas), que, como já vimos, é justificada pela similaridade gráfica e fonológica entre essas letras (cf. quadro 1, traço I).