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3.4 Software

4.1.2 Line data evaluation

Entrevista realizada com Pedro Varoni, diretor de jornalismo, Rosa Vasconcelos, chefe de redação, e Ricardo Marques, apresentador. Integrantes da equipe de produção do telejornalismo da TV Sergipe. Realizada no dia 10/10/2013:

1- O que determina a adoção de inovações no telejornalismo?

Pedro Varoni: Eu acho assim, embora você tenha falado que a sua pesquisa não está focada na internet, mas eu acho que existe uma relação que mudou muito, que é assim, não é mais aquela relação entre um produtor de conteúdo e um receptor passivo que tá lá na casa dele, assistindo aquele conteúdo. É cada vez, desde o controle remoto, que já começa a mudar. Com os recursos tecnológicos as pessoas já começam a intervir, elas podem mandar imagens, elas podem mandar email, elas podem fazer algum tipo de manifestação na rede social, né? Tudo isso tem um impacto no nosso trabalho. Assim, com o feedback, esse feedback que a gente tem... Porque assim, antigamente a televisão era feita mais ou menos imaginando aquilo que o receptor queria ver, ouvir e saber. Hoje a gente tem ferramentas que permitem esse feedback, não é um pouco isso assim? Não é uma coisa que é feita por pesquisa, pode ser feito também, é mais a própria rotina do dia a dia.

Ricardo Marques: Antes era até mais feito por pesquisa, isso de qualidade e quantidade, mas hoje com essa mudança, mudam os processos e a televisão precisa acompanhar esse processo. Talvez a televisão, queira ou não queira, por ser um meio, um ambiente de difícil manejo tecnológico, termina sendo mais lento do que outras mídias. A gente até espera que seja mais rápido, até a questão do feedback, a televisão sempre está sempre um passo atrás dessas novas tecnologias e essas formas de ser usado, mas de certa forma tem sido acompanhados e tem acompanhado, de certa forma tem acompanhado, e tem visto o que as pessoas estão fazendo, tentando chegar também no mesmo patamar.

2- As inovações no telejornalismo são necessariamente atreladas à tecnologia? Rosa Vasconcelos: Eu acho que é mais criativo, mesmo. É um esforço diário de surpreender com o que você tem. É um desafio você fazer um jornal diferente que agrade aos espectadores. Isso não precisa de recurso tecnológico pra atrair.

Pedro Varoni: E se fala muito em tecnologia, mas ela é ..., na verdade, a sua dimensão humana é o que é importante. Ela é uma ferramenta, não é uma coisa em si, né? Que é um pensamento muito tecnocrata. Então eu acho que mudou, mas mudaram as relações sociais a partir da tecnologia. Hoje todo mundo tem seu celular, e tudo isso tem um impacto grande. Agora, talvez uma mudança assim ..., a gente, evidentemente se tem um flagrante ou uma coisa que só o cara tava lá e fez, a gente vai querer usar, mas a gente ainda, e eu acho que essa é uma característica da televisão que não vai mudar tão cedo, a gente tem nossos equipamentos, nosso padrão de qualidade, porque a gente conta as nossas histórias, né? Faz as nossas narrativas, independente dessa coisa aí da internet, enfim... Então, esse registro é muito ligado ao factual, ao inusitado, né?

Ricardo Marques: A gente sabe que vai precisar, e que precisa, mas é mais como um instrumento, mais um aliado para a construção do nosso produto que é o telejornal.

3- Como as novas tecnologias digitais estão afetando as rotinas produtivas do telejornalismo?

Rosa Vasconcelos: A gente usa no dia a dia, fotos, imagens feitos pelos telespectadores, mas tem que ter cuidado, tem que ter autorização. Não é simplesmente como alguns sites “chegou, usou”. Tem que justificar o uso. 4- Qual o processo para adoção de inovações no telejornalismo?

Ricardo Marques: A gente sabe que tudo hoje em dia converge para a internet, novas tecnologias. A televisão um dia também vai ter que estar nesse mesmo processo, a gente sabe que vai chegar lá, a gente não sabe quando, a gente sabe que o dia tá bem perto, tá vendo que o mundo tá nesse processo louco, e a gente tenta de todas as formas acompanhar, sabe que às vezes mais próximo às vezes mais distantes, e é essa coisa. A gente depende muito desse acompanhamento, não depende só da gente como jornalistas. Depende da gente como engenharia, da técnica. Porque essas imagens, essas coisas que chegam aí, às vezes vem com ruído, não vem com boa qualidade, e a gente preza muito por isso. Às vezes o fato é muito importante e vai de qualquer jeito, mesmo sem ser aquela imagem ideal, mas a maioria das vezes não. E a gente sabe que em breve, isso vai ser fichinha, porque com o avanço das novas tecnologias, hoje uma pessoa com um celular faz um registro com qualidade tão boa quanto a gente aqui que tem

equipamentos profissionais, mas ainda não chegou a esse patamar. Essa convergência ainda não se solidificou completamente, a gente sabe que existem espaços que a gente tem acompanhado.

Pedro Varoni: Eu acho que é isso, assim. Nesse ponto, que a gente comentou, eu acho que é assim. A gente desenvolve a nossa própria linguagem, isso é uma característica da televisão. O telejornalismo tem a sua própria linguagem, o seu próprio jeito de contar, né? Esse jeito, vamos dizer, independe um pouco dessas novas tecnologias e dessa interatividade.

Ricardo Marques: A gente sabe que essa novas tecnologias vão chegar, novos equipamentos. Todo dia chega aqui querendo oferecer facilidades para o trabalho no telejornal pros telejornalistas, porque hoje a gente tem equipamentos grandes e tudo mais. Cada dia esses equipamentos diminuem, a forma de enviar material pra redação começam a ficar, de uma certa forma, mais fáceis e tudo mais, mas aqui ainda não chegou. A gente tá na fase de “existe alguma coisa aqui, alguma coisa ali nos Estados Unidos, alguma coisa ali na ponta do Brasil”, mas ainda não é o todo. Possivelmente, em curto-médio prazo, isso vai chegar, mas não chegou ainda. Quem trabalha com televisão sabe que o estilo tem uns 20 anos ou mais, ainda do mesmo jeito: saí a equipe com câmera, carro, auxiliar com equipamento no ombro, mas a gente sabe que isso tudo um dia vai diminuir, vai ficar tudo mais fácil, mas ainda não chegou.

Pedro Varoni: O campo do jornalismo, ainda hoje, tem esse negócio da credibilidade da informação, ou seja, você tá dando uma informação que foi apurada e tem um nome por trás.

Ricardo Marques: Hoje em dia, com esse negócio de internet, a gente não tá preso mais a coisa de dar a notícia em primeiro lugar, a gente corre atrás, mas principalmente hoje, a gente se preocupa em dar a notícia da forma correta. Pedro Varoni: Eu acho que, de certa forma, a televisão ocupa hoje em dia um papel que talvez tenha sido do jornal impresso, que é de organizar um pouco as informações que estão aí dispersas na rede. O telejornal busca dar um pouco de coerência.

Rosa Vasconcelos: Eu acho que é essa mudança, agora, mais recente. Essa coisa mais informal, mais solta. De ter um telejornal mais formatado mesmo. Hoje a gente se permite, embora a gente não faça muito séries, a gente se permite variar um pouco que eu acho que isso é um diferencial. Uma coisa que a TV Globo começou há um tempo no Jornal Hoje, que é um jornal bem mais conversado, mais interativo, acho que isso aí é uma mudança que só tende a continuar.

Ricardo Marques: As presenças das “janelas”, que são os telões. Agora tem a janela do telespectador, que é o seu televisor, e o próprio apresentador tem a sua janela, que são os telões, pra essa conversa que interage a linguagem da televisão com o mundo lá fora.

Pedro Varoni: Talvez a coisa do jornalismo comunitário, essa ideia, né? Eu acho que esse é um paradigma que começou não sei há quanto tempo, talvez há uns 10 anos? E que significa um foco maior nas periferias, nos problemas de bairro, na saúde. Eu acho que essa foi uma virada interessante do telejornalismo, onde ele abandonou um pouco, vamos dizer, o oficialismo da agenda política partidária, e se voltou pra isso. Eu acho que é um fenômeno que se liga à própria organização da sociedade brasileira, que ela passou por isso. O Bolsa Família, várias coisas, a questão do acesso à educação, a ascensão das classes historicamente mais desfavorecidas, por isso eu acho que a televisão hoje busca comtemplar e falar com essas pessoas.

6- Qual o futuro do telejornalismo dentro de um cenário multimídia e convergente?

Rosa Vasconcelos: Eu acho que o formato se mantem. Vai trazer as outras coisas, das outras mídias, pra dar aquele processo, entendeu? Mas a televisão vai continuar com o formato dela.

Pedro Varoni: Talvez mude assim, por exemplo, as pessoas não vão assistir o telejornal só naquele momento que ele é apresentado.

7- Quais inovações vão marcar os próximos anos?

Rosa Vasconcelos: Eu acho que é essa convergência entre televisão, internet... em algum momento vai ter que se juntar.

Pedro Varoni: A convergência, eu acho que o foco na localidade cada vez maio. As pessoas querem saber das suas esquinas, né? Então assim, o espaço de regionalização tende a ser assegurado.

8- O que você gostaria de mudar no atual modelo de telejornal?

Rosa Vasconcelos. Pergunta difícil... Todo dia você quer fazer algo diferente, entendeu? Aí você não pode cair pro exagero, caricato, tem que fazer dentro do cuidado, da responsabilidade, da ética. Difícil, né? Eu acho que é trazer os anseios do povo.

Pedro Varoni: É complicado. Falar a linguagem do povo sem perder a mão. Eu acho assim, a História caminha aqui e a linguagem caminha do lado, então eu acho que a gente tem que juntar essas duas realidades, sabe? Estar próximo do cotidiano da cidade, o que a cidade é, o que ela pensa, acho que isso é um desafio constante, né? Apesar de que hoje a gente tem mais ferramentas, tem mais interatividade, a gente pode construir de uma forma coletiva, a inteligência coletiva, essas coisas. Então essa é a grande coisa que a gente não pode perder de mão, assim, tem que de alguma forma tá afinado com a vida real, né? Então eu acho que é o maior desafio, sempre.

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