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Lineær tilbudsspesifikasjon

6.2 Test av eksogenitet

6.3.4 Lineær tilbudsspesifikasjon

Esta dissertação de mestrado, muito preocupada com o rigor do método, mostrou o quanto os instrumentais e a teoria da geografia para a interpretação e proposição de uma nova visão acerca do planejamento urbano e dos usos do território são importantes. A periodização fundamentada na teoria dos eventos e apoiada por uma cartografia temática interessada em expor os usos do território campineiro, foram capazes de nos revelar o universo complexo que envolve o estudo de uma cidade, em especial Campinas, carente em estudos geográficos sobre este tema especificamente.

As inéditas, matriz de periodização, fases e períodos históricos determinados para Campinas, nos indicaram as transformações que se sucederam na cidade e nos ofereceram novos horizontes para subsidiar nosso aparato teórico no tocante ao planejamento urbano e aos usos do território campineiro. Vimos que o planejamento urbano campineiro se manteve preso às premissas de teorias estrangeiras e que sempre se resumiu na criação constante de planos urbanísticos que viam a cidade de modo parcial e segmentado. A especulação imobiliária, juntamente com a dotação de redes fluidas no território foram dois dos principais fatores que contribuíram para que os usos que presenciamos hoje se dessem de forma corporativa e seletiva, tal como é o perfil da globalização, que privilegia certas porções do território em detrimento de outras.

Aliás, essa tendência do aprofundamento da globalização no território de Campinas se reflete em muitas formas, dentre elas, como a recente ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos (Foto 7) e suas consequências em termos de desapropriações do entorno e o projeto de implantação do Trem Rápido que pretende ligar Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. Estes são indícios da formação de uma imensa macrometrópole e dos usos seletivos do território. Se considerarmos as Regiões Metropolitanas de Campinas e São Paulo, elas respondem, segundo o jornal O ESTADO DE S. PAULO (agosto de 2008, p.61), “por 65,3% do Produto Interno Estadual

ou 22,1% do nacional, uma economia de R$ 475 bilhões”. Com esse projeto, articulado pelos

governos federal, estadual e municipal, Campinas ampliará sua importância econômica no país e ganhará ainda mais visibilidade econômica.

Segundo DAVIS (2006, p.16),

“as cidades que explodem no mundo em desenvolvimento também entretecem novos e extraordinários corredores, redes e hierarquias. Nas Américas, os geógrafos já mencionam um leviatã conhecido como Região Metropolitana Ampliada Rio-São Paulo (RMARSP), que inclui as cidades de tamanho médio no eixo viário de 500 kilômetros entre as duas maiores metrópoles brasileiras, assim como a importante área industrial dominada por Campinas [grifo nosso]; com uma população atual de 37 milhões de habitantes, essa megalópole embrionária já é maior que Tóquio-Yokohama.

Já para SANTOS (2003, p.25),

“quanto às obras de grande porte, elas são de fato um cavalo de Tróia, um presente envenenado. Esses investimentos envolvem outros de porte igual ou ainda maior, e gradualmente conduzem o país para uma posição de dependência, cuja constante é o aprofundamento do capital”.

Tendo em vista esta situação, um ponto que merece ser destacado será o provável aprofundamento da segregação sócio-espacial já existente na cidade. As novas formas e funções que pretendem ser criadas não têm o interesse direto em promover o bem estar da população e muito menos em articular o território como um todo. Essas obras visam atender a demandas globais de agentes hegemônicos e integrar alguns pontos do território interessantes ao grande capital – os espaços da globalização. Estes passarão a unir com ainda mais força as verticalidades presentes no território com aquelas situadas ao redor do mundo.

No sítio da internet da prefeitura municipal de Campinas, há um espaço destinado àqueles que desejam investir no município e para tanto, expõem algumas características da cidade que respondem à pergunta “por que investir em Campinas?”. A resposta dada é que

“Campinas reúne toda a infraestrutura que uma cidade pode oferecer aos empresários: o segundo maior centro econômico, industrial, científico e tecnológico do Estado de São Paulo; está localizada numa região privilegiada, rodeada por malha ferroviária e pelas principais rodovias do país: Anhanguera, Bandeirantes e Dom Pedro I; possui grande número de universidades, entre elas a UNICAMP, e Centros de Pesquisa e Desenvolvimento (CPDs); possui os Pólos Tecnológicos Parques I e II; tem o maior aeroporto de cargas da América Latina, o Aeroporto Internacional de Viracopos”.

(www.campinas.sp.gov.br/financas/incentivo_fiscal/ acessado em 25/11/2008). De acordo com SANTOS (2003, p.25) essa preocupação que vem se tendo com os transportes se reflete no planejamento atual, engajado com a ideologia da competitividade, e por isso afirma que

“a integração do espaço através do transporte é um elemento essencial do planejamento capitalista. Na sua fase anterior, o sistema estava primordialmente interessado nas rotas que ligavam os principais centros de produção e de consumo. Agora, também há a preocupação com redes de ramais”.

Se o contexto atual é marcado pela fragmentação do território sob diversas formas (social, política e econômica) o futuro reserva uma acentuação desse quadro. A velocidade, evidenciada pelos fluxos materiais e imateriais, tão preconizada pelos gestores públicos em consonância com os agentes globais, vai promover um distanciamento entre o tempo hegemônico e o tempo social, o tempo de cada um (temporalidade). Conforme aponta SANTOS (1994a, p.84)

“a força é dos ‘lentos’ e não dos que detém a velocidade (...) quem, na cidade, tem mobilidade – e pode percorrê-la e esquadrinha-la – acaba por ver pouco da

Cidade e do Mundo. Sua comunhão com as imagens, frequêntemente pré- fabricadas, é sua perdição. Seu conforto, que não desejam perder, vem exatamente do convívio com essas imagens. Os homens ‘lentos’, por seu turno, para quem essas imagens são miragens, não podem, por muito tempo, estar em fase com esse imaginário perverso e acabam descobrindo fabulações. A lentidão dos corpos contrastaria com a celeridade dos espíritos?”.

Hoje, em razão das inúmeras funções oferecidas por Campinas, que a tornam um grande e importante nó de uma rede mais ampla de cidades e de negócios dentro do Estado de São Paulo e mesmo do Brasil, superando grandes cidades e mesmo capitais estaduais em termos populacionais, econômicos e de serviços, fruto de um processo de planejamento que priorizou sua inserção no mundo dito moderno, cosmopolita e competitivo, ela pode ser classificada como uma metrópole de grande amplitude. Embora hoje ela seja uma metrópole incompleta, ela vem buscando se completar a partir das grandes obras viárias e do acolhimento de cada vez mais empresas e instituições hegemônicas. Até aqui, para cumprir esse objetivo, a cidade parece estar trilhando o caminho certo. De acordo com uma pesquisa publicada pelo IBGE em 10/10/2008, intitulada Regiões de

Influência das Cidades – 2008112, em que se analisa a dinâmica da rede urbana brasileira, Campinas surge como umas das cidades mais influentes do interior do país, perdendo para doze metrópoles que são capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Neste estudo foram observadas as infraestruturas, a quantidade e complexidade dos serviços prestados, como centros de saúde, presença de bancos e sedes de grandes empresas (Tabela 3), centros universitários e de pesquisas, entre outros itens.