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Linda Myklebust

In document 05 DES 2008 (sider 60-69)

5. Høringsuttalelser fra Privatpersoner

5.4 Linda Myklebust

Do acordo alcançado entre o ANC e o governo surgiu a Convention for a Democratic South Africa (CODESA).

O modelo de transição sul-africano enquadra-se no modelo de transição que Philip Nel designou por Transplacement, conceito que surge da fusão dos modelos de transformação (transformation) e substituição (replacement)413. A transição por Transplacement é obtida pela

acção combinada de negociações entre o governo e a oposição. O processo é inicialmente controlado pelo governo, mas com o avançar das negociações vai perdendo a capacidade de controlar sozinho os acontecimentos. Este foi o caso da África do Sul entre 1990 e 1993. Neste tipo de transição para a democracia, as forças moderadas na oposição conseguem impor-se aos radicais. Na RAS, a ala moderada dentro do ANC, juntamente com aqueles sectores dentro da população branca que defendiam as negociações, conseguiram impor-se aos radicais, do lado negro o PAC e o IFP, e do lado branco, os conservadores africânderes, que tentaram inviabilizar o processo. A decisão de se avançar para as negociações parte da constatação da existência de um equilíbrio de forças, nem o governo consegue eliminar os movimentos de libertação, nem estes conseguem derrubar o regime. Neste tipo de transição, existe um momento em que a capacidade de iniciativa muda de lado. No processo sul- africano, embora o governo liderasse de início o processo, a partir de 1992, o ANC adquiriu maior ascendência, obrigando o governo a seguir a sua agenda política.

A CODESA realizou a sua primeira reunião a 21 de Dezembro de 1991 nas instalações do World Trade Center nos arredores de Joanesburgo. Juntou 228 delegados de 19 movimentos

413 Relativamente aos modelos de transição, para além do Transplacement, Philip Nel apresentou mais três: 1. Transição por Intervenção: normalmente através de intervenção militar externa, em que os actores domésticos tem pouco controlo sobre o processo. Exemplos deste tipo de transição é caso da Alemanha em 1945 ou o caso do Haiti em 1994.

2. Transição por Substituição: a oposição interna captura o poder das mãos de um regime em franca deterioração. O processo de transição é controlado pela oposição. Foi o caso de Portugal em 1974 e o da República Democrática Alemã em 1989.

3. Transição por Transformação: reformadores dentro da elite dirigente iniciam as reformas, as quais podem ou não incluir negociações com a oposição. O processo é em grande medida controlado pelas elites autoritárias. Foi o caso da Espanha entre 1975 e 1978 e o Brasil entre 1974 e 1978.

políticos414. Para além da ausência do PAC, também Buthelezi não esteve presente. A razão

desta ausência deveu-se à questão da representatividade dos zulus. Buthelezi pretendia que, para além do IFP, também o Kwazulu e o rei zulu, Goodwill Zwelethini tivessem direito a uma representação autónoma. Perante a recusa desta exigência, Buthelezi não assistiu à cerimónia de abertura da CODESA, deixando a representação do IFP a cargo do seu Presidente, Frank Mdlalose.

Ficou decidido que as decisões na CODESA seriam aprovadas através de um consenso suficiente, ou seja, teriam que ter o acordo dos principais partidos, NP, ANC e IFP. Apesar da intenção de incluir todos os movimentos políticos, na CODESA não estiveram representados, por vontade própia, o AWB, o CP, o Herstigte Nasionale Party, o PAC, a AZAPO, o Black Consciousness Movement. O IFP embora tenha estado de início nos trabalhos, acabou por os abandonar. Porém, apesar destas ausências, a CODESA conseguiu reunir 19 delegações415

que, no conjunto, representavam uma importante percentagem da população sul-africana. A primeira sessão deveria ter sido apenas um acto simbólico, porém, o governo e o ANC entraram desde logo em choque. De Klerk acusou o ANC de estar de má-fé nas negociações, uma vez que não cumpriu a promessa de desmantelar o seu braço armado, o Umkhonto we Sizwe.

Governo e ANC tinham assinado, em Fevereiro de 1991, um acordo secreto, conhecido como Acordo Malan, pelo qual o ANC poderia manter a sua estrutura militar até que a transição para a democracia estivesse concluída. Até essa altura, o ANC daria detalhes sobre a sua capacidade militar ao governo. A opinião pública nada sabia deste Acordo e o ANC reagiu muito mal à sua divulgação por parte do governo. Mandela tomou a palavra na sessão inaugural da CODESA para fazer um duro ataque a De Klerk, acusando-o de ser de pouca confiança416:

If a man can come to a conference of this nature and play the type of politics he has played, very few people would want to deal which such man.

Este choque marcou, negativamente, o início das negociações, tanto mais que foram visíveis as enormes diferenças existentes entre os principais actores sul-africanos. O ANC queria um processo negocial rápido e que a CODESA decidisse o mínimo possível sobre a nova

414 Estiveram presentes os seguintes movimentos: o governo sul-africano; o Democratic Party; o Labour

Party, representante dos mestiços no Parlamento; o National Party; o National People’s Party,

representante dos indianos no Parlamento; Solidarity Party; o governo do Bophuthatswana; o governo do Ciskei; o governo do Transkei; o governo do Venda; o partido dominante no QwaQwa, o Dikwankwetla; o partido dominante no Kwazulu, o Inkatha Freedom Party; o partido dominante no Kwandebele, o Intando

Yesizwe Party; o partido dominante no Kangwane, o Inyandza National Movement, o partido dominante no

Lebowa, o United People’s Front; o partido dominante no Gazangulu, o Ximoko Progressive Party; o

African National Congress; o South African Communist Party; o Natal/Indian Transvaal Congress.

415 Para além do NP e do ANC, estiveram presentes as seguintes delegações: Democratic Party; Labour

Party, representante da população mestiça; National People’s Party and Solidarity, maioritariamente

indiano; um representante por cada um dos 10 Bantustões; Transval Indian Congress; Natal Indian

Congress; SACP e uma delegação do governo liderada por De Klerk.

Constituição, deixando tal tarefa para uma Assembleia saída de eleições. O governo, por seu lado, defendia um processo longo, com o objectivo de desgastar o ANC e Mandela, ao mesmo tempo que defendia que a CODESA deveria decidir o máximo possível sobre a nova Constituição, limitando a margem de manobra de uma nova Assembleia, que lhe seria claramente hostil.

Nesta primeira reunião formal, as partes presentes assinaram uma Declaração de Intenções que defendia a criação de uma United, nonracial and non sexist society and the creation of a multiracial democracy417. No fim desta primeira sessão ficou decidido a realização de um

novo encontro, em Maio de 1992, o qual ficará conhecido por CODESA II.

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