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Nesta seção apresenta-se os resultados das discussões realizadas durante o seminário organizado para explorar sobre a aplicabilidade e validade das práticas de inclusão. O objetivo do seminário foi discutir como práticas ou procedimentos institucionalizados podem ser utilizados para a complementação das condições de acesso e uso do ambiente, auxiliando as pessoas em condição de mobilidade reduzida a terem desempenho mais autônomo e independente.

Este seminário foi aberto à comunidade acadêmica, de forma que todos pudessem participar e contribuir com as discussões sobre práticas de inclusão. Todas as pessoas que receberam o questionário por e-mail foram convidadas a participar do seminário através de e-mail e através da divulgação do evento por meio de cartazes nas escolas.

Cinco pessoas participaram: um estudante da FALE, dois funcionários da FAFICH, um funcionário da FALE e um pesquisador da FAFICH. O seminário contou com o auxílio de dois colaboradores do Laboratório Adaptse, que fizeram o papel de observadores e apoiaram os seminaristas no desenvolvimento das atividades.

Para o início dos trabalhos, foram apresentados alguns conceitos norteadores, tais como o de acessibilidade ambiental, de pessoa com mobilidade reduzida e

de inclusão. A apresentação que foi realizada para os participantes do seminário, com todas as atividades realizadas no evento pode ser vista no Apêndice H.

Após a apresentação destes conceitos, foi realizada uma primeira atividade com o objetivo de sensibilizar os participantes através da experiência de uma prática de inclusão. Como já foi dito, uma das maiores dificuldades no uso dos ambientes em estudo está relacionada com a orientação e localização. Este é um problema que afeta a todas as pessoas, independente de suas características físicas e assim, propusemos experiência do ambiente com o auxílio de mapas de acessibilidade.

Estes mapas são resultado de um projeto de pesquisa que está em andamento no Laboratório Adaptse. São constituídos de desenhos impressos da estrutura urbana e arquitetônica da área central do Campus da UFMG, com informações sobre as condições de acessibilidade dos lugares. Para o seminário, foram utilizados os mapas do prédio da FAFICH.

Os participantes formaram grupos de duas e três pessoas. A atividade foi dividida em três etapas. Na primeira, os seminaristas localizaram determinada sala utilizando somente os mapas, sem sair da sala onde estavam descrevendo as características de acessibilidade do percurso e os possíveis problemas encontrados na leitura da simbologia impressa no mapa.

Cada grupo recebeu um conjunto de cinco mapas que correspondiam a um andar da FAFICH, com uma folha de instruções, onde estava indicada a sala que eles deveriam localizar.

Percebeu-se inicialmente que os mapas inibem principalmente aquelas pessoas que não estão acostumadas com esta linguagem. Algumas dificuldades foram verificadas: o fato do mapa do andar estar dividido em partes foi uma delas, pois os participantes não estavam familiarizados com a

ideia de vários mapas contendo partes que se juntam segundo quadrantes, a ponto de um dos grupos precisar montar o mapa todo para conseguir se localizar e encontrar a sala requerida. Notou-se que a legenda foi bem compreendida pelas pessoas.

Ambos os grupos conseguiram descrever, através da leitura do mapa, como chegar, a partir da sala onde estavam ou a partir do elevador, às salas solicitadas no exercício. A leitura do mapa se deu com maior ou menor grau de dificuldade, dependendo da familiaridade de cada um com a linguagem gráfica.

Na segunda etapa, os participantes percorreram o caminho até o local solicitado, sendo que uma pessoa examinou o mapa constantemente enquanto a outra descrevia as características da rota que seguiram e seus possíveis problemas, apenas pela observação dos espaços percorridos, sem utilizar previamente as informações do mapa, de forma que a pessoa com o mapa pôde confirmar se as impressões da pessoa sem o mapa estavam corretas ou incompletas.

Novamente, as dificuldades ficaram por conta do manuseio dos mapas divididos em partes. O grupo menor observou durante o percurso que tudo o que havia no mapa foi encontrado no lugar, porém alguns itens que havia na legenda e estavam no local, não constavam no mapa, como extintores de incêndio e a ausência de corrimão em uma escada. Reparam que haviam coisas que mudaram de posição, tais como bancos e lixeiras.

A terceira etapa da atividade consistiu na discussão sobre se os mapas deveriam ou não ser dispostos na escola e em qual lugar. Todos concordaram que deveria haver mapas de localização nas entradas dos prédios, próximo aos elevadores e também na entrada do campus. Foi consenso de que seria fundamental melhorar a sinalização do edifício com placas indicativas e direcionais das salas. Também concordaram que se localizar com os mapas é muito mais fácil do que sem eles.

Houve concordância de que uma comissão composta inclusive pela administração seja montada com o objetivo de manter constantemente atualizadas as informações dos mapas.

Funcionários podem ser instruídos para não removerem peças soltas do mobiliário dos locais que ocupam, de modo a manter padronizada a posição relativa dos obstáculos, e assim colaborar para que as informações constantes do mapa estejam sempre corretas.

As informações dos mapas por si só não serão suficientes para que as pessoas se localizem com facilidade. Placas e sistemas indicativos devem ser instalados nos espaços dos edifícios e que tenham direta relação com as informações dos mapas. Por exemplo, faixas coloridas nos corredores podem ter referência a faixas coloridas representadas nos mapas. Isto nos remete ao trabalho de Lynch (1980), sobre a importância das referências ambientais na orientação e localização das pessoas no espaço.

Após um breve intervalo, introduziu-se o conceito de práticas de inclusão. Em seguida, foi dado o início à segunda atividade, que consistiu em grupos de discussão sobre as mesmas situações hipotéticas que podem ocorrer no dia-a- dia pesquisadas no questionário descrito na seção anterior. Os participantes receberam três imagens que ilustravam estas situações e deveriam debater:

1. Quais práticas de inclusão poderiam ser adotadas para cada situação. 2. Se práticas de inclusão devem ou não ser institucionalizadas pela

escola.

3. Além das práticas propostas para as situações dadas, que outras práticas de inclusão seriam possíveis mediante as dificuldades encontradas no uso do ambiente escolar.

Situação 1: Imagine que você está passando pelo estacionamento da escola e