Neste trabalho, pretendeu-se abordar o tema BIM com o objetivo principal de evidenciar os seus possíveis contributos na gestão da manutenção em edifícios. Nomeadamente, as contribuições da metodologia BIM na influência da manutibilidade dos equipamentos, sistemas e instalações dos edifícios, que por um lado, em fase de projeto podem ser estudados aspetos significativos de otimização para a sua vida útil, e por outro lado, na futura exploração, a informação disponível no modelo pode ser utilizada para a gestão dos ativos. Deste modo, verifica-se um potencial contributo do BIM para a eficiência da gestão da manutenção em edifícios.
Motawa e Almarshad (2013) referem que as decisões da manutenção em edifícios requerem a integração de vários tipos de informação e conhecimento detido pelas diferentes equipas de construção. Para além disso, a informação e o conhecimento gerado a partir de operações de manutenção, tais como: lições aprendidas com a investigação de causas de falha, as razões de se ter selecionado um método específico de manutenção, a seleção de determinadas empresas especializadas, efeitos e causas de falhas, efeitos em cascata sobre outros ativos, entre outros, também devem ser capturados e com detalhe suficiente. Não deter nem usar essa informação e/ou conhecimento resulta em custos significativos, devido a decisões ineficazes. Motawa e Almarshad (2013) exemplificam com a necessidade da manutenção, de por vezes, ter de substituir adicionalmente elementos afetados pela falha de outros elementos. Os autores constatam que, a maioria dos sistemas atuais de manutenção de edifícios centram-se principalmente na captura de informação e conhecimento. Portanto, a manutenção em edifícios requer um sistema abrangente que facilite a captura/recuperação de informação e conhecimento sobre todos os componentes, sistemas e ativos relacionados, para melhor analisar como o edifício tem funcionado e planear a manutenção prevendo a deterioração.
A falta de informação e de conhecimento pode levar à manutenção ineficaz, à repetição de erros e a planos de manutenção ineficientes para outros ativos da instalação do edifício.
Motawa e Almarshad (2013) são da opinião que o BIM é uma metodologia com versatilidade para apoio à manutenção uma vez que pode fornecer, de forma rápida e inteligível, a informação necessária para qualquer operação de manutenção. Contudo, são ainda pouco consistentes as contribuições dadas pela literatura, considerando o BIM como ferramenta para a melhoria na prestação de serviços de manutenção em edifícios. O caminho será o desenvolvimento de sistemas que permitam utilizar as funções técnicas de modelação da informação e captura de conhecimento para assistir às atividades de manutenção, para entender como os ativos da instalação falham e/ou se deterioram e para apoiar nas decisões de manutenção preventiva. Por outro lado, Lin e Su (2013) referem que a gestão da manutenção na fase de operação do ciclo de vida das instalações em edifícios, tornou-se um tema importante para a investigação e estudos académicos. Estes autores consideram também que o BIM fornece a geometria precisa (3D) e a informação importante para apoiar os serviços de manutenção de instalações em edifícios. A abordagem BIM, que é utilizada para reter informações das instalações num formato digital, permite fáceis atualizações da informação da gestão da manutenção num ambiente de CAD 3D. Lin e Su (2013) dizem existir várias aplicações práticas que possibilitam a utilização do BIM no âmbito da gestão da manutenção. Porém, o desafio é tornar a integração dessas aplicações mais ampla e vencer as atuais limitações de interoperabilidade e funcionalidades com as tecnologias de informação, nomeadamente para possibilitar o uso do BIM em equipamentos móveis.
São poucas as organizações a recorrer ao BIM para a gestão de todo o ciclo de vida dos seus edifícios. Durante a fase de operação, os benefícios do BIM incluem o controlo eficaz do processo de gestão da manutenção, a integração de dados do ciclo de vida, acesso rápido a informação atualizada e precisa e facilidade na partilha de toda essa informação.
Um benefício relevante do BIM é, portanto, a possível introdução de informação no modelo partilhado 3D, que permita realizar um conjunto de funções e análises de forma integrada. Grilo e Tavares (2008), refere alguns exemplos:
• Permite a rápida iteração de simulações em relação ao desempenho do edifício nas várias especialidades. Simulação de eficiência energética, simulação de fluxos de ar e ventilação, simulações ao fogo, simulações à segurança física (atentados bombistas, intrusões, etc.), higiene e segurança no trabalho, entre outras;
• Otimização e disponibilização de informação na manutenção preventiva e corretiva, numa ótica de “facilities management”, através da transferência dos dados de projeto de execução e construção para as aplicações de gestão dos edifícios. Estas aplicações podem ser acedidas remotamente através de redes móveis ou ser realizado o carregamento em PDA’s que permitam a acessibilidade dos dados sobre o edifício no próprio local;
• Coordenação e deteção de colisões. Permite eliminar as situações de colisão em novas instalações evitando custos desnecessários. Este tipo de benefício torna-se bastante relevante na análise de possíveis interferências entre elementos perante a adição de novas instalações técnicas, alterações ou substituições de equipamentos;
• Melhorar a qualidade da comunicação entre projetistas, instaladores e operadores dos edifícios, permitindo uma tomada de decisão mais rápida e melhor sustentada em dados concretos;
• Listar materiais e estimar quantidades. As necessidades em termos de componentes, elementos e materiais podem ser geradas automaticamente e de forma correta. Permite a redução de erros e custos no processo de medição e estimação, para além de uma melhor perceção dos custos;
• Permite uma melhor organização do plano de trabalhos, logística necessária e na calendarização dos diversos intervenientes. A melhoria do planeamento das atividades necessárias faz-se através de mecanismos 4D, onde se adiciona a evolução física dos elementos BIM em termos de tempo. Nesta vertente, há que salientar as melhorias das condições de saúde e segurança no trabalho que a ferramenta proporciona;
• Permite ao gestor do edifício recolher a informação necessária para melhorar o desempenho do edifício, e definir medidas de prevenção mais adequadas;
• Visualização, animação e realidade virtual permitindo evidenciar com mais eficácia as opções na tomada de decisão. Isto é, melhor perceção de erros no modelo e diminuir a possibilidade de erros por incoerência.
Grilo e Tavares (2008) referem ainda que a elaboração das telas finais de acordo com o que realmente ficou construído e instalado no edifício, permite agilidade em termos de transferência
dos dados para as aplicações que irão gerir o ativo no futuro. Claramente, é um benefício ter no modelo toda a informação relativamente ao que ficou construído, bem como todas as necessidades de manutenção preventiva ou sustentar intervenções de manutenção corretiva. A informação disponível num projeto desenvolvido com base BIM trará agilidade e resiliência à gestão da manutenção, sem necessidade de recriação de modelos ou de dados. Verifica-se que o BIM mostra ser uma ferramenta aplicável para a eficiência da gestão da manutenção, nomeadamente contribuindo para o aumento da taxa de manutibilidade dos sistemas e equipamentos em edifícios.