I. PREFACE
3. PHARMACODYNAMICS AND PHARMACOKINETICS OF
3.3 Materials and methods
3.5.6 Limitations of this study
A escolha da vertente bem como o local selecionado para pesquisa em detalhe da cobertura pedológica através da construção de uma topossequência, obedeceram dentre outros, ao critério de existência de processos erosivos lineares já bem desenvolvidos. Deste modo, o eixo da topossequência Manacá situa-se entre duas voçorocas, denominadas respectivamente voçorocas I e II (Figura 12).
Figura 12: Localização dos processos erosivos nos limites do Sítio Manacá, destaque para voçorocas I e II e eixo da Topossequência Manacá. (Foto e organização: CERMINARO, A.C., 2015).
Segue abaixo a ficha de caracterização das mesmas (Tabela 6), onde se encontram informações acerca de sua localização, características do meio, dimensões, causas e condicionantes, previsões de evolução, principais impactos e medidas de contenção até então adotadas. A seleção, organização e redação da ficha foram baseadas em trabalhos de caracterização e identificação de processos erosivos (Figuras 13 e 14). Essa compilação de dados e principalmente o trabalho de observação e registro dos processos ocorrentes, teve fundamental importância para compreender a história e dinâmica da evolução da paisagem, correlacionando posteriormente com os resultados analíticos de caracterização do solo, que permitiram apontamentos mais preciso na discussão e considerações finais do trabalho.
74 FICHA DE CARACTERIZAÇÃO VOÇOROCAS I e II
Ds Descrição: Voçorocas I e II Localização: Sítio Manacá
Proprietário: Valéria Vasconcelos
Dados regionais Bacia Hidrográfica: Córrego não identificado, deságua no Córrego Laranja Azeda- afluente do Ribeirão Feijão- Bacia Hidrográfica do Ribeirão Feijão- sub bacia do Tietê Jacaré– Bacia do Rio Paraná.
Geomorfologia: Superfície erosiva incisiva no terço inferior da vertente. Relevo residual de topo, aplanados, limitado por escarpas erosivas.
Geologia: Formação Botucatu, constituída por arenitos finos a médios, bem selecionados, vermelhos, róseos e esbranquiçados. Formação Itaqueri no terço médio e superior da vertente, depósitos colúvio-eluvionares de predominância arenosa, com presença de cascalhos arredondados. Pedologia: Neossolo Litólico Álico + Neossolo Quartzarênico Álico A moderado, e Latossolo Vermelho Amarelo (de acordo com mapeamento pedológico IAC, 1981).
Vegetação Original: Cerradão Distrófico, desmatados para implantação de lavouras e pastagens. Dimensões voçoroca I: Comprimento: 37m Largura: 15m Profundidade: 16m
Dimensões voçoroca II: Comprimento: 40m Largura: 10m Profundidade: 13m
Características da área de contribuição: Uso e ocupação da área de contribuição: Pastagem cultivada com brachiária (Brachiaria decumbens) e Pinheiros (Pinus elliottii) no terço inferior da encosta.
Causas e condicionantes: O caseiro do local, residente no sítio há quase 30 anos, nos informou que a voçoroca 1 já existia em menores proporções quando se mudou, media aproximadamente 8m de largura, com uma profundidade de cerca de 5m, com comprimento de 10m, no máximo. Era uma erosão, que por estar localizada bem nos limites do vizinho, não interferiu muito nas atividades do Manacá, e por isso mesmo foi “deixada ali” sem intervenções, apenas acompanhando visualmente vez ou outro seu tamanho. O Sr. Osmar relata nos primeiros 15 anos de sua residência no local ela cresceu muito, “engolindo a cerca” que delimitava a propriedade do vizinho, chegando a destruir parte de um bambuzal existente. O acompanhamento de perto de sua evolução foi interrompido quando se percebeu o início do desenvolvimento da voçoroca 2. O caseiro relata que o processo de degradação começou com a retirada da vegetação há 20 anos para plantio, sendo identificado a princípio um rebaixamento do local. Segundo o morador, a área passou então a ser utilizada para pastagem, com gados do vizinho que invadiam a propriedade (até então sem cercas). Relata que, após chuva intensa e prolongada há cerca de 6 anos, ocorreu à noite um forte estrondo culminando com o desencadeamento da incisão erosiva de pequeno porte (cerca de 5m de largura e menos de 1m de profundidade).
Características da voçoroca: dinâmica erosiva (características gerais): VOÇOROCA 1:
Apresenta-se mais estabilizada quanto a visualização de ocorrência de pipigs nas paredes laterais, o que contribui para sua estabilização nos processos de solapamento dos taludes, permanecendo constante sua largura e profundidade. Os indícios de estabilidade se estendem ainda à vegetação crescente dentro da voçoroca, com a presença de pequenas árvores de porte médio. A priori percebe- se que o processo de degradação e aprofundamento é constante.
VOÇOROCA 2: A voçoroca possui forma coalescente apresentando vários eixos com cabeceira mais larga que a parte de jusante. Os eixos laterais são os mais instáveis demonstrando abatimentos sucessivos, alcovas de regressão e pipings. Os taludes possuem forte inclinação nos trechos médio
75 e superior. Em vários pontos da ocorrência erosiva é comum a presença de pipings de diferentes tamanhos, sendo alguns deles sem colapso, com diâmetro médio de 10cm. Ainda as presenças de ramificações sinalizam a ocorrência de dutos com colapso progressivo transformando-o em um canal superficial, que passa a funcionar como uma ramificação na própria voçoroca. A visualização de tais dutos torna-se difícil, pois não só os dutos, como também os canais colapsados que tendem a abrir- se no contato com o canal principal, são destruídos na medida que ramificação evolui. Relativamente próximos às laterais, são indícios da violência do processo de desmoronamento por gravidade e/ou desabamento dos taludes. A presença de pinheiros já grandes dentro das voçorocas, alguns já derrubados.
Previsões de evolução: Conforme exposto acima, a voçoroca 1 apesar do grande tamanho, encontra-se relativamente homogênea quanto aos processos agravantes (como a ocorrência de pipigns). A evolução do tamanho da degradação pode ocorrer por ações gravitacionais de fluxos concentrados superficialmente (em enxurradas).
Já a voçoroca 2 apresenta muitos pipings junto aos sopés dos taludes e surgências no interior da voçoroca, provocando o surgimento de alcovas de regressão, bem como, dutos biogênicos e sulcos nas paredes da erosão devido ao escoamento superficial concentrado, que tem contribuído para a ocorrência de movimentos de massa localizados do tipo abatimentos sucessivos e/ou desabamentos de taludes. Tais mecanismos conferem grande instabilidade à referida erosão que tende a evoluir remontantemente, aumentando sua extensão e lateralmente, devido a futuras junções de seus eixos menores.
Medidas Preventivas e de contenção implantadas: Foram sugeridas a construção de curvas de nível e terraços em toda vertente, trabalho realizado em janeiro de 2014, visto que haviam curvas desconfiguradas por ausência de manutenção. Foram construídos terraços de infiltração em toda vertente, com intuito de plantio combinado de vegetação rasteira e lavoura de milho e feijão, culturas ainda não semeadas no local.
Principais impactos: A deflagração dessa incisão erosiva desencadeou os seguintes impactos: - Perda de solo local com redução de área de pastagem; - Assoreamento do córrego próximo e consequentemente do Laranja Azeda, afluente de maior importância do Ribeirão do Feijão, importante manancial para o município de São Carlos. - Riscos de acidentes por quedas de animais, e pessoas dentro da voçoroca. Ainda a proximidade da voçoroca 2 da residência dos caseiros é de menos de 40m.
Medidas preventivas e de contenção sugeridas: Como medida preventiva do processo erosivo sugere-se a adequação do uso do solo local à sua capacidade de suporte evitando o desencadeamento de impactos ambientais dessa natureza, enquanto que as alternativas de contenção definitiva visam estabilizar a ocorrência erosiva através de práticas vegetacionais (plantas nativas e exóticas) até implantação de obras de bioengenharia no entorno e mesmo dentro das voçorocas.
Referências: Valéria Marques (proprietária), Joana Silva (caseira) e Osmar Lopes (caseiro). Equipe: Ana Clara Cerminaro e Déborah de Oliveira.
Localização: 22º05´48´´S, 47º84´88´´W Altitude: 782m Data: 14/07/2015
76 Figura 13: Registro fotográfico da voçoroca I, Topossequência Manacá. (Fotos e organização: CERMINARO, A.C.,
2015).
Figura 14: Registro fotográfico da voçoroca II, Topossequência Manacá. (Fotos e organização: CERMINARO, A.C., 2015).
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