Chapter 6. Conclusions
6.1 Limitations and suggestions for further research
Nesse momento contextualiza-se o papel do enfermeiro relacionado aos aspectos culturais encontrados no estudo. As categorias A criança é muito danada, Lavou com água e levou para o hospital e Ter mais cuidado trarão subsídios para a atuação do enfermeiro, com a finalidade de uma intervenção familiar que
efetue mudança de comportamento e que promovam um cuidado voltado para a prevenção de outros acidentes com crianças.
A importância do enfermeiro compreender os aspectos culturais que envolvem situações de saúde e doença dentro da família passa a diferenciar o ato de cuidar, a família deve ser o objeto de intervenção de enfermagem, nesse sentido Leininger (1991) coloca que a enfermeira somente poderá desenvolver ações congruentes se interagir com consciência de que cada família tem sua cultura pessoal.
Sendo assim as intervenções voltadas para “A criança é muito danada” devem valorizar a cultura familiar e o enfermeiro deve utilizar a educação em saúde como forma de levar essa família a refletir sobre as “danações” de seus filhos.
O despertar para a prevenção de acidentes na infância não deve acontecer somente após o agravo, como a queimadura, e sim durante todas as fases de crescimento e desenvolvimento da criança; começando já na consulta de pré-natal e sendo desenvolvidas com maiores detalhes durante as consultas de puericultura, momento em que a mãe vai com mais freqüência ao serviço de saúde, e o profissional de saúde, em especial o da Equipe de Saúde da Família, tem um papel primordial na orientação e identificação de fatores de riscos para os acidentes infantis (FAVERO et al., 2007).
Os programas estruturados dentro da Atenção Básica na Estratégia de Saúde da Família têm como meta para a saúde da criança, a promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento e reabilitação, sendo a puericultura a área da pediatria voltada para os aspectos de prevenção e promoção da saúde da criança; o enfermeiro como puericultor, dentro dos vários papéis, é um orientador e educador, cujo trabalho se direciona a mãe e a família; devendo estimular a prevenção de acidentes comuns aos infantes, entre eles a queimadura. (CIAMPO, 2006).
Na categoria “Lavou com água e levar para o hospital”, o enfermeiro deve intervir no sentido de valorizar a importância cultural que as famílias dão ao ambiente hospitalar e conseqüentemente o trabalho da equipe de saúde que cuida de sua criança.
No hospital a equipe de enfermagem permanece mais próxima da criança e família, sendo importante utilizar estratégias de acolhimento que permitam que a família e criança possam se sentir seguras, já que consideram o local ideal para a cura de seus filhos. Sendo assim Renck (2005) relata que a medida que a família é
orientada sobre as condições da queimadura e tratamento, passa a ser mais observadora, mais crítica e a qualquer situação diferente questionam, também se sentem mais seguras para participar do cuidado da criança.
O Enfermeiro no ambiente hospitalar deve ainda possibilitar que a família apreenda a cuidar de seu filho após a alta, mesmo com as limitações próprias da queimadura, tornando o grupo familiar co-responsável pela prevenção das complicações após a queimadura, entre elas as seqüelas.
Deve-se destacar que nessa categoria percebem-se as mudanças de hábitos em relação ao cuidado após a queimadura, mostrando as famílias,com exceção de três, realizaram o cuidado correto de lavar a queimadura com água corrente e que o esforço de alguns serviços especializados em queimaduras em realizarem campanhas a nível nacional de prevenção de queimaduras e a qualificação de profissionais de saúde em relação a acidentes domésticos contribuem para essa mudança.
Na categoria “Ter mais cuidado”, o enfermeiro deve compreender o significado do cuidado sobre o olhar da família, que passa a perceber que o cuidado prestado a criança antes do acidente, não foi suficiente para proteger o filho dos agravos dentro do próprio lar e que a toda ação o cuidado encontra-se presente. Como cita Boff (2004), o cuidado é a essência da vida e precisa ser continuamente alimentado.
O Enfermeiro a partir da categoria “Ter mais cuidado” deve perceber que o seu papel como prestador de cuidado em um Centro de Tratamento de Queimados é valorizar o significado que essas famílias dão a esse novo olhar, na qual está ligado ao cuidado com amor,com ternura,com carícia ,com compaixão, com ética e moral (BOFF, 2004). O cuidar representa muito mais que o cuidado tecnológico de alta complexidade, representa a atitude do profissional enfermeiro em se preocupar, se responsabilizar, se envolver com a família dessa criança no sentido de promover uma melhor qualidade de vida.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES
Realizar uma pesquisa com as famílias de crianças vítimas de acidentes por queimaduras internadas em um Centro de Tratamento de Queimados proporcionou conhecer a vivência dessas famílias como cuidadoras desses infantes. Anteriormente como enfermeira do serviço de queimados era costume observar durante as atividades profissionais como algumas famílias cuidavam de suas crianças, porém sem o apuro com que realizou-se esse estudo.
A metodologia etnográfica, anteriormente desconhecida, foi essencial para que despertasse o olhar atento dessas famílias na qual no cotidiano de plantões da pesquisadora não era percebido com tantos detalhes o sofrimento, a luta e as dificuldades que a família enfrenta após a queimadura de suas crianças.
Todo o processo metodológico do modelo OPR e a análise dos dados exigiram disciplina e proporcionou condições ideais de realização desse estudo; a entrada da pesquisadora no campo foi facilitada por fazer parte do quadro de enfermeiros do CTQ, porém em alguns momentos da pesquisa tive-se que esclarecer as famílias quanto ao papel como profissional e pesquisadora.
Durante as observações, as entrevistas e as visitas familiares descobriu-se riquíssimas histórias de vida; além de conhecer a diversidade de valores e crenças de cada grupo; pode-se contribuir com cada uma no esclarecimento de dúvidas sobre o cuidado a criança, incrementar alguns cuidados e principalmente diminuir a angústia que alguns informantes-chaves demonstravam durante as realizações dos procedimentos, assim como despertar nessas famílias a importância da prevenção de novos acidentes com crianças.
Os resultados obtidos no estudo consideram significativa a cultura das famílias de crianças queimadas, na qual os costumes, crenças e interações familiares foram essenciais durante a pesquisa para que se pudesse colaborar com o cuidado daquelas crianças seja no hospital ou no domicilio após a alta.
O fator cultural e modos de vida estiveram presentes em toda a investigação; identificou-se que a criança mais atingida por queimaduras encontrava- se na cozinha no momento em que a mãe ou outro familiar estava preparando a refeição, sendo comum a todas as famílias o acidente na presença de um adulto. As famílias do estudo na sua maioria consideraram a falta de cuidado como fator determinante do acidente, além de citarem a “danação” dos filhos outro