modelo real, obtidas através de consulta a memoriais técnicos e aferidos nas visi- tas ao local.
Por se tratar de um modelo, ou seja, uma representação da realidade, consi- dera-se que os valores simulados sofrerão alguma alteração em relação aos valo- res reais medidos, o que justifica ainda mais o uso dos valores medidos como base de parâmetros para calibrar o modelo paramétrico.
Algumas variáveis como adequação ao período determinado para cada uma das condições internas (schedules) foram pré-dimensionadas. A interferência delas no resultado final foi verificada nos resultados obtidos no valor de TBS no interior das zonas de referência23(face NO e SE).
No modelo simulado, foram atribuídas zonas térmicas24a três quartos de cada lado em um mesmo andar e dispostos frente-a-frente. O valor obtido nas medições das UH, de cada zona, foi o dado considerado como referência nesta etapa.
O modo de funcionamento das aberturas foi definido de acordo com o observado na etapa do levantamento de dados empíricos (Apêndice A), lembran- do-se que este levantamento foi realizado com as janelas fechadas, com UH ocu- pada pelos ”hóspedes de controle”25. As taxas de infiltração e ventilação foram ajustadas na própria calibração do modelo, conforme os resultados obtidos nas ILs.69 e 70.
Na IL. 69, verifica-se que as temperaturas externas ao longo dos três dias foram aumentando gradativamente e ainda não estavam estáveis, como se reco- menda para a escolha da condição ideal a ser analisada.
Devido às limitações de disponibilidade de ambientes em realizar as medi- das em um número maior de dias, foram utilizados esses valores sendo definido qual dos três dias seria o mais adequado para ser utilizado na etapa da calibra- ção do modelo. Essa escolha foi para o dia, cujos resultados de TBS e TRM medi- dos e simulados estão apresentados nas 70 e 71, respectivamente.
Verifica-se na IL. 70 a variação dos dados empíricos da TBS nos pontos cen- trais do ambiente das duas faces (NE e SO) e na bancada (BANC), como foi indica- do o posicionamento dos sensores na seção 2.3 do Apêndice A.
23. Fala-se aqui sobre um ambiente simulado, que seriam as UH em que foram feitas as medidas. 24. Entende-se como zonas térmicas, segundo o processo do TAS, como zonas em que foram deter-
minadas as condições de ocupação na parametrização dos dados, e que o programa calcula as trocas térmicas apenas dos ambientes zoneados, considerando a interação entre estes ambientes.
25. Foram as duplas de ocupantes (uma para cada quarto) que ocuparam as UH durante o período em
que ocorreram as medidas, seguindo as recomendações de uso e período de acionamento dos equipa- mentos de acordo com o estabelecido para a pesquisa (Apêndice C).
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5. Análise paramétrica com base em estudo de caso
Ilustração 69:TBS externo de TBS interno (face E e O) – dados empíricos (EMP) e simulados
Ilustração 70:TBS externo de TBS interno (face NE e SO) – dados empíricos (EMP) e simulados em 24 horas (1 dia).
A TBS medida (EMP –TBS) está mais próxima dos valores simulados em ambas as orientações no período diurno, com variações de temperatura menores do que meio grau Celsius. As maiores diferenças ocorreram no período noturno, na face Oeste, às 3 horas, com uma variação de 1 grau Celsius, e na face Nordeste ás 20 horas, com uma variação de 0,9 grau Celsius.
Quando comparados os valores obtidos de TRM da simulação com os valo- res calculados com base nos dados medidos de temperatura de globo (cujo méto- do de cálculo está descrito na seção 5.4 do Apêndice A), obtivemos os dados apre- sentado na IL. 71.
Pode-se verificar que as variações do modelo com os dados empíricos não ultrapassam em um grau Celsius em ambas as faces, com exceção das 22 horas, em que se verificou um aumento abrupto de até dois graus Celsius. Isso ocorreu devido à alteração da carga interna, já que se trata do mesmo período ocupado durante o experimento.
Com isso, o resultado do modelo paramétrico pode ser utilizado como modelo base nas etapas seguintes.
Partindo do modelo já calibrado, o modelo-base foi analisado segundo o método descrito anteriormente, cujas etapas posteriores estão apresentadas a seguir.
5.4.1 Balanço anual de oito orientações – 2ª etapa
Considerando as mesmas condições internas de ocupação e as caracterís- ticas do modelo base, foram variadas as orientações do modelo para verificar qual delas seria a mais desfavorável, considerando como base a avaliação da condição de conforto dos usuários ao longo do ano todo.
Nessa etapa, ainda foram mantidas as janelas fechadas, assim como foram feitas as medições, para que na etapa seguinte fossem realizadas as alterações nas condições de operação.
Os resultados horários de temperatura radiante média (TRM), temperatura do ar (TBS) e umidade relativa do ar (UR) da zona de referência foram utilizados no cálculo da temperatura efetiva interna (TE*) e comparados com a temperatura de conforto (TC), calculada a partir do modelo adaptativo.
O resultado dessa avaliação foi uma análise mensal da porcentagem de tempo em que a zona avaliada encontra-se na faixa de conforto ou desconforto (por frio ou calor). Foi considerado, para esta etapa da pesquisa, o limite de 90% de pessoas satisfeitas, conforme recomenda a norma ISO7730 (1994).
Nas TABs. 11 até 18 estão apresentados os resultados para as oito orienta- ções avaliadas. Em vermelho estão destacados os meses com a maioria em des- conforto (acima de 50%) tanto por calor, e em vermelho, quanto por frio, em verde. Os valores apresentados apontaram para a orientação Oeste como a pior de todas, aquela que possui maior percentual de desconforto ao longo do ano. Destaque-se que foi avaliada a combinação das duas orientações mais desfavorá- veis ( já que a tipologia da arquitetura é predominantemente retangular, resultan- do em UH com duas orientações opostas).
No balanço anual também foram obtidos os valores horários mensais durante o período de ocupação determinado. No exemplo da IL. 72, para o mês de fevereiro está indicado conforto (C), quente (Q), ou frio (F), em cada uma das horas ocupadas do dia do mês, se os usuários estão em conforto ou desconforto segun- do os critérios adotados.
Como foram consideradas, nesta etapa, as janelas fechadas, na etapa seguinte, após a definição da pior orientação, foi alterado o modelo-base possibi- litando a abertura da janela e o acionamento do sistema ativo de condicionamen- to artificial, seguindo os limites pré-estabelecidos do modelo adaptativo.
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TABELA 11: PORCENTAGEM DE HORAS MENSAIS EM CONFORTO