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Limitations and Future work

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5.3 Limitations and Future work

Ao reflectir sobre a relação entre Body Modification e Body Art, é necessário compreender que a primeira é uma espécie de expressão de vanguarda artística no campo da segunda (Souza, 2009). Na Body Art, o foco está no corpo e nas suas manifestações orgânicas (tais como fluídos corporais, sangue, vómito, excrementos, entre outros), o corpo deixa de funcionar como elo entre a arte e a vida e passa a ser ele próprio, objecto de arte. O objectivo é sensibilizar o público em relação aos seus próprios corpos, libertar o corpo dos valores culturais, sociais e estéticos vigentes e suscitar sentimentos e sensações opostas (Teixeira, 2006).

Na Body Art o artista usa o seu próprio corpo como instrumento. Relaciona-se de perto com a arte conceptual e a arte da performance, e floresceu ao mesmo tempo que estas duas formas da expressão atingiam os seus picos de reconhecimento e visibilidade nos anos 60 e 70 (tendo surgido algum revivalismo nos anos 90). Os trabalhos de Body art tanto são realizados em privado e transmitidos ao público através de meios audiovisuais, como a sua execução é directamente pública. O desempenho pode ser pré-coreografado ou extemporâneo e a participação dos espectadores normalmente não é solicitada. A Body art tem como base um espírito de entretenimento, contudo algumas questões têm surgido quanto à sua natureza, devido à dor auto-

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infligida e aos actos ritualísticos de resistência presentes em algumas performances (Chilvers, 2003).

Este movimento foi concebido na sequência do estilo Action Painting de Pollock dos anos 50, também denominado por Abstração Gestual. Em comparação à cuidadosa e reflectida aplicação sobre a tela, trata dum estilo de pintura no qual a tinta é dispersa de forma totalmente livre enfatizando o lado físico da acção e corporalizando os gestos, a acção de pintar, como a principal preocupação dos artistas. Assim, na década seguinte surge a Body Art sustentada por várias correntes que procuram sensibilizar e aumentar a consciência corporal. Os artistas começam a utilizar o próprio corpo para provocar sentimentos. O corpo surge como agente emissor e receptor de sensações e prazer, alienado de eventuais restrições sociais ou dimensões pecaminosas de outras épocas (Pires, 2001). Gestos e marcas transformam-se numa nova gramática, na qual o corpo físico constitui-se como o principal elemento de comunicação e linguagem.

Após décadas de negligência e repressão do corpo a nível artístico e social, na década 60 este é resgatado através do surgimento de novas formas de exploração do corpo enquanto instrumento vivo, o que só foi possível no período pós-guerra II GM. Neste contexto, a Body Art “refere-se à utilização do corpo como um dispositivo político activado pela contextualização da arte performática” (Nascimento & Peres, 2012, p. 3), pretendia-se chocar a assistência eliminando qualquer estado de indiferença e passividade e despertar as consciências quanto à arte e quanto à vida (Silva, 2006).

Günther Brus, Hermann Nitsch, Chris Burden, Otto Mühl e Gina Page, são alguns dos artistas que acrescentaram à arte uma dimensão totalmente inovadora e marcante ao suscitarem sentimentos de aversão na audiência, conseguindo-o pela incorporação de sangue e excrementos nas suas apresentações e, pela exibição dos seus órgãos sexuais; provocando igualmente sensações de perigo e marcada agressividade recorrendo ao corpo físico ou outros elementos da condição humana, (Fleck, 1996). Este movimento denominado “Viennese Actionism” serviu como um protesto criativo, um grito de liberdade dos jovens artistas contra o pano social de fundo “pós-fascista” da Áustria em 1950/60, o que em parte explica a natureza extremista e violenta deste movimento artístico (Horassius, 2005). Se na actualidade as hipóteses de representação, apresentação e construção corporal parecem ilimitadas, em parte se deve ao legado

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deixado por artistas pioneiros como os acima mencionados que durante décadas quebraram tabus e privilegiaram o corpo como forma de expressão (Silva, 2006)

Concluísse que na segunda metade do século XIX, a arte se desvincula do histórico e do sagrado e encontra-se com o corpo. Tendência que é acentuada com o Cubismo, Dadaísmo e Surrealismo que transformam o corpo em motivo de “escárnio”, até Picasso lhe distorcer completamente contornos e limites. Progressivamente a tela é posta de lado e começa a transbordar para as paredes e para o tridimensionalismo, até ao corpo como tela, ao corpo como arte. A expressão artística é escrita sobre, através, e no corpo (Horassius, 2005).

A Body art contemporânea surge como um importante espaço para a compreensão das expressões de individualidade através das construções corporais, “o artista coloca-se como obra viva, usando o corpo como instrumento, destacando a sua ligação com o público e a relação tempo-espaço” (Pires, 2005, p.69).

A Body Modification afasta-se da Body Art ao traduzir-se como um novo olhar sobre o “mesmo” corpo. Na Body Modification “não há distinção entre o artista e a obra, entre o sujeito criador e o objeto” (Pires, 2003. p.136), a duração da exposição é o tempo de vida do sujeito e os locais por onde ele passa. A Body Modification vem retirar os limites de duração e de espaço das performances, o que não significa o seu fim mas, um constante compromisso, a vida dos sujeitos é a performance, e esta tem uma infinidade de hipóteses para se revelar (Silva, 2009).

Se na Body Art se pretendia desfetichizar o corpo humano e daí o seu lado performativo mais orgânico e visceral, na Body Modification tanto o fetiche como a exploração sensorial são marcas incontestáveis (Souza, 2009).

Todavia, as modificações corporais apresentam-se também como construções estéticas que se afastam dos usos correntes dos saberes da Body art, na medida em que gradualmente se têm afastado da concepção de performances públicas, deste modo, verificam-se duas vertentes através das quais a adesão pode ocorrer. Numa primeira vertente a relação com o uso do corpo é particular, sendo privilegiado o significado subjectivo das marcas, passível de ser apreendido através das narrativas pessoais. Numa segunda vertente, a relação com as modificações corporais é partilhada com o grupo, contribuindo para um significado colectivo das práticas, tal como acontece nos

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movimentos: Modern Primives, CoBM - Curch of Body Modification e Body

Hacktivism (Souza, 2009).

3.1. Movimentos predominantes na actualidade

3.1.1. Modern Primitives

Os Modern Primitives representam um movimento que surge em meados dos anos 60, no qual os jogos corporais ou Body Play surgem como práticas ritualizadas fruto de instintos universais (Teixeira, 2006). Fakir Musafar é o Pai dos Modern

Primitives e um ícone da body modification, reconhecido como pioneiro da

popularização das modificações corporais enquanto forma de expressão e, director da única escola de body art do mundo situada na Califórnia (Silva, 2007).

Na sua revista “Body Play and Modern Primitives Quarterly” (BP & MPQ 1(1):3), definiu os jogos com o corpo como: “a modificação deliberada e ritualizada do corpo humano com raízes profundas e caracteriza-a como um instinto universal que parece transcender o tempo e as barreiras culturais” (Klesse, 1999 cit. in Feartherstone, 2000), tendo-os organizado em sete categorias principais: