6.2 Forståelsen av LP og påvirkning av sikkerhets og beredskapsarbeidet
6.2.3 Likhetsprinsippet - den umiddelbare beskrivelsen
A PCr está vinculada ao Setor Pastoral Social, este articulado à linha seis, a denominada dimensão sociotransformadora da CNBB, que é referência para toda ação social da Igreja Católica e constitui um espaço de articulação das Pastorais Sociais e dos Organismos promotores de ações no campo sociopolítico.
O nascimento da PCr na década de 1980, dentro dessa lógica de Pastorais Sociais, somente é possível devido à participação mais efetiva dos leigos nas atividades da igreja, o que ocasionou uma forma diferenciada de organização do trabalho eclesiástico. Atualmente, a programação de uma paróquia ou capela não se restringe às celebrações das missas, casamentos e batizados, mas engloba também uma diversidade de ações das Pastorais Sociais que se articulam à
Hierarquia local, promovendo intervenções sociais na comunidade. As pastorais sociais procuram modificar o sentido tradicional de caridade cristã,
buscando melhor qualidade de vida para as comunidades carentes, a partir do esforço conjunto dos seus próprios moradores. (HOROCHOVSKI, 2003).
A presença das pastorais atribui uma nova dinâmica ao trabalho, convida a comunidade a participar e a estar envolvida na liturgia e na vida da igreja. Participar
CNBB
AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA
DIMENSÕES:
1 – Comunitária e participativa 2 – Missionária
3 – Bíblico-catequética 4 – Litúrgica
5 – Ecumênica e diálogo religiosa 6 – Sociotransformadora EXIGÊNCIAS: Anúncio Testemunho Diálogo Serviço
PASTORAIS SOCIAIS: Operária, do povo de rua, dos pescadores, da mulher marginalizada, da criança, do menor, da saúde, dos migrantes, da terra, carcerária. ORGANISMOS: IBRADES, Caritas Brasileira, CERIS
de uma pastoral significa mais freqüência aos eventos litúrgicos e às reuniões de grupo que ocorrem na capela ou paróquia durante a semana.
As pastorais sociais intencionam um maior envolvimento e compromisso dos fiéis tanto na dimensão temporal como na espiritual, o que significa maior presença junto aos setores marginalizados da população; posição de alerta, pela denúncia da existência de submundos; vivência de ação social, pela multiplicação de atividades de conscientização, organização e transformação dessas comunidades; e, tentativa de parcerias através do diálogo com as demais igrejas cristãs e não cristãs (ecumenismo e diálogo inter-religioso).
As pastorais sociais são conseqüência de um processo histórico de renovação da Igreja Católica. Abriga um legado de conquistas sociais herdado da Ação Católica, do Concílio Vaticano II, das Conferências Latinas e do movimento de CEBs.
A estrutura de pastorais intenciona mudanças na infra e microestrutura das dioceses e trouxe como proposta dinamizar o relacionamento do povo de Deus; estabelecer um novo tipo de intercâmbio entre diocese-Hierarquia e comunidade humana; superar as estruturas rígidas para estruturas mais dinâmicas a serviço das massas pobres. Na concepção de Lima (1979, p. 57) as “diversas pastorais se transformaram em espaços de organização das bases da sociedade brasileira para a reflexão religiosa e política e para o planejamento da ação”. Conjunto de intenções, por vezes, travado por limitações inerentes à própria realidade e às práticas instituídas nas dioceses e paróquias.
Durante o período de 1975 a 1985, são organizadas muitas pastorais novas, com liderança ou apoio da igreja, que defendiam amplamente a luta pelos direitos humanos. Dessa forma,
[...] em lugar de uma velha estrutura hierárquica institucional e com propostas quase exclusivamente religiosas ao interno da Igreja, temos uma estrutura pastoral mais atenta à presença no meio do povo e na sociedade. Ou seja, o episcopado legitima a ação da base e a presença das pastorais na sociedade e, por sua vez, recebe força pelo envolvimento do povo e das pastorais sociais. (INSTITUTO..., 2003, p. 217).
A configuração das pastorais como organismos promotores de ação socioeducacional e religiosa estabelece nova dinâmica de intervenção nas comunidades, tanto nos centros urbanos como no interior dos estados. Para Lima
(1979, p. 56), a organização do sistema de pastoral representou, para a igreja, a instituição de novos espaços de atuação e de diálogo com a classe popular.
Durante os anos 1980, as pastorais de ação se difundiram por todo o Brasil e integraram os programas e projetos sociais que as paróquias, dioceses e arquidioceses desenvolveram junto ao povo. “Inúmeras iniciativas de evangelização no campo social deram origem à multicolor face da igreja no mundo dos pobres. Assim, temos hoje as mais variadas pastorais que buscam a articulação entre fé e política, entre fé e ação social”. (GODOY, 2003, p. 391). Contamos com a pastoral da família, da juventude e as pastorais sociais, que se desmembram nas pastorais da comunicação, do dízimo, da saúde, da criança, do menor abandonado, do povo de rua, dos nômades, dos migrantes, da terra, do operário, dos pescadores, da mulher marginalizada e da carceragem.
São organizadas pastorais firmadas no sentido de ação, cuidado, dedicação a uma causa social. Tipo de pastoral definida por Barros (1968, p. 102) como estrutura que funciona como
[...] um centro vivo capaz de significar e realizar a união do povo de Deus. Os diversos membros desse povo devem nela se encontrar, pessoal ou comunitariamente, cada um da maneira que lhe é peculiar, sua integração, em vista de realizar mais plenamente a unidade visível do corpo místico de Cristo.
Nesse sentido, a pastoral como parte do corpo de Cristo, não pode ser entendida como setor paralelo ou isolado das demais atividades da igreja, mas constituindo um todo orgânico, respeitando as peculiaridades de cada carisma que está a serviço de Deus. Princípio que obriga dissimuladamente cada pastoral social está vinculada à Igreja, estando dependente da aprovação da Hierarquia para sua legitimação e funcionamento nas paróquias e comunidades.
A criação da PCr, no início dos anos 1980, é expressão da consolidação desse projeto de pastorais sociais, que se fundamenta nos princípios da doutrina social (outra maneira de pensar a igreja), na organização de um apostolado leigo (outra maneira de ser igreja ), e na preocupação com os excluídos (outra maneira de intervir na comunidade) – maneiras diferentes de fazer-se eclésia.
A PCr nasce a partir dessa nova prática da Igreja, inserida na Pastoral de Conjunto, em consonância com as diretrizes de evangelização e ação pastoral,
organizada nos diversos níveis de atuação: paroquial, diocesano, regional e nacional, conforme organograma anteriormente explicitado.
Por meio dessa dimensão explicativa, alguns Agentes Pastorais compreendem que a PCr existe devido à decisão da igreja, pela capacidade que possui de renovação de seus quadros e modos de intervir na sociedade. Para esses Agentes, principalmente os Líderes Comunitários, a PCr foi criação da instituição Igreja Católica.
Os Agentes Pastorais, ao tratarem do natalício da PCr, ainda vincularam o acontecimento a uma decisão política da igreja, junto aos organismos internacionais, e do governo brasileiro. A iniciativa teve intencionalidade, assim declarou um Agente Pastoral: “A PCr foi criada para diminuir o índice de mortalidade infantil que estava muito grande”AP6. Esta outra fala refere-se a uma preocupação da sociedade que foi adotada pela igreja: “uma discussão em Genebra, 1982, que preocupou Dom Evaristo sobre a mortalidade infantil”AP4. Ainda outro Agente revela a efetivação de um convite para a materialização de “uma proposta”AP1.
As falas desses Agentes Pastorais apontam para uma outra dimensão do natalício. Admitem que o nascimento da PCr é fruto da atual política de renovação da ação pastoral da Igreja Católica no Brasil, mas que essa nova lógica de organização e intervenção somente se fortalece através do apoio fornecido pelos organismos internacionais de promoção social, como a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
A idéia de criação da instituição firma-se nas novas políticas de tratamento das questões sociais e no cultivo de parcerias entre o mercado, a sociedade civil e o estado. Política gestada durante os anos 1970 e implementada com grande força durante as décadas de 1980 e 1990 no Brasil.
A PCr nasce como entidade filantrópica24, certificada pelo Conselho nacional de Assistência Social para prestar atendimento a pessoas carentes. Classificada também no grupo das instituições que realizam ações de base comunitária. Atua
24 Filantropia – palavra originária do grego na qual philos quer dizer amor e antropos significa homem. Apesar de seu sentido humanitário, a filantropia foi se consolidando como um sistema de dominação, assumindo a posição de instrumento para atender interesses individuais ou de determinados grupos. Hoje, “a filantropia pode manter sob tutela os pobres, de modo a confirmar suas necessidades em vez de afirmar o direito de sair dessa situação”. (BEGHIN, 2005, p. 46).
como instituição pública não estatal e depende de contribuições voluntárias de serviço e capital para sobreviver.
Atualmente, mantém parceria com órgãos governamentais e não- governamentais. Desde 1987, o Ministério da Saúde é o principal financiador das ações, com 70% dos custos, e o programa Criança Esperança da Rede Globo de televisão, em parceria com a UNESCO, destina-lhe 27% dos recursos arrecadados.
A PCr identifica os seus parceiros em três grupos distintos:
1) Parceiros técnicos que assessoram na produção de materiais educativos, no controle social, no desenvolvimento de estratégias de combate à desigualdade social, na gestão e na informatização: Unicef, Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas, Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Federação das APAES;
2) Parceiros em projetos e programas que assessoram e colaboram financeiramente projetos e programas específicos, com objetivos de abrangência previamente definidos: Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Criança Esperança, Rede Globo, UNESCO, SEBRAE, Nestlé;
3) Parceiros institucionais que colaboram financeiramente, permitindo a criação e teste de novas metodologias e avaliação ou aperfeiçoamento de programas já existentes, atendendo também às necessidades emergenciais ou estruturais (GOL – Linhas Aéreas Inteligentes, HSBC Bank Brasil S/A, Novartis).
A PCr foi também criada como uma Organização Sem Fins Lucrativos (OSFL), uma associação voluntário-religiosa, que integra o conjunto de instituições sociais as quais fortalecem o terceiro setor através de um discurso sobre cidadania, solidariedade, justiça e paz.
O terceiro setor diz respeito à organização de parte da sociedade civil que diz trabalhar pelo bem comum, através de ações sociais nos bolsões de pobreza, em oposição ao estado (primeiro setor), tido como ineficiente, e ao mercado (segundo setor), criticado porque explora em função da acumulação do lucro. Composto por organizações voltadas ao atendimento de demandas sociais as quais atuam a partir de lógicas fornecidas pelo mercado, oferecendo serviços tradicionalmente prestados pelo estado. (HOROCHOVSKI, 2003).
Podemos melhor representar esse emergente segmento da sociedade através do ESQUEMA 7 a seguir: