• No results found

Por último, analisaremos o metal ou como é conhecido pela generalidade das

pessoas, “Heavy Metal”. Estilo com algumas das bases musicais que já abordámos para

o rock, surgiu um pouco mais tarde, nos anos 60 com bandas como Black Sabbath e é

“mais pesado”, com um ritmo ainda mais rápido e potente, com novos e mais fortes

amplificadores e pedais de efeitos sonoros. A banda mais acedida que escolhemos são os Metallica (4.441.354 ouvintes) e a banda menos acedida os portugueses Moonspell (45.966 ouvintes).

Aqui, não há grandes surpresas. Os Metallica, pela sua popularidade e história, têm uma página muito completa e com todos os elementos já frisados. Os Moonspell, sendo aqui a banda menos acedida, têm também uma página completa em ambas as plataformas, com todos à semelhança das últimas duas analisadas.

Concluindo, podemos inferir que tanto Spotify, como Apple Music, são muito semelhantes na quantidade de conteúdos musicais propriamente ditos que oferecem aos

seus utilizadores. Notamos ainda que as bandas que considerámos “menos acedidas”

conseguem também ter páginas bastante completas, embora o seu nível de popularidades e a base de fãs não seja tão vasta, o que abona (e muito) para o trabalho que as plataformas de streaming estão a fazer neste novo espaço na indústria musical.

75

6.3 – Parâmetros da Tabela 2

Tendo como base a Tabela 2, prosseguimos a análise às plataformas em questão.

Tabela 2:

Parâmetros/Plataformas

Spotify Apple Music

Rádio Sim Sim

Conexão com as redes

sociais

Sim Sim

Interação entre os utilizadores

Sim Não

Publicidade Não Não

Alertas de novidades Não Sim

Downloads/Loja de música Não Sim

Suporte para Dispositivos Móveis (Android, Iphone, Tablet)

Sim Sim

Rádio

Ambas as plataformas possuem esta funcionalidade, mas apenas o Apple Music a explora como mais frequentemente a conhecemos.

As duas plataformas em análise, na maioria das vezes, aproveitam a funcionalidade de Rádio, da seguinte forma: estas rádios são seleções de músicas da mesma banda/artista ou do mesmo género musical que os utilizadores fazem de forma totalmente mecanizada e temática e que depois publicam. Tanto assim é que até

pudemos “criar a nossa estação”, senão quisermos nenhuma das que nos são

76 Para além de ter as rádios deste modo, o Apple Music providencia ainda alternativas viáveis a esta forma de rádio, ao contrário do Spotify que apenas funciona

como está descrito acima. A principal alternativa é a rádio “Beats1”, algo que o Apple Music aproveitou por partilhar o mesmo espaço com iTunes. A Beats1 funciona 24h por dia, não é mecanizada, tem locutores e uma programação, passando grande parte das vezes música.

A segunda alternativa, também com o iTunes a desempenhar um papel importante, é o facto de podermos aceder em streaming a um número bastante alargado de estações de rádio espalhadas por todo o mundo, estações que funcionam (e são) mais tradicionais e como estamos habituados a ouvir no nosso carro, por exemplo. Sendo que a Beats1 é mais generalista, estas estações de rádio estão divididas pela programação do género musical que mais passam, tendo um grande oferta para os utilizadores.

Por último e ainda que afastados da música propriamente dita, na iTunes Store podemos ainda aceder a podcasts, tão em voga na era do streaming. Concluindo, o Apple Music no que toca à rádio é a plataforma mais completa.

Conexão com as redes sociais

Em termos de conectividade e de relação dos dois serviços com as redes sociais, dizer que têm ambos ligação com a Last.FM. A rede social Last.FM é uma conta onde nós temos o nosso perfil com os nossos dados pessoais, um pouco à semelhança do Facebook, mas com especial relevância para o que nós ouvimos. Se ativarmos essa opção, o que ouvimos vai ficar registado no nosso perfil musical, permitindo-nos posteriormente ligar-nos com pessoas com o mesmo gosto musical que nós.

Depois, especificamente no Spotify, podemos utilizar os seus serviços de streaming através da nossa conta de Facebook, embora nos seja também dados a hipótese de criar uma conta de Spotify.

Para além disto, podemos partilhar a nossa atividade nas redes sociais Facebook, Twitter, Tumblr e no caso do Apple Music, também através de e-mail.

77 Interação entre os utilizadores

Aqui vamos observar se existe a capacidade quer do Spotify, quer do Apple Music, de funcionarem como redes sociais.

No Apple Music, esta capacidade não existe. No Spotify, temos essa possibilidade. A entrarmos e utilizarmos esta plataforma com a nossa conta de Facebook, podemos usufruir da sua característica principal: ter uma lista de amigos, onde aparece o que eles estão a ouvir, com atualização permanente. Quem temos adicionado como amigo no Facebook, aparece no Spotify porém, para vermos o que os

nossos amigos estão a ouvir, temos de os “seguir” na plataforma digital.

Os nossos amigos, por sua vez, também podem escolher seguir-nos ou não e partir do momento em que o fazem, podem-nos recomendar bandas/artistas através do Spotify. É o mais próximo que temos de “rede social interna” entre os dois serviços analisados.

Publicidade

Quanto a publicidade, em ambos os casos, ela não existe. O mais parecido que temos com isso no Apple Music, é a menção que o iTunes faz à sua loja, sem que seja publicidade intrusiva. No Spotify, visto que a versão analisada é a versão P remium, toda a publicidade que existe na versão gratuita, aqui, foi extinta.

Alertas de Novidades

Nesta área que analisaremos em seguida, o Apple Music trabalha substancialmente melhor que o Spotify.

O Apple Music alerta-nos de novidade (novos álbum, novos artistas, novas bandas, promoções na loja do iTunes) através do e-mail, que nós subtemos à Apple

78 aquando do nosso registo no iTunes e depois no Apple Music. Temos também a opção de desativar esta funcionalidade. Durante o mês de março, a plataforma digital enviou e- mails publicitários aos seus serviços e ao que de novo há disponível para o consumidor, nomeadamente nas sextas-feiras (dias 11, 18 e 25 de março). Por sua vez, o Spotify não tem alertas de novidades.

Downloads/ Loja de Música

Aqui, mais uma área explorada única e exclusivamente pelo Apple Music. O Spotify, como faz desde o início, aposta no streaming online, não tendo esta funcionalidade disponível.

No Apple Music, devido ao seu funcionamento no mesmo espaço digital que o iTunes e sendo largamente suportado e integrado pelo mesmo, esta funcionalidade é aproveitada. Quem prefere subscrever ao Apple Music, tem logo direito à biblioteca oferecida por eles e esta funcionalidade diz-lhes pouco, mas para os que gostam também de comprar a música que ouvem e fazer o download de seguida para o disco rígido do computador, a iTunes Store a outra opção disponível.

A iTunes Store, nome dado à loja online do programa da Apple, durante o mês analisado foi sendo atualizada diariamente quer com novidades que iam sendo lançadas, quer com promoções.

79

6.4 – Funcionalidade e valor das subscrições Premium

Na última parte desta análise iremos então falar dos dois parâmetros presentes na

Tabela 1 que ainda não tinham sido abordados. São eles a “Funcionalidade” das

plataformas de streaming em questão e o valor que desembolsamos para termos a subscrições Premium quer do Spotify, quer do Apple Music.

Funcionalidade

A funcionalidade de um programa num computador é sempre um fator importante na manutenção e cultivação de uma base de dados fiel e isto deve-se muito a questões mais de índole técnico. Se é ou não fácil de utilizar, manusear e de aceder ao que queremos de forma simples e rápida, sendo esta, na grande maioria das vezes, uma questão subjetiva, que depende do gosto e da facilidade de interação com as novas tecnologias de cada pessoa.

Passando então à prática, Spotify e Apple Music são duas plataformas de streaming que, pelo que vimos e no cômputo geral, são fáceis de utilizar. Para quem tem mais dificuldades com a informática será necessariamente mais difícil, mas até aí,

após alguma prática, deverá deixar de ter “segredos” para os seus utilizadores.

O mais importante fator observado em ambas as plataformas e o que deve ter mais em atenção para um controlo fácil, é a barra de pesquisa. No Spotify localizada no canto superior esquerdo e no Apple Music no canto superior direito, é por aqui que devemos tentar aceder ao queremos, basta que para isso tenhamos o seu nome (da banda, da música, da playlist, etc.) ou até mesmo fragmentos, sendo-nos mostradas várias possibilidades de pesquisa. Relevar ainda que no Apple Music, temos a possibilidade pesquisar ou no Apple Music propriamente dito, ou na iTunes Store. A diferença é que se se pesquisar na iTunes Store, os resultados dirigem-nos para a compra dos conteúdos e no Apple Music, para as bibliotecas musicais que possuem.

A partir do momento em que estamos familiarizados com os programas, mais fáceis de utilizar estes se tornam e ao mesmo nível: não há uma que seja mais

80 complicada que outra. São sobretudo simples, com um interface fácil, embora tenham cada vez mais ferramentas para explorarmos, porque vão sendo complementadas e atualizadas, no que ao software diz respeito.

Destacar por último, as páginas onde cada uma das plataformas está quando nós iniciamos os programas de ambas. O Spotify aqui tem uma ligeira vantagem, porque é

mais “direto ao assunto” que o Apple Music, ou seja, é mais conciso e simples.

Valor das Subscrições

Quanto ao valor que temos de desembolsar para adquirirmos as subscrições Premium das plataformas de streaming em questão, ambos se situam nos 6,99 euros, podendo ser de 10,99 no Apple Music (subscrição familiar – mais que um utilizador). Isto, claro, independentemente das promoções que fazem.

No Spotify, existindo uma versão gratuita, a subscrição Premium traz vantagens muito claras, sendo as principais o facto de ficar sem publicidade intrusiva e de poder ser utilizado sem ter de estar ligado à Internet (offline). No caso do Apple Music, como não existe uma versão gratuita, temos de subscrever a plataforma para a podermos utilizar.

Quanto às promoções também há algumas diferenças, na forma de atuar e no tempo em que são válidas. O Spotify permite-nos fazer um período de teste de um mês grátis, mas que no mês seguinte nos tira automaticamente o valor da subscrição, isto senão cancelarmos a opção de renovação automática nas definições. Já no Apple Music, a promoção principal é de três meses grátis logo após a subscrição estar feita, sendo que os 6,99 euros de mensalidade serão retirados no quarto mês automaticamente. Depois desse quarto mês, o Apple Music retira a mensalidade de forma automática para os meses seguintes, pelo que senão quiser que mais sejam retiradas, essa opção tem de ser desativada na sua conta Apple.

81

7 – Novos negócios da música: o olhar dos músicos e editoras

O presente capítulo tem por objetivo proceder a uma análise da perceção que vários protagonistas do mundo da música têm sobre as plataformas digitais de distribuição. Com este objetivo, e tal como explicámos no capítulo da Metodologia, foram colocadas várias questões a responsáveis de três editoras e três bandas que figuram nesse mundo artístico da música.

As editoras que se disponibilizaram a participar foram a “Rastilho Records”, a

“Raising Legends Records” e ainda a “Helldprod Records”, nas pessoas de Pedro

Vindeirinho, André Matos e Pedro Pedra, respetivamente.

As bandas que acederam a esta entrevista foram os “Moonspell”, os “Mata- Ratos” e os “Heavenwood”, nas pessoas de Fernando Ribeiro (vocalista), Miguel Newton (vocalista) e Ricardo Dias (guitarrista/vocalista).

Uma das entidades fundamentais na divulgação de uma banda ou artista, no seu

agenciamento, numa relação mais de parceria do que de “patrão-empregado”, são as

editoras musicais.

As editoras são quem tem em “carteira”, por assim dizer, as bandas/artistas e

tratam de comercializar, promover e retirar alguns dividendos do seu trabalho.

Sem os músicos, música não haveria e todos nós ficaríamos impedidos de disfrutar desta arte, por isso, as bandas – como não poderia deixar de ser – dispensam mais introduções, tendo elas também um papel fundamental nesta dissertação. Seguimos então para a análise, com a distinção entre as respostas das editoras plenamente identificada ao longo do texto.

82

7.1 – Presença nas Plataformas digitais

Editoras

Incontornavelmente, a primeira questão que abordámos foi a presença ou não que as bandas/artistas que fazem parte do catálogo das editoras têm nas plataformas online de streaming, indo as respostas a favor dessa mesma presença, mas com um método um pouco diferente utilizado pela Helldprod, embora tendo a mesma intenção.

“Usamos indiretamente esses e outros canais, mas via uma outra

plataforma chamada Routenote. A nossa presença promocional não se confina exclusivamente a este tipo de meios, mas estes e outros, atualmente, fazem parte do leque de opções disponíveis, a nível dos recursos de

promoção, para trabalharmos os nossos artistas.” (Pedra, Pedro, entrevista

pessoal Helldprod Records, 7 de julho de 2016)

O Routenote é um serviço que permite a bandas/artistas emergentes começarem a fazer com que os seus trabalhos cheguem aos maiores distribuidores de música a nível mundial.

Bandas

Das três bandas entrevistadas, duas delas (Moonspell e Heavenwood) deram uma resposta que vai no sentido da presença nas plataformas de streaming, com

Fernando Ribeiro a acrescentar mesmo que esta presença foi “desenvolvida e conquistada”. “Não foi fácil, principalmente a conflitos comerciais entre editoras, publishings e serviços de streaming mas os Moonspell influenciaram no sentido da

disponibilidade.”.

Neste capítulo, os Mata-Ratos, por Miguel Newton, afirmou que “apenas os dois últimos álbuns estão presentes nessas plataformas”. Explicou que não é um utilizador

83 destas plataformas e referiu que o trabalho de colocar os seus álbuns online pertence à editora da banda, neste caso, a já mencionada nesta dissertação Rastilho Records.

84 7.2 – Vantagens e Desvantagens (Popularidade, Economia e

Internacionalização)

Editoras

Quanto a vantagens e desvantagens de uma presença nas plataformas de streaming, são referidas duas principais vantagens que fazem do dia-a-dia das editoras.

“Visibilidade e facilidade de acesso” e “o alargamento do público onde chega a música”

que lá está presente, nacional ou internacionalmente. No que toca a desvantagens, é

mais referido o lado económico, sendo “complicado obter receitas significativas do

streaming”, pois “o retorno económico é irrisório”, bem como “o número de vendas”,

que pode não aumentar diretamente pela maior exposição que as bandas/artistas obtêm,

ou seja, pelo aumento do número de ouvintes, “não se podendo estabelecer uma relação

causa e efeito linear entre os dois”.

Acrescentar ainda que, no caso da Rastilho Records e se fosse por gosto pessoal

do seu diretor Pedro Vindeirinho, “não estariam presentes nas plataformas de

streaming”, revelando ainda que os lançamentos “nunca são exclusivamente em formato

digital, mas sim um complemento ao formato físico, que não tencionam abandonar tão

cedo”.

Bandas

As bandas entrevistadas, tal como as editoras, referem principalmente a questão a visibilidade que estas plataformas lhes dão e na opinião de Fernando Ribeiro, é a

melhor vantagem é mesmo do ponto de vista do utilizador: “Já ninguém carrega a sua

coleção para fazer um DJ set ou festas espontâneas em tour. Basta Internet, um cabo, um sistema de som ou apenas uma coluna bluetooth. Como em toda a tecnologia, lá

está, estas são estas características que a destacam”.

Quanto a desvantagens, os retornos financeiros são os mais focados, como refere

85

Ribeiro (Moonspell) vai mesmo mais longe, dizendo que “as percentagens pagas aos

músicos e aos seus representantes são absolutamente patéticas e altamente prejudiciais, já para não dizer cínicas. Ambas as plataformas geram o suficiente para pagar melhor os

direitos”. Miguel Newton (Mata-Ratos) realça que “o proveito [económico] até à data

foi zero, ou seja, não se verificou qualquer tipo de retorno para a banda”. (…) Não há grande controlo sobre a situação das vendas/downloads e temos que acreditar no que

nos diz a editora”.

Para os Moonspell, em termos de popularidade, as digressões – onde como é óbvio se incluem os espetáculos ao vivo – são o fator principal. Venda de merchandise,

presença nas redes sociais… Fernando Ribeiro coloca estes elementos à frente da

influência que as plataformas de streaming têm nesta área: “Vertendo para as plataformas de streaming não penso que, para já possam competir com as tours, revistas, redes sociais. É residual a descoberta dos Moonspell nos serviços de streaming comparado com as outras atividades”.

“Estivemos a tocar na Sibéria e dois fãs Mongóis tinham o CD e nem sequer

sabiam o que era o Spotify. Isto sã o coisas de Primeiro Mundo como a Uber,

comodidades que mesmo assim precisam de evoluir muito. (…) O nome serviço

é adequado. É apenas um streaming, um download. Não há paixão nisso. Não

há descoberta física. Não há ato. É sexo por telefone.” (Ribeiro, Fernando –

Moonspell, entrevista pessoal, 17 de setembro de 2016)

No que toca a opinião pessoal dos entrevistados, Miguel Newton afirma que para

ele, a sonoridade da música ouvida online “perde muito” devido aos formatos comprimidos. “Já me custa a engolir o som dos CD, quanto mais o de mp3 ou wav e o raio que os parta. Sou um homem do vinil”.

Já Fernando Ribeiro opta por referir a sua experiência pessoal com as duas plataformas de streaming analisadas nesta dissertação, o Spotify e o Apple Music:

“Pessoalmente, tenho Spotify Premium (porque me identifico e gosto muito da aplicação) e Apple Music apenas pelas suas variantes de catálogo. Já não gosto tanto da última, acho-a mais confusa e limitada”.

86

7.3 – Material disponibilizado (relação editoras/artistas ou bandas)

Editoras

Na relação entre editoras e bandas/artistas que têm no seu espólio, tem de haver acordos entre as duas e respeito de ambas as partes, uma vez que isso se concretize, uma age de acordo com a políticas da outra e a relação é saudável, sendo que “as bandas são

livres de sugerir a melhor forma de verem as suas edições online”, sempre com a última

palavra a pertencer às editoras.

Bandas

Neste aspeto, Ricardo Dias limita-se a afirmar que o que está contrato por

escrito, à escala global, é “gerido da melhor forma possível”, sem se alongar muito.

Miguel Newton diz que as plataformas de streaming“para já, constituem-se como fonte de atrito entre as partes”, visto que as suas obras foram disponibilizadas sem que os Mata-Ratos tivessem “qualquer tipo de retorno”. “Só com o lançamento do novo álbum é que fizemos um acordo «verbal» para que a editora nos pague pela disponibilização nesse formato, (…) vamos ver como a coisa corre”.

Fernando Ribeiro, nesta parte, opta por introduzir um ponto de vista sobre o

estado das “coisas” neste momento:

“Simplisticamente falando a cena da música é vista por da seguinte forma: As

editoras são o diabo (e aí ta lvez acertem muitas vezes); o Youtube, o Pirate Bay, o Mega Upload são os bons da fita mas assim uns bons rebeldes que roubam o fogo aos Deuses e fingindo que dão (roubando conteúdos) se tornam milionários apenas porque inventara m algo que a tecnologia que outros inventaram (e dos quais eles roubam) lhes permitiu. Big deal! Por fim os músicos são os bobos e as plataformas de streaming o cavaleiro andante que afinal não vem salvar mas que leva a nossa historia a todo o lado. Imagine-se as editoras sentadas à mesa com alguns destes nomes. Com a concorrência desleal sem ter hipóteses

87 verdadeiras de negociação. Imagine-se alimentar o lobo com migalhas.” (Ribeiro, Fernando – Moonspell, entrevista pessoal, 17 de setembro de 2016)

88

7.4 – Pirataria

Editoras

A pirataria é algo que começou a fazer parte do nosso dia a dia desde que a Internet começou a ser mais acessível a todos. Na música não é diferente e os entrevistados afirmam que não vai ser através da plataformas de streaming que este

“flagelo” vá ser combatido e derrotado, sendo que Pedro Vindeirinho e Pedro Pedra dizem mesmo que é uma “batalha perdida, quem quer arranjar de forma ilegal, arranja e não há nada a fazer”, e que é “impossível combater a pirataria (…) porque está instalada

e instituída no mercado musical por forças maiores, designadamente as próprias editoras que editam música dita «mainstream» seja em que área musical for”, respetivamente.

No caso da Raising Legends, André Matos prefere enfatizar o facto daquela que, para si, é a maior vitória sobre a pirataria: “quem quer comprar um CD, compra o CD e quem quer escutar por stream, escuta por stream. (…) há imensa gente que nunca mais fez um download ilegal desde que há o streaminglegal”.

Quanto ao seu efeito na música, Pedro Pedra da Helldprod faz uma análise

interessante dos efeitos da pirataria neste espaço: “A pirataria funciona como um

paradoxo porque se, por um lado, acaba por ter um papel crucial na divulgação das bandas por outro acaba por sufocar as ditas vendas que por sua vez afetam os artistas que já ganhando pouco com os seus lançamentos têm que passar cada vez mais tempo