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Outro grupo importante na formulação e renovação metodológica da Geomorfologia nos anos 50 foi o Water Resources Division, do USGS, conduzido pela liderança de Luna Leopold, uma importante figura de agregação (assim como foi Strahler), contando com a parceria de Wolman Miller, Lengbein, Maddock, entre outros contribuintes. Luna Leopold (1915 – 2006) era filho de um importante naturalista americano da época, Aldo Leopold, e teve sua formação conduzida para as ciências naturais, formando-se em 1936 em Engenharia civil pela University of Wisconsin,

Madison; faz o mestrado em Meteorologia física, na Universidade da California, Los

Angeles (1944); e realiza seu PhD em Geologia em Harvard (1950). Trabalhou no U.S.

Soil Conservation Service entre 1937 e 1940, quando se alista no serviço militar na área

do serviço meteorológico da aeronáutica, servindo como meteorologista nas bases do Havaí, em 1950 é contratado pelo USGS como engenheiro hidráulico, ficando a maior parte de sua carreira aí, até 1972, quando entra no quadro docente da área de Geologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, de onde se aposenta em 1986. (KENNEDY, 2006)

Trabalhando co geometria hidráulica e conceitos básicos sobre o comportamento dos rios (a maior parte estabelecidos desde o século XVIII), pode-se comparar a atuação

de Luna Leopod e o grupo do USGS com a escola de Columbia e Strahler. Os dois eram figuras centrais com grande poder de agregação de pesquisadores, porém Strahler trabalhou muito mais com a questão do escoamento superficial nos interflúvios, e as bacias hidrográficas. Leopold sempre teve mais interesse com o controle geométrico da hidráulica dos canais, sendo uma de suas principais influencias os trabalhos de Mackin, que faz a análise de dois importantes conceitos qualitativos em seus textos, que são duas variáveis independentes que controlam a geometria hidráulica, a descarga, e a característica dos materiais formadores dos leitos e margens.

Grande parte das pesquisas resultou em publicações de textos em parceria entre os pesquisadores, quase todos com a participação de Luna Leopold, e é durante a década de 50 e começo dos anos 60 que essas publicações se realizam. Leopold e Maddock (1953) iniciam essa série, num artigo que marca a área de estudos da Geometria hidráulica ao estabeleceram uma metodologia de pesquisas própria para a área. Wolman (1955) propõe uma medição indireta do coeficiente de Manning, indicando que o estado de equilíbrio pode ser facilmente mantido por um ajuste na sessão transversal do rio ou por sua inclinação. A série de textos continua com Leopold e Miller (1956), Leopold e Wolman (1957), Wolman e Leopold (1957), entre outros textos na década de 50.

Servindo de base para uma profunda análise sobre a prática e as dificuldades da pesquisa na Geomorfologia, Leopold e Langbein (1963), acabam definindo o uso da indeterminação e a associação como base para a prática da Geomorfologia enquanto ciência:

By indeterminacy in the present context we refer to those situations in which the applicable physical laws may be satisfied by a large number of combinations of values of interdependent variables. As a result, a number of individual cases will differ among themselves, although their average is reproducible in different samples. Any individual case, then, cannot be forecast or specified except in a statistical sense. The result of an individual case is indeterminate. (LEOPOLD e LANGBEIN, 1963, p. 189).

A indeterminação, ou incerteza (segundo tradução de CHRISTOFOLETTI, 2001) dessa maneira é uma parte integrante da pesquisa, com a aplicação de leis físicas em casos práticos, empíricos, haverá uma diferença entre o trabalho de uma teoria, que

funciona na maior parte dos casos, mas pode apresentar algum resultado inesperado em casos individuais, indeterminados, sem que isso invalide a teoria, e sim auxilie a pesquisa.Há um descompasso entre os instrumentos de coleta de dados, cada vez mais exatos, precisos e cheios de novas tecnologias, e nossa capacidade em realizar novas explicações dentro desse novo padrão que começa a surgir: “Thus it appears that in geomorphologic systems the ability to measure may always exceed ability to forecast or explain.”. (LEOPOLD e LANGBEIN, 1963, p. 191). Essa visão é condizente com a nova fase que a filosofia começa a viver a partir da década de 60 e principalmente nos anos 70, com o surgimento de trabalhos de Ilya Prigogine, Paul Feyerabend e outros autores que iniciam a lenta contestação dos princípios do positivismo, principalmente sobre a relativização dos regimes de verdade como base para a ciência.

A estrutura de pesquisa e publicação de artigos do grupo da USGS, e principalmente da figura de Luna Leopold, acabam apresentando uma maior influencia na área do que o grupo de Columbia. É importante notar que Leopold teve sua fase mais produtiva com artigos técnicos na década de 60, mas entre 1972 e 1986 esteve como professor da Universidade da California Berkeley, também realizando um importante contato com alunos, auxiliando a formação de um grupo em torno de suas ideias, sendo que:

Leopold’s influence has been very important and his approach has certainly come to dominate in studies of rivers…Leopold’s generally rather narrow, engineering-based, approach has fitted late twentieth century concerns more closely than Strahler’s broader-based work. Despite the lack of many direct academic descendents, Leopold’s view of the river and the fluvial landscape has largely prevailed (KENNEDY, 2006, p. 110).

Dentro dos estudos fluviais, Leopold apresentou respostas mais importantes para a prática dos estudos e pesquisas da comunidade científica da geomorfologia, principalmente por sua base teórica em torno da termodinâmica, de sistemas fechados, apresentando uma maior segurança de trabalho, com fórmulas mais simples e objetivas.