Environmental and Economic Assessment
2.4 Life Cycle Costing
A desaceleração da atividade econômica, antes restrita aos Estados Unidos, culminada pela crise dos subprimes, começa em 2008 a expandir para outros países afetando economias asiáticas, Reino Unido e Espanha.
O EUA apresentou, no inicio de 2008, crescimento modesto, retratando a contribuição negativa do mercado imobiliário residencial.
Diferente do que ocorria na zona do Euro, que apresentava crescimento sólido, a Espanha desacelerava em suas atividades econômicas e no mercado de trabalho decorrente de ajustes no setor da construção.
Igualmente aos Estados Unidos, o efeito dos ajustes no mercado imobiliário, redução de credito e elevações nos preços dos produtos importados contribuíram para redução do crescimento da economia do Reino Unido.
No que tange a política monetária, os bancos centrais das economias maduras sofriam o dilema de combate à inflação e necessidade de retomada de crescimento econômico.
O aumento dos preços das commodities agrícolas, advindas do crescimento dos países emergentes, especulações no mercado futuro, pressões de oferta e demanda e aumento no preço do petróleo direcionavam o ritmo das economias maduras e emergentes.
Os EUA, depois dos aumentos dos preços com consideráveis variações acumuladas em doze meses de 15,9% 6,2% e 5,1% em energia, produtos importados e alimento, resultando em abril de 2008 na variação do índice de preços ao consumidor de 3,9%, se viu obrigado a encerrar o ciclo de afrouxamento monetário.
No Reino Unido, apesar da alta inflação, do agravamento das condições de crédito e da redução da expectativa de crescimento econômico, o BoE, reduziu a taxa básica de juros, naquele momento para 5%a.a., ampliou a oferta de crédito e introduziu
nos moldes dos Estados Unidos, que criou o Term Securities Lending Facility – TSLF, o
Special Liquidity Scheme – SLS, uma linha de crédito no qual os bancos podem trocar
ativos hipotecários triple A, existentes até 2007, por títulos do Tesouro emitidos para essa finalidade.
A crise financeira internacional originada pelos mercados de subprime deteriorou o mercado financeiro internacional, desacelerando a economia mundial, principalmente nos países mais desenvolvidos.
Nos EUA, em 2008, a expectativa era de declínio no ritmo da atividade econômica frente a perda de riquezas de famílias e condições restritivas de crédito.
Diante do recuo consistente das atividades econômicas e níveis de inflação se apresentando cada vez mais altos, os bancos centrais das economias maduras encontravam-se em um dilema, entre uma política monetária mais apertada desestimulando investimentos ou manter-se frouxas podendo provocar uma inflação permanente com custos de desinflação consideráveis para o futuro.
3.9.1 O Brasil em meio a crise de 2008 e a evolução do crédito.
Em meio ao período mais acentuado da crise dos subprimes, no Brasil há uma melhora no cenário macroeconômico do país, os resultados no inicio de 2008 na produção industrial, principalmente em bens de consumos duráveis e bens de capital e os elevados níveis de confiança do empresariado industrial confirmavam isso.
3.9.2 Produção Industrial no Brasil em meio a crise.
Gráfico 16 – Produção industrial
Fonte: IBGE
Gráfico 17 – Bens de Consumo duráveis
Fonte: IBGE
Gráfico 18 - Bens de capital
Os indicadores de confiança dos empresários do setor industrial mostravam que os empresários estavam otimistas, apesar do ambiente internacional. O índice de confiança da Industrial (ICI) divulgado pela FGV, apesar de apresentar redução, justificada pelo momento, permanecia em patamar alto registrando 116,4 pontos em abril de 2008.
Tabela 3 – Índice de Confiança da Indústria.
Fonte: FGV
3.9.3 O Mercado de Trabalho no Brasil em 2008
Contrastando com crise internacional, o mercado de trabalho brasileiro estava cada vez mais aquecido em 2008, apresentando taxas de desemprego recorde desde o inicio da série da Pesquisa Mensal de Emprego – PME, divulgada pelo IBGE, em março de 2012, como já mostrado no gráfico 13 – Taxa de Desemprego no Brasil. Além disso, se mantém o processo de ganho real nos rendimentos do trabalho.
Discriminação 2007 2008
Jul Out Jan Abr
Industria de transformação 123,4 122,0 119,2 116,4 Por Categoria de uso
Bens de consumo 135,0 139,9 130,6 128,0 Bens de capital 132,9 138,5 130,1 132,7 Material para construção 133,4 125,6 122,3 123,9 Bens intermediários 122,3 116,7 117,7 114,5 Por componete
Índice de Situaçao Atual 129,7 127,1 125,1 123,8 Nível da demadanda global 124,3 120,3 118,2 119,5 Nível de estoques 103,8 103,4 105,3 100,8 Situaçao dos negócios 133,8 130,7 125,1 124,8 Índice de Expectativas 117,0 117,0 113,3 108,9 Situaçao dos negócios 161,4 155,6 147,7 149,2 Emprego 122,4 124,2 120,1 116,5 Produçao física 133,3 136,3 134,8 121,7 Fonte: FVG
3.9.4 Disponibilidade de crédito
As operações de crédito do sistema financeiro continuavam expandindo, tanto na carteira de recursos livres, quando na carteira de recursos direcionados, estando a inadimplência estabilizada e os prazos médios das operações mais estendidos.
Tabela 4 – Evolução do Crédito.
Fonte: BACEN Elaboração: autora
Os empréstimos com recursos livres e direcionados fecharam o ano de 2008 com R$ 1.227 bilhão, expandindo desde janeiro do mesmo ano 29,6%. A relação do total do crédito e o Produto Interno Bruto saiu de 34,8% em janeiro de 2008 para 41,3% em dezembro do mesmo ano.
A participação dos bancos públicos no total de empréstimos em outubro de 2008 atingiu 34,9% do total, enquanto que a participação dos bancos privados era de 43,7% e as instituições estrangeiras 21,4%. Com destaque para o setor da habitação nas instituições públicas que representava 10,3% do total dos empréstimos.
R$ bilhões Discriminaçao 2008
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
Total 947,00 959,50 993,10 1.018,10 1.044,90 1.067,70 1.085,90 1.110,30 1.152,80 1.186,60 1.208,30 1.227,30 Recursos Livres 670,10 680,10 705,70 725,70 746,10 763,80 778,40 798,40 829,20 850,30 862,60 871,20 Direcionados 276,90 279,40 287,40 292,40 298,80 303,90 307,50 311,90 323,60 336,30 345,80 356,10 Participação % Total/PIB 34,80 35,00 35,90 36,10 36,40 36,60 37,10 38,00 39,20 40,20 40,40 41,30 Recursos Livres/PIB 24,60 24,80 25,50 25,70 26,00 26,20 26,60 27,30 28,20 28,80 28,80 29,30 Recursos Direcionados/PIB 10,20 10,20 10,40 10,40 10,40 10,40 10,50 10,70 11,00 11,40 11,60 12,00
Gráfico 19 – Crédito para atividades econômicas Instituições privadas
Fonte: BACEN
Gráfico 20 - Crédito para atividades econômicas Instituições públicas
Gráfico 21 - Crédito para atividades econômicas Instituições estrangeiras
Fonte: BACEN
Dentre os créditos direcionados, os empréstimos para habitação apresentaram evolução de 35,68% de janeiro a dezembro de 2008, não diferente de outros setores que tiveram crescimento expressivo.
Tabela 5 – Créditos direcionados em 2008
Fonte: BACEN Elaboração: autora
No Brasil a participação dos bancos públicos na carteira do sistema financeiro em outubro de 2009 atingia 40,7% do total, enquanto que os bancos privados se mantinham em 40,8% e as instituições estrangeiras 18,5%. Com destaque para o setor da habitação nas instituições públicas que representava 11,3% do total dos empréstimos.
R$ bilhões
Discriminaçao 2008 Variação
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
Total 276,90 279,40 287,40 292,90 298,80 303,90 307,50 311,90 323,60 336,30 345,80 356,10 28,60% BNDES 161,50 162,00 167,50 170,00 172,50 174,20 176,10 177,80 185,10 195,10 201,70 209,30 29,60% Direto 77,90 78,00 81,10 82,10 82,90 83,60 84,10 86,90 91,30 98,20 103,20 107,80 38,38% Repasses 83,60 84,00 86,40 87,90 89,60 90,60 91,90 90,80 93,80 96,90 98,50 101,50 21,41% Rural 64,00 65,40 66,60 68,40 70,60 72,50 72,40 73,10 75,30 76,10 77,20 78,30 22,34% Bancos e Agências 60,40 61,90 62,90 64,50 66,60 68,40 68,50 69,00 70,50 71,00 72,10 73,30 21,36% Cooperativas 3,60 3,50 3,70 3,90 4,00 4,10 3,90 4,10 4,80 5,10 5,10 5,00 38,89% Habitação 44,00 44,60 45,80 46,90 48,10 49,50 51,20 53,00 55,00 56,50 58,30 59,70 35,68% Outros 7,40 7,40 7,50 7,60 7,60 7,70 7,90 8,10 8,20 8,60 8,50 8,80 18,92%