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The LGM and Late Glacial environment: a productivity hotspot?

northern ice-edge ecological “hotspot”

3. Material and methods

5.3 The LGM and Late Glacial environment: a productivity hotspot?

Métodos multivariados podem ser utilizados de diversas maneiras na análise de diversidade, a partir de dados morfométricos, por exemplo:

a) Em sistemática e taxonomia, como técnica auxiliar na delimitação de táxons, caracterização de zonas híbridas e elucidação de complexos de espécies;

b) Na caracterização de divergência genética entre populações naturais intra-especificas;

c) Na caracterização da divergência entre genótipos ou acessos de plantas cultivadas, sejam eles resultantes de material melhorado ou de uso tradicional, como meio de identificar grupos divergentes para fins de conservação e/ou hibridação.

Nielsen et al. (2003) trabalharam com populações “típicas” e “atípicas” de duas espécies de Asteraceae arbustivas, endêmicas das ilhas Galápagos,

Scalesia divisa e S. incisa. Os autores avaliaram dados morfométricos

vegetativos e reprodutivos das populações, assim como dados moleculares. Análises multivariadas, baseadas em componentes principais e função discriminante de Anderson, mostraram que as populações desviantes são resultantes de uma zona de hibridação formada entre as populações “típicas” das duas espécies. Estas espécies estiveram geograficamente isoladas no passado, em decorrência de atividade vulcânica, mas agora se encontram em processo de expansão sobre o solo vulcânico recém formado, se hibridizando na zona de contato, uma vez que as barreiras do isolamento reprodutivo ainda não haviam sido estabelecidas por completo.

Em um outro trabalho, também envolvendo uma espécie de Asteraceae,

Senecio aquaticus, Pelser e Houchin (2004) avaliaram, por componentes

principais e análise discriminante, um total inicial de 60 caracteres morfométricos diagnósticos potenciais de dois subgrupos da espécie: Aquaticus e Barbareifolius. A aplicação de análise discriminante, através de processo stepwise, possibilitou a identificação de sete caracteres diagnósticos mais confiáveis para os dois subgrupos. Os autores atribuíram o status de variedades para ambos os subgrupos uma vez que, embora distintos, há sobreposição dos agrupamentos de Aquaticus e Barbareifolius no espaço morfométrico multivariado e não há uma distinção clara referente às suas distribuições geográficas.

Em um estudo envolvendo o gênero Vicia (Fabaceae), van de Woun et al. (2003) avaliaram 53 caracteres morfológicos da série Vicia (uma subdivisão do gênero), empregando análises de coordenadas principais e agrupamento por UPGMA. Baseados nos resultados obtidos, os autores justificaram a delimitação de quatro espécies distintas dentro da série e de seis subespécies

dentro do agregado Vicia sativa, que constitui a espécie morfologicamente mais diversa e de maior distribuição geográfica do gênero.

A análise de características morfométricas através de técnicas multivariadas possibilitou a caracterização de seis espécies de crustáceos do gênero Artemia. A utilização da análise discriminante, baseada em variáveis canônicas, mostrou que 92,8% da variância, contida nas 12 variáveis morfométricas originalmente computadas, poderiam ser condensadas nas três primeiras funções canônicas. A primeira destas funções foi relacionada, principalmente, com as variáveis morfométricas associadas a características da furca, a segunda relacionou-se com variáveis associadas ao comprimento do animal e a terceira com variáveis associadas à largura do animal (Baxevanis et al., 2005).

Diversos trabalhos de avaliação de acessos de plantas cultivadas através de técnicas multivariadas estão disponíveis na literatura. Por exemplo, Ferreira et al. (1995) aplicaram análise discriminante em genótipos de arroz para classificá-los quanto à tolerância à toxidez de alumínio. Vidigal et al. (1997) avaliaram a divergência entre cultivares de mandioca, adaptadas ao cultivo no norte do Paraná, através de variáveis canônicas e análise de agrupamento UPGMA, identificando grupos heteróticos para possíveis hibridações futuras. Cruz et al. (2004) também empregaram técnicas multivariadas a dados morfométricos de trigo com o intuito de identificar variabilidade e possíveis grupos heteróticos para resistência ao acamamento. Fonseca et al. (2004) avaliaram a adequação da composição de genótipos de três cultivares clonais de café robusta (Coffea canephora). Os autores empregaram a análise discriminante para classificar os clones em uma das três categorias: a) maturação precoce, b) maturação intermediária e c) maturação tardia.

O principal trabalho de análise de dados morfométricos, através de técnicas multivariadas, envolvendo acessos de cajueiro foi realizado por Barros (1991). O autor estudou 67 acessos de Anacardium occidentale do BAG do cajueiro da Embrapa Agroindústria Tropical, sendo 10 acessos do tipo anão precoce, 27 do tipo comum, coletados em diferentes municípios do Ceará, 9 introduzidos da Índia, 11 da Venezuela e 10 do Estado de São Paulo. Foram avaliados 30 caracteres morfológicos, entre características quantitativas e

qualitativas ou multicategóricas. As estimativas de divergência foram obtidas por meio da técnica de componentes principais e agrupamento pelo método de otimização de Tocher, baseado em distâncias Euclidianas médias padronizadas. De acordo com o autor, os dois primeiros componentes principais explicaram apenas 44,6% da variância contida nos dados originais, enquanto a inclusão do terceiro componente ampliou este valor para 57,09%. Dessa forma, a projeção gráfica dos acessos nos espaços bi ou tridimensionais apresentam elevadas taxas de distorção, prejudicando a confiabilidade nos resultados e nas interpretações subseqüentes. Por outro lado, a análise agrupamento pelo método de Tocher alocou os 67 acessos em 12 grupos diferentes. Sete dos 10 acessos de cajueiro do tipo anão foram alocados juntos, constituindo um grupo distinto em relação os demais acessos. Enquanto a maior parte dos acessos coletados no Ceará foi distribuída em 10 grupos diferentes, todos os acessos introduzidos da Índia, Venezuela e Valinhos foram alocados em um único grupo. Barros (1991) concluiu que estes resultados reforçam a hipótese de que o Nordeste brasileiro seja em um importante centro de diversidade de A. occidentale e que o cajueiro anão precoce constitui uma forma ou ecótipo da espécie A. occidentale.

Samal et al. (2003) avaliaram 20 variedades de cajueiro através de oito variáveis morfométricas relacionadas com o padrão de ramificação, florescimento, razão sexual entre flores na panícula e componentes de produção de castanha, por um período de três anos consecutivos. Análises de divergência, baseada na distância de Gower, e de agrupamento, por UPGMA, evidenciaram a formação de quatro grupos distintos com nível de similaridade igual ou superior a 70%. Entretanto, o maior grupo foi formado por 12 genótipos, enquanto dois grupos foram formados, cada um, por um genótipo apenas.