4 Resultater
4.1 Levninger etter kirkebygg
4.1.1 Abordagem metodológica
Um estudo sobre a construção do saber ensinar requer mais do que um discurso teórico acerca dessa realidade, exige investigação, reflexão, análise, visto que o ato educativo é um fenômeno de natureza social, portanto dinâmico e complexo.
Em virtude de sua natureza, esse fenômeno remete a uma abordagem qualitativa de base filosófica dialética com a finalidade de apreendê-lo em seus significados da melhor forma e dentro de uma realidade e abrangência possíveis.
Dessa forma, foi utilizada, na apreensão do objeto de pesquisa em questão, em virtude de sua complexidade e dinamicidade, abordagem, predominantemente73, qualitativa, necessária na investigação de um tema de natureza social. Entretanto, a freqüência de ocorrências e de variáveis intervenientes no processo de construção do saber ensinar são de interesse na pesquisa por se tratarem de indicadores que incidem na análise e interpretação dos dados, como veremos.
A abordagem qualitativa teve papel relevante na trajetória metodológica da pesquisa, em virtude de possibilitar a compreensão da importância da complexidade das relações sociais.
Tomou-se, como ponto de partida para fundamentação da abordagem da
pesquisa qualitativa, as idéias que fundamentam a posição de Bogdan (1994), por
73 “O conjunto de dados quantitativos e qualitativos, porém, não se opõem. Ao contrário, se completam, pois a realidade abrangida por eles interage dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia”, esclarece Minayo (1994b, p. 22)
ressaltar a investigação qualitativa74 na perspectiva sociológica, ótica essa coerente com o objeto de estudo.
Embora a investigação qualitativa só tenha sido reconhecida nos anos sessenta, possui longa e rica tradição. As características dessa tradição auxiliam os investigadores qualitativos em educação a compreender a sua metodologia em contexto histórico, o que é de grande auxílio para a compreensão do estudo em questão.
Historicamente, a década de sessenta foi marcada por mudanças sociais em que se destacavam as questões educativas voltadas para as minorias e sua relação com as políticas educacionais. Nos anos setenta, a investigação qualitativa, embora não dominante, já não era mais tida como marginal. Os debates entre os investigadores quantitativos e qualitativos prosseguiam. Os anos oitenta e noventa foram marcados por maior impulso na direção qualitativa.
Segundo Bogdan (1994, p. 47-51), são características da investigação qualitativa: a fonte direta de dados é o ambiente natural e o investigador o instrumento principal; a investigação qualitativa é descritiva; os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que pelos resultados ou produtos; os investigadores qualitativos tendem a analisar os seus dados de forma indutiva; o significado é de importância vital na abordagem qualitativa.
Dentre essas, foi utilizada a abordagem qualitativa analítico-descritiva, em especial.
Descritiva porque os dados coletados são em forma de palavras ou imagens, os resultados contêm citações, incluem transcrição de entrevistas e outros registros oficiais, na tentativa de analisar os dados em toda a sua riqueza, descrevendo de forma narrativa em que consiste a situação-problema em foco. A palavra-escrita assume particular importância na abordagem qualitativa, não só no registro dos dados como na divulgação dos resultados. A ênfase na abordagem descritiva se evidencia, ainda, na forma de captar os dados em suas nuances, em particular no uso da palavra e suas variações de significados. Nada é trivial.Tudo tem potencial para revelar uma pista que possibilite compreender mais claramente o objeto de estudo (BOGDAN, 1994, p. 48-49).
Analítica porque as abstrações são construídas à medida que os dados particulares recolhidos vão se agrupando. O procedimento de análise se dá de “baixo para cima”, com base no individual e na sua inter-relação, é o que se designa por teoria
74 Os dados são designados qualitativos porque são ricos em pormenores descritivos relativos a
pessoas, locais e conversas e de complexo tratamento estatístico, privilegiando a compreensão dos comportamentos dos sujeitos (BOGDAN, 1994, p. 16).
fundamentada (Glaser e Strauss, 1967 apud BOGDAN, 1994, p.50). Vai se construindo um panorama que toma forma à medida que os dados são recolhidos e analisados. Esse processo de análise dos dados é como um funil: as informações são abertas de início e vão se fechando e se especificando no extremo. O objetivo do investigador é perceber as questões mais importantes pertinentes ao seu objeto de estudo.
A abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas, não captável em números, médias e estatísticas e ressalta “[...] a complexidade e as contradições de fenômenos singulares, a imprevisibilidade e a originalidade criadora das relações interpessoais e sociais” (CHIZZOTTI, 2001, p. 78) , ainda, destaca a dinamicidade da relação entre o mundo real e o sujeito, a interdependência entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito.
Evidenciam-se, na abordagem qualitativa, o significado e sentido atribuídos aos atos pelos atores sociais, aspectos de vital importância na construção dos saberes docentes, pois trabalha com o universo dos significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, que ocupam o espaço mais profundo das relações (MINAYO, 1994b, p. 22).
Ao optarmos pela abordagem qualitativa, na ótica da dialética, tomamos como ponto de partida “A visão de mundo, entendida como uma percepção organizada da realidade que orienta a produção da pesquisa, se constrói através da prática cotidiana do pesquisador e das condições concretas de sua existência” (GAMBOA, 1997, p. 107).
A dialética se diferencia das outras abordagens, em virtude dos elementos constitutivos de sua articulação lógica (técnico, teórico e epistemológico) e em relação aos seus pressupostos (gnosiológicos e ontológicos) que caracterizam as diferentes abordagens, na ótica de Gamboa (1997).
Na visão dialética, os elementos que constituem sua lógica interna ou estrutura são dinâmicos (gênese e história). Para o referido autor, a ciência é tida como produto da ação do homem (categoria histórica), como um fenômeno em contínua evolução inserido no movimento das formações sociais. Nessa direção, acrescenta que a produção científica serve de mediação entre o homem e a natureza “ o homem como sujeito, veicula a teoria e a prática, o pensar e o agir, num processo cognitivo- transformador da natureza” (GAMBOA, 1997, p. 101).
Do ponto de vista epistemológico, o enfoque dialético75 se coloca como capaz de nos permitir a compreensão do objeto de estudo, pois permite a compreensão da
75 Princípios que regem a dialética: 1) Princípio da totalidade: tudo se relaciona; 2) Princípio do movimento: tudo se transforma; 3) Princípio da mudança qualitativa (quantitativa> qualitativa); 4)
complexidade das ações docentes e das potencialidades humanas na escola. A dialética permite, ainda, a compreensão e a construção de relações da universalidade (macroestruturais), parcialidade (saberes culturais, locais, da escola) e da singularidade (sujeitos históricos, microdeterminações), por meio de mediações recíprocas entre elas:
Um método (caminho) capaz de incorporar macrodeterminações descendentes do Estado e microdeterminações ascendentes, originadas da práxis concreta de sujeitos históricos críticos institucionais situados (Foucault 1979). É o único método que permite considerar cada escola como legítimo lugar de produção de políticas públicas, legítimo lugar de formação continuada de professores, legítimo lugar de produção de pedagogia (CASALI, 2001, p. 118).
A escola é um campo de produção de cultura, permeado de conflitos, em virtude do caráter dialético das relações entre os saberes dos professores e os saberes dos alunos; entre os produtores do saber (pesquisadores) e os transmissores do saber; entre os saberes formais produzidos e legitimados pelas instituições e os saberes informais produtos não sistematizados; entre a teoria e a prática expressas; entre a formação institucional e a experiência da profissão. Fatores esses a serem considerados no objeto de pesquisa em questão.
Na perspectiva das práticas sociais, as relações sociais produzem a vida material, bem como idéias e representações num movimento dialético que inter-relaciona a dimensão objetiva e subjetiva dessas atividades. Nesse movimento, a atividade educativa e a atividade docente fazem parte do processo de produção dos saberes sociais, geradores do saber ensinar: “È exatamente em suas relações dialéticas com a realidade que iremos discutir a educação como um processo de constante libertação do homem” (FREIRE, 1977, p. 75). Para Freire (2003, p. 40), “Num pensar dialético, ação e mundo, mundo e ação, estão intimamente solidários”.
Segundo Goergen (2000), é nas tensões sócio-culturais de cada época entre o ser (realidade) e o dever ser (utopia76) que são definidas as qualidades necessárias para o desempenho competente da profissão docente. Para ele, a educação se coloca como mediadora da tensão entre gerações. O ser humano se adapta a uma realidade dada (conhecimentos estabelecidos, tradições, valores, costumes) ou supera , avança em busca de condições melhores.
Princípio da contradição: unidade e luta dos contrários (GADOTTI, 1988, p. 24-26). Esses princípios podem ser aplicados tanto à matéria como à sociedade humana e aos nossos próprios conhecimentos. 76Segundo Goergen (2000, p. 02): “A utopia não é o não-lugar, aquilo que ainda não é, mas que nos parece ser uma perspectiva melhor para o ser humano individual e social, pela qual vale a pena lutar”
Imbernón (2004, p. 61) aponta que o ato educativo exige do professor, formação, profissionalização e atualização constantes em função das mudanças que se produzem, o que exige uma atitude interativa e dialética por parte de quem ensina .
Therrien (1997, p. 04) considera a dialética como suporte para o entendimento do processo da ação docente, reconhece as tensões existentes entre as teorias e os saberes que suportam os julgamentos e as decisões que levam à ação e ao saber-fazer docente, em situação de sala de aula, concluindo que o saber de experiência fundamenta-se em uma racionalidade plural, heterogênea e dialética.
Nessa perspectiva, o enfoque dialético do objeto de pesquisa se justifica pela sua dinamicidade e movimento, características de todo processo possibilitador de transformações sociais.
A partir da fundamentação e justificativa da opção abordagem qualitativa analítico-descritiva da pesquisa, na ótica da dialética, foram escolhidos os seguintes procedimentos para coleta, organização e interpretação dos dados da pesquisa:
4.1.2 Procedimentos de pesquisa
Neste item, foram destacadas as ações realizadas para coleta de dados desta pesquisa: análise documental (Plano de Desenvolvimento Institucional-PDI, Projeto Pedagógico Institucional-PPI e Projeto Pedagógico do curso de Serviço Social-PPC), preenchimento de ficha sócio-demográfica, entrevista semi-estruturada e grupo focal.
A pesquisa de campo foi realizada no ensino superior, no curso de Serviço Social de uma faculdade particular do interior do Estado de São Paulo. Na escolha do espaço foi considerada a especificidade do curso as relações sociais visto ter ela papel de destaque na ótica e na análise contextual de nosso objeto de estudo, considerando-se o âmbito organizacional, o currículo escolar, locus de produção de cultura, permeado de ideologia e relações de poder (MOREIRA; SILVA, 1995, p. 28)
Antes do início da pesquisa todos os sujeitos envolvidos assinaram um termo de consentimento, modelo em anexo (ANEXO A). Os procedimentos obedeceram às seguintes etapas, destacando-se que a análise e discussão de dados estão especificamente tratadas no item 5:
4.1.2.1 Análise documental
a) Análise documental do Plano de Desenvolvimento Institucional-PDI /Plano Pedagógico Institucional-PPI para levantamento de dados e caracterização do cenário, campo de pesquisa institucional, especificamente relativos ao seu histórico, inserção regional, estrutura física, organização acadêmica e administrativa, princípios, valores, missão, objetivos educacionais, metas e diretrizes pedagógicas, nas seguintes etapas:
Leitura e análise do documento;
Organização dos dados: levantamento dos aspectos considerados de relevância para o objeto de estudo;
Análise dos dados à luz dos estudos teóricos já realizados.
b) Análise documental do Projeto Pedagógico do Curso-PPC para caracterização do curso, especificamente, um breve histórico da trajetória da faculdade, solidificação do curso na região, formação do corpo docente, relação entre o processo de aprendizagem e o perfil do egresso desejado, nas seguintes etapas:
Leitura e análise do documento;
Organização dos dados: levantamento dos aspectos considerados de relevância para o objeto de estudo;
Análise dos dados à luz dos estudos teóricos realizados.
4.1.2.2 Ficha sócio-demográfica
Preenchimento de Ficha Sócio-Demográfica pelos docentes público-alvo desta pesquisa, para levantamento de dados relativos à formação do docente, sua qualificação e tempo de atuação no magistério (experiência profissional), conforme modelo em anexo (ANEXO C);
4.1.2.3 Entrevista semi-estruturada
Entrevistas semi-estruturadas com os docentes foram realizadas,
individualmente, com hora e local marcados antecipadamente, após explicação do seu objetivo e anuência de todos para participação na pesquisa. Elaboração de um roteiro de perguntas fundamentais voltadas para a construção dos seus saberes no exercício da docência, privilegiando-se o saber ensinar, e preservando-se as condições de liberdade e espontaneidade necessárias ao informante para o enriquecimento da investigação.
As entrevistas foram gravadas e, posteriormente, transcritas, visando-se à sua fidedignidade. As respostas foram analisadas quanto à sua freqüência (indicador de repetição/abordagem quantitativa), significado e sentido atribuídos pelo docente (abordagem qualitativa) dentro do contexto em que se realiza o processo educativo, nas etapas:
Elaboração de um roteiro; Realização de um pré-teste; Aplicação da entrevista;
Registro das falas (discursos docentes); Organização dos dados;
Levantamento de indicadores;
Elaboração de um quadro-síntese:indicadores individuais; Análise dos discursos à luz da fundamentação teórica .
4.1.2.4 Grupo focal
Foram realizados Grupos Focais, em dois momentos, com a finalidade de contextualizar os dados obtidos nas entrevistas, enriquecer outros e/ou confirmá-los, bem como verificar possíveis ancoragens, de acordo com as etapas:
Formação de um grupo composto de oito assistentes sociais docentes da área profissionalizante e prática do curso de Serviço Social;
Moderação do grupo a ser realizada pelo pesquisador;
Realização da reunião do grupo, com duração de até duas horas, nas dependências da instituição de ensino, campo da pesquisa;
Observações a serem anotadas por um secretário que não compõe o grupo e também gravadas e transcritas por ele;
Elaboração de um texto gerador da discussão (pretexto) pelo pesquisador a título de estímulo ao debate;
Utilização de questionamentos incentivadores de troca de experiências entre os participantes pelo moderador/pesquisador com a finalidade de entendimento e aprofundamento dos referenciais básicos que alicerçam a prática docente;
Roteiro com questões que servirão de suporte para a condução do grupo pelo moderador/pesquisador, caso necessário;
Levantamento de indicadores por questão-temática; Elaboração de quadro-síntese: indicadores coletivos; Análise dos discursos docentes transcritos.
Os procedimentos foram realizados na ordem em que foram propostos. Esse encaminhamento teve o objetivo de distinguir as etapas metodológicas, mas não de separá-las, pois compõem um todo. Após os procedimentos apontados, os dados foram interpretados à luz da fundamentação teórica exposta no item 3.