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A emergência das plântulas, nos dois anos de experimento, ocorreu sete dias após a semeadura. Com base nas análises realizadas, foi constatado elevado nível de sanidade no feijoeiro, não sendo possível determinar a taxa de incidência de fitopatógenos. Este resultado se deve, provavelmente, a utilização das doses de fungicidas aplicadas nos tratos fitossanitários e posteriores aplicação do ácido salicílico via foliar em diferentes estádios fenológicos. Embora as plantas apresentem elaborados mecanismos de proteção contra fitopatógenos, quando o ácido salicílico é aplicado exogenamente, tende a aumentar os compostos de defesa (TAIZ; ZEIGER, 2004), de forma a restringir a propagação de infecções fúngica, bacteriana ou virais por meio da reação de hipersensibilidade. Este mecanismo por sua vez, pode levar à resistência adquirida (RASKIN, 1992; BLANCO et al., 2009), especialmente quando ministrado nos estádios iniciais da cultura (WALTERS et al., 2013).

A análise de variância revelou que as doses do produto foliar contendo ácido salicílico e nitrogênio (10%), aplicadas em diferentes estádios fenológicos das cultivares IAC-Alvorada e Verde-ISA não tiveram interação significativa entre os fatores estudados nos dois anos experimentais. Porém houve efeito isolado para o fator doses paras as características massa fresca de dez plantas nos anos de 2012 e 2013, e para nitrogênio foliar em 2012.

A matéria fresca das dez plantas teve significância para os fatores cultivar e estádio fenológico, nos dois anos experimentais em que a cultura recebeu as doses do produto com indutor de resistência (Tabela 2). Em ambos os anos, a cv. IAC-Alvorada obteve maior matéria fresca de plantas em relação à cv. Verde-ISA. Tais resultados, provavelmente devem- se ao seu hábito de crescimento inerente a essa cultivar ser tipo III, o que caracteriza o crescimento indeterminado, de modo que, mesmo após o inicio da floração, essa planta continua a emitir muitos ramos laterais bem desenvolvidos (DOURADO-NETO, 2007; FANCELLI). Tal incremento na matéria fresca, também pode estar relacionado com o ácido salicílico presente na composição do produto foliar utilizado, pois, conforme Maia et al. (2000), em condições de laboratório, o ácido salicílico aplicado via sementes nas doses 20, 50 e 100 mg kg-1 proporcionou incremento na massa da matéria verde da parte aérea e das raízes de plântulas de soja. Na safra 2012, a aplicação do indutor de resistência no estádio R5 (0,8 g) diferiu das aplicações realizadas nos estádios V4-3 e V4-6, estes, por sua vez, não diferiram

entre si. Na safra de 2013, a aplicação no estádio V4-6 (0,8 g) diferiu dos estádios V4-3 e R5, os quais não diferiram entre si. Neste contexto pode-se ressaltar que, para matéria fresca de 10 plantas, as aplicações das doses do produto foliar no estádio R5 apresentou o melhor resultado.

As médias da massa de 100 sementes diferiram entre as cultivares, onde a IAC- Alvorada obteve os maiores valores nos dois anos experimentais. Essa diferença é em virtude peculiar ao tamanho inerente a essa cultivar, por ser do Grupo Carioca possuem sementes maiores e, por conseguinte mais pesadas quando comparadas com as sementes da cv. Verde- ISA, conforme observado na literatura, a massa de 100 grãos pode ser influenciada pelas características genéticas condizentes a cultivar utilizada (ARF et al., 2008).

Tabela 2 - Valores médios e valores de F para as características matéria fresca de 10 plantas e massa de 100 sementes em função da aplicação foliar das doses do produto contendo ácido salicílico e nitrogênio (10%) nos três estádios fenológicos das cultivares de feijão da safra outono/inverno de 2012 e 2013. Selvíria, MS, 2013. Tratamentos Matéria fresca de plantas ---g--- Massa de 100 sementes

2012 2013 2012 2013

Cultivar

IAC-Alvorada 71a 99a 30,2a 32,8a

Verde-ISA 61b 78b 20,2b 20,3b Estádio Fenológico V4-3 56b 86ab 25,7 26,2 V4-6 60b 85b 25,0 26,5 R5 81a 95a 24,9 26,9 Doses do Produto (L ha-1) 0 67 90 25,2 26,4 1 68 89 25,9 27,2 1,5 63 86 24,7 26,7 2 63 92 24,9 26,1 2,5 66 86 25,4 26,4 Valor de F Cult (C) 13,6** 40,0** 797,8** 779,9** Estád (E) 30,4** 3,5* 2,2ns 0,8ns Dose (D) 0,2ns 0,4ns 1,5ns 0,7ns CxD 1,1ns 0,3ns 0,2ns 1,6ns CxE 0,2ns 0,4ns 0,7ns 0,2ns DxE 0,6ns 1,8ns 1,4ns 0,4ns CxDxE 0,5ns 1,3ns 0,6ns 1,1ns

DMS Estád (E) Cult.(C) 5 8 10 6 0,70 - 0,8 -

CV(%) 23,5 21,4 7,6 9,2

*, ** e NS Significativo a 5% e 1% e não significativo respectivamente pelo teste F. Médias seguidas de letras

diferentes na coluna diferem entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. DMS: diferença mínima significativa; CV: coeficiente de variação.

Fonte: Dados da própria autora.

A característica vagens granadas não apresentaram significância no fator cultivar em 2012, mas em 2013 a Verde-ISA se destacou com maior quantidade de vagens por planta (Tabela 3). Nos demais fatores, não houve diferenças significativas. Em ambos os anos experimentais, a característica número de vagens chochas por planta não foi afetada pelas aplicações das doses do produto foliar. No entanto, para que se tenham maiores quantidades possíveis de vagens normais, o ideal seria prolongar o período de permanência das folhas na planta, até a completa formação das vagens (PORTES, 1996). Em ambos os anos experimentais, a colheita da produção foi realizada no momento em que as vagens apresentavam tamanho característico de pleno enchimento, desta forma não tendo influencia negativa sobre a produtividade.

Tabela 3 - Valores médios e valores de F para as características número de vagens granadas e vagens Chochas em função da aplicação foliar das doses do produto contendo ácido salicílico e nitrogênio (10%) nos três estádios fenológicos das cultivares de feijão da safra outono/inverno de 2012 e 2013. Selvíria, MS, 2013.

Tratamentos Vagens granadas ---un.--- Vagens chochas

2012 2013 2012 2013 Cultivar IAC-Alvorada 11,0 10,0b 0,5 0,7 Verde-ISA 12,5 12,9a 0,6 0,6 Estádio Fenológico V4-3 11,9 10,7 0,6 0,8 V4-6 12,0 10,8 0,6 0,8 R5 11,2 11,4 0,5 0,9 Doses do Produto (L ha-1) 0 11,9 11,0 0,5 0,8 1 11,8 10,0 0,7 0,7 1,5 11,4 10,3 0,6 0,8 2 11,6 12,9 0,5 0,8 2,5 11,9 10,7 0,5 0,8 Valor de F Cult (C) 12,9** 26,3** 2,0ns 0,9ns Estád (E) 1,5ns 0,3ns 0,2ns 0,3ns Dose (D) 0,2ns 1,9ns 1,3ns 0,9ns CxD 0,4ns 1,3ns 1,1ns 0,0ns CxE 0,5ns 2,4ns 0,0ns 0,7ns DxE 0,7ns 0,6ns 0,8ns 0,5ns CxDxE 1,3ns 0,7ns 1,2ns 0,9ns

DMS Estád (E) Cult (C) 0,8 1,2 1,5 2,8 0,1 0,1 0,1 0,1

CV(%) 19,3 37,2 20,5 14,6

*, ** e NS Significativo a 5% e 1% e não significativo respectivamente pelo teste F. Médias seguidas de letras

diferentes na coluna diferem entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. DMS: diferença mínima significativa; CV: coeficiente de variação.

Fonte: Dados da própria autora.

Os índices de clorofila obtidos no ano de 2012 diferiram nos fatores cultivar e estádio fenológico (Tabela 4). De forma que, a IAC-Alvorada diferiu com 35,5 da Verde-ISA com 30,5 ICF. Em relação ao fator estádio, o R5 se destacou com maior teor de clorofila foliar seguido pelo V4-6. Em 2013, observou-se diferença entre a IAC-Alvorada (26,0 ICF) e a Verde-ISA (24,2 ICF). O elevado índice de clorofila total tende a beneficiar a produtividade do feijoeiro (CARVALHO et al., 2003).

Tabela 4 - Valores médios e valores de F para as características índice de clorofila total, nitrogênio foliar e produtividade de grãos em função da aplicação foliar das doses do produto contendo ácido salicílico e nitrogênio (10%) nos três estádios fenológicos das cultivares de feijão da safra outono/inverno de 2012 e 2013. Selvíria, MS, 2013.

Tratamento Índice de clorofila ICF Nitrogênio foliar (g kg-1) Produtividade (kg ha-1)

2012 2013 2012 2013 2012 2013

Cultivar

IAC-Alvorada 35,5a 26,0a 35,7b 42,2 2033 2924

Verde-ISA 30,5b 24,2b 38,1a 43,5 2135 2712

Estádio Fenológico

V4-3 31,7b 25,1 37,9a 41,3 2209a 2873

V4-6 32,0ab 25,0 37,3a 43,6 2075ab 2895

R5 33,8a 24,8 35,5b 43,8 1968b 2685 Doses do Produto (L ha-1) 0 32,5 25,1 36,8(1) 42,9 2121 2905 1 32,9 25,0 38,4 43,3 2049 2914 1,5 31,6 25,7 37,0 43,7 2081 2745 2 32,0 25,0 36,4 42,6 2111 2714 2,5 33,3 25,1 35,7 41,9 2057 2812 Valor de F Cult. (C) 33,9** 70,1** 13,6** 1,4ns 2,9ns 3,6ns Estád.(E) 3,4* 0,5ns 30,4** 2,1ns 5,5** 1,4ns Dose (D) 0,8ns 0,7ns 0,2ns 0,3ns 0,2ns 0,5ns CxD 1,3ns 1,7ns 1,1ns 0,5ns 0,4ns 0,4ns CxE 1,9ns 4,7ns 0,2ns 1,0ns 2,8ns 1,5ns DxE 0,9ns 0,7ns 0,6ns 2,0ns 0,5ns 1,5ns CxDxE 1,1ns 0,6ns 0,5ns 0,9ns 0,9ns 1,2ns

DMS Estád (E) Cult (C) 1,3 2,0 0,3 - 1,2 1,7 2,1 - 117,4 172,6 222,6 -

CV(%) 11,7 4,2 15,0 13,8 15,5 21,8

*, ** e NS Significativo a 5% e 1% e não significativo respectivamente pelo teste F. Médias seguidas de letras

diferentes na coluna diferem entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. DMS: diferença mínima significativa; CV: coeficiente de variação.

(1) y = 38,483 - 2,6015x + 0,764x2 (R2=0,86**).

Fonte: Dados da própria autora.

Em relação ao teor de nitrogênio foliar em 2012 (Tabela 4), os dados médios da cv. Verde-ISA diferiram a da IAC-Alvorada. No fator estádio fenológico, as médias do V4-3 e V4-6 não diferiram entre si, mas estes por sua vez, diferiram do R5, tal resultado, deve-se provavelmente a translocação dos fotossintatos quase que exclusivamente para as vagens e grãos no estádio R5 e apenas uma pequena parte é direcionada para as outras partes da planta (PORTES, 1996). Os valores do fator dose da característica teor de nitrogênio se ajustaram a equação de segundo grau, com elevado coeficiente de determinação (R2 = 0,86) conforme pode se observar na Figura 4.

Figura 4 - Desdobramento da interação do fator dose para a característica nitrogênio foliar das cultivares IAC-Alvorada e Verde-ISA provenientes da safra 2013 em função das aplicações das doses do indutor de resistência. Ilha Solteira, SP, 2013.

y = 38,483 - 2,6015x + 0,764x2 (R2=0,86**).

Fonte: Dados da própria autora.

Na safra de 2013, não houve significância para os fatores estudados. Os valores observados para essa característica, estão dentro da faixa considerada adequada (30 a 50 g kg- 1) segundo Ambrosano et al. (1996). Estes mesmos autores citaram ainda, que, os altos teores de N nas folhas devem-se provavelmente a uma melhoria nas condições do solo ocasionada por cultivos anteriores, que criaram condições favoráveis para atendimento das necessidades de N na cultura. Além de que, criam condições biológicas favoráveis para a flora e fauna do solo e assim disponibilizando elementos assimiláveis para as plantas (BALBINO et al., 1996). Pode-se atribuir também a ação do nitrogênio aplicado na semeadura ou da fixação simbiótica de nitrogênio pela associação com bactérias do gênero Rhizobium (FERREIRA et al., 2013). Tais discussões são relevantes, pois em ambos os anos, as sementes de feijão foram semeadas em sulcos sob palhada de milheto e provavelmente a decomposição desta palhada juntamente com a possível mineralização veio ocasionar benefícios à cultura. Embora as gramíneas apresentem uma relação C/N mais elevada, pode ter ocorrido que as aplicações do nitrogênio em cobertura, o produto contendo (10%) de N via foliar, juntamente com estes outros fatores, proporcionaram a nutrição adequada às plantas, em termos de nitrogênio.

Embora as cultivares utilizadas possuíssem características diferentes, todavia, a média da produtividade de grãos, em ambos os anos experimentais, não diferiram entre si (Tabela 4). Em relação ao fator estádio fenológico, na safra de 2012, cujas médias da produtividade, apresentadas nos estádios V4-3 e V4-6 foram de 2209 e 2075 kg ha-1, respectivamente (12,2% e

0 10 20 30 40 50 0 0,5 1 1,5 2 2,5 Nitr oge n io F oli ar (g kg -1) Dose L ha-1

6,5% a mais quando comparado com o R5). Podendo assim, indicar que a aplicação do produto foliar nos estádios vegetativos V4-3 e V4-6 proporcionou diferença na produtividade da cultura do feijoeiro. Esses resultados devem-se provavelmente, ser em função dos produtos utilizados no ciclo inicial da cultura, como por exemplo, os adubos aplicados na semeadura e cobertura juntamente com o fertilizante foliar contendo indutor de resistência, ter sido adequado, ou seja, a cultura foi bem preparada com a utilização dos produtos. Pois, nos estádios iniciais do feijoeiro, tem-se o início do processo de ramificação da planta e as folhas jovens funcionam mais como dreno, do que propriamente como fonte (FANCELLI; DOURADO-NETO, 2007; PORTES, 1996). Em 2013, não houve diferenças entre as médias da produtividade de grãos. Embora se tenha observado diferenças estatísticas nesse ano, verificou-se maior produtividade de grãos de feijão quando comparado a do ano de 2012. Tal incremento deve-se provavelmente à melhor distribuição da precipitação e temperatura média favorável, ocorridas durante todo ciclo da cultura em 2013 (Figura 1B). Tal resultado reforça a hipótese de que o feijoeiro é muito sensível a fatores climáticos extremos, ficando vulnerável a alterações em sua produtividade, de forma que, o estresse hídrico pode provocar o abortamento de flores e redução no pegamento de vagens (PORTES, 1996).

In document MMI i prosjekteringsprosessen (sider 38-42)