Guia de Entrevista
Experiência de empreendedores no processo de criação e gestão de
negócios
[Parágrafo Introdutório]
Nome (entrevistado): Lourenço Jardim de Oliveira (Business Development), Line Health
1. A GALINHA E O OVO
(*) – 3 Pilares: Produto, Negócio, Equipa. Relações internacionais VS. Projeto tecnológico?! deteção
de capacidade empreendedora em Portugal.
1.1. Com base na sua experiência pessoal, o que vem primeiro: a Equipa ou a Ideia? Ou os dois?
Surgiu a ideia primeiro…
1.1.1. [se escolher só uma opção] Quais são as vantagens? Por norma geral, a ideia vem em
primeiro, por iniciativa de uma ou duas pessoas que, em função da potência da ideia, dos objetivos e do tipo de estrutura necessária para levar o projeto para a frente, vão montar uma equipa.
Por vezes vemos equipas já constituídas que vão gerar novas ideias, mas se essa equipa se juntou num primeiro tempo, é porque houve uma ideia original que surgiu e que os uniu.
Não há vantagens particulares do facto de a ideia vir em primeiro, é simplesmente a lógica natural: alguém teve uma ideia e precisa de ajuda para realizar o projeto, vindo então a montar uma equipa com todas as competências necessárias e que o empreendedor sozinho não teria.
2. MOTIVAÇÃO E IDEIA
2.1 Porque começou a pensar em começar um negócio? Qual foi (é) a motivação? Começa com uma
história (pessoal de um elemento fundador, Diogo Ortega), um problema (um Problema Humano). No início a ideia é “muito boa”… É isso, a vontade de montar um negócio surge depois de identificar um problema e de analisar esse problema. Há que perceber se é o problema de uma pessoa ou de milhões, avaliar o mercado e o potencial. Há ideias muito boas mas que não têm grande potencial pois não existe espaço no mercado, as pessoas não estão dispostas a pagar pela solução, ou simplesmente o mercado é pequeno demais.
2.2 Que aspetos do ambiente económico, social e cultural em que cresceu julgam que o influenciaram nessa vontade de criar um negócio? Falando no lugar do Diogo, o facto de ser programador e de por isso
ter a capacidade técnica de desenvolver novas tecnologias numa época em que estas estão na ribalta (como solução a muitos problemas na sociedade e na vida das pessoas), é sem dúvida algo que potencia a vontade de criar um negocio. Por outro lado, o Diogo viajou durante muitos anos como hospedeiro de bordo, o que sem dúvida há de ter tido um impacto na vontade de criar algo novo.
3. EQUIPA
3.1 Como descreveria a sua relação com o(s) seu(s) parceiro(s), antes da criação da empresa? E hoje?
A relação entre os dois fundadores, o Diogo e a Sofia, é de amizade, e continua a ser, para além do aspecto profissional.
3.2 Consideraria formar equipa com um estranho? Não. Teria que o conhecer primeiro.
3.3 A que atribui mais peso no momento de escolher um membro para a equipa? Pessoas com
capacidade, com espírito de missão (projeto em que acreditam). Ex. Sofia (Experiência em mkt e em criação de negócios); Designer 1 (Formação e “dar na cabeça dos trabalhadores” – atitude! Get things done); Lourenço (Formação, relações internacionais – “levar o produto aos melhores mercados”) 1) Capacidade de se integrar na cultura da empresa.
2) Capacidades técnicas
3) Integridade, competência profissional, capacidade de cumprir os seus deveres, maturidade e autonomia, curiosidade.
3.4 Utilizou alguma plataforma ou fórum para facilitar a formação de equipas? Sim, plataformas
online sobretudo.
(*) – A equipa é fundamental. É a chave do sucesso. Cultura, missão pessoal. Acreditar no produto,
acreditar no projeto. Acreditar que se vão divertir e ganhar experiência. Tem que haver cultura empresarial: há hierarquia? Existem departamentos? Há liberdade para testar ideias. Sem nunca perder de vista o espírito de missão, sem perder o de vista o cliente. Cultura: pessoas que gostam de trabalhar juntas, ter responsabilidades (mais do que teriam noutras empresas), o que obriga a superar desafios.
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4. CONCRETIZAÇÃO DA IDEIA E INCENTIVOS
4.1 De que forma um “apoio externo” (do estado ou de uma fonte menos formal) pode ajudar à concretização da ideia? O apoio do ecossistema empreendedor é essencial. Nele, encontramos outros que
como nós se lançaram na aventura de montar um negocio, e com quem podemos partilhar dificuldades, angustias, sucessos, e assim motivar-nos mutuamente. Podemos também aprender dos empreendedores mais experientes que nos orientam e aconselham, evitando assim muitos erros de principiante.
Os concursos são sem dúvida úteis para diferentes aspectos: ganhar visibilidade, atrair investimento, ganhar credibilidade e validação, conhecer especialistas da área e criar contactos profissionais, e em alguns casos os prémios são também financeiros o que é muito benéfico para a empresa numa altura em que está apenas a começar e ainda tem pouco financiamento.
4.2 “O empreendedorismo pode ser ensinado”. Concorda com esta afirmação? Como qualquer outra
atividade, o empreendedorismo pode ser ensinado.
4.2.1 Então o que acha de cursos ou academias de empreendedorismo? Essencial, pois mostra
aos jovens que as suas ideias podem ir para além de simples ideias e mostra-lhes como atingir esse objectivo, mantendo os pés na terra e adquirindo conhecimentos técnicos que serão úteis até mesmo para quem não pretende criar um negócio.
4.3 Quais as vantagens e/ou desvantagens das incubadoras? O que pode ser melhorado? As vantagens
das incubadoras são antes de mais o contato com outros empreendedores, uns mais experientes que outros, com quem podemos aprender e partilhar experiências. Nessa interação temos muito a ganhar, pois não estamos sozinhos. Portugal tem boas incubadoras mas tem ainda muito que melhorar a nível de financiamento / investimento.
4.4 Participou em algum curso de criação (ou de gestão) de negócios? Não
4.5 As universidades, são fontes de ideias? Sim, sem dúvida, mas têm que ter um método de ensino que
incite à criatividade e inovação.
4.6 Acha que a realização de programas televisivos pode motivar a criação de negócios? Sim,
absolutamente, é uma maneira de assumir a tendência empreendedora em Portugal, de educar as pessoas para o que está a acontecer, cultivar o espírito empreendedor e chegar às massas.
4.6.1 E a participação em sessões informais para partilha de experiências? Também. 4.7 Os incentivos que existem estão ao alcance de todos? Acha que existe divulgação suficiente? O que falta fazer? Depende dos incentivos. Os concursos de ideias e negócios estão ao alcance de todos,
qualquer um pode participar.
Os incentivos do governo assim como os europeus, embora abertos a todos, são de difícil acesso devido às barreiros burocráticas, à dificuldade e extensão do processo de candidatura. Poucos são os que têm tempo para investir em tais candidaturas, sobretudo dado que as probabilidades de sucesso são baixas. É tão complicado que existem especialistas e consultores só para esses processos. O que falta fazer é agilizar esses processos.
(*) – São importantes os estímulos financeiros (%). É preciso pensar nos “clientes do futuro”. Concursos
representam validação da ideia e dão visibilidade! Inclusive no estrangeiro. Parcerias: ninguém tinha background em medicina e BAYER conhece o mercado; Universidade (Texas) conhece o mercado, arranjar contactos e investimento; parcerias podem ser um meio para testar o produto (hospitais – colaboração na melhoria). Mas tem que ser a Equipa a ir à procura do mercado. Produto e Estratégia não devem ser estáticos (mudanças!)
5. RECEIO DE FALHAR
5.1 Experienciou o “receio de falhar”? Claro naturalmente.
5.1.1 [Se Sim] Em que fase? No inicio, e também quando se contrata alguém. 5.2 Qual a origem desse receio? A incerteza natural de um negócio num estado inicial.
5.3 Como o ultrapassou? Com trabalho para criar um projeto com pés e cabeça no qual posso acreditar e
confiar.
5.3.1 De que forma um “apoio externo” pode ajudar a superar este medo? Ou é mais um incentivo “interno” que leva ao salto da intenção para a atividade empreendedora? O contacto com
outros empreendedores foi essencial.
5.3.2 Alguma vez desaparece? Nunca completamente. 5.4 Tentou e falhou muitas vezes? Não.
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5.4.2 Quais os principais motivos porque falham os negócios? Falta de financiamento; Falta de
mercado / potencial; Falta de um modelo de negocio competitivo, lucrativo e sustentável.
5.4.3 Que conselho ou motivação daria a um empreendedor (ou Equipa) que está relutante em começar uma empresa? A vida é um momento. Nunca nos vamos arrepender de ter tentado. Mesmo se
falharmos vai ser das melhores experiências da nossa vida, vamos ganhar muito mais do que se não arriscarmos.
(*) – Testes ao produto permitiram melhoramentos do produto! E mudança de B2C para B2B, por
exemplo.