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Chapter 5: Analysis and Discussion

6.2. Lessons learnt and recommendation for further Study

A união dos integrantes de movimentos sociais diversos dá-se, através da

percepção dos agentes de uma carência comum, seja na empresa, seja no bairro etc. O

suporte material de veiculação de tais valores consiste nas entidades – como sindicatos,

associações de bairro – criadas para esse fim.

O que define as condições de existência de movimentos sociais não é o nível

de pobreza, mas a consciência de uma necessidade que também possua base material. Nos

bairros, os movimentos populares reivindicativos visam representar as classes populares

que neles moram.

Destacamos ao menos quatro posturas distintas dos integrantes de

movimentos sociais e, de modo geral, da população de um município.

Primeiro lugar: o fenômeno do coronelismo remete, historicamente, ao meio agrário e a

sujeição da população ao poder dos proprietários agrários. Nas cidades, a relação

estabelecida é inteiramente distinta, ainda que antigas famílias de coronéis permanaçam

disputando - e não monopolizando, como no coronelismo, o poder político local.

Segundo lugar: o populismo já se constituiu, no Brasil, tipicamente como fenômeno

urbano. Os moradores da cidade encontram-se disponíveis para a política, possuindo

liberdade de aderir individualmente a este ou aquele líder. Originariamente o líder efetua

uma doação ao povo; isto posto, os “direitos” assim obtidos erigem o indivíduo em

cidadão. Isso é percebido não como uma conquista pelo povo de algo junto ao Estado, e sim

na qualidade de uma doação do Estado, por parte do líder no governo. Observa-se, hoje, um

concebendo realizações de uma administração local como doações dos governantes,

sancionando uma relação de dominação entre o líder (doador) e o povo.

Terceiro lugar: o clientelismo como forma de relação entre o povo e o poder político em

que se instaura uma espécie de negócio, de troca, entre o eleitor e o agente político. O

primeiro troca o seu voto e sua fidelidade por algo que ele considera como um favor ao

integrante do poder político local. Trata-se de um favor de caráter individual. Não há

identificação de um líder, como no populismo, o que se reflete numa cultura política

própria, embora marcada também pelo paternalismo.

Quarto lugar: os movimentos sociais surgios ao longo da década de 70 no Brasil, foram

legitimando as carências no campo dos direitos. Direito à água, luz, esgoto, assistência

médica, habitação, transportes etc. Trata-se de um processo de construção coletiva de uma

nova cidadania.

Na forma populista ocorre uma identificação entre povo e líder ocupando o

poder político.

Nos movimentos sociais a relação entre povo e poder político é de oposição

(e não de subordinação).

Os agentes participantes dos movimentos sociais são também formadores de

opinião, de modo que a eficácia simbólica da noção de direitos é muito mais abrangente do

que sua eficácia material ligada à obtenção, ou não, desta ou daquela reivindicação

localizada.

O populismo, algo desgastado, sobrevive porém com certo peso em razão da

apresenta maior penetração em áreas onde se constituíram e floresceram os chamados

“novos movimentos sociais”.

As condições de habitação em Osasco, como vimos no relatório do

sanitarista de 1922, não eram das melhores. Não havia água encanada, esgotos, energia

elétrica e apenas casas tinham privadas com fossas. Ainda havia muitas casas de pau a

pique. E em muitas casas os moradores faziam suas necessidades fisiológicas nos arredores.

A situação dos moradores das vilas operárias, como a da Companhia

Cerâmica Industrial, não era diferente. Havia, duas exceções, a Companhia Continental, um

matadouro, que construíra ótimas casas para seus empregados e a Vila Militar em Quitaúna,

onde às instalações eram amplas e confortáveis. Cada alojamento possuía instalações

sanitárias separadas e em número suficiente.

Havia também estábulos sem condições higiênicas e chiqueiros junto à Rua

da Estação. Águas paradas às margens do rio Tietê. O córrego Boy-cicaba (Bussocaba)

começa a receber detritos da fábrica de papelão.

Havia falta de médicos e uma única farmácia. Era o farmacêutico que

clinicava.

Durante essa época de 1922, Osasco era apenas uma vila rodeada de outras.

Todas pertencentes a São Paulo e dela dependentes.

Vila Yara, Remédios, Presidente Altino e Vila Osasco estavam ligadas ao

centro de São Paulo pela estrada de rodagem, de trânsito difícil quando chovia, e a Estrada

de Ferro Sorocabana, de passagens caras e trens insuficientes.

A cidade de São Paulo, após a Segunda Guerra Mundial, conheceu um

população se dirige a outras áreas em busca de moradia mais barata e com um mínimo de

conforto.

As contradições geradas por esse crescimento populacional acelerado vão

criar, em Osasco, condições para o surgimento da Sociedade Amigos de Osasco em 1948.

A SADO representa a classe média em ascensão, formada por comerciantes e profissionais

liberais. Essa entidade teria como objetivo principal separar juridicamente a então Vila

Osasco da cidade de São Paulo.

Percebe-se, mais claramente em Osasco, por volta dos anos 50, os efeitos da

especulação imobiliária. Surge um grande número de loteamentos, mas no início são

vendidas áreas longínguas. Com a ocupação desses lotes, os moradores começam a

reivindicar serviços públicos.

A presença da energia elétrica, água encanada, transportes, esgotos vão

valorizar as áreas centrais, mesmo que não estejam ocupadas, futuramente serão vendidas

por preços mais elevados.

A partir dos anos 50 vão surgir, em Osasco, outras sociedades amigos de

bairro como a do Helena Maria, Novo Osasco, Jardim Santo Antônio e Km 18. Estas

entidades tem um caráter diferente da SADO, não só por serem constituídas por

trabalhadores assalariados como por reivindicarem basicamente serviços públicos para

áreas mais longínguas. No Jardim Santo Antônio, por exemplo, a entidade do bairro, teve

influência decisiva para o crescimento do bairro, pois era em torno dela que se organizavam

os mutirões para a construção de moradias e de melhoramentos públicos.

Num primeiro momento, a sociedade de amigos de bairro funciona como

base de apoio para políticos de fora da comunidade. A seguir, já conscientes de sua própria

políticos inescrupulosos. Essa postura dará oportunidade ao surgimento de várias carreiras

políticas

Privadas das atividades políticas, ao longo do período da ditadura militar, as

sociedades amigos de bairro acabaram por adquirir um cunho assistencialista.

9. Prefeitos de Osasco (poderes executivo, legislativo e