2. TEORETISK OG EMPIRISK BAKGRUNN
2.4 Leseopplæring
Passaremos a seguir para a análise da etapa de “Interpretação”, visto que as três primeiras etapas – “Motivação”, “Introdução” e “Visualização” – já foram descritas, embora sinteticamente, na seção anterior.
Considerando que, no contexto analisado por Silvana Serrani, no Brasil, predominam ressonâncias discursivas por transição e, na Argentina, predominam ressonâncias por abrupção, buscou-se desenvolver, nas atividades de interpretação, questões que permitissem compreendera relação que os alunos brasileiros estabelecem com as formações discursivas que caracterizam cada língua-cultura (Português do Brasil e Espanhol da Argentina). Cabe ressaltar, que, Serrani (2010, p.90), ao estabelecer uma comparação entre essas discursividades, verificou a repetição de recorrências expressivas, ou seja, as formulações que se repetem no discurso, tais como:
a) Itens lexicais de uma mesma família de palavras ou de itens de diferentes raízes lexicais, apresentados no discurso como semanticamente equivalentes;
b) Construções que funcionam parafrasticamente;
c) Modos de enunciar presentes no discurso (tais como o modo determinado e o modo indeterminado de enunciar; o modo de definir por negações ou por afirmações -categóricas ou modalizadas –; o modo de referir por incisas de tom casual etc.).
Assim, utilizando as categorias enunciativas desenvolvidas pela autora, nesta análise das atividades escritas desenvolvidas em sala de aula, buscou-se observar as formulações que se repetem nas respostas dos alunos. Para a realização deste exame, foram selecionadas duas questões de cada atividade de interpretação. Este recorte foi realizado tendo em vista a
produtividade das questões no que diz respeito aos objetivos a serem alcançados, ou seja, os sentidos construídos na interação dos alunos com as formações discursivas predominantes no contexto argentino atual. Ao todo foram analisadas 40 atividades referentes ao filme “Un
cuento chino” (19 da turma X e 21 da turma Y) e 43 atividades referentes ao filme “El hombre de al lado” (19 da turma X e 24 da turma Y).
Análise dos sentidos atribuídos ao modo de enunciar do personagem Roberto
Em uma das questões da atividade de interpretação (anexo 4) referente ao filme “Un cuento chino”, solicitou-se que os alunos descrevessem a impressão que tiveram do modo como o personagem Roberto (o argentino) estabelece um prazo para Jun (o chinês) ir embora de sua casa. Este diálogo foi selecionado, pois, ao analisar o modo de construção do discurso de Roberto, observou-se que ele contém marcas da formação discursiva de abrupção, tais como modo de enunciar determinado (“voste vas”) e presença de enunciados que expressam queixas e questionamentos no início do texto (“vamos a poner un plazo, si no yo voy a explotar”). Assim, buscou-se compreender os sentidos produzidos na leitura deste diálogo, a
fim de avaliar os movimentos de aproximação e distanciamento dos alunos em relação a essa formação discursiva. Abaixo, segue a transcrição:
ROBERTO: SENTATE. MIRA, ESTO ES ASÍ. VAMOS A PONER UN PLAZO. SI NO, YO
VOY A EXPLOTAR. “BOOM”, ¿HUN? HOY ES UNO. MAÑANA ES DOS. PASADO, TRES.
Y ASÍ, CUATRO, CINCO, SEIS, SIETE. SI EL SIETE, TU TÍO NO APARECE, VOS TE VAS. HOY, UNO.
JUN: (SILENCIO)
A partir da análise das respostas produzidas pelos alunos da turma Y, observa-se, na compreensão do modo de construção de discurso de Roberto, ressonâncias discursivas do sentido de “grosseria”, “ignorância”, “ordem”, “pressão”, evidenciando uma limitada afabilidade de Roberto. Segue alguns exemplos:
(G) “Acho que ele foi um pouco grosseiro17 no modo como abordou Jun para mandá-lo embora. Acho que ele poderia ter sido um pouco mais delicado na hora de falar.”
17 Cabe ressaltar que os grifos em negrito foram feitos pela professora-pesquisadora para destacar os elementos que evidenciam a análise.
(F) “Há uma impressão um pouco ignorante, na qual expressa que ele não queria um estranho em sua casa. Ao estabelecer um prazo o chino se sente constrangido.”
(L)“Como Roberto é um homem solitário, acostumado a ficar sozinho, a presença de Jun na sua casa o incomoda, então ele quer se livrar de Jun, por isso que sua fala é bem grosseira, como se fosse uma ordem, uma sentença.”
(N)“Na cena notamos uma emoção e que com suas palavras Roberto impôs uma ordem que era necessária. Usou palavras diretas e claras. ”
(AC)“Roberto fala de modo firme, de maneira que ele expressa uma ordem.”
Por outro lado, alguns alunos interpretaram que Roberto estava “nervoso”, “cansado”, “tenso”, “estressado”, “desesperado” e “não aguenta mais” a situação do inquilino morando em sua casa. Nota-se, então, que, nessas respostas, os alunos levaram em consideração não somente o diálogo entre os dois personagens, mas também o conflito apresentado pelo filme, utilizando-o como argumento para justificar o modo (abrupto) de Roberto estabelecer o prazo com Jun. Exemplos:
(BRA)“A impressão que tive foi de que Roberto estava estressado e desesperado.” (ML)“Que ele não está mais aguentando um estranho na sua casa.”
(ADR) “Pois ele estava nervoso. [...] . Vejo que ele queria privacida de e outras coisas
também.”
(DS) “De que Roberto está cansado de ter que tomar conta de Jun e procurar seu tio. Quando Roberto diz que vai explotar.”
(JE)“Parece que Roberto não está confortado18 com a presença de Jun em sua casa. Ele usa expressões curtas como: ‘Sentate, mira, si no yo voy a explotar’.”
Nesta última resposta, observa-se que o sentido de “desconforto” foi atribuído devido à utilização de “expressões curtas” por parte do personagem. E o sentido de “cansaço”, “desespero” e “estresse” está associado à palavra “explotar”.
Também foi possível observar, em algumas poucas sentenças, ressonâncias discursivas relacionadas ao sentimento de “piedade”, atribuído pelos alunos ao personagem, devido à
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aparente vontade de Roberto em ajudar Jun. Tal sentimento, contudo, não eliminaria, na visão destes alunos, outros fatores que o estariam incomodando.
(BRO): “Eu tive a impressão de que Roberto não estava se sentindo seguro com um estrangeiro desconhecido em sua casa, mas, ao mesmo tempo, com pena do menino chinês.” (MI)“O senti meio renegante, ou seja, querendo que o chinês fosse, mas com medo do que ele poderia sofrer sozinho lá fora.”
(HO)“Que ele queria ajudar, mas não queria mudar seu jeito de viver.”
Além disso, observamos ressonâncias discursivas relacionadas à noção de “bondade”: (VI) “Ele foi bom para Jun, já que ele dá um prazo grande e tenta explicar mesmo sem entender Jun. [...] . Roberto parece perder a paciência em aguentar e orientar Jun. Por isso estabelece um prazo.”
(PCK) “Roberto já chegou ao limite da sua bondade, não aguenta mais ter um inquilino vivendo em sua casa e está disposto a colocá-lo para fora para reaver a paz.”
Somente um aluno da turma Y compreendeu que, no início do diálogo, Roberto estava paciente no modo de falar, porém depois começa a perder a paciência.
(AY)“Por ser o primeiro dia do prazo, Roberto ainda com paciência no modo de falar, diz que em sete dias Jun precisaria ir embora. O modo como Roberto já estava começando a se estressar fica explícito quando ele diz: ‘Vamos a poner un plazo, si no, yo voy a explotar’.”
Ao analisar as respostas da turma X, observou-se que somente dois alunos compreenderam que Roberto estivesse sendo “arrogante” e “grosseiro”:
(NI) “Eu tive uma impressão de arrogância da parte de Roberto, do modo como ele falou
parecia que ele queria que Jun fosse embora o mais rápido possível.”
(GI)“Roberto aparenta atingir um limite, não aguentar mais o Jun em sua casa, grosseiro e direto, dá um prazo de sete dias para o tio de Jun chegar, ou ele resolver seus problemas.”
Na maioria das respostas, foram observadas ressonâncias do sentido de “nervosismo”, “estresse” e “irritação”, devido ao fato de Roberto estar vivendo com um estranho em sua
casa. Nota-se, então, que nessas sentenças, o conflito apresentado pelo filme foi utilizado como justificativa para o modo como Roberto estabelece o prazo. Exemplos:
(DV) “Que Roberto está nervoso, pois está com um estranho em sua casa, e estabelece um prazo para esse estranho ir embora de sua casa, e o quanto mais rápido ele ir embora melhor.”
(JS)“Que Roberto não queria mais abrigar Jun por motivo de estresse”
(CO) “A impressão foi que Roberto estabelece um prazo por conta do stress e da irritação
que é gerado nele desde a chegada de Jun.”
(RY) “Roberto não estava aguentando mais aquela situação e queria que Jun fosse
embora.”
Além disso, foram observadas ressonâncias discursivas do sentido de “incômodo” e “desconforto” por parte de Roberto, já que ele estava vivendo com um estranho em sua casa: (R) “Que de alguma forma o estrangeiro estava incomodando Roberto e que é desconfortável ficar com um estranho em sua casa.”
(JY)“[impressão] de incomodo”
(RB)“Ele deseja que Jun vá logo embora, ele não se sente a vontade com a presença dele
em sua casa.”
Alguns alunos compreenderam que Roberto estava “impaciente”:
(LF) “Ele na verdade está impaciente, ele quer ajudar Jun, mas não está acostumado com pessoas vivendo em casa com ele. No momento em que se passa, Roberto não deseja um estranho em sua casa.”
(JN)“impressão de uma certa impaciência, incômodo, nervoso com a situação” Somente dois alunos compreenderam que Roberto queria “ajudar” o chinês:
(E)“Seria uma forma de ajuda-lo, porém fazendo com que Jun entendesse que ele precisava
(LF)“Ele na verdade está impaciente, ele quer ajudar Jun, mas não está acostumado com pessoas vivendo em casa com ele. No momento em que se passa, Roberto não deseja um estranho em sua casa.”
Análise do modo como os alunos estabeleceriam o prazo com o chinês
Em um momento seguinte, a fim de perceber as semelhanças e diferenças entre os modos de enunciar dos brasileiros e argentinos, foi proposto aos alunos que realizassem a seguinte tarefa:
Imagine que você se encontra na mesma situação que Roberto: um estrangeiro desconhecido está vivendo em sua casa. Porém, você precisa estabelecer um prazo para ele ir embora. Como você diria isso para ele?
Após analisar as sentenças produzidas pelos alunos da turma X, observou-se que a maioria delas continha marcas da formação discursiva de transição, tais como, ressonância de enunciações amenizadoras e estruturação textual com expressões de queixa em parágrafos situados no final do texto. Nos exemplos abaixo, é possível notar uma preocupação dos alunos em construir o seu discurso utilizando uma forma mais “sutil”, “suave”, “confortadora” e “pacífica”, em comparação com o modo de Roberto e de acordo com padrões sociodiscursivos predominantes no Português Brasileiro. Veja:
(C) “Eu o chamaria e diria de uma maneira bem leve e sutil, mas de forma que desse a entender os meus motivos, razões”
(JN)“Eu diria de uma forma não tão grosseira como Roberto”
(DV) “Eu faria igual Roberto na questão dos gestos, tentaria desenhar para ele tentar entender o que eu queria falar, mas de uma forma mais ‘confortadora’ e suave que Roberto.”
(E) “Tentaria encontrar uma solução rápida, porém seria mais pacífico, dizendo: sei que você está perdido e estou disposta a lhe ajudar, porém precisamos resolver essa situação
logo.”
Além disso, foram mencionados alguns gestos que indicaram afabilidade em relação ao personagem chinês e uma preocupação com seu bem-estar. Na primeira sentença (abaixo),
nota-se que, além da estratégia de “falar com calma” na hora de estabelecer um prazo, o aluno (DR), para amenizar o conflito, estabeleceria a conversa em um ambiente familiar, acolhedor e agradável, a fim de explicar calmamente a situação em que se encontrava. Além disso, observa-se em sua resposta a possibilidade de aproximação afetiva com o estrangeiro e de ajuda financeira. Na segunda sentença (abaixo), o aluno (LH) diz que utilizaria um calendário e explicaria por meio da linguagem gestual, manifestando sua disponibilidade e generosidade em fazer com que o estrangeiro o entenda. Observe:
(DR)“Bem, eu procuraria falar com ele na hora do jantar, com uma comida boa, tentaria explicar da melhor forma possível para que ele entenda o meu lado na historia, falaria com calma e estabeleceria um prazo para ele ir, claro, ajudaria ele financeiramente se me apegasse a pessoa.”
(LH)“Fazendo um calendário para ele e explicar fazendo sinais, gestos e faria de tudo para a pessoa entender.”
Outros alunos, responderam a questão utilizando o discurso direto, como se estivessem participando de um diálogo. Observou-se que, na maioria das sentenças, ressonâncias discursivas relativas à queixa, perceptíveis no ato de estabelecimento do prazo, estão situadas preferencialmente ao final. Além disso, notou-se, no início de cada resposta, ressonâncias de frases explicativas, a fim de fazer com que o chinês entendesse os motivos pelos quais não poderia ficar na casa de Roberto, como, por exemplo, “não tenho condições financeiras”, “não estou acostumado a ter outras pessoas comigo”, “preciso voltar a minha vida normal”, etc. Também foram utilizadas expressões modalizadoras como “me desculpe”, “infelizmente”, “sinto muito”. Ainda se pode observar, em uma das sentenças, a disponibilidade do estudante (MA) em “ajudar” o estrangeiro a procurar outro lugar para morar. Por fim, também observamos em algumas dessas sequências o prolongamento do prazo (mais do que uma semana). Entende-se que essas foram algumas estratégias utilizadas pelos alunos para amenizar o conflito estabelecido, o que evidencia a predominância de ressonâncias que tendem à construção do sentido por transição nos textos produzidos pelos discentes. Seguem abaixo as sentenças:
(I) “Não tenho condições financeiras para manter uma pessoa estranha dentro de minha casa e nem tempo suficiente pata lhe dar assistência, então, temos que estabelecer um
(RS) “Embora eu não me importe em te ajudar, não tenho condições de o fazer para sempre infelizmente. Se em sete dias seu tio não aparecer, me desculpe, mas você terá de ir
embora.”
(TY) “Olha, eu gostaria muito de poder ajudar você, porém não estou acostumado a ter outras pessoas morando comigo, assim para não deixar você na rua, vou impor um prazo.” (JLY) “Então Jun temos que conversar... Você já está aqui faz bastante tempo, eu tenho meus trabalhos, minhas manias, bem ou mal eu não te conheço e preciso voltar com a minha vida normal, você pode ficar mais uma ou duas semanas aqui até encontrar outro
lugar”
(G) “Olha, sinto muito, mas infelizmente não posso deixar você se acomodar. Vamos estabelecer um prazo de um mês pra você encontrar emprego e, caso consiga, te dou mais
duas semanas para achar onde ficar. Se não conseguir, em um mês seu prazo acaba.”
(MA) “Quando ele acordasse, eu o chamaria para tomar café e diria: - Infelizmente, não tenho mais condições de acudir você aqui na minha casa, então, estou te dando um prazo de 7 dias para que você possa arrumar outro lugar para ficar, e se você precisar, eu posso te ajudar a encontrar esse outro lugar.”
(RO)“Eu não posso te manter aqui para sempre, precisarei criar um prazo, desculpe.” Em algumas outras sentenças, notaram-se ressonâncias discursivas do modo de enunciar por abrupção, tais como a presença de queixas situadas no início do texto, como, por exemplo, “esta situação está me incomodando”, “não posso te manter aqui para sempre”, “não tenho nenhuma obrigação contigo” etc. Algumas delas, ainda estão introduzidas por expressões populares como “vou te mandar a real” e “é o seguinte”, responsáveis pela instauração do conflito logo no início do diálogo. Em uma das sentenças, o aluno ainda ameaça chamar a polícia, caso o prazo não seja cumprido. Porém, ainda assim, na maioria delas, pode-se observar a presença de expressões amenizadoras para o destinatário, tais como, “perdão, “sinto muito”, “desculpe”, “te ajudarei a procurar o seu tio” etc., as quais evidenciam a tensão entre certa intenção abruptiva dos enunciados e resquícios de modos de enunciar transitivos predominantes neste contexto pragmático:
(JO)“Olha eu vou te mandar a real eu to ficando super incomodada com você eu vou te dar sete dias para seu tio vim te buscar se ele não vier você vai ter que achar outro lugar perdão mas eu não posso sinto muito.”
(RYN) “Esta situação está me incomodando e para evitar maiores conflitos acho melhor estabecer-mos (sic) um prazo para que você vá embora e até lá te ajudarei a procurar o seu tio.”
(CRL) “Diria algo como: Se em sete dias, seu tio não aparecer, você deverá ir, pois não posso mantê-lo em minha casa. Porém, enquanto isso, irá me ajudar em algumas coisas.”
(RE)“Olha, não tenho nenhuma obrigação contigo, mas por caridade vou deixar você ficar em minha casa somente 7 dias, passando do prazo chamo a polícia.”
(JS)“-É o seguinte: você ficará um tempo aqui, mas terá que trabalhar fora, quando tiver
dinheiro para alugar uma casa, adeus.”
Na análise das sentenças produzidas pelos alunos da turma Y, observou-se que, de um total de 18 sequências, metade (9) continha ressonâncias discursivas do modo de enunciar por transição e a outra metade (9) continha ressonâncias do modo de enunciar por abrupção.
Nas sequências com ressonâncias de abrupção, notaram-se ressonâncias de enunciados que expressam queixas, questionamentos situados no começo do texto e ausência de expressões amenizadoras para o destinatário. Na segunda sequência, observou-se que o aluno (DM) reproduziu a fala do personagem Roberto (via tradução), revelando, assim, uma identificação com este outro modo de enunciar. Exemplos:
(NT) “Falaria: Você tem duas semanas para achar o seu tio, caso não o encontre nessas
duas semanas terá que encontrar outro lugar para ficar.”
(DM)“Você não pode ficar aqui, tem que ir, vou lhe dar sete dias para procurar para onde ir, sete dias! Hoje é o dia 1! Amanhã 2 e assim segue, só tem sete dias para ir embora.”
Em algumas sequências, inclusive, foram encontradas menções ao incômodo e aos problemas causados pelo chinês. Observe:
(MO) “- Ei, eu não te conheço, não sei o seu nome, seu passado e isso está me incomodando. Te dou uma semana para achar seus conhecidos ou um lugar para ficar. Hoje
(VI)“Meu amigo, esta situação está insustentável precisamos de um acordo, um prazo para você ir embora, tenho coisas para fazer e você me incomoda e me atrapalha em minhas
tarefas, vamos organizar um limite máximo para você ficar aqui em casa.”
Por outro lado, algumas sequências, ainda que com as queixas situadas no início do texto, continham expressões amenizadoras, como, por exemplo, “não me leve a mal”, “sinto muito” e frases explicativas, tais como, “nunca te vi, não tive nenhum contato ou coisa do tipo”, “não tenho condições” etc. Na quinta sequência, abaixo, observou-se uma estratégia de amenização do conflito através de uma ajuda financeira. Notou-se também, novamente, na terceira sequência, uma reprodução do que foi dito por Roberto, evidenciando a identificação do aluno brasileiro com o modo de enunciar do personagem por abrupção.
(AC)“Não me leve a mal, mas eu preciso estabelecer um prazo pra você ir embora. Então
você pode ficar aqui por uma semana. Se seu tio não aparecer você vai ter que ir embora.”
(ML) “Sinto muito mas daqui a uma semana se ninguém te encontrar você tem de ir embora”
(BR) “Eu diria para ele desta forma: sente-se, olhe, é necessário por (sic) um prazo para você ficar aqui, não tenho condições. P ense em uma semana, sete dias se seu tio não chegar
nesses sete dias, você terá que ir, hoje é um dia.”
(JE) “- Se você quiser pode sentar. Olha, eu não sei o que fazer contigo, pois nunca te vi não tive nenhum contato ou coisa do tipo, não tem como eu te manter em minha casa então irei te dar uma semana para algum parente ou amigo seu aparecer se ocorrer eu não terei de enviá-lo para a embaixada.”
(FA)“O mesmo que o Roberto fez eu daria um prazo para ele ficar na minha casa e depois mandaria ir embora ou dava um dinheiro para ele se abrigar em outro lugar”
Nas sequências predominantemente transitivas produzidas pelos alunos, notaram-se ressonâncias de enunciações elogiosas ou amenizadoras empregadas na interlocução com o coenunciador. Na primeira sequência, observou-se, inclusive, um envolvimento emocional por parte do aluno com o estrangeiro, como se ele estivesse terminando um relacionamento de cunho afetivo:
(AY) “Tá sendo muito bom ter sua presença aqui em casa, mas eu também tenho minha