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3. TEORI

3.1 B EDRIFTENS SAMFUNNSANSVAR

Título da lição Histórias de amor

Temas socioculturais da lição Como amam os brasileiros e os argentinos

Data da lição 03/11/11

Participantes Professora; Alunos: J, S, C, JE, B, A, F, V

Conteúdo da Lição Texto (p.51 da apostila)

Proposta da atividade: Leitura, conversação e escrita

Duração da aula: 3h

Observações Ao fazer a leitura do texto “Histórias de amor” (anexo 9) com os alunos, a professora pede para que eles falem sobre o tema “relacionamentos”. Os alunos interagem bastante nessa aula e riem muito, conversam sobre se acreditam ou não em amor à primeira vista e contam histórias de amor que conhecem.

Fonte: Elaborada pela pesquisadora

Ao fazer a leitura do texto “História de amor” com os alunos, a professora pede para que eles falem sobre o tema “relacionamentos”. Os alunos interagem bastante nessa aula e riem muito, conversam sobre se acreditam ou não em amor à primeira vista e contam histórias de amor que conhecem, como podemos observar neste trecho:

C: _“Yo creo mucho en el amor, pero está muy difícil encontrar, profesora”. (risos de todos)

J: _“Es verdad, los hombres no quieren nada en serio”.

JE: _“A mí me encantaría encontrar un grande amor! Yo conozco parejas muy felices!”.

Professora: “_deseo suerte a todas, chicas! (todos riem). Los hombres porteños hablan mucho, dicen todo lo que una mujer desea escuchar. Jamás crean en un hombre porteño!” (risos de todos)

JE: _“Es verdad profesora, acá dicen que somos muy lindas, que somos el sol y las estrellas... son un poco... como puedo decir... san muy galanteadores!”

Neste momento todas as alunas do sexo feminino concordam, enquanto os alunos do sexo masculino ouvem atentos, porém, em silêncio. Uma aluna se sente tão à vontade que chega a contar um caso íntimo que ocorreu com ela:

C: _“Yo estaba en el subte otro día y empezé a mirar a un chico... él también me miró. Por todo el tempo nos mirávamos, y quando salté del subte el también saltó. Trocamos los teléfonos y después el me invito a salir. Foe muy lindo, hablamos mucho, nos besamos, pero al final del encuentro el me dije que el tenia novia! Me quede muy mal!”. Neste momento os alunos fazem comentários:

J: _“Oh, no!”. JE:_“No creo!”.

S:_“Que maaaaloooos los hombres....”.

Professora: _“y como son los hombres en Brasil, chicas?”.

JE: _“Pienso que san más directos, no necesitan decir tantas cosas falsas como los argentinos...y no son tan machistas”.

V: _“hay de todo, profesora, pero en general son menos machistas”.

J: _“las mujeres brasileñas son más libres para hacer lo que quieren! Acá hay muchos juegos y las mujeres necesitan de mucho tempo para decir si!

V:_“És verdad! Yo escucho muchas reclamaciones de mis amigos argentinos! Pienso que por eso a ellos les gusta más las brasileñas”.

C: _“si, pero nos veem como más fácil”.

A professora concorda e explica que na Argentina é um valor cultural que as mulheres digam muitos „nãos‟ a um homem antes que digam „sim‟, e por isso há esse jogo de sedução masculina.

Com relação a esse tema, por ele conter aspectos culturais, incluindo diferenças de atitudes, podemos nos apoiar na teoria de Silva (1997) sobre as propostas

pedagógicas do ensino das diferenças culturais. Podemos encaixar à teoria a atitude da professora na proposta liberal de Silva (1997), que diz que no ensino de uma língua estrangeira o professor deve estimular e cultivar bons sentimentos e a boa vontade para com as diversidades culturais, fazendo com que os alunos percebam que as diferenças existem e devem ser sempre toleradas e respeitadas. Neste exemplo, a professora abriu um espaço para que os alunos conversassem sobre o tema relacionamentos, considerando as diferenças entre os homens de Buenos Aires e do Brasil.

Ao mesmo tempo em que trabalha as diferenças culturais, ao dar o conselho para que as alunas não acreditem nos homens portenhos, a professora se identifica com as mesmas, desconstrói a figura de autoridade e dá um conselho sobre como elas devem se comportar com os homens de Buenos Aires. Assim, podemos nos apoiar na teoria de Valdés (2004), pois que a professora se coloca como um indivíduo que conversa e troca experiências com os aprendizes, e desta maneira, a LE também está sendo usada e aprendida através do desenvolvimento de um tema exposto na sala de aula.

Observamos que este tema rende uma longa conversa entre a professora e os alunos, como é possível verificar no trecho acima. Além disso, a professora não se preocupa em fazer correções gramaticais das falas. O uso da língua espanhola se mantém presente durante todo o tempo. Através deste dado podemos deduzir que a maneira como o tema é trabalhado, a liberdade que a professora dá para que os alunos expressem seus sentimentos, suas histórias, seus pontos de vista, faz com que a língua espanhola se manifeste de maneira fluida. Aqui podemos dizer que a língua está sendo trabalhada como fluxo e isso permite com que os alunos desenvolvam e criem suas próprias representações sobre a língua e sobre a cultura. Assim, confirmamos a mesma ocorrência encontrada na primeira análise. O tema motivou os alunos a se expressarem, a terem o desejo de serem compreendidos na LE. Sendo a professora a representante da língua nativa, e fazendo parte daquela conversação, os alunos buscam incluí-la na conversa mantendo as falas em espanhol. Podemos afirmar isso porque observamos muitas vezes os alunos falando português em sala de aula, como veremos mais adiante na análise de outras aulas.

Podemos observar neste dado que o tema da aula aborda um tema universal, que é o amor, desperta nos alunos um grande interesse e uma grande identificação com suas vivências e experiências de vida. A abordagem da diferença cultural sobre este assunto

intensificou ainda mais o interesse deles para que o diálogo em espanhol se construísse. A professora não se posiciona como uma figura de autoridade, mas como um indivíduo que está interagindo com o grupo e que também se identifica com o tema. Neste momento temos em sala de aula a manifestação da língua em uso e não como sistema. Após a discussão, a professora pede para que os alunos escrevam a redação sobre alguma história de amor que eles conheçam e o processo de escrita também se manifesta de forma fluida. Os alunos se concentraram no texto e o entregam à professora ao fim da aula. A professora faz a correção das estruturas.

O que observamos é que os alunos já conseguem se expressar na língua espanhola pelo fato de estarem em processo de imersão. Ao se sentirem motivados a usar a LE, ainda que a estrutura esteja sendo influenciada pela língua materna e muitas vezes eles não consigam utilizar o espanhol da maneira culta, pelo nível de conhecimento pré-intermediário, neste processo conversacional eles também estão em processo de aprendizagem na observação de como os colegas falam, de como a professora se expressa e, principalmente, de como a estrutura está desenvolvida no texto de apoio.