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2. MARC TEÒRIC

2.2. Les TIC en la llengua anglesa

2.2.1. Les TIC en l’aprenentatge de llengües

Meu mundo é meu corpo: tenho os trajetos das viagens fotografados na memória onde ainda habitam os amigos que quero rever. Meu sub-mundo é meu corpo: tenho o meu subterrâneo desafiando o que desconheço. Meu eu, que ao leres virou teu, é o que ofereço de mais corpo que tenho: minhas divagações.

Daiane Gasparetto41

Durante os laboratórios experimentais propostos aos bailarinos da CMD, a maioria dos exercícios tinha como objetivo o acesso a informações, situações, acontecimentos ocorridos numa outra etapa de suas vidas. Como os estímulos propostos objetivavam possibilitar estados de corpo diferenciados a partir da relação do bailarino com suas subjetividades, alguns exercícios embasaram-se em propiciar ao corpo uma atualização desses acontecimentos a partir da memória a fim de que as forças atualizadas servissem como material para a experimentação e criação do movimento.

De posse da recorrência a relações “passadas”, o estado corporal do bailarino poderia utilizar estas relações como indutoras à percepção de sensações, lembranças, dentre outros fatores, pois, “O estado de corpo pode, assim, alimentar-se de toda espécie de elementos ligados mais ou menos direto e evidentemente ao corpo ele mesmo” (PRIMO, 2010, p. 131).

Desta forma, os processos cujo enfoque se detinha em instigar os dançarinos a

relembrar situações passadas, histórias de vida, para que pudessem descrever, registrar, atualizar estes acontecimentos no corpo a partir do instante presente, contou com a participação ativa da memória na qualidade de ser uma das vias capazes de conectar o corpo às relações com as quais estabelece contato. No tocante aos estudos concernentes ao que se entende por memória, seguem-se as abordagens utilizadas ao longo da pesquisa.

Não há como separar as questões que versam acerca da memória da compreensão de corpo e imanência tratadas anteriormente. Vejamos a seguir quais os desdobramentos deste pensamento sob a perspectiva de alguns autores.

A memória... não é uma faculdade de classificar recordações numa gaveta ou de inscrevê-las num registro. Não há registro, não há gaveta, não há aqui, propriamente falando, sequer uma faculdade, pois uma faculdade se exerce de forma intermitente, quando quer ou quando pode, ao passo que a acumulação do passado sobre o passado prossegue sem trégua. Na verdade, o passado se conserva por si mesmo, automaticamente. Inteiro, sem dúvida, ele nos segue a todo instante: o que sentimos, pensamos, quisemos desde nossa primeira infância está aí, debruçado sobre o presente que a ele irá se juntar, forçando a porta da consciência que gostaria de deixá-lo de fora (BERGSON, 2006, p. 47-8).

A partir deste entendimento acerca do que se entende por memória, Bérgson (apud FERRACINI, 2006, p. 121-2) propõe duas formas de compreensão para a duração do passado no presente, quais sejam:

Essa idéia do corpo enquanto duração, como acumulador de um passado que sobrevive a cada instante no presente, foi muito discutida por Bérgson. A memória, para Bérgson, é uma sobrevivência e uma acumulação – e portanto uma duração – do passado contraído no presente, através de duas formas distintas: 1) Como mecanismos motores, quando conscientemente devo aprender e memorizar algo, seja por necessidade (decorar uma lição, por exemplo) ou para adaptação ao meio que me cerca. Essa memória primeira é adquirida através do hábito e como hábito ela necessariamente necessita do mecanismo da repetição, exigindo a decomposição e a posterior recomposição das ações até que o corpo a reorganize e acumule. Essa memórias-hábito faz com que haja uma certa adequação do corpo ao tempo presente e nos situe no cotidiano com um ser “adaptado”. A esse mecanismo da memória podemos chamar simplesmente de hábito. Antes hábito que memória, diria Bérgson. 2) Um outro tipo de memória é a memória de lembranças independentes, essas que se acumulam independente de nossa vontade em adquiri-las. Seriam quase lembranças acumuladas da existência e de todos os elementos e partículas que nos constroem.

A abordagem Bergsoniana acerca de como se pode compreender o processo de ativação e acumulação de memória corrobora com a noção de que continuamente afetamos e somos afetados, e de que estamos sempre nos transformando e indo ao encontro de agenciamentos múltiplos das informações que a cada instante entram em contato com o corpo.

[...] é importante observar que o corpo acumula a memória numa relação dinâmica entre um estar-no-mundo adaptado e lembranças independentes de nossa percepção ativa do mundo. Em outras palavras: o mundo se acumula e ura no corpo. A realização e diagonalização entre essa memórias bergsonianas são, em última análise, coexistências virtuais que habitam nosso presente atual (id., ibid., p. 122).

Percebe-se, assim, que as vivências corporais ratificam-se, por conseguinte, em um estado corporal acumulador, transformador, ativador de vivências presentes e passadas. Nesse sentido, “o corpo é memória e também o presente. Portanto, mergulhar no presente do corpo, é mergulhar também em seu passado, enquanto névoa de virtualidades mais ou menos distantes que pressionam nosso atual de forma mais ou menos intensa” (id., ibid., p. 125).

As memórias podem se refletir e podem ser atualizadas de acordo com as vivências que oportunizem essas atualizações. As experiências vividas e ativadas durante as experimentações propostas aos sujeitos da pesquisa, nada mais foram do que experiências que atualizaram suas memórias e que também criaram arcabouços corporais capazes de servir como potência para a Dança.

O corpo, como espacialização do aqui-agora, ou seja, do presente, mantém uma relação intrínseca com o tempo. Ele, em si, sendo “presente”, não pode nunca ser um passado, mas por outro lado assume, acumula esse passado nele mesmo, ou seja, no presente. Sendo assim, o corpo é uma presentificação do passado acumulado (id., ibid., p. 120).

Se o corpo é uma “presentificação do passado acumulado” podemos deduzir que ele ao ser presente e passado ao mesmo tempo, reflete seu eterno devir e, por conseguinte, também pode trazer a esse estado relações que já passaram, mas que podem a partir da memória propor novos agenciamentos a si mesmo, re-significando e alterando o estado no qual se encontra.

A seguir, apresento alguns dos experimentos aplicados na etapa prática da pesquisa, a fim de que possamos reconhecer nestes espaços a conexão de todos os conceitos, noções e abordagens tratadas até o presente momento, as quais serviram essencialmente para que mais uma vez pesquisas como essa, na área da dança, se valessem de estudos capazes de apontar outras formas de entender e propor a elaboração do movimento para a dança.