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4 Discussion

4.1 Length and age distributions

A pesquisa domiciliar EQ5D-MG foi realizada no período de outubro a dezembro de 2011 por entrevistadores de uma empresa contratada para esta finalidade. Antes disso, um pré-teste foi realizado em um grupo de indivíduos de diferentes faixas etárias e níveis socioeconômicos com o objetivo de verificar possíveis dificuldades na coleta dos dados. Os resultados da pesquisa EQ5D-MG podem ser encontrados em Andrade et al. (2012) e Andrade et al. (2013).

Um subconjunto de estados de saúde foi escolhido para avaliação direta e os demais estados estimados através de análise estatística econométrica. A pesquisa EQ5D-MG investigou diretamente 102 estados de saúde produzidos pelo EQ-5D-3L com base no protocolo proposto por Kind (2009). A avaliação de 102 estados de saúde representa um avanço em relação aos 43 estados de saúde propostos pelo protocolo original de Gudex (1994). A avaliação direta de um maior número de estados de saúde apresenta como vantagem a obtenção de estimativas mais confiáveis para o conjunto total de estados de saúde (CHUANG; KIND, 2010).

Os 102 estados de saúde foram classificados por Kind (2009) como leves, moderados e graves de acordo com os níveis de severidade de cada dimensão. Foram formados 26 blocos fixos de estados de saúde, cada bloco contendo dois estados de saúde de cada classificação (leves, moderados e graves), ou seja, seis diferentes estados de saúde pré- definidos além do estado limitações extremas. Essa característica do estudo é importante porque assegura que nenhum indivíduo avaliou somente estados de saúde leves, ou moderados ou graves. A avaliação de estados de saúde previamente definidos permite maior acurácia na análise. Como as avaliações individuais de preferências ocorrem em termos relativos, é necessário que o indivíduo seja estimulado a comparar estados de saúde díspares entre si a fim de estabelecer seu padrão de escolha entre eles. Se os estados de saúde avaliados na pesquisa EQ5D-MG não fossem previamente definidos é

possível que alguns indivíduos ao avaliar somente estados de saúde semelhantes não apresentassem clara preferência entre eles.

Neste estudo utilizamos apenas as informações de valoração dos estados de saúde obtidas a partir do método da troca de tempo. No exercício da troca de tempo, o entrevistado avaliou os sete estados de saúde comparando cada um à saúde perfeita ou à morte, que são estados de saúde considerados „âncoras‟. Com a ancoragem realizada no método da troca de tempo é possível determinar a classificação dos estados de saúde a partir das preferências relativas dos indivíduos pelos estados de saúde. Isso é possível porque em economia da saúde as preferências são consideradas „preços relativos‟ entre os estados de saúde, ou seja, quanto mais desejável um estado de saúde maior o valor atribuído.

O método da troca de tempo (TTO) tem fundamentação teórica baseada no conceito microeconômico da teoria da utilidade esperada. Neste método a saúde é um argumento da função de utilidade esperada do indivíduo composta por duas dimensões: tempo e qualidade de vida. O objetivo é encontrar um parâmetro de preferência onde os indivíduos estejam dispostos a trocar tempo por qualidade de vida.

A troca de tempo é uma loteria que avalia a propensão individual de permanência em cada estado de saúde, ou seja, mede o número de anos de vida em um determinado estado de saúde que um indivíduo está disposto a desistir, ou trocar, a fim de melhorar a sua qualidade de vida. Este método permite que o exercício da troca de tempo seja realizado sob condição de certeza, ou seja, a escolha do entrevistado é feita mediante duas alternativas que ocorrerão com certeza.

A troca de tempo envolve uma abordagem interativa para determinar pontos indiferença para os indivíduos (KIND, 2009). A aplicação do método é realizada através da utilização de um quadro de troca de tempo onde uma escala horizontal desloca-se a fim de indicar quanto tempo de vida em saúde perfeita o indivíduo está disposto a desistir em troca de mais tempo no estado de saúde designado em cada cartão5

. O quadro de troca de tempo tem dois lados: no lado 1 são realizadas as trocas entre tempo e qualidade de vida para estados de saúde considerados, por cada entrevistado, como

melhores que morte e do lado 2 são realizadas trocas entre tempo e qualidade de vida para estados piores que a morte.

As preferências relativas são obtidas, intuitivamente, da seguinte forma: o indivíduo define, com base em suas preferências, se o estado de saúde apresentado é melhor ou pior do que a morte. Se o estado de saúde é considerado melhor que a morte, significa que o indivíduo prefere viver mais tempo nesta condição de saúde que menos tempo em saúde perfeita. Neste caso, o ponto de referência, ou âncora, é a saúde perfeita e a troca entre tempo e qualidade de vida é realizada utilizando o lado 1 do quadro. Quando o estado de saúde é considerado pior que a morte, a troca entre tempo e qualidade de vida é realizada utilizando o lado 2 do quadro. Nesse lado a referência é o estado morte imediata.

Para estados avaliados como melhores do que a morte, são oferecidas ao indivíduo duas alternativas: a alternativa de vida B em que viverá com o estado de saúde j por um período de tempo de 10 anos seguido da morte e a alternativa de vida A em que viverá em saúde perfeita por um período inferior a 10 anos, x<10, seguido da morte. A troca de tempo é realizada entre estas duas alternativas e x varia até que o entrevistado esteja indiferente entre elas. Neste ponto o valor do estado de saúde será hi = x/10.

Se o entrevistado considerar que o estado de saúde em análise é pior que a morte o lado 2 do quadro de tempo é utilizado e novamente duas alternativas são oferecidas. Na alternativa de vida A o indivíduo permanece no estado de saúde j por 10-x anos de vida, após esse período o indivíduo passa a viver x anos em saúde perfeita até o final do período de 10 anos seguido da morte. A altenativa B significa morte imediata. O tempo x varia até que o entrevistado seja indiferente entre as duas alternativas. Para estados considerados piores que a morte valor do estado de saúde será hi = -x/(10-x)

(TORRANCE, 1986).

De acordo com Dolan et al. (1996a), a escolha de dez anos está relacionada ao tempo considerado suficiente para que os entrevistados sejam capazes de distinguir entre os estados de saúde e de fazer sacrifícios significativos entre eles. Ou seja, dez anos em um estado de saúde não é um período muito longo a ponto de ser irrealista para os indivíduos mais velhos nem muito curto a ponto de ser desprezado pelos mais jovens.

O método da troca de tempo representa as preferências individuais através de uma técnica de equivalência na qual o indivíduo afirma ser indiferente entre viver determinado período de tempo no estado de saúde oferecido ou em um dos estados de saúde âncoras. O exercício de troca de tempo só para quando a equivalência, em termos de qualidade de vida, entre os dois estados de saúde confrontados é definida pelo indivíduo.