• No results found

5.2 Ungfisk av laks og ørret

5.2.3 Lengde/aldersfordeling

Aqui se discute as frentes aquáticas, ou seja, a relação das cidades com as águas, tema amplo e de grande importância cujo objeto de estudo tem como elemento de projeto integrador o Rio Tietê e sua relação com o município de Osasco, aprofundada de três estudos de caso que também tem relação com as águas: o Parque Linear do Rio Manzanares, em Madri; a Expo’98, de Lisboa e Porto Madero, em Buenos Aires. O que estas experiências têm em comum com o objeto de estudo desta dissertação? A busca pela recuperação de frentes aquáticas obsoletas que se encontram nos centros urbanos e que já perderam sua função devido ao processo de desindustrialização ou migração das indústrias para outros locais.

O tema das frentes de águas vai além de pré-requisitos de sustentabilidade. Estes projetos escolhidos, assim como o projeto urbano para a Operação Urbana Consorciada Tietê II, aprofundam as questões do território, da paisagem urbana e de

sua relação com os cursos d´água, que perderam suas características com o crescimento demográfico e a expansão da urbanização.

Apesar do número crescente de propostas internacionais para as cidades e suas frentes aquáticas, a iniciativa é ainda pequena. Nos países europeus e em alguns outros como Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e Coréia do Sul, tem se observado a busca por soluções inovadoras para enfrentar o tema, revelando a preocupação com a população que vive em áreas de risco e com o ambiente urbano. Nestes países as soluções adotadas visam o retorno dos rios em seu curso natural e sua despoluição e a priorização do espaço público e de pedestres. No Brasil, principalmente em São Paulo, identifica-se outra prioridade: o automóvel, elemento colocado em cena na década de 50. O problema do Rio Tietê em São Paulo é grave, pois além das questões de inundações, da ocupação da área de várzea e da poluição de suas águas, torna-se cada vez mais um obstáculo aos habitantes da cidade. As propostas de canalização e recobrimento de sua calha com mais pistas não param de surgir acompanhadas com a visão do lucro, incentivando ainda mais a indústria automobilística.

Em meio a este cenário desmotivador para as frentes aquáticas no país surge à proposta, um tanto quanto utópica, porém com princípios pautados na realidade local e que buscam uma cidade desejável, dentro do possível. Ela traz para o município de Osasco a possibilidade de utilizar este elemento tão indesejável atualmente, que é o Rio Tietê, como a peça chave no desenvolvimento de uma região obsoleta na região central do município, de extremo potencial de renovação. Não esta se afirmando aqui que este é um objetivo fácil de ser alcançado. A questão passa por um processo de conscientização e compreensão do potencial deste elemento, bem como por ações conjuntas com outros órgãos, como o DAEE, e pelo entendimento de que a despoluição do rio não é uma tarefa simples, ela deve passar por um processo de melhoria de infraestruturas básicas, como o saneamento.

Na OUCT II há a preocupação em tornar o Rio Tietê navegável e levar a expansão da cidade até a sua margem. Ele é uma linha divisória entre o norte e o sul do município e demarca a segregação territorial e social em Osasco, decorrente da implantação de infraestruturas e superestruturas, como rodovias, a linha férrea e

linhas de alta tensão que marcam sua paisagem. Por outro lado, o projeto não adota partidos menos agressivos, como a recuperação da calha natural.

O Rio Tietê faz parte da memória da cidade e de seus habitantes, já tendo sido navegável e utilizado como uma via de transporte, porém foi deixado de lado e, até mesmo, indesejado pelos habitantes. O braço morto do Tietê que corta a zona Norte da cidade já foi uma das principais causas de enchentes na região. Sua origem é o traçado original do rio que era navegável e possuía a forma de ferradura. Em 1938 foi assinado um contrato para acabar com a curva do rio retificando seu leito e visando a navegação e a produção de energia, o que nunca se concretizou (PMO, 2012).

As cidades com as frentes aquáticas tiveram papel fundamental na fundação e desenvolvimento dos núcleos urbanos, passando por sua total ociosidade e chegando às propostas contemporâneas de revitalização.

Tsukio (1984) afirma que a princípio os cursos d´água não foram um fator que interferiu diretamente na localização das comunidades. Estudos revelam que as primeiras comunidades agrícolas viviam próximas aos rios, mas não nas suas frentes aquáticas. A necessidade de se estabelecer próximo aos cursos d´água teve origem com o crescimento dos núcleos urbanos e de sua necessidade de transportar pessoas e mercadorias, utilizando os rios para a locomoção das mesmas. Ele identifica este tipo de assentamento nas civilizações antigas, como ao longo da bacia do Rio Nilo e, nos dias atuais, em cidades globalizadas, como Paris, Londres, Nova York e Tókio. Considera ainda que outros fatores contribuíram para as modificações das frentes aquáticas, como a expansão da indústria e o crescimento demográfico, que utilizaram estas áreas para se estabelecer; seguidas pelas mudanças nas técnicas do transporte, que se tornou, em um primeiro momento, ferroviário no século XIX e, na sequencia, rodoviário no século XX. Também argumenta serem importantes às modificações do sistema industrial e o processo de desindustrialização com a mudança das indústrias para outras regiões, polos logísticos que não dependem mais dos cursos d´água.

O novo papel suposto por Tsukio (1984) para as frentes aquáticas, que perderam o seu uso inicial devido ao fato de que suas antigas funções se tornaram obsoletas, era de devolver estas áreas á população substituindo os usos

decadentes. Existem três tipos de intervenções nestas áreas; a primeira restaura a área para devolvê-la á população, com melhorias urbanas e remoção das estruturas subutilizadas; a segunda promove o redesenvolvimento, convertendo as instalações importantes para a vida urbana, tendo como objeto algo que gera a expansão de infraestruturas que tiveram suas características ou necessidades programáticas e tecnológicas alteradas e; a terceira promove o desenvolvimento, criando novas frentes aquáticas, por meio do aterramento de áreas, atendendo as necessidades da sociedade contemporânea.

Os rios são marcos importante na paisagem rural e urbana, que infelizmente deixam de fazer parte da identidade da população ao serem retificados, aterrados ou canalizados, no decorrer do processo de urbanização, rodeados por indústrias contaminando o solo e perdendo sua relação com a paisagem e com a memória da população.

Uma preocupação que acompanha a construção das cidades no decorrer dos tempos é o modo como elas foram construídas e destruídas inúmeras vezes visando atender um sistema rodoviarista. Assiste-se às transformações nas cidades orientadas por aspectos econômicos e interesses das camadas sociais mais elevadas, de modo que os automóveis e os condomínios fechados viraram sinônimo de segurança, relegando as áreas públicas que se tornaram escassas e muradas, de modo que o pedestre é cada vez mais cerceado (LERNER, 2010).

A cidade de São Paulo e região perderam paulatinamente suas referências geográficas e territoriais na medida em que seus rios foram canalizados, aterrados ou transformados em marginais, com sua várzea ocupada e impermeabilizada, levando a inundações, perda da memória e identidade da cidade. O mesmo ocorreu na cidade de Osasco, em menores proporções, onde em seu processo de ocupação a cidade voltou às costas para o rio, para sua relação com a população e a vida urbana, o transformado em um problema, um obstáculo indesejável, além de o rio ter se tornado poluído e de difícil navegação.

Propostas de recuperação dos cursos d’água com base na limpeza dos córregos são ineficientes. As propostas de implantação devem ser mais condizentes com o seu papel na cidade, restringindo e recuperando as ocupações ilegais em áreas de mananciais e de risco e, principalmente, com a melhoria dos sistemas de coleta e tratamento de esgotos, dando melhor destinação aos resíduos sólidos.

Desde o século 19, quando se iniciou o sistema de abastecimento de água e de coleta de esgotos na cidade de São Paulo e região os rios e cursos d’água começaram a receber alta carga poluidora. Por volta da década de 60 esses efeitos começaram a ser observados, com 40% dos imóveis ligados a rede de esgoto, do que somente 10% passavam por tratamento até chegar a seu destino (GORSKI, 2010).

Despoluir os rios é possível do ponto de vista técnico, como já foi realizado em diversos países, com o caso do Rio Tejo, na Expo’98, em Lisboa. Entretanto a questão deve ser trabalhada primeiramente para conscientizar a população, o que não consiste em uma tarefa simples. Enquanto a mentalidade da população e principalmente dos gestores públicos não for alterada a situação só tende a piorar. De acordo com Lutti (2013) 4 os equívocos no planejamento urbano e a falta de gestão pública eficaz faz com que se dificulte a despoluição dos rios, somada a falta de saneamento básico em algumas regiões, com a ocupação das margens e a sua utilização para sistemas viários de alta velocidade, apoiados pela falta de sistemas de drenagem urbana e de políticas integradas entre os municípios das regiões metropolitanas e outros órgãos envolvidos.

“Nossas cidades são acampamentos improvisados, terríveis, frutos de um capital inconsequente, de uma sociedade de consumo e de um urbanismo mercantilista e rodoviarista.” (DELIJAICOV, 20135

).

Delijaicov (2013) explica que a relação das cidades com seus cursos d´água começaram a entrar em conflito no período medieval com o crescimento urbano e alta densidade, provocando a poluição de seus rios e trazendo inúmeras doenças a população. Já no período do urbanismo sanitarista, no século XIX, o rio foi recuperado como elemento de identidade, com a criação de bulevares e praças. Entretanto com o crescimento exponencial da industrialização as áreas de várzea nas margens dos rios foram utilizadas para a implantação de ferrovias, de parques industriais e de redes de infraestruturas, que só se agravou com a implantação do urbanismo rodoviarista, intensificando a poluição dos cursos d´água. Este cenário

4 Retirado de entrevista de José Eduardo Lutti, promotor de justiça do meio ambiente da cidade de São Paulo,

concedida a Revista AU nº 234, ano 28, de setembro de 2013, página 18, a respeito da despoluição dos rios urbanos.

5 Retirado de entrevista de Alexandre Delijaicov, professor da FAUUSP e criador do conceito de metrópoles

gerado pelo urbanismo rodoviarista e mercantilista pode ser visto com clareza na área escolhida para a implantação da Operação Urbana Consorciada Tietê II. Em seu recente estudo para a Prefeitura de São Paulo buscou desenvolver o projeto da Metrópole Fluvial, ou as hidrovias urbanas, que contam com cerca de 170 km de extensão, com uma rede de vias navegáveis, do qual o Rio Tietê faz parte, passando por Osasco no perímetro de intervenção da Operação Urbana, fugindo totalmente das legislações atualmente aplicadas aos cursos d´água e Áreas de Preservação Permanente (APP).

É neste âmbito que se faz evidente a necessidade de um trabalho em conjunto com diversos órgãos, principalmente nas regiões metropolitanas. Recentemente houve a criação da Secretaria Desenvolvimento Metropolitano (SDM) 6, na tentativa de promover uma gestão metropolitana que devem passar necessariamente por mudanças de postura dos governos.

A proposta para a Operação Urbana Consorciada Tietê II busca torna o Rio Tietê seu elemento central, resgatando-o para a cidade e para os pedestres. Leva em conta a possibilidade de ter seu leito navegável, uma questão utópica, mas que já vem sido estudada a longa data por Delijaicov com o Hidroanel indicado abaixo

(Figura 6).

Figura 6 Proposta do Hidroanel em São Paulo, de Delijaicov. FONTE: REVISTA AU, ANO 28, N.º 234 DE SETEMBRO DE 2013, P.73.

6

Recentemente, o atual governador, Geraldo Alkimin, anunciou a extinção da Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano (SDM), que havia criado oficialmente as regiões metropolitanas, como a Região Metropolitana de São Paulo, da qual faz parte o município de Osasco, possibilitando que pudessem ser tomadas ações em conjunto, passando suas atribuições a Casa Civil e cortando despesas, ação que ocorreu em virtude das manifestações de 2013.

Ao analisar a questão das frentes aquáticas urbanas entende-se que este processo é o principal contribuinte para a fundação de uma cidade e de seu desenvolvimento, transformando-se em seu personagem principal. É notável a quantidade de propostas e projetos de requalificação para estas frentes aquáticas urbanas em todo o mundo. Entretanto, o que deve ser evidenciado é a mudança de atitude no planejamento urbano que, após o período de industrialização e seus diversos males ás cidades, principalmente aos cursos d´água, viram suas áreas de várzea invadidas por indústrias e equipamentos infraestruturais, levam á transformações e a busca pela recuperação dessas paisagens urbanas decorrentes, principalmente, do processo de desindustrialização, em desenvolvimento no Brasil desde a década de 70.

Observam-se diversos projetos urbanos de sucesso para o tema e o seu impacto acaba por transformar uma área urbana, seja ela uma nova centralidade criada, como o caso da Expo’98, em Lisboa; ou uma recuperação de borda do centro, como no caso do Rio Manzanares, em Madri; ou a reconversão de uma antiga zona portuária obsoleta, como no caso de Porto Madero, ou até mesmo a requalificação de uma zona central obsoleta e repleta de vazios urbanos, como o caso do objeto de estudo desta dissertação, a Operação Urbana Consorciada Tietê II, no município de Osasco.

A reconversão de áreas que eram inteiramente voltadas para a indústria e que se tornaram ultrapassadas é vista amplamente na Europa, principalmente nas cidades mais antigas, como o caso de Paris. Nela o Rio Sena, que era completamente voltado para a indústria e transporte, acabou sofrendo requalificações com diversos parques e áreas públicas, como o Parque André- Citroen e o Parque La Villette. Apesar dos inúmeros benefícios á cidade o lado ruim destas transformações pode ser visto claramente no processo de gentrificação, indissociável de qualquer requalificação urbana, expulsando os habitantes locais, muitas vezes mais pobres, que são ignorados pelas novas propostas. Cabe aos planejadores urbanos e aos gestores a procura da mitigação destes efeitos. Projetos urbanos como estes de Paris, que se iniciaram com a requalificação do Centro Pompidou em 1977, tiveram impactos nos projetos urbanos de todo o mundo e garantiu a competitividade da cidade, fundamental para a manutenção da

mercantilização dos centros urbanos, garantindo a sua vitalidade (COLQUHOUN, 1995).

Em Paris as indústrias se localizam a leste da cidade desde o século 19 e os bairros da classe trabalhadora foram localizados perto das grandes indústrias, principalmente devido à mobilidade reduzida na época. A era da indústria pesada passou, entretanto essas áreas estão sendo revitalizadas com novos projetos, como o complexo de novos edifícios renovados do Parque La Villette. O processo de transformação pelo qual passou o leste de cidade e toda a Paris na década de 80 foi possível devido à presença de um grande número de terrenos abandonados. Quase todos os novos projetos foram construídos em áreas antes ocupadas por antigas indústrias, depósitos e linhas férreas. O objetivo anunciado no final da década de 70, pelo então prefeito de Paris, Jacques Chirac, era melhorar a qualidade das áreas abandonadas, com um encorajador programa multifuncional que englobava residências, comércio e serviços públicos (COLQUHOUN, 1995).

O Parque André-Citroen, localiza-se ao sudoeste da área interna de Paris, local da antiga fábrica Citroen, que foi reconstruído para formar uma nova centralidade desta parte da cidade. O eixo da Rua Balard, indicado em vermelho na imagem a seguir, define uma fronteira a leste que é rodeada em ambos os lados por novas habitações, escritórios e um hospital. O parque é definido de maneira formal. No centro há uma larga área verde que vai até a estrada de ferro, que separa o parque do Rio Sena. De um dos lados há uma série de pequenos jardins, dispostos de maneiras diferentes, contrastando com a formalidade do espaço principal. Grande parte do parque foi projetada como uma área ecológica com diferentes espécies de plantas (Figura 7).

Figura 7 Imagem do Parque André-Citroen, em Paris, á direita; á esquerda, linha vermelha demarca o eixo da Rua Balard.

FONTE: 1. http://www.pps.org/great_public_spaces/one?public_place_id=718 (acessado em 13/12/2013 ás 15hs); 2. Base Google Maps.

A revalorização dos espaços públicos que se baseiam em ideias facilmente identificáveis nos espaços urbanos como parques, ruas, arborização, bulevares, promenades, praças, frentes ribeirinhas e a complexidade dos Planos para Paris de Haussmann. É um plano que evidencia o valor do desenho urbano, como elemento essencial para a regeneração urbana.

O Parque La Villette, é uma referência internacional, resultado de um concurso em 1982, que elegeu o arquiteto suíço Bernard Tschumi como vencedor. Finalizado em 1989, é considerado um dos primeiros exemplos de desconstrução na arquitetura. É exemplo da nova tipologia de parque programático, com uma nova estratégia de urbanização, repleto de eventos. O arquiteto assume que não há arquitetura sem programa (TSCHUMI, 2011). Trata-se de um parque urbano contemporâneo que recuperou uma área degradada na periferia de Paris.

É uma proposta em um antigo vazio urbano, na área do antigo matadouro público da cidade, composto de equipamentos que são distribuídos nos percursos, segregados ou desmembrados, que formam um conjunto integrado, com edifícios de estrutura metálica. Ele faz parte de um Master Plan, envolvendo o desenho de 25 edifícios, promenades, passeios, pontes e jardins, baseando-se num sistema de dispersão de pontos, ou as chamadas “folies” que tem funções programáticas diferentes e criam uma nova articulação territorial (Figura 8 a e b). O traçado geométrico de sua planta, marcado por avenidas que interligam os vários pontos de referência, compostos por locais destinados á diversão e lazer. A área do parque determina os usos abertos, de modo que o percurso faz a conexão entre os pontos ou as “folies” e os edifícios maiores, como a estrutura metálica do antigo matadouro, que se transformou em área de exposições.

Figura 8 1) i age do t açado do Pa ue La Villete o os po tos ve elhos ep ese ta do as folies ou os acontecimentos; 2) uma vista do parque.

FONTE: 1. WWW.TSCHUMI.COM (ACESSADO EM 15/12/2013 ÁS 20H20); 2.

As requalificações de frentes aquáticas devem ser explicadas também através de fatores econômicos e sociais que retratam as mudanças nas cidades dos padrões de vida da população. Hoje há demanda de mais espaços para o lazer e recreação, motivo pelo qual se produzem tantos projetos voltados para esta finalidade nas frentes aquáticas, especialmente voltadas ao turismo.

A descontaminação dos cursos d´água vem crescendo desde a década de 70 devido principalmente as questões de saúde, bem como as questões relacionadas à sustentabilidade e reuso da água. Devido à possibilidade de requalificar estas áreas de extrema potencialidade tem-se observado o fenômeno de atração da população para as proximidades das frentes aquáticas, contrastando com o período em que estas áreas eram tomadas pelas indústrias. Entretanto a simples revitalização destas áreas não é garantia de sucesso, muitos são os casos onde não se desenhou o plano urbano com base em um olhar atento a vocação do solo ou às suas possibilidades econômicas, como o caso das Docklands, em Londres. Os casos de requalificação de frentes aquáticas de sucesso devem refletir as características locais e a identidade da cidade (BREEN; RIGBY, 1996).

Segundo Jacobs (2000) as frentes aquáticas são potencialidades das cidades desperdiçadas, pois poderiam ser utilizadas para o lazer da população. A capacidade que essas áreas possuem de agregar valor e atender as demandas urbanas ultrapassa os limites do desenho urbano, sejam elas voltadas para a cidade orientada pelo consumo, atendendo a fórmulas corporacionais que envolvem comer e fazer compras, como afirma Breen e Rigby (1996), com comércio e atividades turísticas, seja voltado para as atividades recreacionais, locais amenos em meio à urbanização, resgatando o sentido de urbanidade. O tradicional comércio de frentes aquáticas tem sido adaptado às novas demandas sociais e econômicas, não devendo se limitar-se apenas a receber intervenções pautadas no comércio e lazer. Como revelam os inúmeros projetos urbanos nessas áreas, como o próprio caso do