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Leksikon og Wikipedia: Fra Diderot til digital dugnad

3 Sjanger

3.2 Leksikon og Wikipedia: Fra Diderot til digital dugnad

O processo de desintermediação financeira beneficiou significativamente as CRA’s. Sob pressão da globalização financeira, os bancos foram pressionados a desvincular-se dos investimentos, pelo menos, dos que exigem largas somas de capital, o que abriu caminho para que as agências de rating se consolidassem (SINCLAIR, 2005; ABDELAL, 2007). Porém, uma questão fica em aberto: O que significa esse processo de desintermediação financeira?

Inicialmente, o suprimento de capitais para investimentos advinha, de forma dominante, diretamente de empréstimos bancários. Ou seja, os bancos atuavam como intermediários financeiros entre emprestadores e tomadores de fundos (capitais). Tais bancos emprestavam dinheiro aos mutuários, na forma de depósitos, colocando sua reputação em risco. Desse modo, não havia relação contratual entre as partes (emprestadores e tomadores), e sim, ambas tinham relações contratuais diretas com o banco, que fornecia suas garantias (SINCLAIR, 2005). Os bancos eram os responsáveis por analisar a solvabilidade dos potenciais tomadores de empréstimos em nome dos emprestadores (ABDELAL, 2007).

Frente às mudanças que ocorriam na economia internacional e no sistema financeiro global, os depositantes buscaram formas mais atraentes de investir seu dinheiro. Do mesmo modo, os tomadores de empréstimos (mutuários) buscavam cada vez mais os fundos de investimentos, ou seja, capitais para investimentos de outras fontes que não mais fossem os bancos. Portanto, a desintermediação financeira foi o processo de substituição do financiamento bancário (por meio de empréstimos), pelo financiamento adquirido no mercado (na forma de títulos) (LANGOHR; LANGOHR, 2008; SINCLAIR, 2005).

A globalização financeira iniciada no final da década de 70, com a implantação de políticas de liberalização por parte dos EUA e Inglaterra, se disseminou durante os anos 80 pelos principais Estados capitalistas e, posteriormente, para os países emergentes. Nesse período, merece destaque a participação crescente dos mercados financeiros e das instituições

não-bancárias. O surgimento de novos atores nesse processo de expansão dos mercados financeiros, dentre eles os fundos mútuos do mercado monetário, as seguradoras, os fundos de pensão, os inversores institucionais, entre outros (BELLUZZO, 1997); acabaram por impulsionar o crescimento dos mercados derivativos. Foi o comportamento e a lógica desses atores que acabaram imprimindo um viés financista à dinâmica de acumulação contemporânea, submetendo os demais agentes do mercado a uma lógica financeira centralizada tanto no que toca à fixação de parâmetros de rentabilidade, quanto à distribuição de risco (TAVARES; MELIN, 1997). Como pontuou Belluzzo (1997), foi sob tais condições de incerteza que os agentes foram obrigados a formular estratégias com base numa avaliação “convencionada” sobre o comportamento dos preços. Nesse caso, também as agências de classificação de crédito foram importantes no que se refere à sua capacidade de influenciar a “opinião dos mercados” (COUTINHO; BELLUZZO, 1996). Como mencionei no capítulo anterior, as CRA’s, assim como esses novos atores, foram, e continuam sendo, responsáveis por formar convenções e práticas, imbuídas na necessidade de se minimizar os impactos das assimetrias de informação. Portanto, o processo de desintermediação que ocorre devido ao avanço das inovações financeiras e da integração dos mercados, não significa uma ausência completa de intermediação. Ele modifica as relações entre as instituições bancárias e não-bancárias, alterando as fronteiras anteriormente estabelecidas entre eles. Devido à crescente procura por formas de financiamento diretas, a desintermediação financeira levou a uma redução da importância do papel tradicional de intermediação dos bancos. Consequentemente, isso gerou um aumento da participação das instituições não-bancárias no sistema financeiro. Isso implicou em uma diversificação da captação e aplicação de recursos financeiros em direção aos inversores institucionais. Foi esse movimento que impulsionou o crescimento da participação das emissões de títulos de dívida por parte de empresas privadas, visto que, por meio destes instrumentos, elas puderam captar recursos diretamente nos mercados monetários e de capitais (COUTINHO; BELLUZZO, 1996; GARLIPP, 2001).

A decisão, crescentemente difundida por parte dos emprestadores (detentores) e dos tomadores de capital, de investir diretamente em valores mobiliários (títulos, fundos mútuos, etc.), gerou consequências sobre os riscos e os prêmios associados a tais valores mobiliários (ABDELAL, 2007). A desvinculação da relação entre o provedor de capital e seu usuário, antes feita pelos bancos, provocou uma necessidade cada vez maior de “diligência prévia” (LANGOHR; LANGOHR, 2002). Esta refere-se ao processo de análise e investigação de uma oportunidade de negócio a ser feito por parte de um investidor, a fim de avaliar os riscos

existentes na operação. Ou seja, essa necessidade de investigar e analisar todo o histórico do investidor e de sua situação financeira, impulsionou fortemente a crescente demanda por ratings de títulos por parte dos agentes do mercado. Com efeito, esse processo de desintermediação financeira beneficiou amplamente as CRA’s (ABDELAL, 2007; SINCLAIR, 1994; 2005; SMITH; WALTER, 2002). Com a mudança no fluxo de investimentos, os capitais passaram a fluir diretamente dos próprios investidores para os emissores dos ativos financeiros, dispensando a necessidade de intermediários (ABDELAL, 2007). Esse redirecionamento dos fluxos financeiros gerou ganhos significativos para os usuários finais do sistema financeiro (SMITH; WALTER, 2002).

Dessa forma, o caminho deixado pelos bancos comerciais e de investimento no mercado de análise de crédito, devido aos seus custos, deram às CRA’s o caminho livre para preencher tal função “à medida em que o financiamento corporativo baseado no mercado se tornou mais comum e a demanda por ratings aumentou rapidamente” (CALABRIA; EKINS, 2012, p.6, tradução nossa). As agências de rating se aproveitaram disso incorrendo nos custos, especializando cada vez mais, e expandindo seus negócios a diversos outros locais, atividade que se tornava cada vez mais lucrativa e atraente (LANGOHR; LANGOHR, 2008). Algumas delas até mesmo alcançaram um escopo global, avançando em direção ao mercado financeiro de diversos países e nos mais diferentes tipos de produto financeiro.