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A Fig. 14-12 mostra as conexdes da retina corn o encefalo, onde as metades direitas das retinas dos dois olhos sao conectadas corn o cOrtex visual direito, en quanto as metades esquerdas o sao corn o cOrtex visual esquerdo. As fibras do nervo Optic° da metade nasal de cada retina cruzam no quiasma Optic°, situa- do na superffcie inferior do cerebro, onde se junta-

as fibras da metade temporal da retina do lado opos- to. Em seguida, esse grupo de fibras passa para,tras, pelo feixe Optic° ate o corpo geniculado lateral, on fazem sinapse e, finalmente, pela radiactio Optic a, v atingir o cOrtex visual.

Alem disso, algumas fibras passam diretamente coo feixe Optic° para os nucleos pre-tectais; essas 'fibras transportam sinais para controle do diametro pupilar

Corpo geniculado lateral

Radiacâo Optica Trato Optic()

Quiasma Optico Nervo Optic°

Cortex visual

Figura 14-12. Vias Opticas para a transmissdo de sinais visuals desde as retinas dos dois olhos ate o cortex Optico. (De Polyak: The Retina, University of Chicago Press, 1957.)

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Estirnulagäo cortical 189

em resposta a intensidade luminosa, como sera dis- cutido athante, neste capi'tulo.

Discriminac5o da Imagem a Nivel Retiniano.

a nivel da retina, a imagem visual comeca a ser ana- lisada. Por conseguinte, o padrao de estimulacdo que 6 transmitido para o cOrtex visual 6 consideravel-

.mente diferente da imagem visual retiniana. A retina

decornpOem a imagem visual em dois componentes. 0 prirneiro componente 6 o de luminosidade. Isto 6,

algurnas das fibras do nervo Optico transmitem sinais para.' o c6rebro, indicativos da intensidade luminosa geral, vigente na cena que 6 observada. 0 segundo componente 6 uma s6rie de sinais indicativos de

vaiiacdos da intensidade luminosa. Na verdade, dois

tipos cliferentes de variagdo da intensidade luminosa sffO transmitidos pelas fibras Opticas. Uma delas deno- ta as, vaiiacOes da intensidade luminosa nas bordas de contraste da imagem visual. Por exemplo, o contras- te 'entre% uMa folha de papel branco e uma linha preta tracadi sobre esse papel produz sinal bastante intenso

que e transmitido pelas fibras 6pticas. 0 segundo de- nota a varidOo na quantidade de luz que atinge o cris-

j3drauna ponto da retina. Por exemplo, a pessoa

'std olhando para uma parede escura e, subitamente,

4n inseto' de coloracdo brilhante voa atravessando o

'de vigo. Em cada ponto da retina onde oparecer; a imagem do inseto, o efeito 6 de urn clarao

de isso excita, de forma muito intensa, as fibras nervo 0ptico.

essa;forma, as imagens que go enviadas pela reti- ara-o nervo 6ptico ndo transmitem o padrao veri- co demoSaico da imagem visual mas, em seu lugar, transmitem urn tipo de sinal, indicativo da intensida-

de geral da iluminacdo e outros sinais que indicam onde, na imagem, ocorrem variavies da intensidade

luminosa; al6in desses sinais, os cones para as cores. respediva enviam sinais adicionais, indicadores dos contriStes de cores.

Furica-ci do Corpo Geniculado Lateral na Andlise

da Imagem Visual. No corpo geniculado lateral, co-

mecam a ser interpretados vdrios outros aspectos da cend:visual. Urn deles 6, provavelmente, a poi.epcdo de profundidade (ou de distSncia), poise a esse nivel que, pela pnmeira vez, os sinais dos dois olhos comparados e, como veremos adiante neste capitulo , a.perCepcao de profundidade depende da comparacdo entre; diferencas dirninutas nas formas dos objetos como sao vistos pelos dois olhos isoladamente. 0 cor- po geniculado lateral 6 especialmente adaptado para essa funcao, visto ser formado por 6 camadas neu- ronais, corn os sinais visuals de urn olho terminando nas camadas 1, 4 e 6 e os do outro olho nas camadas 2, 3 e 5; por esse mecanismo, os sinais de dois olhos sao interconectados de modo muito

Tamb6m 6 possfvel que o corpo geniculado letral tenha papel na viscio de cores. Uma das.razöes para se acreditar nisso e que se pode olhar para uma luz vermelha corn o olho esquerdo e para uma luz verde com o olho direito e ver uma luz amarela, o que indi-

ca que a combinacdo de cores dos dois olhos ocorre, pelo menos em parte, no enc6falo, talvez ao nivel do corpo geniculado lateral.

Fungi° do C6rtex Visual na Discriminagio da Ima- gem Visual. Uma vez que a imagem visual tenha atingido o cOrtex visual, jd foi, a esse tempo, modifi- cada para padrao de estimulacdo consideravelmente diferente da imagem que impingiu sobre a retina. Isso 6 mostrado na Fig. 14-13. Na parte esquerda, 6 mos- trada a imagem retiniana de uma cruz fortemente colorida; na parte direita, 6 mostrado o padrao de estimulacdo do cOrtex visual. Note-se que a estimu- lacao ocorre apenas nas bordas da cruz. Isso-6 causado por sucessao de mecanismos na retina, no corpo geni- culado lateral e no cOrtex visual que permite a esti- mulacdo de urn ponto cortical se existe borda de contraste entre uma area clara e outra area escura. Se ndo existe contraste, o neurOnio nab sera estimulado.

Dessa forma, o processo neuronal de processamento visual destaca as bordas e, portanto, determina a for- ma das imagens. Isso explica por que o simples de- senho de linhas simples do rosto de uma pessoa pode ser reconhecido como urn retrato dessa pessoa. Na verdade, o sistema de processamento visual converte a imagem da pessoa em urn tipo de desenho de linhas simples.

Outra caracteristica da discriminacdo realizada pelo cOrtex visual 6 o de que tamb6m determina as direOes de orientacdo das linhas e das bordas de uma imagem. Por exemplo, na cruz mostrada na Fig. 14-13, as linhas verticals, tanto para cima como para baixo, estimulam neurOnios a determinada profundi- dade cortical; no entanto, se a cruz fosse inclinada, as mesmas linhas retas estimulariam neurOnios situados em outra profundidade.

Do cortex visual primario, partem sinais secundarios para as areas associativas visuals, localizadas nas faces laterals do cOrtex visual primario. Nessas areas sao in-

terpretados os detalhes mais delicados dos sinais vi- suals. Por exemplo, a imagem de uma letra 6 consi- derada, a esse como a letra A, ou B, ou C etc., enquanto as combinacöes de letras sao interpretadas como palavras. Ainda mais distante do cOrtex visual

I magem retiniana

Figura 14-13. Padrdo de estimulacdo que ocorre no cortex visual ao se olhar uma cruz fortemente colorida.

Di reita 105 90 75 120 20 Esqueeda 19.5 Papila Optica 190

primario, as combinacOes das palavras sao interpreta- das como pensamentos.

Campos Visuais

Urn dos meios utilizados para a determinacao da ex- tensao• da visa() normal de uma pessoa e, tambem, na deteccao das anormalidades da visao é a medida dos

campos visuals. Pede-sea pessoa que feche urn dos olhos e mire diretamente em frertte corn o outro. Urn pequeno ponto luminoso 6 movimentado, primeiro , para cima do ponto central de sua visao, ate onde a pessoa puder ve-lo, em seguida para baixo, em segui- da, para a direita e• depois para a esquerda e em todas as direcöes. Desse modo, pode ser determinada sua capacidade de ver em todas as direcoes, corn referen-

ao ponto central de sua visao.

A Fig. 14-14 mostra o campo visual normal do olho direito. Bern para fora na metade lateral a pessoa pode, realmertte, ver os objetos a angulos retos (no-,

yenta graus) da direcao em que o olho esta mirando.

Na metade nasal, o nariz fica no caminho e a pessoa s6 =segue ver objetos ate 50 gnus do ponto central da visao. De igual modo, para cima, a crista orbital interfere e para baixo, o osso malar. Se nab fosse por essas estruturas que cercam o o campo visual seria bem maior.

No campo visual existe urn ponto cego, que cor- responds ao disco Optico, o ponto de entrada no olho das fibras do nervo dptico. Nesse ponto nao existem cones nem bastonetes. 0 ponto cego de cada olho Pica' situado a cerca de 15 graus na parte lateral do ponto central da visab. Entretanto, os pontos cegos dos dois olhos ficam nos lados opostos dos campos visuals res- , jectivos, de modo que, quando as imagens dos dois

255 270 285

Figura 14-14. 0 campo visual do olho direito.

OS SISTEMAS SENSOR IAIS ESPECIAIS

olhos se fundem, nab existe parte da cena visual que nab seja vista. Felizmente, tambem, os pontos cegos nab sat', em via de regra, notados na visao das pessoas.

Localizacao de Lethes do Sistema Visual por mein, do Campo Visual. Ao se mapear os campos visuais, tern-se meio para a determinagab e a localizacao de lesao na retina ou nas vias que conectam a retina ao encefalo. Fazendo referencia a Fig. 14-12, serf no- tado que tres linhas pretas foram aplicadas sobre (1) o nervo dptico direito, (2) o quiasma dptico e (3) 0 feixe 6ptico direito. Se o nervo Optico direito seccionado, o campo visual do olho direito serf zero, ou, em outras palavras, o olho ficard inteiramente' cego. Se a seccab foi a nivel do quiasma, a 'metade nasal de cada retina ficard cega. Isso signific •que,

metade lateral de cada campo visual ficara cega, dada que o sistema Optic() do olho inverte a imagem reti

niana. Finalmente, se o feixe Optico for seccionido, as metades esquerdas dos campos visuais dos dois olhos ficarao cegas. Obviamente, tambem, qualquer lesao em qualquer reg,iffo do cortex visual ou de qual. quer ponto no sistema de transmissffo visual produzira perda de visao nas areas correspondentes dos campos' visuais. Dessa forma, o ponto no olho ou no cerebra; onde ocorreu a lesffo pode ser identificado pelo tip6

de perda visual apresentada pelo paciente.