08. Repetisjon: Repetisjon står veldig sentralt i Suzukimetoden. Suzuki mente at
9.1 Legitimering av festivaler
A partir da PONLINE de 2012 e com o objetivo de executar o modelo de análise definido para este tese, este tópico busca responder a duas questões essenciais: Quem é o frequentador do AcessaSP? e Que tipo de acesso ele tem à tecnologia?
O perfil do frequentador do AcessaSP é muito diverso e, naturalmente, frente à dimensão do programa também pode variar de acordo com questões como a geografia, dado que há postos instalados em várias cidades paulistas. No entanto, visando estabelecer um referencial, esta tese trabalha somente com os dados da PONLINE 2012.
De acordo com as respostas do questionário, neste ano prevalece o público masculino (62%); jovem, com idade entre 11 e 19 anos (44%); que estuda em escola formal ou algum curso ou escola particular (55%); tem Ensino Médio completo (31,4%); e trabalha em algum tipo de atividade, registrada ou não (34%).
Em termos econômicos, predominam os frequentadores com renda familiar entre R$ 691 e R$ 1.380, o que perfaz 40,3% deles. Em seguida, estão os que possuem renda abaixo deste valor, o que representa 26,5% dos atores envolvidos no projeto. Isto significa que, em termos de renda, prevalece um público com baixo poder aquisitivo, com renda familiar de até, no máximo, dois salários mínimos. Isto responde, inclusive, a perspectiva do AcessaSP de atender preferencialmente este público. Os indicadores de renda também podem interferir no acesso às TIC, já que, como será demonstrado no tópico a seguir, podem estar relacionados à posse do computador e a outras tecnologias de comunicação.
Também em termos de perfil, a PONLINE 2012 permite identificar que 27% dos frequentadores afirma ter filhos; que 5% possui algum tipo de deficiência (neste caso, prevalecem as deficiências física – 40,1% - e auditiva – 23,5%); e que 67% daqueles que afirmam trabalhar reconhecem que usam o posto do AcessaSP para atividades profissionais. Também entre estes, ao apresentar a sua situação de emprego, a maioria se reconhece como
profissional autônomo e afirma trabalhar em situações no relacionamento com público, de atendimento ou como ajudantes e auxiliares.
A maior parte dos atores também recorre ao posto do AcessaSP já há algum tempo. Mais da metade dos frequentadores afirma frequentar o posto onde respondeu ao questionário há mais de um ano. E o fazem, na maioria dos casos, entre três ou quatro dias por semana ou todos os dias. Somados, estes dois perfis também perfazem mais da metade dos frequentadores.
Os meios de comunicação que predominam entre os frequentadores do AcessaSP são, nesta ordem, a televisão em cores e o rádio. Em seguida, com uma porcentagem bastante alta, aparece o telefone celular, com algo próximo dos 80%, o que indica uma presença muito intensa deste aparelho entre estes atores. O computador, por sua vez, ainda é algo bastante distante dos altos índices destes dispositivos móveis, uma vez que está presente apenas em menos da metade das casas dos frequentadores.
Estes índices comprovam que há um acesso à TIC de forma espontânea e que estes frequentadores têm experimentado aspectos do paradigma digital essencialmente por meio de outras tecnologias que não somente o computador. Estas prevalecendo em relação a ele, inclusive. Destacam-se, neste caso, principalmente o telefone celular, que, como demonstra o índice, pode estar se transformando num vetor de acesso à tecnologia digital, dada a sua potencialidade enquanto dispositivo digital com novas lógicas de comunicação. Neste caso, ele aproxima-se muito dos meios de comunicação tradicionais e de massa, como rádio e TV, que ainda, no caso deste perfil de frequentador, demonstra índices bastante altos.
A experiência com o audiovisual, como a que proporciona o rádio e a TV, também é notada como algo importante na vida destas pessoas a partir do indicador sobre acesso, em casa, a DVD e videocassete, algo que aparece como intermediário entre rádio e celulares. Ainda marginal entre estes artefatos estão os tablets, em último lugar neste ranking.
O acesso às TIC por meio do celular, por outro lado, também pode ser considerado como uma ação induzida de acesso à tecnologia, provinda da capacidade de renda destes atores. O aspecto espontâneo da experimentação do digital, para ser melhor considerado, precisaria ser medido por meio de outras fontes de acesso mais transparentes, como caixas de banco, cartões com chip, aparelhos eletrodomésticos digitais e outros do mesmo gênero, porém, por meio da PONLINE não é possível inferir sobre isto.
Continuando a reflexão em torno do celular, verifica-se que ele tem se demonstrado como algo relevante. Ao responder como aprendeu a utilizar a Internet, por exemplo, 24,7%
dos respondentes da PONLINE 2012 disseram que o fizeram por meio do celular. Os que possuem este aparelho são 83%, sendo que o que prevalece é o tipo de plano pré-pago (71%).
Naturalmente há que se avaliar o que o celular destes atores é capaz de lhes proporcionar e os indicadores de renda já poderiam demonstrar que há dificuldades em custear a aquisição e uso de funcionalidades mais avançadas dos aparelhos. Os dados da PONLINE demonstram que a maioria usa o aparelho para fazer ligações (83,3%) e enviar mensagens curtas de texto (68,2%). No entanto, há um número expressivo dos respondentes que afirma usar o aparelho para tirar fotos (57,3%), usar MP3 (52,8%) e ouvir rádio (43,8%), corroborando que a experiência com o audiovisual é algo importante para estes atores. As demais funcionalidades relatadas, apesar de estarem abaixo dos 50% dos respondentes, ainda demonstram um expressivo campo de utilização de funções do aparelho celular para comunicação e experimentação do digital de uma forma intitulada nesta tese como espontânea.
Numa perspectiva mais clara de estímulo ao acesso às TIC destes frequentadores, a PONLINE demonstra claramente como ocorre o acesso induzido às tecnologias, já que trata- se o AcessaSP de um programa de inclusão digital preocupado essencialmente com esta temática. Este trabalho considera o AcessaSP como uma ação de indução às tecnologias. Na vida destes atores, em particular, o programa possui um papel fundamental neste sentido. Ao responder o local onde acessou a Internet nos últimos três meses, 82,8% dos respondentes apontou um posto do AcessaSP. Os dados também chamam a atenção para o papel de outras estratégias de inclusão digital similares, como os centros públicos de acesso pago, que apresentam índices maiores que a escola e o trabalho, locais que também poderiam colaborar para a inserção destes atores no envolvimento com as tecnologias. Neste sentido, o cenário poderia demonstrar que escola e trabalho desempenham um papel maior na oferta de acesso às TIC para estes frequentadores. No entanto, temos que considerar que apenas 55% afirmaram frequentar espaços de educação atualmente e que 34% estão ligados, de alguma forma, a um ambiente de trabalho.
Corroboram esta afirmação sobre a importância do posto no acesso às TIC os dados que demonstram a frequência dos atores ao local. Dos respondentes, aqueles que frequentam os postos há mais de um ano somam mais da metade dos que responderam ao questionário. Em termos de presença no posto, um número considerável de respondentes (21,8%), inclusive, afirma frequentar o posto todos os dias, enquanto 28,7% afirmam frequentar de três
a quatro dias por semana. Somados, estes dois grupos são praticamente a metade dos respondentes, algo bastante expressivo.
Estas informações, no entanto, contrariam os dados nacionais sobre acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação. A TIC-Domicílios e empresas (CGI.Br, 2013a), por exemplo, demonstrou que a maior parte das pessoas tem acessado a Internet a partir de casa (74%). Na PONLINE afirmaram que o fizeram nos últimos três meses a partir deste local apenas 27,1%, número que também é inferior aos indicadores do CGI.Br para as classes C (64%) e DE (35%).
Os dados induzem a entender a importância do papel do AcessaSP na vida destes atores em termos do acesso às TIC. Aparentemente, ao lado do celular e das possibilidades de aprendizado sozinho a partir deste aparelho, o programa demonstra-se como um vetor bastante presente na vida destas pessoas, comprovando a importância de estratégias de indução de acesso às tecnologias para camadas da população com baixa renda familiar e já não frequentadora de espaços como a escola e o trabalho.