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Chapter 5. Application analysis of the CCS technology on Russian shelf…

5.3. The legal and regulatory framework of the carbon dioxide emissions

Obsolescência das infra-estruturas da Indústria de Defesa Portuguesa

É um problema com que se debatem as empresas do núcleo industrial da EMPORDEF. Construídas e projectadas no século XX e dimensionadas para apoiar o esforço de guerra nas antigas colónias portuguesas, sempre dependeram em grande medida das Forças Armadas nacionais para a manutenção da sua actividade. Com o fim do conflito ultramarino, estas empresas tentaram adaptar-se à menor procura por parte do seu cliente preferencial, as FA portuguesas, procurando angariar uma nova carteira de clientes além fronteiras não tendo, todavia, efectuado a modernização dos seus produtos. Um caso paradigmático desta realidade é o da INDEP, que embora tivesse capacidade para produzir munições de todos os calibres para armas ligeiras, esta empresa não conseguia vender munições para países desenvolvidos por não serem “verdes”, isto é, amigas do ambiente. Desta forma, as suas exportações tinham como destino países do Médio Oriente e da América Latina, que a prazo desenvolveram capacidade de fabrico próprio ou passaram a adquirir a produtores mais baratos, nomeadamente a China.59

Segundo Manuela Sarmento-Coelho60, as empresas que compõem este núcleo não atingem os seus objectivos fruto dos seguintes factores: Baixa produtividade; necessidade de remodelação na área produtiva; pouca agressividade comercial; desmotivação dos recursos humanos; produtos em fase de maturidade e baixa competitividade no mercado internacional altamente concorrencial.

Para inverter este processo o núcleo carece de alterações significativas, nomeadamente: apoios financeiros estatais, implementação de processos de reengenharia, continuação da privatização, orientação das suas actividades para o duplo uso, motivação dos recursos humanos, reforço dos factores de competitividade, nomeadamente inovação e adaptabilidade às necessidades dos mercados e acordos de colaboração com empresas da UE e dos EUA.61

A palavra-chave nesta equação é, sem dúvida, a modernização quer em termos de infra- estruturas, equipamentos e processos de fabrico, quer em termos de actualização dos recursos humanos através da promoção de acções de formação e, por muito que custe em termos sociais, mesmo o downsizing se pode revelar necessário pois o que está em causa é própria sobrevivência das empresas, nomeadamente as do Núcleo Industrial.

As próprias entidades gestoras destas empresas terão de procurar ser mais ousadas e ambiciosas, apostando em nichos de mercado onde a qualidade e a excelência dos produtos que

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Entrevista com o Dr. Parreira de Campos; Administrador da EMPORDEF realizada em 14 de Junho de 2006

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SARMENTO-COELHO, Manuela (1999) - Implicações Estratégicas da Indústria de Defesa Europeia. In Nação e Defesa, nº90. Lisboa: Edições Cosmo.

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oferecem se sobreponha ao seu preço. A tradicional aposta portuguesa na conquista de mercados através de um oferecimento de mão de obra barata tem de ser encarada como terceiro mundista e coisa do passado e, como exemplo, temos a invasão de produtos têxteis chineses que ameaçam pôr fora de produção a indústria têxtil portuguesa, que era uma das mais expressivas da Europa. O próprio administrador da EMPORDEF afirma neste sentido que: “Não vale a pena construirmos navios de baixo valor tecnológico para competir com a China ou a Coreia, que é o que tem acontecido, pois estes países têm uma relação de custo de mão-de-obra e capacidade de produção com os quais é impensável para nós competir. Por isso, a solução que preconizamos é a especialização em produtos especiais de alto valor acrescentado que ocupem nichos de mercado onde sejamos concorrenciais. Temos de subir na cadeia de valores.”62

Necessidade de reestruturação do Núcleo Industrial

Comparando a análise feita ao Núcleo Tecnológico com o Industrial, constatamos que este último carece de todos os pontos fortes apontados como a razão para o sucesso do primeiro.

Herdando uma estrutura sobredimensionada, que vem da época da Guerra do Ultramar, e vendo a sua carteira de clientes diminuir fruto do fim da Guerra Fria, do obsoletismo dos seus produtos e de uma concorrência cada vez mais forte, nomeadamente da Ásia com uma apresentação de produtos com uma relação preço-qualidade imbatível, torna-se urgente a reestruturação deste núcleo, de forma a garantir a sua sobrevivência.

Em termos de classificação segundo as eras da gestão, conclui-se que o núcleo industrial não passou da fase da Era Industrial Neoclássica: falta-lhe simplicidade, agilidade e flexibilidade, uma criação de produtos orientados para o cliente, um comportamento agressivo no mercado e uma forte aposta na I&D, de forma a conseguir inovação e fazer face às constantes mudanças que caracterizam o ambiente empresarial dos nossos dias. Apoiando-nos na classificação enunciada por Idalberto Chiavenato63 para tipos de organização, incluímos a estrutura das empresas do Núcleo Industrial num tipo de Organização Linear. Trata-se de uma estrutura simples, de fácil compreensão, com unidade de comando e estável, mas falta-lhe a flexibilidade necessária que permita adaptação, inovação e iniciativa aos mais baixos escalões.

O núcleo industrial apresenta-se, mantendo-se no seu actual estado, com uma perspectiva de futuro sombria. A Guerra do Ultramar exigia uma estrutura industrial que, uma vez finda a mesma, se viria a revelar sobredimensionada em relação às necessidades do seu cliente primordial: as FA. Concomitantemente, o culminar da Guerra Fria provocou uma baixa na

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Entrevista com o Dr. Parreira de Campos; Administrador da EMPORDEF realizada em 14 de Junho de 2006

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CHIAVENATO, Idalberto (1993) - Introdução à Teoria Geral da Administração. São Paulo: McGraw Hill CDD- 658.001

procura de equipamentos de defesa do género hardware no mercado internacional, procurando as Nações equipar as suas Forças Armadas com menos produtos, mas compensando esta falta dotando-as de maior pendor tecnológico, num claro apelo à qualidade em detrimento da quantidade. As empresas deste núcleo não foram capazes de analisar correctamente este cenário e reestruturarem-se de forma a fazer face à mudança. Apesar de reduzirem o número de colaboradores, este ainda é excessivo em relação às suas necessidades e capacidade de produção. A qualificação dos mesmos é baixa, a faixa etária elevada e a sua motivação está muito aquém do desejável64, possuindo uma atitude comercial demasiado passiva que no actual mercado internacional conduzirá inevitavelmente ao insucesso e à falência da indústria.65

Síntese conclusiva.

Da análise efectuada neste capítulo, e em resposta à nossa terceira questão derivada: Quais as vulnerabilidades da IDN a proteger para assegurar o seu papel e participação na IDE?, prontamente se infere que as vulnerabilidades da IDN se verificam prioritariamente no seu núcleo industrial. Os motivos são vários, sendo os mais relevantes o arcaísmo das infra- estruturas de produção, obsoletismo dos produtos oferecidos e o sobredimensionamento, elevada faixa etária, baixa qualificação profissional e falta de motivação dos seus recursos humanos. Verifica-se que o Núcleo Industrial não foi capaz até ao momento de se adaptar da falta de procura do seu anterior cliente preferencial, as FA, tendo-se procurado afirmar no mercado internacional oferecendo produtos de baixo preço fruto de uma mão-de-obra barata. Este tipo de atitude claramente não resulta actualmente, onde os países do Leste Europeu e do Extremo Oriente, nomeadamente a China, se revelam bem mais competitivos com recurso a estes argumentos. O Núcleo Industrial tem, para sobreviver, de se modernizar a todos os níveis e de se especializar em nichos de mercado onde ofereça produtos de alto valor acrescentado e em que a qualidade e exclusivismo sejam o seu principal argumento. A modernização referida supra terá de se verificar na actualização das suas infra-estruturas, qualificação dos seus recursos humanos e oferecimento de produtos concorrenciais resultantes de um forte investimento em I&D, ou seja, terá de seguir o exemplo do Núcleo Tecnológico e julgamos que o projecto da Administração da EMPORDEF para a formação de um cluster de produção naval é um bom indicador nesse sentido, confirmando a hipótese por nós levantada: O Estado vai promover (investimento e parcerias) a modernização das infra-estruturas e equipamentos existentes, de modo a torná-las competitivas no mercado global.66

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SARMENTO-COELHO, Manuela (1999) - Implicações Estratégicas da Indústria de Defesa Europeia. In Nação e Defesa, nº90. Lisboa: Edições Cosmo.

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Entrevista com o Dr. Parreira de Campos; Administrador da EMPORDEF realizada em 14 de Junho de 2006

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Os recursos humanos empregues nestas empresas terão de ser altamente qualificados e, de preferência, de baixa faixa etária, com uma estrutura de gestão flexível que incentive a iniciativa dos seus colaboradores. Também tem de ser assumida uma política de sobrevivência e desenvolvimento pelos seus próprios meios e não de subsídios provenientes do Estado, abandonando a actual postura de funcionalismo público.

A intenção da EMPORDEF especializar o Núcleo Industrial em produtos especiais de alto valor acrescentado que ocupem nichos de mercado onde sejam concorrenciais, à semelhança do que acontece com o Núcleo Tecnológico, enforma uma visão de gestão moderna e progressista que quanto a nós confirma a hipótese: A vulnerabilidade da existência presentemente de um universo de colaboradores com falta de qualificação e desmotivada é colmatada através uma política empresarial mais agressiva, que promova acções de formação, reajustamento e rejuvenescimento da massa laboral.67

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VI. PAPEL DO ESTADO NO DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DE DEFESA