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A literatura indica duas origens dos estudos de usuários: a primeira data da década de 30, na Universidade de Chicago e a outra remonta ao ano de 1948, o trabalho de Bernal e Urquhart publicado na Conferência de Informação Científica da Royal Society bem como de outros trabalhos apresentados nessa mesma conferência que voltaram as atenções para estudos orientados às necessidades dos usuários (ARAÚJO, 2007, p. 82-83).

Os estudos realizados na Universidade de Chicago foram necessários devido a chegada de grande contingente de imigrantes na cidade de Chicago no início do

século XX. As bibliotecas deveriam fornecer materiais informativos sobre hábitos e cultura local para facilitar a socialização dos estrangeiros (FIGUEIREDO, 1994, p. 67). De acordo com Araújo (2008, p. 4) esses primeiros estudos “buscavam, então, estabelecer uma série de indicadores demográficos, sociais e humanos das populações atendidas pelas bibliotecas ou não atendidas, no caso dos “não- usuários”, mas com um foco muito particular: o levantamento de dados, como uma espécie de diagnóstico, para o aperfeiçoamento ou adequação dos produtos e serviços de bibliotecários.”

O segundo marco se diferenciou dos primeiros estudos por se voltar para a necessidades informacionais de grupos determinados, “a ênfase foi em tentar-se descobrir o uso da informação pelos cientistas e engenheiros, por serem as áreas nas quais os problemas eram mais sentidos e os sistemas em uso mais se ressentiam das inadequações” (FIGUEIREDO, 1994, p. 9). Contudo, o termo “estudos de usuários” apareceu pela primeira vez apenas em 1960, substituindo o que se denominava como levantamento bibliográfico (CUNHA, 1982).

Retomando os estudos pioneiros, observa-se a preocupação com a “administração de bibliotecas” (FIGUEIREDO, 1994, p. 68). A autora cita em sua obra quatro estudos norteadores do tema, publicados na década de 40. O primeiro foi Wight, que determinou os passos a serem seguidos num levantamento a saber: definição dos propósitos e limites do estudo; preparação de um esboço da organização do relatório final; determinação dos tipos de dados e dos métodos de coleta; preparação das tabelas, formulários e impressos para coleta e tabulação dos dados; coleta de dados; tabulação e análise; preparação dos relatórios; revisão, crítica e preparação final do relatório. Nos estudos seguintes são abordadas as diferenças entre estudos de comunidades e estudos administrativos na abordagem de McMillen, a preocupação proposta por Mc Diarmid em aproximar o não-usuário da biblioteca e o estudo de Martin sobre a relação entre as leituras de um indivíduo e suas características sociais.

Na década de 60, conforme destacam Baptista e Cunha (2007, p. 171), os estudos “se preocupavam em identificar notadamente a frequência de uso de determinado material e outros comportamentos de forma puramente quantitativa e não detalhavam os diversos tipos de comportamentos informacionais.” O fato marcante desse período foi o início da publicação no Annual Review of Information

Science and Tecnology (ARIST), de um capítulo sobre necessidade de usos da informação em 1966.

Nos anos de 1970, surge a preocupação em se identificar como os usuários obtinham e usavam a informação, de acordo com Ferreira (1997, p. 2) “na década de 70 a preocupação maior passa a ser o usuário e a satisfação de suas necessidades de informação.” Figueiredo (1994) enumera, em ordem de prioridade, as várias fontes que os cientistas consultaram antes de dirigir-se à biblioteca. Ela identifica outros critérios levados em consideração pelos usuários no momento da busca da informação, como forma, tempo e lugar, etc.

A maioria desses estudos utilizou como técnica de coleta de dados o questionário, normalmente composto por perguntas com o objetivo de quantificar hábitos de busca e uso da informação e verificar frequências de acesso e graus de satisfação.

Até esse momento os pesquisadores tentavam responder a questão: para quem era a informação? E o usuário era apenas o informante e não objeto de estudo, considerado de maneira passiva, tendo que se adaptar aos mecanismos dos serviços de informação (FERREIRA,1996). As pesquisas de usuários, até então, ficaram conhecidas como abordagem tradicional, paradigma clássico ou a fase de estudos quantitativos.

Nos anos de 1980 os estudos tradicionais começam sofrer abalos, surgem as primeiras contribuições da abordagem alternativa, paradigma moderno ou a fase de estudos qualitativos que, de acordo com Baptista e Cunha (2007, p. 173),

[...] focaliza a sua atenção nas causas das reações dos usuários da informação e na resolução do problema informacional, ela tende a aplicar um enfoque mais holístico do que o método quantitativo. Além disso ela dá mais atenção aos aspectos subjetivos da experiência e do comportamento humano.

Nessa abordagem alternativa tenta se responder a questão: informação, para fazer o que? Para Ferreira (1996, p. 220):

[...] as pesquisas estão centradas no indivíduo, partindo de uma perspectiva cognitiva, buscando interpretar necessidades de informação tanto intelectuais como sociológicas. Análises estão sendo feitas sobre as características únicas de cada usuário buscando chegar às cognições comuns à maioria deles.

Dentro desta abordagem alternativa de estudos de usuários, começaram a surgir ao longo dos anos vários modelos de comportamento informacional. Garcia (2007, p. 114) sintetizou muito bem as diferenças de vocabulário, ênfases, abordagens, pressuposições teóricas e metodológicas dos principais modelos de comportamento informacional existentes na literatura sobre esses principais modelos de comportamentos informacionais. Esta síntese esta demonstrada na TAB. 5.

Autor Nº de fatores ou estágios Antecedente Principal

Fatores ou variáveis principais Principais componentes do modelo ou comportamentos Wilson (1996) 20 Pessoa no contexto da necessidade de informação Pessoal (psicológico, demográfico); papel social/interpessoal; ambiental (incluindo características das

fontes)

Busca de informação (Atenção passiva; a busca passiva; a busca

ativa e a busca contínua); processamento e uso da informação

Kuhlthau (1991)

6 Princípio de incerteza

Sentimentos (afetivo); pensamentos (cognitivo); ações

(físico)

Iniciação, seleção; exploração; formulação; coleção; apresentação

Dervin (1986)

4 Lacuna (Gap) ‘Situação’ (contexto) no tempo e espaço

‘Ponte’ (meio pelo qual tenta-se fechar a lacuna entre a situação e o

resultado) Ellis (1989) 8 ‘Características’ de não comportamento de busca de informação

Hábitos e/ou padrões individuais ou de grupos

Iniciação; ligação; navegação; diferenciação; monitoramento; extração; verificação; finalização

TABELA 5 – Análise dos principais componentes dos modelos apresentados. Fonte: Garcia (2007, p. 114).

Nesta pesquisa será adotada a abordagem chamada tradicional que se utiliza principalmente de métodos quantitativos por ser esta abordagem a que fornece um instrumental teórico e técnicas que melhor possibilitam encontrar as respostas pretendidas.