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Ledningsevne til cerium pyrofosfat og sitrings temperatur

In document Protonledende ultra- og pyrofosfater (sider 83-89)

Ao longo do processo de aprendizagem, como vimos, a aprendiz não contribui diretamente para com a produção das rendas de suas instrutoras, chegando mesmo a afastá-las de suas próprias almofadas. O aprendizado da renda contraria, assim, diversos estudos de apontam para uma integração e participação graduais do aprendiz no processo produtivo, ou conforme diria Lave (1991), na comunidade de prática na qual está buscando se inserir. É importante destacar que o conceito de “participação” de Lave e Wenger (1999) não tem como foco o processo produtivo, mas o de aprendizagem.

Delbos e Jorion(1984), a partir de pesquisa sobre a transmissão de saberes da pesca, do cultivo de mariscos e da produção de sal no oeste francês, também destacam a importância do contexto social e da participação das crianças nas tarefas cotidianas para a aprendizagem. Eles argumentam que cada geração se reinventa a partir de um longo processo de identificação pessoal. A motivação do aprendiz surge daquilo que identificam como “gosto”, definido como o desejo de fazer, de aprender. Um impulso que visa uma causa final: tornar-se um “paludier” e trabalhar nas salinas. Nessa concepção, porém, o trabalho não é aprendido no engajamento e na convivência prática, mas recriado a partir da ordem cosmológica que organiza o mundo. Os autores definem, assim, a aquisição do conhecimento enquanto a transmissão de um trabalho (DELBOS; JORION, 1984, p. 107).

Entre os salineiros franceses, principalmente durante o verão, período no qual todos os membros da família estão engajados na atividade produtiva, as crianças devem acompanhar seus pais em suas jornadas de trabalho. Considerando o processo de aprendizagem, Delbos e Jorion (1984) dividem a infância em duas fases. No primeiro momento, quando ainda não podem contribuir com nenhuma tarefa, a melhor coisa que as crianças têm a fazer é manterem-se quietos e distraídos, de modo a não atrapalhar as atividades desempenhadas por seus pais (DELBOS; JORION, 1984, p. 108). Alguns trabalhadores podem, inclusive, fazer uma pequena salina para que os filhos se mantenham entretidos (e iniciem seu aprendizado), de maneira análoga ao que faz as rendeiras quando afixam um par de bilros na almofada para as crianças pequenas brincarem. A partir de determinado momento, porém, as

crianças passam a representar uma “ajuda autêntica” à produção, uma vez que podem desempenhar atividades menores e contribuir para a aceleração do trabalho (DELBOS; JORION, 1984, p. 108). Dessa maneira, os noviços se constituem mais

como auxiliares, do que propriamente aprendizes10.

Se pensarmos na produção da renda, no entanto, as atividades que poderíamos conceber como complementares nunca são realizadas pelas noviças, como a preparação dos bilros a serem utilizados, por exemplo. É comum que as rendeiras recebam auxílio para tal atividade, mas é sempre desempenhada por um praticante tão experiente quanto ela. Durante o curso, igualmente, as iniciantes nunca eram encarregadas de carregar os próprios bilros, necessitando da ajuda de terceiros para isso. Conforme apontamos no Capítulo 1, é importante que a tensão seja mantida em todos os momentos da produção da renda. As crianças muito novas não aplicam força suficiente sobre a linha, de modo que fica frouxo, soltando as laçadas. Melissa, minha vizinha, chegou a comentar comigo: Queria encher os bilros iguais aos da minha tia, mas se encho muito eles ficam soltando as linhas. Com poucas exceções, como a compra de linha em um armazém ou a busca por algum instrumento que não esteja à mão, podemos dizer que as iniciantes não contribuem com a produção das rendeiras mais experientes. Ao contrário, aqui, são as rendeiras mais habilidosas que deve se dedicar à produção e, consequentemente, ao aprendizado das noviças.

A participação das iniciadas na produção das rendeiras “plenas” só se torna efetiva nas etapas finais da aprendizagem, quando já são capazes de executar com tranquilidade a secção intermediária do molde. A partir de então, podem assumir as almofadas de suas mães enquanto as mesmas estiverem desocupadas. Para as crianças que não tem uma almofada própria, tal momento representa uma oportunidade de treinar os movimentos e desenvolver suas habilidades. Mesmo aquelas que já têm o equipamento, costumam se dedicam a produção das rendas de suas mães enquanto as mesmas estão ausentes e, suas almofadas, inativas. Dessa maneira, aceleram a produção das mães e priorizam a obtenção de recursos que serão utilizados em benefício de toda a família. Eu mesma fui convocada, em diversas oportunidades, como auxiliar. Fui solicitada tanto para carregar e emendar os bilros, quanto para dar continuidade à renda enquanto as “titulares” da almofada se levantavam para tomar um banho, por exemplo. Vemos, assim, que somente quando as iniciantes já são quase “praticantes plenos” é que elas passam a ajudar suas mães a confeccionarem suas rendas.

A distinção entre as atividades (e a mão-de-obra) suplementar e complementar estabelecida porDelbos e Jorion(1984), pode ser interessante nesse caso, para pensar sobre a participação dos aprendizes no conjunto das atividades que constituem a renda. Trata-se de uma distinção sutil, baseada no tipo de integração da criança ao 10 O termo é utilizado pelos autores para indicar uma formação institucionalizada, mais próxima

processo produtivo. As atividades suplementares seriam aquelas cuja importância não é central, mas quando realizadas por um noviço, liberam o tempo dos mais velhos em ações ou deslocamentos desnecessários, por exemplo. No caso da renda, poderíamos pensar na compra de linha ou, até mesmo, na retirada dos espinhos (daqueles trechos já presos da trama para serem reutilizados), como atividades suplementares desenvolvidas pelas iniciantes. Quando o noviço, realmente, passa a tomar parte na divisão do trabalho produtivo, ainda que de maneira não especializada, considera-se que ele está desempenhando atividades complementares (DELBOS; JORION, 1984, p. 111–112). Sua presença possibilita a aceleração da cadência da atividade, sendo, portanto, vantajoso para o empreendimento familiar como um todo. Algo semelhante acontece quando as rendeiras em formação ocupam a almofada desocupada de suas mães para adiantar suas rendas.

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