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Os dados estão apresentada em média e desvio padrão. O Teste de Shapiro-

Wilk e a análise da média, assimetria e curtose atestaram a normalidade de

distribuição dos dados. O Teste de Mauchly verificou a esfericidade dos dados de medidas repetidas. O Teste t para amostra independente verificou as diferenças nas variáveis descritivas entre os grupos. A análise de variância (ANOVA) two away (2 x 4) para medidas repetidas , grupo (ASI vs. BSI), momentos (5, 10, 15, 20 minutos) foi empregada com post hoc de Tukey para verificar as possíveis diferenças entre as variáveis FC, PSE, afeto, estado de alerta e nível de pensamento dissociativo- associativo. Adicionalmente, foi realizado o slope do comportamento da reta das respostas psicofisiológicas, refletindo a taxa de aumento ou declínio. Para comparação entre os grupos foi utilizado o Teste t para amostra independente.

6 RESULTADOS

A tabela 2 apresenta a estatística descritiva das medidas de esforço durante a realização do exercício físico no TI e nas sessões experimentais.

Tabela 2 - Comparação das variáveis de esforço no TI e nas sessões experimentais

Baixa sensibilidade (n=11) Alta sensibilidade (n=13) p PP (W) 192,7 ± 34,7 205,0 ± 21,2 0,29 PLiVFC (W) 95,9 ± 23,3 102,3 ± 17,2 0,44 P80 (W) 76,7 ± 18,7 81,8 ± 13,7 0,44 P120 (W) 115,1 ± 28,0 122,0 ± 21,6 0,50 %FCrS80 40,8 ± 11,1 43,8 ± 7,0 0,43 %FCrS120 67,0 ± 12,3 69,0 ± 8,8 0,66

PP – potência pico; PLiVFC – potência no limiar da variabilidade da frequência cardíaca; P80 – potência à 80% do limiar da variabilidade da frequência cardíaca; P120 – potência à 120% do limiar da variabilidade da frequência cardíaca; %FCrS80 – percentual da FC de reserva na S80; %FCrS120 – percentual da FC reserva na S120. Dados expressos em média e desvio padrão.

As figuras 2,3,5,7 apresentam o comportamento das respostas psicofisiológicas durante a realização do exercício físico nas duas intensidades (A) S80 e (B) S120. As figuras 4 e 6 apresentam a comparação dos slopes da PSE e resposta afetiva entre os grupos.

* Diferença do 5º minuto para os outros momentos

A FC não alterou na S80 nos dois grupos (p=0,371). E na S120 houve efeito do momento (F(3,36)=40,39, p=0,000), a FC no início difere dos outros momentos nos dois grupos.

Percepção subjetiva de esforço

Figura 3 – Comportamento da PSE nas S80 e S120 * Diferente do 5º minuto do grupo ASI

# Diferente de todos os momentos do grupo BSI

Na PSE, na S80 houve efeito do momento (F(3,36)=18,62, p=0,000) e da interação grupo x momento (F(3,36)=18,50, p=0,000). No efeito entre os grupos a PSE é menor no início e maior no final para o grupo ASI. Na S120 houve efeito o momento (F(3,36)=34,95, p=0,000). A figura 4 apresenta a comparação entre os grupos da taxa de aumento da PSE na S80.

Figura 4 - Comparação da taxa de aumento da PSE na S80 * Diferença estatisticamente significante p<0,05. Resposta afetiva

Figura 5 - Comportamento da resposta afetiva nas S80 e S120 * Diferente do 5º minuto do grupo ASI

# Diferente do 20º minuto do grupo ASI

A resposta afetiva para o grupo ASI, na S80 houve efeito do momento (F(3,36)=22,75, p=0,000). E entre os grupos (F(3,36)=4,14, p=0,01). Na S120 houve efeito do momento (F(3,36)=59,81, p=0,000), apresentando um declínio linear. A figura 6 apresenta a comparação entres os grupos do declínio da resposta afetiva.

Figura 7 - Comportamento do estado de alerta nas S80 e S120

* Diferente do 5º minuto do grupo ASI; # Diferente do 5º minuto do grupo ASI ¥ Diferente do 5º minuto nos dois grupos

O estado de alerta, na S80 houve efeito do momento (F(3,36)=7,21, p=0,000) apresentando um aumento linear até o 15º minuto no grupo ASI. E houve efeito entre os grupos (F(3,36)=4,03, p=0,01), menor estado de alerta no início e maior no final, no grupo ASI. Na S120 houve efeito do momento (F(3,36)=26,56, p=0,000), aumento linear nos dois grupos.

Nível de pensamento dissociativo-associativo

Figura 8 - Comportamento do nível de pensamento nas S80 e S120 * Diferente do 5º minuto do grupo ASI

O nível de pensamento dissociativo-associativo houve efeito do momento na S80 no grupo ASI, o primeiro momento é menor que os dois momentos finais (F(3,36)=11,85, p=0,000). Na S120, houve aumento é linear nos dois grupos (F(3,36)=22,52, p=0,000).

O objetivo desse estudo foi verificar a influência da sensibilidade interoceptiva sobre as respostas psicofisiológicas durante a realização de exercício físico com intensidades diferentes e constantes. Os principais achados do presente estudo mostraram que no domínio moderado de intensidade do exercício os sujeitos com ASI apresentam maior PSE, menor afeto e maior estado de alerta, comparado aos sujeitos com BSI, embora em intensidade severa ambos se comportem do mesmo modo.

A forma diferenciada de perceber a intensidade do exercício pode ser explicada pela teoria da teleoantecipação53,54 que propõe que o ritmo de exercício físico é estabelecido com o objetivo de evitar a falha catastrófica dos sistemas fisiológicos, e esse ritmo é reajustado durante o exercício utilizando como base as informações aferentes provenientes dos órgãos periféricos. Entretanto, no presente estudo a intensidade do exercício foi fixa, não podendo ser alterada pelos sujeitos. Dessa forma, uma vez que os sujeitos com ASI percebem as informações aferentes de forma mais acentuada21,34 e que intensidade do exercício não poderia ser alterada, a forma de prevenir a falha catastrófica foi aumentar a PSE nesse grupo de sujeitos. Tal suposição é fortalecida quando é analisada a taxa de aumento da PSE (figura 4), que demonstrou que os sujeitos com ASI aumentaram de modo mais acentuado a PSE. Além disso, a resposta diferenciada da PSE evidencia a influência da sensibilidade interoceptiva nas respostas perceptuais ao exercício, uma vez que os dois grupos apresentaram a mesma demanda de FC ao exercício físico. Contrariamente, o grupo de BSI mostrou uma resposta perceptual fixa durante o exercício, uma vez que os sinais aferentes periféricos destes são percebidos de forma menos intensa21,34.

Tal explicação é suportada pelos achados de Herbert et al7. Em seu estudo os sujeitos foram permitidos modificar a intensidade do exercício. Dessa forma, para a mesma duração de esforço os sujeitos com ASI adotaram uma intensidade menor de esforço físico quando comparado aos sujeitos com BSI. Entretanto, a percepção de fadiga para o exercício foi a mesma. Portanto, quando é permitida aos sujeitos

com diferentes níveis sensibilidade interoceptiva a escolha da intensidade do exercício os indivíduos com ASI adotam uma menor intensidade/ritmo de exercício. De fato, nossos achados e o da Herbet et al7 corroboram os de Pennebaker e Lightner6. Eles evidenciaram com diferentes experimentos que em tarefas de exercício físico aberta, a qual o sujeito pode modificar a intensidade de esforço, o aumento da informação interoceptiva influencia na diminuição da intensidade/ritmo, enquanto que em tarefa de exercício físico fechado, que a intensidade não pode ser alterada, o aumento da informação interoceptiva influencia no aumento da percepção de fadiga.

Contudo, uma questão que pode ser lançada sobre os nossos resultados é a respeito de como a PSE foi diferente tendo em vista que as respostas fisiológicas foram iguais. Acreditamos que a resposta a essa questão encontra-se no padrão de respostas afetivas apresentadas pelos sujeitos. Nossos resultados demonstraram que os sujeitos com ASI sentem o exercício físico de mesma intensidade de maneira menos prazerosa que os sujeitos com BSI, evidenciado pela taxa de declínio na resposta afetiva (figura 6). De fato, Baden et al55 evidenciaram que as respostas afetivas ao exercício físico influenciam na PSE. Em seus achados verificaram que mesmo sem alteração na FC, consumo de oxigênio e/ou frequência de passadas a PSE foi modificada em função da queda do prazer55. Portanto, acreditamos que a maior intensidade das informações internas nos sujeitos com ASI promoveu uma queda no prazer relacionado ao exercício físico e foi refletido numa maior PSE, o que pode ser interpretada como uma forma de desencorajar os sujeitos a manter-se no exercício. Adicionalmente, Polman e Edwards4 destacam que o aumento das sensações aferentes através dos feedbacks metabólicos negativos (sensações desagradáveis) desperta a consciência cognitiva e, também, aumenta a PSE.

De fato, o maior estado de alerta apresentado pelos indivíduos com ASI reflete a maior intensidade dos sinais interoceptivos sentido por esses sujeitos durante o exercício. Portanto, a influência da sensibilidade interoceptiva nas respostas perceptuais e afetivas ao exercício pode ser evidenciada, também, pelo comportamento similar apresentado entre PSE e o estado de alerta, pois ambos aumentaram concomitantemente no grupo com ASI durante o exercício, enquanto

afirmam que o nível de consciência cerebral através de processamento dos

feedbacks aferentes está relacionado tanto a intensificação destas sinalizações

quanto a intensidade do exercício. Dessa forma, uma vez que a intensidade do exercício físico permaneceu constante, as diferenças evidenciadas na PSE, afeto e estado alerta relacionado ao exercício são resultantes do nível de sensibilidade interoceptiva.

Todavia, todas essas diferenças foram vistas apenas no domínio de intensidade moderada. Na sessão de exercício no domínio severo, as respostas psicofisiológicas não diferiram entre os grupos. Este comportamento já era esperado uma vez que a teoria do Modelo Duplo proposto por Ekkekakis10 postula que no domínio severo do exercício há uma minimização dos fatores cognitivos o que gera uma homogeneidade nas respostas afetivas que tornam-se negativas devido a maior contribuição dos fatores interoceptivos relacionado à tarefa, o que possivelmente dever ter contribuído para respostas psicofisiológicas semelhantes entre os grupos. Portanto, acreditamos que a intensificação das informações interoceptivas tornou a interpretação dos sinais aferentes periféricos semelhante para todos os indivíduos, independente da sensibilidade interoceptiva. Entretanto, nosso estudo faz uma importante contribuição a teoria do modelo duplo ao apontar que: no domínio moderado de intensidade do exercício físico embora as respostas sejam homogêneas positivas, os sujeitos com ASI sentem o exercício de forma menos prazerosa que os de BSI.

8 CONCLUSÃO

Concluímos que sujeitos com alta sensibilidade interoceptiva em exercício dinâmico em intensidade moderada o sentem de forma mais intensa, menos prazerosa, tudo isso por serem mais alertas aos sinais fisiológicos durante o exercício. Nossos achados contribuem no sentido de destacar a importância em se considerar a sensibilidade interoceptiva dos sujeitos na prescrição da intensidade do exercício físico.

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