Kapittel 4: Mangfold - Ønskelig men vanskelig
4.4 Leders kapasitet og det krevende mangfoldet
Nesta seção, pretendemos mostrar que a tentativa de Vicente, Quadros Gomes & Lunguinho (2016) de estender sua proposta a [todo + Nnu] é interessante do ponto de vista
teórico, mas que algumas observações por eles elencadas precisariam ser revistas se compararmos o comportamento de [todo + Nnu] a [Nnu ...+ tudo], que apresentam propriedades
sintáticas diferentes. Pretendemos mostrar, destarte, que as ocorrências de [Nnu ...+ tudo] e [todo
Vimos, no início da seção anterior, que todo também pode selecionar nomes nus, como mostram os dados em (27a) e (27a’), repetidos abaixo como (44). Os nomes nus têm sido analisados pela literatura como predicados (+pred), conforme observado pelos autores em questão. Eles ainda atentam para o fato de que tais estruturas têm somente leitura quantificacional, como ilustram as paráfrases e as interpretações em (44a’-a”) e (44b’-b”).
(44) a. All fish swim. a’. All the fish swim.
a”. ∀x[x∈⟦fish’⟧ → swim’(x)] b. Todo peixe nada.
b’. Todos os peixes nadam. b”. ∀x[x∈⟦peixe’⟧ → nada’(x)]
Outras duas observações que os autores fazem, cruciais para a análise que esboçarão, é que, nos casos de combinação entre todo e nome nu, (i) não é possível a flutuação de Q, (ii) tampouco o reordenamento dos dois constituintes internamente ao DP:
(45) a. Todo homem é mortal. ([todo + Nnu] √OK)
b. *Homem é todo mortal. (*Q-float) c. *Homem todo é mortal. (*[Nnu + todo])
Partindo dessas observações, os autores levantam a hipótese de a impossibilidade de reordenamento interno ao DP poder ser consequência da estrutura funcional de nomes nus, aparentemente menos articulada que a de DPs plenos (que permitem reordenamento).
Eles também especulam que a impossibilidade da flutuação de Q poderia estar relacionada à inexistência de DegP nessas estruturas (o que acarretaria a inexistência de local de pouso para alocar todo) ou à existência do núcleo de grau selecionado para a numeração sem traço EPP (o que, como vimos, é determinante para a ocorrência ou ausência de Q-float). Porém, os autores rejeitam a primeira hipótese, visto que, nesses casos, todo incorre exclusivamente em leitura quantificacional: ou seja, todo relaciona dois conjuntos – o conjunto dos humanos e o conjunto dos mortais –, garantindo que todos os elementos do conjunto denotado pelo nome nu sejam também membros do conjunto denotado pelo predicador. Ao postular a projeção de um DegP nessas sentenças, os autores indicam que DegP toma em seu escopo tanto o sujeito e o predicado de individual-level (o adjetivo “mortal”) quanto o tempo verbal (o verbo copulativo, ser, que, de acordo com os autores, tem papel fundamental em determinar o estatuto do
predicado como individual-level), portanto, o ponto de inserção de DegP na sentença seria sobre TP. Como TP estabelece relações sentenciais de predicação, não há como se obter leitura intensificacional, pois esta resulta exclusivamente da projeção do sintagma de grau sobre um predicado não-verbal.
Há ainda a questão do traço EPP, que os autores deixam aberto para estudos futuros, pois, havendo ou não um traço EPP no núcleo d, o efeito para a linearização da sentença será o mesmo, conforme ilustra a representação da proposta dos autores em (46):
(46) a. Deg [+EPP]: movimento de todo para Deg [DegP Deg[+EPP] todo [TP [ttodo homem] é mortal ...]]
b. Deg [-EPP]: todo permanece no sintagma nominal [DegP Deg[-EPP] [TP [todo homem] é mortal ...]]
Se compararmos as sentenças em (45) com as sentenças em (47), que mostram que tudo também seleciona nomes nus, vemos que há diferenças nas posições em que esses modificadores de grau podem ocorrer:
(47) a. *Tudo cachorro é bonzinho. (*[tudo + Nnu])
b. *Cachorro tudo é bonzinho. (*[Nnu + tudo])
c. Cachorro é tudo bonzinho. (Q-float √OK)
Pela agramaticalidade de (47b), vemos que parece ser plausível a hipótese de que a estrutura funcional dos nomes nus pode ser menos rica que a de um DP pleno, o que impossibilita o rearranjo interno dos dois constituintes.
Ademais, os dados em (47) também mostram que só é possível, nessas estruturas, tudo flutuado. Se aceitássemos a hipótese de Vicente, Quadros Gomes & Lunguinho (2016), seria impossível captar as ocorrências de tudo em estruturas com nomes nus. Dessa forma, defendemos que o ponto em que DegP é projetado na sintaxe não é sobre TP, como sugerem os autores, pois, uma vez que tudo é um elemento da série todo-all, não há motivos para que DegP seja projetado em pontos diferentes da sentença para cada um desses itens. Por isso, acreditamos que o ponto de inserção de DegP na sentença é sobre VP84.
84 Vimos que, conforme ilustrado em (38a), DegP é projetado sobre VP quando o argumento interno é modificado
pelo modificador de grau. Nas sentenças com nomes nus, também argumentamos que o ponto de inserção de DegP é sobre VP. Tais afirmações não são contraditórias ou um “remendo” ao sistema que vinha sendo proposto, visto que, nas sentenças em que tudo seleciona nomes nus, vP não é projetado.
Seguiremos Mateus et al. (2003), ao pressupor que o verbo copulativo, embora seja funcional (ou seja, embora fundamentalmente porte noções gramaticais, como tempo, modo e aspecto, e não tenha grade temática), é projetado na sintaxe em VP, sobre a Small Clause (cf. BERLINCK, DUARTE & OLIVEIRA, 2015). Consequentemente, estamos assumindo que, embora o predicador por excelência nessas construções seja o adjetivo, o local de projeção da cópula também estabelece relações de predicação – como vimos em Vicente, Quadros Gomes & Lunguinho (2016), o verbo funcional tem papel fundamental em determinar o estatuto do predicado como individual-level (ou stage-level).
Propomos que em sentenças como em (47c), envolvendo tudo, o núcleo Deg seja selecionado para a numeração sempre portando um traço [+EPP], que obrigará o movimento de tudo para d, ocasionando sua flutuação. Já nas sentenças envolvendo todo, como em (45a), o núcleo Deg será selecionado para a numeração sempre sem o traço EPP, o que possibilitará que o complexo [todo + Nnu] se desloque para SpecTP, passando por sobre DegP, que está em
um domínio A’, e, portanto, invisível para o nome nu, conforme ilustra (48), simplificadamente: (48) a. Cachorro é tudo bonzinho.
[TP [Cachorro]i [T’ éj [DegP [Deg’ tudoq+d[+EPP] [VP [V’ tj [Small Clause [tq ti] [bonzinho]]]]]]]]
b. Todo homem é mortal.
[TP [Todoq [homem]i] [T’ éj [DegP [Deg’ d[-EPP] [VP [V’ tj [Small Clause [tq ti] [mortal]]]]]]]]
A diferença na linearização dos dois modificadores de grau em relação aos nomes nus é, em nossa proposta, fruto da presença ou ausência de um traço EPP no núcleo Deg selecionado para a numeração, o que nos permite captar o fenômeno de um modo mais uniforme, sem postular que DegP seja projetado em dois lugares diferentes, a depender do modificador de grau presente.
Na próxima seção, discutiremos superficialmente a questão da presença (ou ausência) de traços-φ em tudo e os mecanismos de concordância via Concord85 no domínio do sintagma
nominal, que são etapas iniciais nas derivações que propusemos na seção anterior, e, brevemente, a questão da obrigatoriedade da ordem DPQ.
85 Concord, a grosso modo, é o estabelecimento de concordância nominal por meio de checagem/valoração in situ