2.1 Mål- og resultatstyring i offentlig sektor
2.1.5 Lederforankring og dialog
Neste tópico apresentamos algumas considerações importantes sobre o trabalho de coleta de dados a partir do grupo focal e ainda considerações sobre a metodologia de análise dados a partir da estrutura de Toulmin (2006).
4.3.1 Grupo Focal
Para propiciar o desenvolvimento do processo de argumentação científica nas aulas de Ciências é relevante considerar o tamanho do grupo formado para se promover uma discussão válida, com diferentes opiniões e que assegure a participação de todos os alunos (COSTA, 2008).
Nesse sentido, escolhemos a metodologia de grupos focais por se tratar de uma técnica que permite as interações grupais na discussão de um tópico escolhido pelo pesquisador (GONDIM, 2003), que são propícias para o desenvolvimento de argumentações científicas nos alunos. Outro ponto relevante que influenciou nossa escolha pelos grupos focais é a possibilidade de investigar a argumentação de um pequeno grupo de alunos por um processo de mediação em que os participantes interagem entre si, auxiliados por um moderador que busca facilitar a formação de argumentos pelo grupo, de maneira ordenada e coerente. Assim, nesse modelo, o moderador do grupo focal possui a função de facilitador do processo, de mediador, que orienta as discussões de maneira a incentivar as falas dos participantes sobre determinado assunto.
Gondim (2003) discorre que os grupos focais são utilizados em pesquisas consideradas qualitativas, em que se há o comprometimento do pesquisador com a transformação social. Para Debus (1997) os grupos focais possuem algumas características como:
• Interação do grupo: a interação entre os participantes gera respostas mais ricas e permitem o surgimento de novos e valiosos pensamentos;
• Observação: o observador pode obter percepções a partir dos comportamentos dos entrevistados sobre atitudes, linguagem e sentimentos;
• Custo e tempo: as entrevistas com grupos focais podem ser concluídas em pouco tempo.
Citamos a seguir alguns fatores apresentados por Debus (1997) e Gondim (2003) e que devem ser levados em consideração na formação dos grupos focais:
a) Papel do moderador ou mediador:
• O moderador ou mediador é a pessoa que conduz a discussão entre os participantes do grupo, enfatizando os tópicos considerados relevantes para o estudo em questão;
• Intervir na discussão somente para introduzir novas questões à discussão e para facilitar o processo em curso.
b) Aspectos relacionados à composição dos grupos focais
• Avaliar se o participante tem algo a dizer, se sente confortável para expressar suas ideias, isto é, considerar a suas potencialidades para a contribuição na discussão do tema.
c) Nível de estruturação do grupo:
• O moderador segue um roteiro, mas tem que haver flexibilidade para que não haja inibição de opiniões divergentes que enriquecem a discussão.
d) Aspectos relacionados ao tempo de duração do grupo focal:
• Como regra a duração do grupo não deve ultrapassar mais que uma a duas horas;
• Em casos específicos o grupo focal pode ser curto com o tempo de quarenta minutos, por exemplo.
e) Aspectos relacionados ao tamanho do grupo focal
• O número de participantes não deve ser grande, para que todos consigam participar da discussão e o moderador consiga controlá-la de forma adequada.
Tradicionalmente a composição é de oito para dez pessoas, mas a tendência tem sido para a formação de grupos menores, de cinco a sete pessoas, conhecidos como mini-grupos.
f) Aspectos relacionados ao cenário do grupo focal
• A configuração do cenário deve fornecer privacidade para os participantes do grupo focal;
g) Aspectos relacionados à análise dos resultados: depende do tipo de relatório que a pesquisa requer. Inicia-se pela codificação dos dados em base de categorias organizadas em núcleos temáticos que dão suportes a linhas de argumentação, que revelam como os participantes se posicionaram na discussão do tema proposto.
A estruturação da pesquisa sobre a argumentação dos alunos ao longo das atividades propostas foi realizada utilizando as ideias associadas aos grupos focais, inspirados em Debus (1997) e Gondim (2003). As delimitações são apresentadas a seguir.
4.3.2 A coleta de dados a partir das entrevistas nos grupos focais
Após realização de cada uma das atividades em sala de aula, apresentados no item 4.2, foram realizados as entrevistas com os grupos focais. A formação de grupos focais permite a construção de um espaço de interatividade entre os alunos e o pesquisador (DEBUS, 1997; GONDIM, 2003). As atividades de cada grupo focal foram guiadas pela professora, e também pesquisadora deste trabalho, com o papel de mediadora (moderadora) e filmadas por um colaborador. Para o seu desenvolvimento foram planejados guias de tópicos (em apêndice I) com o intuito de orientar o papel do mediador e facilitar uma discussão produtiva com os alunos, a fim de que eles apresentassem sua opinião e argumentação referente aos assuntos dos temas da sala de aula.
• A primeira para levantamento das ideias e argumentações prévias dos alunos sobre o tema circuitos elétricos e suas expectativas referente ao tema do projeto proposto em sala de aula;
• A segunda para o levantamento das argumentações dos alunos após o trabalho em sala de aula com o uso de atividades de demonstração;
• A terceira para levantamento das argumentações dos alunos após o desenvolvimento das atividades com uso das TIC;
• A quarta para levantamento das argumentações dos alunos após o trabalho em sala de aula com atividades experimentais e realização do projeto com estratégia de resolução de problema.
Além das quatro sessões dos grupos focais, utilizamos as filmagens das apresentações dos projetos realizados pelos alunos para a comunidade escolar. Todas essas atividades foram filmadas e foram transcritas para a análise das argumentações dos alunos.
4.3.3 A metodologia de análise de dados
Consideramos para a análise e validação dos argumentos a presença dos elementos constitutivos do padrão de Toulmin (2006): Dado (D), Garantia (W), Conclusão (C), Qualificador modal (Q), Refutação (R) e Conhecimento Básico (B). Para enriquecer o estudo da argumentação dos alunos consideramos relevante acrescentar alguns elementos do padrão de Sardá e Sanmartí (2000), como por exemplo, a exemplificação. Para analisar a argumentação de forma geral, num contexto de construção coletiva dos argumentos, consideramos os níveis de argumentação definidos discutidos por Capecchi e Carvalho (2000).
5 Resultados e análises
Neste capítulo apresentaremos uma análise dos dados coletados nos grupos focais e nas apresentações dos alunos, relacionadas ao projeto executado extraclasse. As transcrições estão apresentadas nos apêndices deste trabalho, separadas por atividade. Nelas foram transcritas apenas os trechos mais relevantes acerca das argumentações dos alunos para facilitar a leitura e não sobrecarregar com trechos irrelevantes ao processo que estamos investigando nessa pesquisa.
A seguir apresentamos tabelas com as análises das argumentações construídas pelos alunos durante cada entrevista dos grupos focais, com identificação do episódio, isto é, o discurso proferido sobre um tema específico, e dos turnos, identificação das falas desenvolvidas durante a entrevista do grupo focal.
Os alunos foram nomeados pela palavra "Aluno", seguida de um número que o especifica como sujeito da pesquisa, mas não o caracteriza por seu nome. A pessoa que conduziu e orientou as discussões está indicada com a palavra “Mediadora”, que corresponde à professora e também pesquisadora deste trabalho.
Cabe ressaltar que para a análise das argumentações dos alunos consideramos o contexto em que o discurso foi produzido, ou seja, incluindo o processo da interação entre os alunos. Dessa maneira, as análises não foram feitas apenas com base nas falas individuais de cada aluno, mas também com relação ao discurso produzido pelo grupo de alunos, em determinado contexto da discussão nas entrevistas.