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Lederes rolle

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4 Funn

4.3 Lederes rolle

Da análise de conteúdo dos dados recolhidos através da observação indirecta e naturalista realizada através da entrevista decorrem as seguintes interpretações.

A educadora manifestou que as técnicas aprendidas no âmbito da formação inicial foram insuficientes assim como a abordagem ao enquadramento teórico neste domínio, em particular ao nível da articulação de conteúdos. Apesar de ter manifestado este último aspecto, o seu discurso parece evidenciar uma concepção de formação inicial e contínua na Expressão Plástica / Artes Plásticas eminentemente prática, na medida em que se sustenta sistematicamente na valorização da aprendizagem de técnicas e estratégias de acção. Esta inferência emerge da análise das suas verbalizações, como a que se segue em que a educadora refere que também através da pesquisa bibliográfica “foi absorvendo algumas técnicas daquilo”.

A concepção da intencionalidade e transversalidade da Expressão Plástica no

desenvolvimento da criança da educadora parece evidenciar a valorização da Expressão Plástica / Artes Plásticas no currículo da Educação Pré-Escolar e no desenvolvimento

da criança. Ainda assim, o seu discurso evidencia sobretudo aspectos que se referem maioritariamente ao desenvolvimento: da expressão pessoal e individual; da comunicação não verbal; das interacções; da compreensão e exploração de diferentes materiais; do conhecimento e compreensão do mundo e da expressão motora. A educadora salvaguarda a importância do bem estar e do gosto que as crianças evidenciam no desenvolvimento das acções e da necessidade de o educador não limitar e estereotipar as propostas e oportunidades que proporciona às crianças.

Os domínios referidos pela educadora são relevantes, embora não contemplem outros igualmente relevantes e específicos da Expressão Plástica / Artes Plásticas, o que pode prender-se com a sua concepção da formação inicial e contínua na Expressão

Assim, os aspectos referidos parecem evidenciar uma consciência da

intencionalidade e transversalidade, mas que carece de uma maior fundamentação no

sentido de conhecer outras potencialidades da Expressão Plástica / Artes Plásticas enquanto área com conteúdos e metodologias específicas e não entendê-la apenas como estratégia de fomentar a expressão livre da criança, o que pode prender-se com a ausência do estudo de pressupostos teóricos neste domínio, como constatado na análise da dimensão anterior.

A maior parte dos indicadores da intencionalidade e transversalidade nas acções do educador parecem evidenciar uma maior valorização da intencionalidade e articulação entre a Expressão Plástica / Artes Plásticas e a Formação Pessoal e Social

da criança (“imaginação (...) criatividade (...) não estereotipando (...) fazer em conjunto

(...) esperar pela sua vez (...) partilha dos materiais, a partilha dos espaços (...) respeitar o espaço do outro”.

Esta concepção mais centrada na articulação com a Formação Pessoal e Social e num entendimento da Expressão Plástica / Artes Plásticas situado uma perspectiva da expressão individual parece também ser evidente na articulação da organização do

ambiente educativo e das acções com a intencionalidade educativa. A educadora refere-

se: à exploração livre dos materiais; a não se limitar a acção da criança; à flexibilidade na acção educativa; à diversificação de técnicas, materiais e estratégias; à autonomia das crianças na preparação, no acesso e utilização dos materiais; concepção de apoio do educador de forma não intrusiva e condicionante das criações das crianças; ao processo de avaliação como forma de regular a acção educativa tendo como ponto de partida / através de um processo contínuo de observação do processo de desenvolvimento das crianças; à complexificação e inovação das propostas de acordo com o grau de desenvolvimento e idades das crianças.

Estes aspectos que a educadora refere parecem evidenciar a sua preocupação com a organização do ambiente educativo ao nível das interacções e organização do espaço e do grupo, não sendo evidenciadas as preocupações com a organização do tempo, que é um aspecto fundamental muitas vezes negligenciado no contexto da Educação Pré-Escolar, dado que não é proporcionado tempo suficiente que respeite o ritmo individual de cada criança (no desenvolvimento das acções propostas). Ainda ao nível da organização do ambiente educativo, embora a educadora se refira a “dar coisas novas e proporcionar novas experiências”, o que pode ser interpretado como vontade de inovar, como foi já referido, parece-nos que seria importante ter havido um

esclarecimento quanto à natureza dessas “coisas novas”, sendo que no discurso não se encontram indicadores, por exemplo, da exploração de obras de Arte, nem da valorização da interacção com contextos diversificados externos à instituição.

O discurso da educadora evidencia a valorização da motivação, interesse e

tomada de iniciativa da criança para a experimentação, pois tal como referido nas

dimensões anteriores são diversos os indicadores que parecem manifestar a sua concepção baseada na liberdade de expressão e acção da criança, na sua autonomia na utilização do espaço e materiais; no seu bem estar, motivação e gosto pelas actividades que desenvolvem.

A educadora parece também estar atenta à “voz” das crianças, manifestando ter em consideração o conhecimento que tem destas e das suas necessidades e dificuldades como ponto de partida para a sua acção educativa.

O discurso da educadora parece evidenciar uma concepção dos

constrangimentos contextuais ao desenvolvimento de acções no domínio da Expressão Plástica / Artes Plásticas situada nas questões do espaço, materiais e verbas

disponíveis, evidenciando que a ausência de boas condições nestas dimensões, pode comprometer o desenvolvimento adequado das acções. A educadora refere ainda a sua incompreensão e desagrado sobre a atitude de alguns encarregados de educação relativamente à sujidade nas roupas e corpo das crianças que determinadas actividades possam causar, assim como de algumas equipas técnicas educativas relativamente à sujidade dos espaços e materiais. Ainda assim, a educadora refere que não partilha deste constrangimento e que “dentro do razoável” procura não ser rígida e limitar a experimentação das crianças.

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