1. Fale sobre sua origem, seus pais e irmãos, a escolha de sua carreira, a sua família hoje, se a senhora é casada e tem filhos.
2. Conte sobre a ida para a universidade, a realização da graduação e da pós- graduação.
3. Fale um pouco sobre sua carreira como pesquisadora. Projetos, alunos, reconhecimento pelos pares.
4. Sobre sua carreira, a senhora acredita que o ambiente institucional de pesquisa científica facilita ou atrapalha o desenvolvimento e crescimento na carreira científica?
11 – APÊNDICE E – QUADRO DE RESPOSTAS ÀS QUESTÕES ABERTAS DO QUESTIONÁRIO.
Quadro 11 - respostas ao Questionário: Sugestões de ações para a busca da equidade de gênero na UFScar
Considero o aumento do número de vagas em creches fundamental. Maior apoio às mães servidoras.
No ingresso do docente, em vez de promover apenas palestras pedagógicas sobre o sabor do saber, priorizar a agenda das diferenças no treinamento e na qualificação do grupo.
Aumento de vagas na UAC para docentes mães
A modificação desta problemática começa com a educação familiar. Não me parece claro o que poderia ser feito para modificar o panorama começando na universidade. Na área de física, ou de exatas, em geral a desigualdade é muito grande.
Discussão nos colegiados superiores (CEPE, CONSUNI) visando ao estabelecimento de uma "política institucional de gênero no ambiente acadêmico e científico"
No caso da ouvidoria, seria importante não apenas acolher denúncias, mas lidar com elas de maneira a coibir eventos de discriminação ou assédio a mulheres na UFSCar. Creio que a questão seja mais geral, não específica da UFSCar, portanto, as ações seriam igualmente mais gerais. No que tange à Universidade as sugestões acima estão bem colocadas.
O mercado de trabalho ainda é muito machista, mas isso também é em grande parte culpa das mulheres que se acomodam e não ocupam os espaços. Na UFSCar a imensa maioria dos cargos é ocupada por homens. Na área de Ciências Exatas e de Tecnologia isso é mais sentido. Por exemplo, o Departamento de Química, desde a sua fundação há mais de 40 anos, teve somente uma mulher como chefe e a Profa. Sheyla é a primeira mulher a ocupar a diretoria do CCET. Desta forma, a UFSCar poderia colaborar com a equidade, por exemplo, criando mecanismos para incentivar a maior participação das mulheres na administração em todos os níveis, não só internamente mas inclusive junto às agencias de fomento.
Eu não vejo essa desigualdade dentro da UFSCar. Acredito que o ambiente acadêmico deve ser exclusivamente pautado na meritocracia - E que não deve haver reserva de vagas baseada em gênero e sim na qualidade dos candidatos - em todos os níveis. Não considero que a busca pela equidade de gênero na carreira científica se inicie ou se esgote dentro da instituição em que trabalhamos como pesquisadoras e/ou estudamos. Penso que as ações mais fundamentais estão na esfera de todo o percurso
educacional/inserção e que devem ter início bem antes do ambiente universitário. As alternativas acima são pertinentes e importantes para a equidade em qualquer contexto... Para qualquer mulher trabalhadora. Neste sentido, são bem vindas também na UFSCar. Lembro ainda que vagas em creches são necessárias mas que, para as mulheres e mães, o desafio continua ao longo do tempo. Ao crescerem as
crianças/adolescentes continuam demandando cuidados, educação, etc.
Entendo que tendo a equidade como foco a questão do respeito/direito à diversidade se revela como norte e foco.
A única coisa que ouço é que a creche não dá conta da demanda atual.
Fonte: Elaboração própria
Quadro 12 - Respostas ao Questionário> comentário sobre inequidade de gêneros na carreira científica
“Acompanhei uma discussão do CNPq sobre o desequilíbrio nas áreas. Pelo que me lembro as humanidades tem menos de 10% das bolsas e projetos financiados, acho que esse desequilíbrio intensifica ainda mais essa questão do gênero.”
“O problema é cultural, evidentemente. Numa sociedade machista como a latina a mulher é vista sempre como inferior. Assim ela deve acatar as "sugestões",
"comentários", "conselhos" e "críticas construtivas" dos colegas homens (ao final de contas eles acham que sabem mais). Mas quando ela não acata nenhuma destas, o homem se comporta profissionalmente, como se comportaria em casa: ou a ignora ou então diz para quem quer ouvir que ela tem um gênio "ruim". A melhor mulher
profissionalmente (para o homem) é aquela dos contos de princesa: dócil e obediente e que não pensa!!! Durante toda a minha carreira cientifica (de mais de 40 anos) sempre tive essa impressão: os homens se comportavam no trabalho paternalisticamente comigo. Assim, para impor as minhas ideias, fiquei com a fama de "brava" e "difícil". Acredito que esta rotulação foi ruim para minha carreira, embora fosse a única forma que tive para conseguir projetos e alunos. Mas hoje em dia isto está mudando: meus filhos são menos machistas que os homens de antigamente!!!!”
Quando ingressei na universidade, senti a questão do gênero muito fortemente. A instituição era constituída por homens, na sua grande maioria, agrônomos e nunca haviam tido uma mulher em condição de chefia. Havia uma resistência e um descrédito em relação às mulheres, não explicita, mas senti bastante. Demorou para reconhecerem o meu trabalho e aceitarem a minha liderança quando ocupei cargos de chefia.
Minha neta acordou e está chorando. A UFSCar sozinha não vai mudar isso. Eu tenho de ir cuidar dela, porque minha filha precisou deixá-la comigo. Essa é a vida da mulher na família, seja na carreira científica ou em outra, quando a vida privada se impõe à vida pública. Na carreira científica, há muitas formas de a discriminação se manifestar, e uma delas é achar quem os cuidados desprofissionalizam o pesquisador, em especial a mulher.
Existe a inequidade na carreira cientifica porque existe na vida familiar. Dentro da minha profissão, fisioterapeuta atuando na academia, eu nunca senti
problemas explícitos referentes à inequidade, (salvo questões sutis em grandes comitês de avaliação, com áreas de predomínio masculino), possivelmente por ser uma área com predomínio feminino.
Acho que nos órgãos de fomento carecem de mulheres, e nesse sentido a
representatividade deveria ser incentivada. Muitas mulheres, no entanto, aceitam passivamente o papel de donas de casa e preferem seguir a carreira dos
maridos/companheiros e não muitas vezes abandonam a carreira logo após o doutorado. A equidade de gêneros é uma conquista. É uma busca, dado que vivemos numa
sociedade androcêntrica. Portanto, as novas gerações devem receber informações sobre esta questão como parte de um processo de ressocialização. No entanto, é necessário que tal empreitada seja feita por docentes que conheçam as teorias feministas e por
estudiosos (as) das relações de gênero. Urge medidas contra os grupos radicais, tais como os que existem nesta Instituição. A prática de tais grupos reflete a má formação teórica que possuem cuja bandeira é a naturalização das relações sociais.
Antes do meu ingresso na UFSCar, uma mulher não era aceita para dar aulas em cursinhos preparatórios para Vestibular.
Algumas colegas sofreram pressão por parte dos orientadores para que não tivessem filhos e, na entrevista para ingresso em uma pós-graduação perguntavam o estado civil. Eu não sofri tal discriminação. Tive meu filho durante o Mestrado e minha filha durante meu doutorado e defendi os trabalhos no tempo previsto. Porém, nessa época, as
mulheres tinham apenas 88 dias de licença maternidade e não havia creche na UFSCar. Dei aula na segunda a tarde e minha filha nasceu as 11 h da manha de terça feira! Isso foi em 1985!