1.2 Bakgruml for oppgaven
1.2.2 Begrunnelse for valg av oppgave
1.2.2.3 Ledelse i turbulente tider
Segundo dados do Anuário da Pecuária Brasileira -ANUALPEC, de 2006, embora o rebanho bovino brasileiro não seja o maior do mundo em número de bovinos, contando com 166 milhões de animais, ficando atrás apenas do rebanho indiano, que possui cerca de 336,9 milhões de animais, o Brasil é o país que possui o maior rebanho comercial, produzindo 7,4 milhões de toneladas de equivalente carcaça, o que representa 14% do total de carne bovina produzida no mundo.
Todo esse volume de produção ocorre devido às condições privilegiadas para a produção pecuária que nosso país apresenta, tais como, grande diversidade climática e extensão territorial, características edafoclimáticas, utilização de raças bem adaptadas aos trópicos, além da vocação do criador. Ressalta-se também que todas as fases dessa
produção são realizadas tradicionalmente a pasto, condição que permite ao Brasil ter o custo de produção 60% mais baixo que o australiano e 50% menor que o americano, que são importantes concorrentes brasileiros (PINEDA, 2002).
Segundo projeções da Associação Brasileira de Agribusiness – ABAG realizadas em 2002, estima-se uma queda no número de fazendas produtoras de carne bovina até o ano de 2010. Na realidade, essa diminuição vem ocorrendo nos últimos anos devido principalmente, a manutenção de baixos preços da arroba, a elevação do valor da terra e pela melhor rentabilidade encontrada em outros setores da agropecuária.
Nesse sentido, houve uma marcante substituição de áreas de pasto por culturas de cereais, com conseqüente aumento do abate de animais, especialmente de fêmeas matrizes. Esses abates também foram motivados pela necessidade de carne para exportação, que sofreu grande beneficio pelo câmbio favorável e pela necessidade de capitalização dos produtores. Como reflexo disso tudo, o crescimento do rebanho e também a reposição de animais para engorda podem estar comprometidos ao longo dos próximos anos (BAUAINAIN; BATALHA, 2006). Na figura 10 pode ser observada a evolução do rebanho bovino, durante o período de 2000 a 2005, nas diferentes regiões do Brasil
A análise dos dados sobre a evolução do rebanho brasileiro por estado, e conseqüentemente por região, permite inferir que, além da redução do rebanho, houve uma migração da produção entre os estados. Historicamente, o aumento do valor das terras no sudeste brasileiro fez com que criadores, principalmente de São Paulo, Minas Gerais e Norte do Paraná, transferissem suas atividades para o centro-oeste, onde as terras eram mais baratas (CORREIA, 2000). Recentemente, uma nova onda de migração de natureza diversa ocorreu, com a substituição de pastagens por culturas de soja, algodão, cana-de- açúcar e milho, motivada pela melhor rentabilidade destas atividades, fazendo com que novamente os pecuaristas buscassem terras mais baratas para a atividade. Assim, a região Norte passou a ser a nova fronteira de ocupação da atividade pecuária.
0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Milh õ es d e cab eças N NE SU S CO Fonte: Anualpec, 2006
Figura 10 – Evolução do rebanho bovino brasileiro por região, durante o período de 2000 a 2004.
Segundo IBGE (2006), as regiões centro-oeste, norte e sudeste são as líderes em concentração de animais, com 34,7%, 19,5% e 19,25%, respectivamente, do total de bovinos do país. Porém, o Anualpec (2006) apresenta a concentração de animais por região diferente, considerando a região centro-oeste brasileira como a de maior concentração em número de animais com 34% do total do rebanho, seguida pela sudeste, com 20%, e com 17% a região norte. Os dados do IBGE e do Anualpec em relação à distribuição de cabeça de bovinos por região brasileira estão, respectivamente, apresentados nas tabelas 1 e 2.
Tabela 1 – Evolução do rebanho bovino brasileiro por região, segundo o IBGE.
ANO Região 2000 2001 2002 2003 2004 Norte 24.517.612 27.284.210 30.428.813 33.929.590 39.787.138 Nordeste 22.566.644 23.414.017 23.892.180 24.992.158 25.966.460 Sudeste 36.851.997 37.118.765 37.923.575 38.711.076 39.379.011 Sul 26.297.970 26.784.435 27.537.047 28.030.117 28.211.275 Centro-Oeste 59.641.301 61.787.299 65.567.223 69.888.635 71.168.853 TOTAL 169.875.524 176.388.726 185.348.838 195.551.576 204.512.737 Fonte: IBGE, 2006
Tabela 2 – Evolução do rebanho bovino brasileiro, por região, segundo o Anualpec. ANO Região 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Norte 22.864.732 24.244.545 25.702.400 26.587.478 27.206.014 27.966.692 Nordeste 22.868.967 23.398.294 23.458.815 23.257.170 23.151.607 23.414.881 Sudeste 35.157.608 35.286.873 35.575.580 35.574.504 34.764.861 33.909.891 Sul 25.113.629 24.840.645 24.439.944 23.619.226 22.365.255 21.233.230 Centro-Oeste 54.658.507 55.270.199 56.529.382 57.078.209 57.150.522 57.374.439 TOTAL 160.663.442 163.040.556 165.706.121 166.116.587 164.638.260 163.899.133 Fonte: Anualpec, 2006.
Apesar da redução do rebanho e das mudanças das fronteiras pecuárias discutidas anteriormente, houve aumento de 16% na produção e de 58% nas exportações de carne bovina brasileira, no período de 2001 a 2005. Segundo o Instituto Euvaldo Lodi - IEL, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA e o SEBRAE (2000), houve melhora na relação entre a quantidade de carne produzida por animal abatido. Esse aumento na produtividade está relacionado ao melhoramento genético dos animais e às novas técnicas de manejo adotadas.
Os ganhos competitivos conquistados a partir do melhoramento genético animal também são citados por Pinazza et al. (1999) e por Perosa (1999). Este último, em seu trabalho ressalta que, embora a maioria dos produtores brasileiros ainda utilize pouca tecnologia, com índices produtivos baixos, existe a preocupação e o esforço para a melhoria dos indicadores produtivos e a busca da competitividade. O autor cita como exemplo, a disseminação de rebanhos adaptados às condições climáticas, os trabalhos de melhoramento genético, como os da raça Nelore e a utilização de melhores pastagens. Os dados sobre o número de animais e a produção da pecuária brasileira ao longo do período de 1996 a 2006, assim como aqueles relativos ao consumo, exportação e importação estão presentes na tabela 3.
Tabela 3 - Panorama da pecuária de corte no Brasil nos últimos anos. Ano 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006* Rebanho bovino (Milhões Cab.) 154.2 155.8 157,4 160,7 163,0 165,7 166,1 164,6 163,9 164,9 Produção
(Mil Ton. Eq. Carc) 6.444 6.709 6.615 6.682 6.996 7.060 7.245 7.690 7.817 7.463 Consumo
(kg/hab/ano) 39 39 37 36 36 35 34 34 33 30
Exportações
(Mil Ton. Eq. Carc) 287 370 541 554 789 929 1.208 1.630 1.857 1.964
Importações
(Mil Ton. Eq. Carc) 112 79 42 57 38 66 58 48 43 32
* Projeção Fonte: Anualpec, 2006
Corroborando os dados apresentados, observou-se nos últimos anos incremento na utilização do cruzamento industrial como ferramenta para aumentar a produtividade e a qualidade do produto “carne”. Segundo a Associação Brasileira de Inseminação Artificial em 2004, cerca de 4,9 milhões de doses de sêmen de aproximadamente 50 raças de bovinos de corte foram comercializadas nas centrais de inseminação artificial brasileiras; sendo que em 2000, comercializaram-se 3,4 milhões de doses (ASBIA, 2005). Esse crescimento demonstra um maior interesse dos criadores pelo aumento da produtividade, como também, a necessidade do rebanho brasileiro por fontes alternativas de germoplasma bovino.
Pelo exposto e apresentado na tabela 3, considerando o cenário dos últimos anos, pode-se inferir que o Brasil contava com resultados e projeções que evidenciavam o aumento nos abates e nas exportações, a estabilização do consumo interno e o decréscimo nas importações. Entretanto, problemas sanitários enfrentados em 2005, com o aparecimento de focos de febre aftosa em alguns estados, alteraram esse panorama. Maior detalhamento sobre este assunto será abordado adiante.