O termo portfolio provém do italiano “portaflogio” e significa “recipiente onde se guardam folhas soltas” (Torres, 2007, p. 42). Inicialmente começou a ser utilizado no mundo artístico, onde contemplava a selecção dos trabalhos do artista que exprimiam a sua obra/produção, tal como refere Klenowski (2007, p. 11) “artistas, escritores, fotógrafos, agentes publicitários, modelos e arquitectos utilizaram tradicionalmente os portéfolios para apresentar seus trabalhos e exemplos das suas obras mais importantes”.
Hoje em dia a este conceito são atribuídos diversos nomes, como por exemplo processo-fólio, diários de bordo e mais recentemente já existe e se expandiu a ideia do “Webfólio” que é um portfolio electrónico e acessível a quase todos os interessados que navegam na internet, porém outros existirão.
A partir do final dos anos 80 início dos anos 90, o portfolio começou a destacar-se no campo educacional. Cada vez é mais utilizado, quer como instrumento de novas aprendizagens e conhecimentos, quer como instrumento de avaliação, ou seja, “o uso do portfolio para a aprendizagem e a avaliação, está convertendo-se em algo muito popular a nível educacional” (Ibidem).
Não existe uma definição única e consensual sobre este termo, nem sobre a sua organização, estrutura, tempo de elaboração, objectivos entre outros aspectos, o que vai de encontro ao que nos transmite Villas Boas (2004, p. 38), quando afirma que em educação o portfolio “apresenta várias possibilidades; uma delas é a sua construção pelo aluno. Nesse caso, o portfolio é uma colecção de suas produções, as quais apresentam as evidências de sua aprendizagem”.
Assim, poderemos afirmar que quando este instrumento de trabalho está terminado constitui “peças únicas, cuja singularidade se traduz no carácter particular das vivências nele descritas e reflectidas, no quadro de referências pessoais que balizou tal reflexão, no leque de interpretações que conjuntamente, supervisor e supervisando souberem tecer no estilo pessoal que, a cada qual permitiu crescer, para que, naturalmente pudessem vir a afastar-se” (Sá-Chaves, 2000, p. 16).
De acordo com as ideias de Melo e Freitas (2006, p. 66) o portfolio pode ser considerado como “uma organização de trabalhos significativos para o professor e para o estudante, permitindo monitorizar o desenvolvimento dos conhecimentos, competências e atitudes, onde não faltam as análises e as reflexões sobre as suas aprendizagens”. Outra definição de portfolio que em nosso entender vai ao encontro da
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anterior é referenciada por Villas Boas (2004, p. 38). Ambos consideram que o portfolio deve ser organizado de acordo com os principais intervenientes do processo educativo – criança/educador, ou seja, o portfolio será “organizado por ele próprio para que ele e o professor em conjunto, possam acompanhar seu progresso”(Ibidem).
Analisando o que atrás dissemos, poderemos afirmar que o portfolio é uma selecção feita e organizada entre a criança e o educador dos melhores trabalhos realizados e nos quais deverá ser visível o desenvolvimento, as aprendizagens adquiridas e os novos conhecimentos atingidos e alcançados.
O portfolio pode ser simultaneamente “uma estratégia facilitadora de aprendizagem permitindo a avaliação da mesma” (Nunes, referenciado por Melo e Freitas, 2006, p. 66). Esta avaliação poderá ser positiva ou não, mas sobretudo deverá ser encorajadora, pois o portfolio é um instrumento de “avaliação que permite aos alunos participar da formulação dos objectivos de sua aprendizagem e avaliar o seu progresso. Eles são portanto, participantes activos de avaliação, seleccionando as melhores amostras de seu trabalho para incluí-las no portfolio” (Villas Boas, 2004, p. 38).
Os portfolios são instrumentos de trabalho construídos ao longo de um determinado período de tempo, mês, trimestre, semestre ou ano e poderão ser feitos individualmente ou em grupo tal como defende Damião (1996, p. 203) “os portfolios são colecções de trabalhos diversificados (…) produzidos durante um determinado período de tempo (…) para cada aluno ou grupo de alunos”. O mesmo é referenciado por Shores e Grace (2001, p. 145), quando consideram o portfolio como sendo “uma colecção de trabalhos, realizada em certo período de tempo, com um propósito determinado”.
Outra definição mais abrangente, utilizada na literatura existente sobre esta temática, é a de Vavrus (referenciado por Gullo, 1994, p. 82) quando nos diz que “os portfolios são colecções sistemáticas e organizadas de trabalhos de alunos que podem incluir amostras de trabalhos, trabalhos de arte, registos de observação da criança, amostras de competências de resolução de problemas. Esta colecção é utilizada como evidência para monitorar o crescimento ao nível dos conhecimentos, de competências e atitudes”.
Ao analisarmos esta definição poderemos dizer que o portfolio é muito mais do que um depósito dos melhores trabalhos realizados pelas crianças num determinado período de tempo. Isto é, o portfolio é um trabalho contínuo, sistemático e organizado
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de trabalhos, aprendizagens, vivências, registos, relatos entre muitas outras actividades realizadas e que sejam consideradas pertinentes, tal como nos dizem e defendem McAfee e Leong (1997, referenciado por Oliveira-Formosinho e Parente, 2005, p. 30) quando consideram que o portfolio é “uma compilação organizada e intencional de evidências que documentam o desenvolvimento e a aprendizagem de uma criança ao longo do tempo”.
Este instrumento poderá ser usado e utilizado por todos os intervenientes do processo educativo, servindo de ajuda para a planificação de futuras actividades de acordo com o desenvolvimento e as dificuldades das crianças/grupo, visto os portfolios serem “uma colecção de itens que revela conforme o tempo passa, os diferentes aspectos de crescimento e do desenvolvimento de cada criança” (Shores e Grace, 2001, p. 43).
Cada vez mais, o portfolio realça a importância da participação activa da criança/aluno em todas as fases do processo educativo, isto é, o portfolio é considerado por alguns autores, como Arter e Spandel (referenciado por Klenowski, 2007, p. 13), como sendo uma colecção de trabalhos das crianças/alunos que inclui a “participação do estudante na selecção do conteúdo do portfolio, as guias para a selecção, os critérios para julgar méritos e a prova da sua auto-reflexão”.
Visto a utilização do portfolio no meio educativo ter uma concepção diferente da avaliação tradicional, ele aproxima-se da forma de avaliação mais comum e usual na educação pré-escolar, ou seja, da avaliação formativa. Esta avaliação deve considerar, de acordo com Hernández (2000, p. 166),
“um continente de diferentes tipos de documentos (anotações pessoais, experiências de aula, trabalhos pontuais, controles de aprendizagem, conexões com outros temas fora da escola, representações visuais, etc.) que proporciona evidências dos conhecimentos que foram sendo construídos, estratégias utilizadas para aprender e a disposição de quem o elabora para continuar aprendendo”.
Quer na educação pré-escolar, quer na construção e organização do portfolio, a criança é o autor do seu trabalho, da sua auto-análise e da sua auto-avaliação, acabando o portfolio por ser um exemplar autenticamente seu, único e genuíno. Tal como nos diz Sá-Chaves (1998, p. 140) os portfolios são,
“vistos e utilizados como instrumentos de estimulação do pensamento reflexivo, providenciando oportunidades para documentar, registar e estruturar os procedimentos e a própria aprendizagem, ao mesmo tempo, que evidenciando para o
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próprio formando e para o formador, os processos de auto-reflexão, permitem que este último seja em tempo útil para o formando, indicando novas pistas, abrindo novas hipóteses que facilitem as estratégias de autodireccionamento e de reorientação, em síntese de autodesenvolvimento”.
A ideia de que os portfolios surgiram pela necessidade da existência de novos métodos de avaliação mais autênticos, reais e reflexivos também é defendida por Veiga Simão (2008, p. 132), ao dizer que os portfolios são “uma recomposição planeada das realizações do estudante que põem em destaque, tanto o seu processo de aprendizagem, como os resultados obtidos para serem avaliados conjuntamente pelo professor e pelo aluno”.
O portfolio além de ser um instrumento que realça a importância da criança, também poderá e deverá ser utilizado como intercâmbio entre o Jardim-de-Infância e a família, fazendo, assim, com que esta participe no desenvolvimento do seu educando e do processo de ensino-aprendizagem.
De uma forma sucinta, poderemos dizer que os portfolios são colecções de trabalhos realizados pelas crianças ao longo de um determinado período de tempo, onde estão evidenciados os esforços, progressos, realizações, aquisições, aprendizagens, conhecimentos, necessidades e dificuldades sentidas e ultrapassadas pelas mesmas durante a realização das actividades e construção do portfolio.
É um trabalho único e pessoal. Cada criança é uma criança, com personalidade, características, formas de ver, pensar e vivênciar as diferentes experiências do seu dia-a- dia de formas distintas de todas as outras que a rodeia.
Na construção do portfolio também é possível observar a auto-avaliação, a auto-análise e reflexão e a auto-crítica das crianças sobre si mesmas e sobre os restantes colegas, se assim o acharem e considerarem pertinente.
Existem autores que defendem o uso do portfolio como instrumento de avaliação, porque consideram que a avaliação através deste meio será mais verdadeira, ou seja, “em vez de uma única imagem do que a criança sabe, o portfolio providencia um ponto de vista multifacetado do que a criança percebe e do que pode usar. Além disso, o portfolio reflecte o crescimento e progresso ao longo do tempo, o que facilita ao professor os planos e ao aluno futuros objectivos e experiências” (Worlham, Barbour e Desejean-Perrota, 1998, p. 9).
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Como poderemos observar, existem várias e diversificadas concepções sobre os portfolios de acordo com os diferentes autores e investigadores. Além das muitas definições apresentadas, também existe mais do que um tipo de portfolio, como teremos oportunidade de verificar de forma sucinta neste trabalho de investigação.