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Para que a questão como pesquisar seja adequada e criteriosamente respondida em pesquisa científica, é necessário lançar mãos de métodos que se fazem acompanhar de técnicas. Silvio Oliveira (2001, p. 58-59) estabelece uma distinção entre ambos, dizendo que:

Método significa caminhos, passos para se chegar a um objetivo, possibilitando assentar algum tema acerca de observações acumuladas de casos gerais e

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específicos, enquanto técnica é o suporte físico do método, a parte prática que auxilia para que se possa chegar a um dado resultado.

O autor chega a afirmar que “uma boa pesquisa depende exclusivamente da adequação do método e das técnicas a serem utilizados para se chegar a um dado resultado” (OLIVEIRA, 2001, p. 63); o que fere frontalmente o pensamento de Netto

(1998, p. 51- 52) que diferentemente daquele, atribui o sucesso pela pesquisa exclusivamente à bagagem cultural do pesquisador, se declarando:

Não ser um anarquista metodológico, pois acredita que a riqueza do pesquisador implica no conhecimento de vários modelos e padrões analíticos. Mas o que garante o êxito da pesquisa, é a riqueza cultural do sujeito que pesquisa. Investigador ignorante, pesquisa estreita. Investigador rico, resultados fecundos e instigantes.

Para se obter respostas às questões formuladas, foi necessário não só a ampliação do referencial teórico, como também recorrer a um sólido suporte metodológico. Desta forma, a proposta metodológica compreende que a pesquisa a ser desenvolvida deve ter caráter teórico com implicações práticas, dado que volta-se à observação direta de uma realidade; daí a idéia de teorizar práticas e produzir propostas para se chegar às alternativas. O método proposto foi baseado em alguns critérios que serviram a estes propósitos. Para tanto, foi escolhido o Método Histórico-Descritivo das Ciências Sociais (LAKATOS e MARCONI, 1992, p. 35), que consiste nas seguintes etapas:

1. Observar o real; 2. Formular o problema;

3. Elaborar as questões norteadoras; 4. Coletar dados;

5. Propor uma análise histórico-crítica;

6. Propor uma síntese explicativa com vistas à transformação.

Para tanto, o método utilizado neste trabalho caracteriza-se como de natureza descritivo-analítico da realidade institucional e administrativa, com foco nas práticas organizacionais ressocializadoras desenvolvidas pela Escola do Complexo Penitenciário do Amapá. O desenvolvimento da Pesquisa, efetivamente, compreendeu três etapas, nas quais se buscou relacionar os elementos indispensáveis para se comprovar a hipótese:

a) A primeira visou à aquisição de conhecimentos sobre o objeto em estudo. Nela foi realizada a investigação documental, através do levantamento de dados secundários e informações, voltado para a análise institucional da evolução da Escola

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Estadual São José, e um pouco de resgate da vivência do autor, que exerceu em 2002 a função de professor naquela instituição. Isso permitiu o conhecimento do processo de reestruturação da Escola, salientado pelos aspectos organizacionais.

b) A segunda etapa deste trabalho visou conhecer como as práticas educativas voltadas à ressocialização dos alunos-detentos efetuadas pela Escola do Complexo Penitenciário estão sendo efetivadas no Sistema Penitenciário amapaense, sob a ótica dos seus principais atores: alunos e professores. Para concretização dessa etapa, foi realizada uma Pesquisa de Campo, através de observações, e da aplicação de questionários e entrevistas, referendada por um roteiro predefinido, com questões abertas. Alguns dos entrevistados lembram de fatos ocorridos, com emoção, e consideraram que contribuíram significativamente para a melhoria do atual sistema penitenciário, mesmo acreditando que são necessárias mudanças estruturais, dentre as quais, a reestruturação da penitenciária. Entretanto, todos são unânimes em afirmar a necessidade de que sejam possibilitadas melhores condição de humanização para o detento.

c) A terceira etapa foi dedicada para a elaboração, propriamente dita, desta Dissertação, incluindo-se a análise de todo o material coletado, tabulação de dados, montagem de quadros com recortes das falas dos entrevistados e o registro fotográfico de elementos que se julgasse importantes. Depois de analisadas individualmente, as entrevistas tiveram suas informações sistematizadas, por meios de eixos temáticos centrais, escolhido a partir do roteiro de entrevistas que serviam de base para todos os entrevistados, como forma de se obter o contraponto de suas posições, realizando-se ao final, um quadro sinóptico com trechos das respostas. Os resultados obtidos, comparados ao referencial teórico, possibilitaram, então, a resposta à questão central deste estudo: como se dá o

processo educacional como fator de ressocialização.

A pesquisa é uma peça fundamental para que se possa dar respostas às inquietações que se depara no dia-dia. Para Silva (2001, p.13), a realização de pesquisas empíricas levanta questões relativas ao plano de observação da realidade, bem como à escolha de métodos para processamento e análise de dados. Segundo a autora:

Estudar estas questões significa buscar opções lógicas e operacionais para a composição de delineamentos que assegurem o valor científico das informações obtidas e das conclusões alcançadas. [...] Técnicas estatísticas vêm sendo desenvolvidas e aperfeiçoadas para criar condições favoráveis à comparabilidade dos grupos e reduzir a possibilidade de confirmações espúrias, ampliando a validade das interferências pretendidas.

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Assim, o presente trabalho utilizou também o Método Estatístico no sentido de dar confiabilidade às informações obtidas junto às fontes pesquisadas, buscando compreender como realmente se processa o ensino dentro da Escola do Complexo Penitenciário do Amapá, através de uma análise qualitativa da fala dos personagens entrevistados. Segundo Vieira e Wada (2004, p. 9), as Estatísticas são usadas para se tomar decisões. Neste processo de globalização é muito difícil que uma empresa, um jornal, um governo e até mesmo um pesquisador, não lance mão de dados estatísticos para aprimorar seu trabalho ou aproximá-lo de um resultado mais fidedigno possível. Para isso precisa-se lançar mão de noções básicas de amostragem, moda, mediana etc. Em linhas gerais, os autores traçam o conceito e a importância da estatística ao afirmarem que:

Estatística é a ciência que estuda o conjunto de métodos usados para obter, organizar e analisar informações numéricas [...] Nenhum estatístico pensaria em obter a opinião de toda a população do Estado porque isso levaria muito tempo e custaria muito dinheiro. O lógico seria obter a opinião de parte da população, ou seja, de um levantamento por amostragem. Mas a amostragem teria que ser representativa da população.