2. Måter og forstå ledelse på
2.3 Lede med fagkompetanse som lederbakgrunn
Ipanema onde se veneram os livros e se apreciam os biscoitos, realizou-se a 52ª reunião semanal dos amigos de Plínio Doyle no exercício que ora finda, por sua amável convocação, sendo-me delegada a tarefa de lembrar o que foram as 51 reuniões anteriores, o que passo a fazer na linguagem dos números.
Registraram-se 830 presenças de 76 pessoas, o que dá média de comparecimento de 16 pessoas e 27 centésimos em cada sábado, se não está errada minha conta de dividir. A tertúlia menos concorrida foi a de 5 de outubro; devido à chuva e às trovoadas, apenas 5 assinaturas no livro de atas. Quando a biblioteca esteve mais cheia, foi na semana passada, com 24 presentes, inclusive a excelentíssima senhora dona da casa e de Plínio, Esmeralda, e a rara e gentil figura de Sonia, filha do casal, que nos contou da Arábia Saudita com a jovialidade, o viço e a graça de uma perfeita carioca que houvesse passado esses três anos na praia do Leblon.
No rol de freqüência, ganhou a palma Fernando Monteiro, que aqui esteve 48 vezes. Segue-se Murilo Araújo, com 40 comparecimentos, se bem que muitas vezes só aparecesse à hora do crepúsculo, em contraste com a luminosidade inerente à sua poesia. Raul Lima e CDA ficaram em terceiro lugar, na casa de 36. 35 é o número de Joaquim Inojosa. Gilberto Mendonça Teles e Homero Homem, 29; Marco Aurélio Barroso, 28, e mais viera se uma bolsa de estudos não o afastasse no rumo de Paris. Seu gosto pelo “papo” da Rua Barão de Jaguaripe ficou manifesto ao assinar o ponto aqui no sábado seguinte ao do seu casamento; e na última ata que redigiu há esta declaração: “Nas minhas tardes parisienses, aos sábados 3 da tarde só me restará uma coisa: tocar um tango argentino.”
Continuando, temos: Deolindo Couto Filho e Paulo Berger, 27; Péricles Madureira de Pinho, 26; Mário da Silva Brito e Severo da Costa, 24. Alphonsus de Guimaraens Filho, Homero Senna, Horácio de Almeida e Maximiano de Carvalho e Silva, 21. Álvarus, 17 (a propósito: sugiro que ele seja convidado a produzir uma ata inteiramente em caricaturas). Pedro Nava, 15. Ciro dos Anjos, 10 (exilado em Brasília, só por isso não foi mais assíduo); Luís Viana Filho, 9; Afonso Arinos de Melo Franco, Eduardo Canabrava, Herman Lima e Raul Bopp, 4; Fred P. Ellison e Olímpio Monat, 3. Afonso Henriques de Guimaraens Neto, Antonio Valdemar, Elisa Nutels, Jean Roche, Jesus Belo Galvão, Manuel Kantor, Maria
Amélia Melo, Ulysses Galvão, Vamireh Chacon e Wilson Martins, 2. Deixo de citar nominalmente os que (38) só vieram uma vez, em parte por castigo, se bem que muitos deles, de passagem pelo Rio, não puderam repetir a dose; os que moram no Rio e não voltaram, ficam na geladeira daquele colunista social.1
As 51 atas foram lavradas por 35 secretários, sendo 4 do sexo feminino: Lygia Fagundes Teles, Maria Cecília Ribas Carneiro, Mariazinha Congílio e Claude Guichard. Esta circunstância e mais a eventual presença de Célia Neves Lazzarotto, Hilda Hilst, Nancy Roche, Rita Rodrigo Otávio Moutinho e outras figuras femininas, juntamente com as de Esmeralda e Sonia, afastaram a possibilidade de sermos considerados um clube ou, o que seria pior, uma academia do Bolinha.
Joaquim Inojosa foi o mais fecundo redator de atas, sendo-lhe creditadas nada menos de 5 e meia. Digo meia porque numa das vezes se limitou a elaborar o nariz-de-cera para a ata de um ausente-presente, Waldemar Lopes, que criou nova modalidade dessse documento: a ata por procuração. Três atas cada um assinalam a contribuição de Raul Lima, Gilberto Mendonça Teles, Homero Homem, Marco Aurélio e Mário da Silva Brito. Maximiano redigiu duas, e Paulo Berger outras tantas. Mais folgados, à base de uma ata por cabeça, estiveram Afonso Henriques e seu pai Alphonsus Filho, Álvarus, Américo Lacombe, Antonio Carlos Vilaça, Armindo Pereira, Bob Ackley (que veio pesquisar coisas sobre Lima Barreto), Cyl Gallindo, Eduardo Canabrava, Fred P. Ellison, Jesus Belo Galvão, Jorge Wanderley, Leodegário A. de Azevedo Filho, Lygia Fagundes Teles, Maria Cecília Ribas Carneiro, Mariazinha Congílio, Nilo Scalzo, Olímpio Monat, Péricles Madureira de Pinho, Raul Bopp, Ulysses Galvao (perdeu o til, naturalizando-se norte- americano), Vamireh Chacon, [espaço]. Rubem Braga parareceu para dar uma de repórter e acabou servindo de secretário; bem feito. Mas os mais folgados de todos foram os demais habitués (do autor) e eventuais, que comeram dos bolos, fruiram do “papo” e não tiveram necessidade de botar o preto no branco. Como é isso? Porque Peregrino Júnior, Luís Viana Filho, Afonso Arinos, Ciro dos Anjos, Chico Barbosa e tantos outros não passaram o rabisteco junto à mesa do salão, para deixar neste livro suas mui prezadas letras, limitando- se a autógrafos?
1 Ibraim Sued.
Entre os secretários, alguns esmeraram-se, fazendo a ata em versos: Mário da Silva Brito, Raul Bopp, Alphonsus de Guimaraens Filho e Gilberto Mendonça Teles. As dos dois últimos foram feitas após a publicação do pequeno volume de Atas Poemas, que reuniu todas as desse gênero lançadas anteriormente neste livro. Edição singela, o produto de sua venda entre pessoas amigas foi alentar o ainda magro fundo monetário do Sindicato dos Escritores do Estado da Guanabara.
Olímpio Monat foi modelo de concisão: relatou que estiveram presentes os senhores – e deixou que cada um assinasse o nome. Severo da Costa não datou a sua, deixando abertos os prazos da lei. Marco aurélio, na pressa de convolar núpcias, datou de 19 a reunião de 18 de maio. E Raul Bopp cunhou um substantivo híbrido, puxado a trocadilho, que fez fortuna: o sabadoyle.
Escritores estrangeiros em viagem de estudos pelo Brasil encontraram acolhida afetuosa, como o citado Bob Ackley, Jean Roche, Fred P. Ellison, Jean Girondon, e bem assim o pintor Manuel Kântor. Festejaram-se prêmios literários concedidos a companheiros, e o aparecimento de seus livros. Aniversários foram comemorados, como o de Murilo Araújo; desta vez, a velinha soprada por ele significou a radiação de seus poemas. Houve lugar para a anedota, a piada, a informação literária, a evocação histórica, a discussão civilizada – e houve também canjica de milho verde, bolos de variados sabores regionais, que freqüentadores orgulhosos de sua geografia palatal traziam como dádivas para o apetite geral dos sábados.
Tudo somado, pergunta-se: mas porque as atas, se não existe associação? E explica- se: a ata não tem valor documental ou histórico; é apenas lembrete de horas amenas, em que se esquecem preocupações e tédios, no exercício desta coisa que se vai tornando rara ou impossível na cidade de hoje: a conversa – a pura, simples, fantasista, descompromissada conversa entre amigos e desconhecidos ou mal-conhecidos, que se tornam amigos por força das aproximações aqui estabelecidas. O sabadoyle afinal é isto; e acaso precisaria ser mais alguma coisa, se já é tanto para o espírto e o coração de todos nós? Já escrevi demais, e encerro a ata antes que me mandem parar.