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4. Results

4.4. Hemagglutination and inhibition activity

Dadas as informações apresentadas ao longo desta pesquisa, uma das questões que se coloca como central neste trabalho é a quantidade de esforço físico necessário para a execução de tarefas que compõem os processos de produção da arquitetura e construção com terra, que é alta, podendo ser excessiva e até degradante se as condições de produção e, particularmente, de operação no canteiro não estiverem devidamente equacionadas.

Paralelamente é colocado que, se não há um aumento da produtividade na fabricação de adobes, a sustentabilidade econômica da produção será arruinada ou, conforme ocorreu nos casos apresentados nas entrevistas do Capítulo 3, pesará sobre os trabalhadores envolvidos na produção. Uma solução que pode ser considerada para resolver tais questões é a inclusão de

máquinas no processo de produção dos blocos para substituir procedimentos que requeiram muito esforço por parte dos trabalhadores.

Para tanto neste apêndice será apresentado um mapeamento inicial de máquinas e equipamentos que podem ser incorporados aos processos de fabricação de adobes e de técnicas mistas, ambas as técnicas fazem uso do barro em estado plástico, conforme detalhado no capítulo 1. Além disso, será possível tecer considerações, adiantando algumas análises e avaliações quanto à viabilidade de inclusão de tais itens na produção.

Como as técnicas de construção com terra envolvem inúmeros procedimentos, um trabalho exaustivamente mais extenso seria necessário para avaliar a produção de todas elas. Para tanto, o processo de preparar o barro utilizado para a modelagem de adobes e para o recobrimento de entramados de técnicas mistas, atividade que muitas vezes se revela entre as mais pesadas, será aquela para qual faremos o levantamento preliminar de máquinas e equipamentos.

Tendo em vista o mapeamento realizado, será feita uma seleção preliminar daquelas que, além de proceder adequadamente dentro da fabricação do barro plástico, atendam requisitos para o conforto e a segurança do trabalhador. Outra questão que deverá ser considerada para a seleção destes equipamentos é o custo, uma vez que valores muito elevados dificultam o acesso do trabalhador ao controle dos meios de produção.

LEVANTAMENTO DE MÁQUINAS

A seguir serão apresentadas máquinas que poderão ser incorporadas no processo de produção da mistura de terra de textura plástica. Por se tratar de uma das tarefas que mais requisita esforço físico dentro das técnicas adobe e técnica mista, foi dada maior atenção aos equipamentos que poderão contribuir para amenização deste processo.

Além de levantamento bibliográfico nos principais livros que tratam do assunto arquitetura e construção com terra, foram feitas visitas a diversos laboratórios de construção e materiais dentro dos campi de São Carlos/SP da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de São Carlos. A partir das informações coletadas foi feita uma pesquisa preliminar de máquinas disponíveis no mercado através da internet. Portanto, as informações estarão divididas em: Máquinas apresentadas na bibliografia especializada; Máquinas assimiláveis presentes nos laboratórios universitários e; Máquinas disponíveis no mercado.

MÁQUINAS APRESENTADAS NA BIBLIOGRAFIA ESPECIALIZADA

Poucos livros e publicações que tratam da arquitetura e construção com terra trazem soluções para a mecanização de sua produção. Entretanto, livros essenciais como o ‘manual’ de Gernot Minke (2006) e o tratado de Houben & Guillaud (2006) trazem uma interessante coletânea sobre máquinas que podem contribuir para a produção da construção com terra em geral. Em “Building with Earth” (Minke, 2006), importante publicação sobre o uso do solo como material de construção e os resultados de suas tecnologias na arquitetura, o primeiro dos livros citados acima, alguns exemplos de máquinas que podem ser incorporadas ao processo são apresentados. Além de maquinário disponível no mercado, são apresentados exemplares desenvolvidos ou adaptados pelo Laboratório de Pesquisa de Construção Experimental (Forschungslabors für Experimentelles Bauen – FEB – Universidade de Kassel). Sobre as máquinas disponíveis para aquisição o livro apresenta as seguintes:

− Trator disponível em obra: apenas quando está disponibilizado é viável, alugar um trator apenas para este fim encareceria a produção. Para utilizar a máquina para o preparo da massa de adobe basta espalhar o barro pré-umedecido e dirigir para frente e para trás sobre o material.

− Motocultivador: máquina de pequeno porte utilizada para preparar o solo para cultivo. Possui eixo horizontal com hastes rígidas acopladas em diferentes ângulos. Este eixo gira de maneira a revolver a terra com as hastes. O uso desta máquina para o preparo de massa de barro é indicado para pequenas quantidades.

− Misturadores de argamassa – modelo antigo: trata de exemplar com rolos rotativos encerrados em um cilindro, de funcionamento adequado ao preparo da massa de barro.

− Misturador Heuser LZM: equipamento desenvolvido pela empresa alemã Heuser Maschinenbau GmbH especificamente para trabalhar no preparo do barro. Misturador de eixo horizontal desenhado com o intuito de facilitar os processos de alimentação e esvaziamento da máquina. É adequado para misturar solos secos e úmidos.

− Misturador elétrico manual: leve e de custo reduzido, entretanto, pode ser demorado preparar o barro com este equipamento. Recomendado apenas para pequenas quantidades.

Para equipamentos que foram adaptados ou criados pelo laboratório são apresentados os seguintes modelos:

− Misturadores da construção civil: solução apresentada como opção frequentemente utilizada na presente execução das tecnologias construção com terra. No caso do laboratório da universidade de Kassel, estas máquinas, tanto as de eixo horizontal como as de eixo vertical, foram adaptadas com a inclusão de braços que revolvem a massa de barro. No texto é pontuado ser conveniente haver alguma máquina ou mecanismo que realize o preenchimento do misturador

− Roda para amassar barro: construído com dois pares de pneus usados de caminhão preenchidos com concreto, é utilizado para preparar a mistura plástica de barro. Os pneus foram instalados em um eixo horizontal fixado a um poste central vertical. Este sistema é tracionado por um pequeno trator, por animal ou até por força humana (mesmo que ainda haja necessidade de esforço humano, trata-se de outro tipo de tarefa, menos pesada que a de virar a massa com os pés). Mesmo com o uso de força mecânica ou animal para a realização da tração, a atividade humana ainda é requerida para recolocar a massa dentro do circuito circular que o sistema descreve. Entretanto o texto relata que, em 15 minutos, 3 pessoas operando o sistema conseguem preparar 1 m3 de massa plástica de barro.

Em ‘Traité de Construction em Terre’ (Houben & Guillaud, 2006), um dos livros de abordagem mais completa sobre a arquitetura e construção com terra, há um capitulo dedicado à pulverização (destorroamento) e à mistura do barro. Nesta seção é enfatizada a importância destas operações por garantirem a qualidade posterior do produto e da construção. São pontuadas as dificuldades de se trabalhar com o material que, por ser bastante coesivo, pode resultar numa mistura não homogênea, com grumos e torrões que posteriormente reduzirão a resistência do material. É afirmado que este é o motivo pelo qual o emprego de uma betoneira convencional não é adequado, que seriam necessários maior tempo de operação da máquina e maior potência para se atingir resultados satisfatórios. Além disso, é colocado que a limpeza do equipamento é muito trabalhosa. Entretanto há outras máquinas que são consideradas adequadas. São oriundas de diferentes setores e atividades, como agricultura, pavimentação e indústria cerâmica. Para a produção específica da massa plástica necessária para a modelagem dos adobes são elencadas máquinas que apresentam as seguintes funções: misturadores de eixo vertical – convencionais e com moinhos – e misturadores de eixo horizontal com palhetas. No capítulo ‘Adobe: Preparação da terra’, os equipamentos são apresentados de maneira mais específica, dividindo-os entre os utilizados para destorroar a terra e aqueles que procedem com a mistura. São elencados inclusive equipamentos de tração animal, que não fazem parte do objeto de estudo deste trabalho.

A respeito de equipamentos que realizam a mistura do barro, são apresentados os seguintes:

− Misturador vertical mecanizado, que chega a produzir 10 m

3 por dia.

− Misturador linear: comumente empregado em produções de larga escala, mas também existem modelos para pequenas quantidades. Pode produzir de 4 a 50 m3 por dia. Os de menor porte podem ser acessíveis para aquisição de trabalhadores cooperados. Além da capacidade de produção apresentam outras variáveis: eixo horizontal simples ou duplo, operação contínua ou descontínua.

− Misturador elétrico manual: no livro tratado por misturador com hélice, tratam-se das máquinas comumente empregadas para a mistura de tintas. Funciona apenas para pequenas quantidades, entretanto em 10 min se prepara 50 l de barro. Classificada como solução improvisada, entretanto eficaz.

− Misturador planetário: ótimo para o preparo do barro mesmo com adição de fibras vegetais. Trata-se de máquina mais cara que um misturador vertical comum. As de menor tamanho, com 100 l de capacidade preparam cerca de 10 m3 por dia.

MÁQUINAS ASSIMILÁVEIS PRESENTES NOS LABORATÓRIOS UNIVERSITÁRIOS

Para esta etapa do levantamento de máquinas que poderiam contribuir para a produção de terra em estado plástico, foram visitados os laboratórios universitários localizados na cidade de São Carlos/SP. A busca tinha como propósito encontrar máquinas que pudessem preparar misturas de textura plástica, característica que deve apresentar o barro para a modelagem de adobes ou para o recobrimento de entramados.

Na Universidade de São Paulo (USP), o primeiro laboratório a ser visitado foi o Laboratório de Construção Civil (LCC) do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU). Neste local foram encontrados dois modelos parecidos de misturadores. O primeiro deles é um misturador de eixo vertical que opera através da rotação de um recipiente que comporta 300 litros. Apresenta pás fixas, cada uma com formato específico, que auxiliam no processo de mistura. Conforme mostra a Figura Ap3.2, estas peças estão afixadas acima do eixo de rotação e distribuídas em quatro diferentes ângulos. O equipamento possui rodas pneumáticas e barra para acoplar em veículo (Figura Ap3.1), o que permite que o mesmo seja transportado para canteiros de obra. A fabricante é a empresa italiana SIPE e o modelo apresenta a referência TM 300. O produto em questão está fora de mercado.