2 Theoretical Perspectives
2.2 Learning seen as conceptual sense-making
Visando atender ao objetivo de estudar organizações inseridas em ambientes organizacionais DCM- (dinâmicos, complexos e com pouca disponibilidade de recursos), escolheu-se desenvolver esta pesquisa no segmento de Telefonia Fixa do Setor de Telecomunicações, conforme explicado na seção3.2, Definição da População Alvo e da Amostra da Pesquisa.
Essa seção tem o objetivo de mostrar um panorama geral sobre o setor de atividade empresarial de Telecomunicações na economia brasileira e apresentar, em especial, o segmento de Telefonia Fixa no Brasil.
4.1 Panorama Global do Setor de Telecomunicações
Fransman (2002) divide a indústria de Telecomunicações em dois momentos: a velha e a nova indústria. A transformação da velha indústria de telecomunicações começou em meados dos anos 80, quando, em função de diferentes combinações de fatores externos às empresas, principalmente, de ordem política, econômica e tecnológica, se extinguiu o monopólio do setor no Japão, Estados Unidos e Reino Unido. Nos anos 90, seguiu-se uma onda de liberalização desse mercado no mundo, após a iniciativa da comunidade européia nesse mesmo sentido. A nova indústria de telecomunicações quase que imediatamente à sua aparição cedeu lugar à indústria da info-comunicação, baseada em equipamentos e serviços que exploram a convergência das tecnologias da informação e telecomunicações.
As rápidas mudanças tecnológicas e de regulamentação que vêm afetando esse setor atraíram novos entrantes de diferentes setores, como as operadoras de televisão a cabo que passaram a competir com os tradicionais provedores de serviços locais e de longa distância. As transformações são de tal magnitude que variam desde a redefinição de produtos e serviços até o desenvolvimento de parcerias entre empresas, na forma de arranjos empresariais, para complementar as competências e recursos organizacionais necessários ao novo perfil de competição do setor. Nesse quadro situacional, “torna-se extremamente difícil traçar a configuração da nova estrutura industrial em suas principais dimensões” (SBRAGIA et al., 2004, p.13).
Para o estudo da nova indústria de Telecomunicações, Fransman (2002) propõe um modelo de arranjos, baseado em camadas. Esse modelo tem a vantagem de identificar as atividades que necessitam ser realizadas para a entrega do produto final. A figura 8 apresenta o modelo.
Figura 8 – Modelo de Camadas para Estudo do Setor de Telecomunicações
Fonte: Adaptado de Sbragia et al. (2004, p.14)
Destaca-se, no modelo, o papel da Internet e suas tecnologias na estruturação das atividades ao longo da cadeia de valor do setor de Telecomunicações. Percebe-se além dos componentes explícitos da cadeia de valor, ou seja, os fornecedores de equipamentos especializados e as operadoras de rede, camadas implícitas: serviços de conectividade; serviços de navegação e aplicações (empacotamento de informações). No modelo fica clara a fusão dos setores de computação e telecomunicações, como nas camadas 4 e 5, que envolvem, basicamente, empresas do setor de Tecnologia da Informação.
(SBRAGIA et al., 2004).
Camada 1: Equipamentos e Software Produto: centrais telefônicas, roteadores,
softwares de tarifação. Camada 2: Rede - circulação de
informações
Exemplos: rede de fibra ótica, redes locais, redes de acesso a rádio. Camada 3: Provedor de acesso Exemplos: UOL, Wanadoo, USP. Camada 4: Navegação e middleware Exemplos: browsers, portais, segurança, pagamento
eletrônico.
Camada 5: Aplicação (empacotamento de informações)
Exemplos: AOL, Reuters Camada 6: Consumidores
4.2 O Segmento de Telefonia Fixa no Brasil
A configuração do setor de telecomunicações no Brasil até o final da década de 60 consistia de um grupo heterogêneo de empresas atendendo a mercados locais, a partir da importação de equipamentos. Esse modelo foi substituído na década de 70 por um modelo estatizado o qual teve como objetivo atender às diretrizes da política macroeconômica de substituição de importações e à política de segurança nacional estabelecida pelo governo militar. (SBRAGIA, et al., 2004).
Em 1972, foi criada uma empresa estatal de telecomunicações -- a Telebrás – responsável pelo desenvolvimento e operação das telecomunicações no país. A Telebrás possuía dois braços principais: o desenvolvimento tecnológico e a operação da infra-estrutura de comunicações do país. No ramo tecnológico, o CPqD – Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, possuía como principais preocupações: criar competências locais nas tecnologias de telecomunicações, utilizando-se de suas próprias atividades de pesquisa e integrar as atividades empreendidas pelas universidades, empresas e outros centros de pesquisa. O sistema de inovação do setor de telecomunicações, nesse período, pode ser esboçado como na figura 10, na qual fica claro o papel do CPqD como agente integrador e articulador.
Figura 10 - Sistema de inovação do setor de telecomunicações no período 1970 a 1997
Fonte: Adaptado de Göransson (1993) apud Szapiro (2000) Operadoras de Rede CPqD Universidade e Indústria Indústria Políticas Públicas: Ministério Comunicações / Telebrás União de Projetos Demanda Tecnologia
O ramo operacional da Telebrás – a Embratel – era responsável pelos serviços de longa distância e pela organização e controle das operadoras de rede locais de comunicação dos estados brasileiros.
Até o começo dos anos 80, sustentou-se uma política de subsídios e protecionismo comercial.
Nessa época, o setor é protegido e com mercado garantido. Isto faz com que a indústria cresça e as empresas brasileiras atendam à totalidade da demanda por centrais telefônicas, cabos, rede externa e equipamentos de transmissão (SIQUIERA, 1997). No entanto, a política industrial estabelecida na época contribui para a elevação dos custos ao impor à produção local índices de nacionalização superiores a 95%. (SBRAGIA, et al., 2004).
Com o fim do governo militar e o acirramento da crise econômica brasileira, o setor de telecomunicações perde prioridade de investimento e atinge o começo dos anos 90 completamente problemático (FLEURY; FLEURY, 1995). Um novo modelo fazia-se necessário. Optou-se pelo modelo baseado na desregulamentação e privatização, seguindo-se a tendência mundial. Em 1997, foi criada a Anatel -- Agência Nacional de Telecomunicações, órgão responsável pela regulamentação e fiscalização dos serviços de telecomunicações.
A reestruturação do sistema Telebrás, iniciada em 1997, teve como objetivo criar uma rede capaz de atender aos mercados regionais. Para tanto, o território brasileiro foi dividido em regiões distintas para atuação das empresas operadoras. O sistema Telebrás foi fragmentado em doze incumbentes ou concessionárias de serviço público. Três incumbentes passaram a controlar as operadoras regionais de telefonia fixa e uma a Embratel. As outras oito passaram a controlar empresas regionais de telefonia móvel.
As concessionárias têm suas tarifas controladas pela Anatel e os contratos de concessão foram vinculados à universalização dos serviços telefônicos dentro dos padrões requeridos de preço, rapidez e qualidade. Além disso, as concessionárias têm a obrigação de garantir a interconexão das outras operadoras à sua rede, mediante pagamento de tarifas ajustadas. (SBRAGIA et al., 2004).
Visando estimular a competição, permitiu-se além das concessionárias, a entrada de operadoras com autorização para exploração de serviços, chamadas “autorizadas”, ou empresas-espelho, selecionadas em processo licitatório.
As empresas-espelho de telefonia fixa não estão sujeitas às metas de universalização, continuidade, interconexão ou qualidade. São obrigadas somente a cumprir os compromissos assumidos em suas propostas e têm tarifas liberadas. Além disso, podem revender serviços das concessionárias e utilizar tecnologia de telefonia celular fixa, prescindindo de redes cabeadas. (SBRAGIA et al., 2004).
A Anatel instituiu, em 2001, as “empresas–espelhinhos”, buscando suprir as áreas onde faltassem investimentos, ou seja, municípios fora dos grandes centros, não priorizados pelas operadoras e suas espelhos. Como as empresas-espelhos, as espelhinhos não têm obrigação com metas de universalização da telefonia fixa.
Interessante observar que as empresas que assumiram a operação da rede de telefonia fixa foram as operadoras européias recém-privatizadas ou novas entrantes, as quais não são orientadas para tecnologia, o que influenciou a diminuição de investimentos em P&D. Esse procedimento foi seguido pelos fornecedores de equipamentos especializados. O que fez com que o estabelecimento de padrões tecnológicos se transferisse para os órgãos de padronização internacionais (FLEURY et al., 2004) e o foco das operadoras se voltasse para a contínua evolução da tecnologia e sua possível utilização na diversificação de serviços.
Operadoras de telecomunicações tratam não só de telefonia fixa, mas são obrigadas a estarem interconectadas a novas empresas operando nas áreas de telefonia móvel, TV a cabo, tecnologias digitais para curta e longa distância, LAN e WAN, e principalmente dentro do mundo da internet e suas múltiplas aplicações. (GAFFARD; KRAFT, 2000, apud SBRAGIA et al., 2004, p.8).
Embora esse segmento seja promissor, vale destacar que a expectativa de demanda desenvolvida pelas empresas foi acima da demanda real, principalmente, em função da expansão da telefonia móvel e da queda do poder aquisitivo da população (EXAME, 2004a; BNDES, 2000, 2001; GLASBERG, 2005).