5. DISCUSSION AND RESEARCH IMPLICATIONS:
5.1. T HEORY & E NTREPRENEURIAL T ENDENCIES :
5.1.3. Lean Startup Model:
O narrador é o responsável por apresentar os fatos aos leitores. É sob a ótica do que narra que o leitor tomará conhecimento dos fatos do texto narrativo. Dessa forma, esse
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“personagem” é importante para abrir um espaço para o leitor adentrar a trama e também pode ser “perigoso” à medida que só dá ciência ao leitor de um determinado ponto de vista ou foco narrativo (COELHO, 1993).
O risco deste elemento posiciona-se, segundo Arrigucci Júnior (1998), justamente na opção por determinados focos narrativos. A perspectiva adotada por quem narra também é um veículo de transmissão valorativa, levando esta escolha a ser mais um componente de registro da autoria do produtor de textos.
[...] a escolha da técnica, do ponto de vista, nunca é inocente. Escolher um ângulo de visão ou voz narrativa (...) tem implicações de outra ordem, ou seja, toda técnica supõe outras questões que são problemas do conhecimento, epistemológicas, questões que podem ser também metafísicas, ontológicas [...] (ARRIGUCCI JÚNIOR, 1998, p. 20).
Portanto, ao se observar o narrador, também se pode observar uma série de outros elementos implícitos no texto como, por exemplo, determinadas formas de visão de mundo ou provocações para os leitores. Diante disso, Cardoso (2001, p. 36) afirma que esse elemento da narrativa é interno e responsável pela apresentação e explicação dos fatos que “[...] se sucedem no tempo e introduzindo os personagens”. Esse sujeito também faz parte do fictício, ou seja, é uma gênese que sustenta a opção linguística do autor, sendo assim, eles não podem ser considerados seres unos. O autor faz uso da voz e visão de quem narra para apresentar os fatos aos leitores, mas de modo algum essa perspectiva pode ser vinculada a quem escreve, haja vista que são seres diferentes.
Quanto à categorização deste elemento, o narrador-personagem é aquele que mantém o foco de sua trama em um determinado ponto de vista e, grande parte do tempo, não tem acesso ao pensamento e sensações particulares de outros sujeitos. Portanto, este indivíduo apresenta autoridade sobre os fatos e conta aos que leem a sua “verdade”. Por consequência, a opção pelo uso desse tipo de elemento condiciona o produto final da escrita a um determinado ângulo que será imutável, à medida que esta entidade conta a sua própria história sem dar espaço aos demais, condicionando os demais agentes da trama ao papel de “personagens secundários” do ato narrado.
Se escolho um narrador em primeira pessoa que seja o protagonista, tenho um ângulo central fixo. E isso cria uma série de consequências e dificuldades. [...] o narrador em primeira pessoa pode saber o que se passa na interioridade de outra personagem? Pode precisar saber: pode ser que a outra personagem seja mais inteligente que esse narrador em primeira e ele precise da inteligência e da iluminação dessa outra inteligência, sem no entanto ter acesso à interioridade da
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personagem porque é um narrador em primeira pessoa, limitado a um ângulo central fixo. Isso mostra que a coerência interna da narrativa, para que se mantenha a forma orgânica do relato sem que se quebre por uma mudança não explicada a sua consciência final, pressupõe detalhes muito contundentes, delicado e difíceis de lidar (ARRIGUCCI JÚNIOR, 1998, p. 21).
De acordo com o autor supracitado, para burlar o foco direcionado do narrador em primeira pessoa, a narrativa pode contar com recursos tais como informações de terceiros oferecidas nos diálogos, diários, dentre outros que atuam como “[...] instrumentos para que o narrador tenha acesso a um [instrumento] que não pode ter porque não pode escapar do ângulo central em que está metido, a camisa de força da narrativa em primeira pessoa” (ARRIGUCCI JÚNIOR, 1998, p. 22). O importante neste caso é gerar situações verossímeis que convençam a quem lê de que é possível o narrador ter acesso a tais informações. Nos textos produzidos durante a oficina, as participantes não optaram por utilizar esse tipo de narrador em nenhum momento.
O segundo modelo de narrador é o observador ou onisciente (ARRIGUCCI JÚNIOR, 1998), muito comum na narrativa do século XX e nos contos infantis, que narra os fatos de sua perspectiva. A opção por este tipo de narrador condiciona o leitor a conhecer os fatos pelo olhar do outro, pela proximidade que ele decide ter dos fatos, portanto, esta forma de narrar funciona como um filtro para o leitor.
Em todas as narrativas escritas no decorrer da oficina, o narrador foi assegurado pelas participantes, sendo que, todas elas optaram por utilizar o observador. Em nenhum dos episódios este elemento participou, interferiu ou mesmo exprimiu algum juízo sobre as ações da narrativa, ele apenas foi utilizado como um canal para relatar os fatos que visualizou.
O que se observou na escrita das participantes foi, inicialmente, uma forte influência dos narradores dos contos de fadas que romanceavam as ações. Todavia, ao ter contato com outros contos e novos estilos de escrita, isso foi sutilmente sendo alterado. Isso porque, durante as atividades de leitura, os estudantes perceberam que era possível narrar uma história de diferentes maneiras e que diferentes recursos de linguagem poderiam ser empregados pelo narrador para ampliar a significação do texto.
A opção por este tipo de narrador pode estar ligada à experiência que as crianças possuem com contos narrados em terceira pessoa, o que as deixaria mais seguras para redigir o texto, todavia, não foram observados elementos concretos que embasem essa escolha.
Os narradores criados em todos os contos analisados constroem a verossimilhança através da mescla de elementos reais com ficção. Diante disso, infere-se que, para as crianças,
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a opção por determinado foco narrativo e a forma como o narrador apresenta o enredo possuem singularidades, todavia, as participantes ainda não dominam a técnica da narrativa de tal modo que possam utilizar esse elemento para construir sentidos mais amplos para o enunciado.