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2. Teori

2.4 Lean

O território do Alto da Serra de São Pedro se insere na Área de Proteção Ambiental do Corumbataí – Botucatu - Tejupá, designadamente no Perímetro Corumbataí, localizada no Centro-leste do Estado de São Paulo, compreendida entre os paralelos 22°00' e 22°40' de latitude Sul e 47°30' e 48°30' de longitude Oeste (ALGARENGA, 2010).

A APA Corumbataí foi criada pelo Decreto Estadual n° 20.960, de 8 de junho de 1983. O território do Alto da Serra abrange uma área total de 6.492 km2 do Perímetro que é enquadrado como Unidade de Conservação, ou seja, visa proteger elementos naturais de ordem ecológica e paisagística, inseridos em contexto de ocupação humana. A criação deste Perímetro justifica-se pela presença de Cuestas Basálticas24

Este cenário, ao mesmo tempo é marcado pela crescente expansão urbana, das mono- culturas de cana-de-açúcar, pelo expressivo aumento da citricultura e dos plantios comerciais de Eucaliptus e Pinus ssp. Geologicamente, a APA Corumbataí localiza-se no setor paulista flanco nordeste da Bacia Sedimentar do Paraná e apresenta litologias que datam do Paleozói- co (Formação Corumbataí), Mesozóico (Grupo São Bento: Formações Pirambóia, Botucatu Serra Geral e Intrusivas Básicas Associadas) e Cenozóico (Formações Itaquerí, Rio Claro, e Sedimentos Aluvionais Quaternários) (RICCOMINI et al.,1981) (Figura 14).

e morros testemunhos de grande vulnerabilidade ambiental e de vegetação de cerrado remanescente (Figura 13).

A bacia hidrográfica do Rio Jacaré Pepira, que banha todo o complexo do Alto da Serra de São Pedro é amplamente conhecida pelas suas atividades ecoturísticas (ZAINE, 1996; CORVALAN E GARCIA, 2011), dadas sua beleza cênica, apresentando inúmeros atrativos naturais como cachoeiras corredeiras e saltos (Figura 15), como as Serras de Itaqueri e São Pedro, morros testemunhos, grutas, represas, áreas de remanescente de flora, entre outros.

A bacia hidrográfica do Rio Jacaré Pepira pertence à Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos – UGRHI 13 (Tietê/Jacaré) e à bacia do Rio Paraná (2612 km). Os principais cursos hídricos que perpassam Alto da Serra são: Ribeirão Passa Cinco, Rio Jacaré- Pepira, Ribeirão dos Carneiros e Ribeirão do Pinheirinho, segundo os dados da FEHIDRO de 2011 (Figura 16).

24 Cuesta Basáltica corresponde às escarpas dos Planaltos e Chapadas, sustentadas em rochas vulcânicas da Era Mesozoica, localizadas entre a Depressão Periférica e o Planalto Paulista. Outro exemplo de Cuesta é a de Botucatu, no interior do Estado de São Paulo (PONÇANO, 1981).

Figura 13 – Localização da Área de Proteção Ambiental Corumbataí – Botucatu – Tejupá no Estado de São Paulo e do Município de São Pedro na abrangência do Perímetro Ambiental – Escala: 2,5mm - 10 km

Figura 14 – Classificação da formação geológica do local de estudo Fonte: UNESP – Botucatu; Departamento de Solos (1996)

Nota: 1 – Subgrupo Itararé; 2- Formação Tatuí; 3 – Formação Irati; 4- Formação Corumbataí; 5- Formação Pirambóia; 6- Formação Botucatu; 7- Formação Serra Geral; 8- Formação Adamantina; 9- Formação Itaqueri; 10- Formação Rio Claro; 11- Depósitos Aluviais

Figura 15 – Pontos turísticos associados aos recursos hídricos do Alto da Serra de São Pedro: Cachoeira do Saltão – Ribeirão dos Carneiros

Figura 16 - Localização da área de estudo e do Rio Jacaré Pepira na UGRHI – 13 Fonte: FEHIDRO (2011)

Em relação às áreas protegidas, na UGRHI-13 estão inseridas sete Unidades de Con- servação, sendo três de Proteção Integral nas proximidades da área de estudo; Estação Ecoló- gica - EE - Sebastião Aleixo da Silva, EE de Itirapina, EE de São Carlos; e quatro de Uso Sus- tentável; Área de Proteção Ambiental - APA - Corumbataí-Botucatu-Tejupá, APA Ibitinga, APA Rio Batalha e Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN - Amadeu Botelho. As Estações Experimentais (EEx) – que não são categorias previstas na Lei do SNUC, são áreas que visam à produção de matéria primas, segundo o Decreto Estadual nº. 20.960, de 8 de ju- nho de 1983.

Segundo a classificação de solos da EMBRAPA (1999), há ocorrência nesta bacia de: Latossolo, Argissolo, Neossolo, Gleissolo, Nitossolo e Organossolo. Quanto ao relevo, o terri- tório está inserido entre dois compartimentos geomorfológicos: a Depressão Periférica e o Planalto Ocidental (Figura 17), na área de ocorrência das Cuestas Basálticas (22°25’58’’ S e 47°52’34’’ O) a uma altitude de 900 m (Figura 18), de acordo com o Atlas do Relevo do Es- tado de São Paulo (2000).

Figura 17 – Divisão geomorfológica do Relevo Paulista. V – Planalto Ocidental, IV- Cuestas Basálticas e III–Depressão Periférica

Figura 19 – Esquema de drenagem e topografia da Serra de São Pedro-SP Fonte: Adaptação do desenho de Schelstraete (2011, p. 22)

De forma geral, é pertinente ressaltar, que o município de São Pedro, conforme Ab´Saber (1969) apresenta como traços dominantes de relevo, as formas colinosas (Figuras 20 e 21), cujos topos tabulares oscilam entre 500 a 600m de altitude, e que estão presentes os típicos “almofadões” resultantes do trabalho erosivo dos rios e das águas pluviais, nos terre- nos predominantemente arenosos.

Enfim, o território em questão apresenta um relevo muito diversificado, observando- se áreas com altitudes superiores a 1.000 m, podendo a amplitude altimétrica, atingir os 400m.

As serras apresentam escarpas e festões das cuestas arenito basálticas, com altas decli- vidades e drenagem densa e entalhada, representando algumas formas de relevo residual. As formações rochosas da Serra do Itaqueri e de São Pedro ocupam longitudinalmente toda a extensão destes municípios, representando um marco geológico importante, pois se define por meio da Cuesta a divisão da bacia sedimentar (Figuras 21 e 22). Há influência da altitude e da configuração do relevo (Serra de São Pedro) nas oscilações térmicas e pluviométricas do município, conforme Facincani (1995).

Outra característica importante do relevo da área de estudo, de acordo com Sanchez (1971), é a posição e altitude da serra de São Pedro que altera as características gerais do cli- ma da maior parte do município, por meio da diminuição normal da temperatura com o au- mento da altitude (a área urbana de São Pedro está a 550 m e o Alto da Serra à aproximada- mente 900 m).

Outra conseqüência da altitude e configuração do relevo é o efeito orográfico em rela- ção aos deslocamentos das massas de ar, com conseqüentes chuvas mais abundantes nos re- bordos escarpados e no seu reverso imediato. O clima dominante, de acordo com Facincani (1995), é o tropical com duas estações bem definidas: seca e fria, de abril a setembro, com temperaturas médias mensais entre 16º e 19ºC, e quente e úmida, de outubro a março com temperaturas oscilando entre 22ºC e 27ºC. As médias anuais são superiores a 22ºC. Segundo o sistema de Köppen é do tipo Cwa, com inverno seco e verão chuvoso, com uma passagem gradual entre os dois períodos (ZAVATINI & CANO, 1993).