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complexidade das questões relativas à inclusão escolar

Inicialmente, os professores participantes da pesquisa seriam selecionados a partir da distribuição geral entre as escolas da região do Butantã, dados que estavam organizados junto ao Cefai, considerando escolas com maior número de crianças com deficiência no Ensino Fundamental.

A região do Butantã está localizada na Zona Oeste do município de São Paulo. Esta região engloba nove subdistritos: Butantã, Morumbi, Raposo Tavares, Rio Pequeno, Vila Sônia, Itaim Bibi, Jardim Paulista, Pinheiros e Alto de Pinheiros (ver Figura 1, a seguir).

Figura 1. Localização do subdistrito do Butantã no município de São Paulo

Fonte: Cefai Butantã, 2007.

De acordo com o levantamento do município de São Paulo de 2004, a população total dessa região atinge 650.150 habitantes. Há 77 unidades educacionais jurisdicionadas na Coordenadoria do Butantã, atendendo um total de 54.468 alunos matriculados desde a Educação Infantil até a Educação de Jovens e Adultos (EJA). As unidades educacionais estão distribuídas da seguinte forma: 30 Escolas Municipais de Educação Fundamental (Emefs), 27 Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), 15 Centros Educacionais de Educação Infantil (Ceis), um Centro Educacional de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) e um Centro de Educação Unificado (CEU).

Subdistrito do Butantã

Do total de 30 Emefs, apenas cinco aceitaram participar da pesquisa. A partir desse universo de escolas, foram entrevistados 11 professores, de acordo com a caracterização exposta no Quadro 1.

Quadro 1: Caracterização geral dos professores entrevistados e das escolas Escola Total de alunos Alunos com deficiência Total de professores Professores com alunos com deficiência * Nome dos entrevistados Idade Anos de experiência com inclusão ** Área de formação Número de crianças que acompanha Tipo de deficiência

E 573 7 19 7 Paulo 39 16 Biologia 2 DM/DA

A 1.000 16 60 16

Patrícia 53 20 Magistério/Pedagogia 1 DM

Elisa 45 18 Magistério/Pedagogia 1 Autismo

Cristina 50 27 Magistério/Pedagogia 1 DM

Beth 15 Magistério/Pedagogia 1 Autismo

C 860 14 37 14 Roberta 46 20 Magistério/Pedagogia 1 Múltiplo

D 1.090 19 60 19

Zilda 40 17 Magistério/Pedagogia 1 DF/DA

Andréa 53 17 Magistério/Pedagogia/Habilitação em DM 30 Múltiplo B 1.276 19 57 19 Fabiana 33 10 Magistério/Letras/Português 5 DM Isabel 60 20 Magistério/Geografia 5 DM Cecília 42 22 Magistério/Matemática 5 DM

Fonte: Cefai Butantã, São Paulo, 2007.

Notas: * O número de professores envolvidos com alunos com deficiência é um número igual ao número de crianças com deficiência na escola, pensando que em cada sala existe apenas uma criança com deficiência. ** O tempo de trabalho com inclusão foi referido pelos professores como igual ao tempo de formação.

Pode-se observar que o número de crianças com deficiência que freqüentam as salas regulares ainda é pequeno e que nesse recorte levantado o maior número refere-se a alunos com deficiência mental, dado que se repete na região do Butantã como um todo, como veremos nos dados apresentados pelo Cefai.

Com relação aos serviços de apoio, a região possui 15 salas de apoio e acompanhamento à inclusão (SAAIs), distribuídas como mostra a Tabela 2.

Tabela 2: Número de SAAIs e população atendida de acordo com tipo de deficiência

Caracterização da população atendida Número de salas

Deficiência mental 12

Deficiência física 2

Deficiência visual 1

Total 15

FONTE: Cefai Butantã (2007)

Além disso, a região possui 12 salas de apoio pedagógico (SAPs). De acordo com a pesquisa realizada em 2004 pelo Cefai, a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais no Ensino Fundamental nas unidades educacionais da região do Butantã encontra-se distribuída como mostra a Tabela 3, a seguir.

Tabela 3: Crianças do ensino fundamental da região do Butantã segundo problemática, 2006

Problemática Número de crianças de

Ensino Fundamental

Deficiência física 45

Deficiência visual 37

Deficiência mental 196

Deficiência auditiva 22

Distúrbio global do desenvolvimento 109

Conduta típica 187

Múltipla 40

Total 764

Fonte: Cefai Butantã, 2007.

Segundo o mapa de exclusão (Sposati e Koga70), o subdistrito de Raposo Tavares, onde se localizam quatro das cinco escolas estudadas, está entre os de menor índice de inclusão social da região do Butantã. Os indicadores de exclusão/inclusão social foram compostos por informações sobre qualidade de vida que incluem itens como a disponibilidade de água e esgoto, o tempo de deslocamento origem/destino, o acesso à educação e o desenvolvimento humano da região do Butantã, além de nível de escolaridade dos chefes de família e mortalidade infantil e juvenil. Esses dados ajudam a situar o cenário e a dinâmica da exclusão/inclusão da população em geral, e reafirmam que a região em que estão inseridas as escolas carece de recursos em diferentes áreas.

Foi critério para participação de professores neste estudo ter, no mínimo, um ano de experiência, acompanhando crianças com deficiência na

sala regular. Isto porque entendemos que, a partir da 1ª série, surgem aprendizagens e atividades mais específicas e os aspectos pedagógicos aparecem com mais ênfase do que em relação à Educação Infantil, onde predomina a questão da socialização da criança. Acrescentamos a necessidade de, no mínimo, um ano de experiência para que não fossem selecionados apenas professores novos na rede com pouca ou nenhuma experiência em Educação Inclusiva.

O processo de escolha dependeu de diferentes contatos realizados pela pesquisadora junto ao Cefai, tanto para a apresentação detalhada da proposta do estudo, como para o delineamento dos procedimentos a serem utilizados no contato com escolas e professores. Para a seleção das

escolas, fizemos uma reunião com os quatro membros do Cefai3, tendo em

mãos a lista de escolas, bem como o número total de alunos e o número de alunos com deficiência.

Essa seleção foi feita em conjunto, já que, para o desenvolvimento do estudo, a pesquisadora necessitou da autorização desse órgão para entrar em contato com as escolas.

A partir desse encontro, os integrantes do Cefai sugeriram que a seleção levasse em consideração, além do número de crianças com deficiência, o acesso deste órgão junto às escolas, pois, segundo eles, muitas destas impossibilitariam o contato com os professores e o andamento da pesquisa, como de fato ocorreu. Cada um dos quatro profissionais do

Cefai é responsável pelo acompanhamento de determinado número de escolas (cerca de 23 escolas).

Enfim, de um total de 30 unidades de Ensino Fundamental, os membros do Cefai sugeriram realizar a pesquisa em 11 escolas.

A partir desse número, realizamos contato inicial com o coordenador pedagógico de cada escola, destacando o apoio do Cefai para o desenvolvimento da pesquisa, e agendamos um horário para apresentação do estudo. Neste momento, duas visitas da pesquisadora foram acompanhadas por um representante do Cefai, responsável por aquela determinada escola.

Deste total de escolas, apenas cinco aceitaram participar da pesquisa. Algumas alegaram falta de tempo dos coordenadores e professores; outras deixaram claro a falta de interesse ou o desagrado com o tema abordado. Apenas duas das escolas que recusaram participar da pesquisa permitiram a entrada da pesquisadora para apresentar o trabalho; as outras recusaram por telefone, e uma delas não deu resposta, apesar de insistentes solicitações.

A partir da escolha das escolas, pudemos conversar com os professores e apresentar o estudo em horários de reunião coletiva, ou então via coordenação pedagógica ou direção da escola, conforme determinado por cada instituição. Após a apresentação do trabalho e considerando como critério de inclusão o tempo mínimo de um ano de experiência do professor no ensino de crianças com deficiência, foram entrevistados 10 docentes de Ensino Fundamental I e II e uma professora de SAAI com habilitação em

deficiência mental (DM), a partir do roteiro de entrevista apresentado no Anexo A.

Inicialmente, pensamos em entrevistar apenas os professores, pois o principal objetivo do estudo era conhecer as estratégias utilizadas pelos docentes. No entanto, o processo de escolha de escolas e professores demonstrou tanto a dificuldade de acesso e aceitação do estudo pelas escolas, quanto a fragilidade e a pouca influência do Cefai junto às escolas e as limitações que tem encontrado para o desenvolvimento e a implantação das diretrizes de inclusão escolar das crianças com deficiências. Assim, para conhecer melhor o processo e nos aprofundarmos na abordagem do tema da inclusão escolar na região, ao final das entrevistas individuais com os professores, optamos por um encontro coletivo, para o qual foram convidados todos os docentes que haviam participado de início. Do total de 11 convidados, compareceram seis, ou seja, pouco mais da metade.

Esse encontro foi realizado em duas partes. Na primeira, partimos de uma conversa coletiva, norteada por questões como concepções de inclusão e escola inclusiva, o momento atual da educação e do professor, para então chegar à especificidade das estratégias utilizadas em sala de aula.

No segundo momento desse encontro, oferecemos um curso sobre materiais pedagógicos adaptados, como forma de incentivo para participar do encontro e como uma devolutiva imediata com relação à participação na pesquisa. Todos os materiais confeccionados (prancha de desenho para crianças cegas, adaptadores para preensão, tesouras adaptadas, brinquedo para alfabetização em braille) puderam ser levados pelos professores. Foi

necessário incluir no estudo outros agentes da comunidade escolar para conhecer estratégias de ação de coordenadores pedagógicos, interlocutores diretos entre os professores, a escola e demais instâncias de ensino.

Além disso, ainda como parte do processo de constituição do trabalho de campo e para maior aproximação com o tema, entrevistamos um representante do Cefai, já que este órgão representa uma frente de trabalho muito importante na Diretoria Regional de Ensino. Essa entrevista teve como objetivo conhecer melhor o trabalho do Centro e as estratégias que se utilizavam para ter acesso e desenvolver o trabalho de apoio à inclusão nas escolas da região. Além disso, buscamos conhecer os resultados deste trabalho e os progressos com relação ao tema na região. Para essa entrevista, foi utilizado o roteiro apresentado no Anexo C.

Também foi necessário acionar outro agente da comunidade escolar, muito citado pelos professores e pelos documentos de nível municipal e federal: o coordenador pedagógico, profissional que tem contato direto com os professores da escola e com as salas de aula e, por isso, adquire grande importância no cotidiano das escolas e do trabalho dos docentes. Foi entrevistado o coordenador pedagógico da escola que, durante o desenvolvimento do trabalho de campo, demonstrou grande interesse e disponibilidade para participar do estudo. Além disso, a escola em que desenvolve suas atividades realizou um projeto diferenciado com alguns alunos, na tentativa de criar um ambiente mais acolhedor das diferenças. O roteiro desta entrevista está no Anexo B.

A escuta de diferentes agentes pôde auxiliar na compreensão da realidade do trabalho nas escolas e na formação de um panorama geral acerca da situação de inclusão de crianças com deficiências, nessa determinada realidade na região oeste do município de São Paulo.