Nesse capítulo, analiso a implantação e a implementação do PME na EMEIF Herbert de Souza, a partir das atividades do Programa, na visão de alguns atores pedagógicos, a partir da aplicação de questionários: duas coordenadoras do PME no período de 2008 a 2012, 04 professores do Ensino Fundamental com carga horária de 200horas e 04 monitores das oficinas do PME, quantidade inicialmente prevista, mas ampliada para 05, por motivos que serão expostos posteriormente. O questionário foi escolhido como instrumento de coleta de dados em virtude de algumas circunstâncias que foram surgindo ao longo da pesquisa.
Como critérios da seleção dos sujeitos, cada função obedeceu algumas peculiaridades. As coordenadoras do PME foram escolhidas, pois eram as que acompanhavam todas as atividades e ações desenvolvidas, juntamente com a gestão escolar. Para o professor, foram considerados os seguintes critérios: estar lotado na escola no período de funcionamento do PME; estar lotado na escola com carga horária de 200 horas, pois assim pressupõe-se que teria uma visão mais ampla do funcionamento das atividades; ter seus alunos participando das atividades do programa. Todos os professores têm sua lotação no Ensino Fundamental, já que esse era o público alvo do PME na escola (2º ao 5º ano).
Para os monitores foram considerados os seguintes critérios, por ordem de relevância: ter atuado por mais tempo nas atividades do PME; morar na comunidade circunvizinha à escola, com o objetivo de facilitar o acesso ao sujeito, ter apresentado bom desempenho nas atividades do PME, conforme indicação da coordenação do PME na EMEIF Herbert de Souza.
Tive receio de que a vivência partilhada durante anos na escola pudesse influenciar as pessoas, se optasse pelo recurso da entrevista. Acredito que as
respostas durante as entrevistas poderiam ser condicionadas para não “desagradar” a entrevistadora, ou que, mesmo seguindo um roteiro de questões, alguma das minhas intervenções pudesse induzir algumas das respostas dos sujeitos. A escolha pelo questionário como técnica de investigação oportunizou um distanciamento do meu objeto de pesquisa, gerando certa liberdade por parte dos sujeitos para responder às questões.
Para Gil (2008, p. 121),
[...] o questionário é uma técnica de investigação composta por um conjunto de questões que são submetidas a pessoas com o propósito de obter informações sobre conhecimentos, crenças, sentimentos, valores, interesses, expectativas, aspirações, temores, comportamento presente ou passado, etc.
O autor classifica em questionários “auto-aplicados” aqueles escritos por seus próprios respondentes. De uma lista de vantagens e de limitações à aplicação do questionário como técnica de pesquisa apresentada pelo autor, destaco como vantagens: a condição do sujeito responder quando achar conveniente e a não exposição dos pesquisados à influência das opiniões e ao aspecto pessoal do entrevistado (GIL, 2008, p.122).
Aponto ainda outras justificativas para a escolha, como a facilidade da transposição dos dados para o computador e o maior tempo que o sujeito dispõe para pensar sobre as questões. Esses e outros pontos são apresentados por Ribeiro (2008) quando elenca técnicas da pesquisa qualitativa com seus pontos fortes e pontos fracos. Em acordo com a autora, percebi que a aplicação do questionário ocasionou dificuldades, como algumas pontuadas em seu texto: “a inviabilidade de comprovar respostas ou esclarecê-las, dá margem a respostas influenciadas pelo “desejo de nivelamento social” e a baixa taxa de respostas para questionários enviados pelo correio”. Esse último item pude verificar devido à dependência do envio das respostas às questões por e-mail e pela ausência de algumas questões respondidas.
Acrescento ainda como relevante, uma das desvantagens apresentadas por Gil (2008, p. 122) que dispõe sobre quais “[...] as circunstâncias em que foi respondido, o que pode ser importante na avaliação da qualidade das respostas.”
Na lista das desvantagens, o autor aponta outro fator que, para mim, contraria a sua classificação, pois serviu como vantagem. Quando critica a subjetividade das questões abertas, pois os itens podem ter significados diferentes para o sujeito, Gil apresenta como uma fragilidade para a escolha do questionário como técnica de coleta de dados. Para o objetivo dessa pesquisa que sugere a visão que cada sujeito teve do processo de implantação e implementação do PME, as questões abertas foram fundamentais para a avaliação do processo, por isso, as considero uma vantagem.
5.1.1 O questionário
O questionário (APÊNDICE A) foi elaborado conforme o objetivo geral e os objetivos específicos da pesquisa, sendo organizado em três dimensões: tempo escolar, espaço escolar e currículo escolar. Essas dimensões estão na proposta do PME como pilares na construção da proposta de ampliação para a Educação Integral. Mesmo que a LDB apenas mencione a ampliação da jornada escolar, o PME indica que essas três dimensões estão interligadas e fazem parte desse grande macro que é o conceito de currículo na perspectiva de uma Educação Integral.
Para cada uma das três dimensões, foram apresentadas três questões que tinham por objetivo: saber como os sujeitos pesquisados compreendiam os conceitos sugeridos (tempo, espaço e currículo); sugerir que refletissem sobre as concepções de suficiência do tempo de permanência do estudante na escola, sobre a ampliação do espaço educativo para além da escola e sobre a função da escola. Foi indagado, ainda, se aconteceram ou não mudanças na EMEIF Herbert de Souza durante o funcionamento do PME e quais seriam elas.
Foram aplicados e respondidos 12 questionários no total, sendo 02 respondidos pelas coordenadoras do PME na escola, 04 por professores e 06 por monitores das oficinas. Por razões que apresentarei a seguir, serão considerados 11 questionários, pois um deles não estava dentro dos critérios estabelecidos.
5.1.2 Os sujeitos
Sobre o acesso aos sujeitos da pesquisa, me vi diante de circunstâncias um tanto opostas. Para a aplicação dos questionários com os professores e com as
coordenadoras da escola, não tive problemas. Fui à escola e conversei diretamente com cada um deles, apresentando a proposta da pesquisa e solicitando que respondessem às questões de acordo com as suas vivências na escola e o ponto vista sobre as atividades do PME. Os questionários foram aplicados nos dias 20 e 21 de outubro de 2013.
A aplicação dos questionários com os monitores aconteceu de maneira bem diferente. A escolha dos monitores foi inicialmente motivada pelos critérios outrora expostos, imaginando que eu não teria grandes dificuldades em encontrá- los, pois moram próximo ou no mesmo bairro da escola. Dois deles, além de participarem das atividades do PME como monitores, são funcionários da EMEIF Herbert de Souza. Em virtude disso, não foi tão difícil conciliar os horários para encontrá-los e pedir que respondessem as questões.
Tive dificuldades em me comunicar com os demais monitores que respondiam aos critérios estabelecidos, por vários motivos: haviam mudado de telefone, não atendiam às ligações, não estavam em casa nos horários que eu havia escolhido para ir à escola. Resolvi apelar para o famoso “deixar recado” e tentei entrar em contato via redes sociais e por e-mail. Enfim, tive que incluir outros 02 monitores que não estavam previstos dentre os 04 escolhidos anteriormente, pois fiquei com receio de não obter a quantidade de questionários que havia estabelecido como meta.
Embora as incertezas me rodeassem o tempo inteiro, ao final da “saga” em busca dos “escondidos” monitores, “saí no lucro” e obtive os 06 questionários aplicados, respondidos.
Apesar das orientações para que todas as perguntas fossem respondidas e que as respostas fossem as mais próximas das vivências dos sujeitos durante o PME na escola, dois questionários que foram enviados via e-mail não vieram completos (no questionário do Monitor 01 - M3101, faltou uma resposta e no do
Monitor 04 - M04, duas respostas). Os dois serão considerados na pesquisa, ainda que com essas ressalvas.
Outro questionário também enviado por e-mail, o do Monitor 06 - M06, foi desconsiderado por indicar claramente que as respostas não foram escritas pelo sujeito.
31(M01) - Sigla escolhida por mim para caracterizar o sujeito Monitor na pesquisa. A tipificação será
O uso de termos técnicos para a definição dos conceitos, de recursos de escrita que não são compatíveis ao seu perfil e respostas descontextualizadas com as atividades do PME na EMEIF Herbert de Souza denunciavam a consulta realizada para auxiliar nas respostas às questões. Embora entenda que a intenção foi das melhores, findou por descaracterizar o objetivo da pesquisa. Somando-se a essa situação, o MON06 não estava entre os 04 monitores escolhidos a priori, pois só esteve envolvido nas atividades do PME na escola por cerca de 08 meses.
A seguir, apresento resumidamente o perfil dos sujeitos entrevistados (APÊNDICE B). A descrição do perfil tem o objetivo situar sobre as possíveis motivações e influências que levaram os sujeitos às respostas das questões. Por exemplo, as respostas dos monitores das oficinas de música e de horta estão em consonância com as suas vivências na rotina do Programa, por isso, importa situar o leitor nesse contexto específico o que auxiliará na compreensão das análises.
Para organizar o perfil dos sujeitos, foram considerados: o sexo, a faixa etária, a formação, o tempo de magistério (para coordenadoras e para os professores), o tempo de lotação na escola, a formação e a oficina (para os monitores). Foi elaborado um quadro-resumo para o perfil dos entrevistados (APÊNDICE C).
Aos sujeitos, foram atribuídos códigos de identificação de acordo com a
função que esses ocupam na escola (abreviação do nome da função) e uma numeração que indica a ordem de devolução do questionário à pesquisadora. Essa decisão foi arbitrária, sem qualquer relação com o processo de análise dos dados. Objetiva, simplesmente, facilitar a citação das respostas dos sujeitos no momento da análise dos dados. Para as duas coordenadoras, serão utilizados os códigos: C01 e C02; para os professores, P01, P02, P03, P04; e para os monitores, M01, M02, M03, M04, M05.
As respostas dos sujeitos foram transcritas tais quais estavam nos questionários, sem qualquer interferência da minha parte ou da correção ortográfica do editor de textos do computador.